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Tornado devasta 90% de Rio Bonito do Iguaçu e deixa cidade em ruínas; prejuízos no campo ainda são incertos
Fenômeno raro no Paraná deixou seis mortes, centenas de feridos e um cenário de destruição quase total no município de 14 mil habitantes.

Um tornado de categoria F3, com ventos estimados entre 180 e 250 quilômetros por hora, atingiu no fim da tarde de sexta-feira (07) o município de Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 14 mil habitantes, localizado no Centro-Sul do Paraná, e deixou um rastro de destruição que devastou cerca de 90% da cidade, segundo a Defesa Civil estadual. O fenômeno, confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), é considerado um dos mais fortes registrados no estado.
Há registros de destelhamentos, quedas de estruturas, árvores e postes caídos, casas e comércios destruídos total ou parcialmente, além de falta de água e luz e veículos destruídos. O número estimando de desabrigados e feridos ainda está sendo levantados. Policiais, bombeiros, funcionários da Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu e voluntários estão atuando na cidade e nos municípios vizinhos em busca de vítimas.
O município foi um dos mais atingidos no Estado durante o deslocamento de uma frente fria, que passou por todas as regiões paranaenses com vários núcleos de tempestade. “Uma dessas tempestades, classificada como supercélula, gerou um tornado sobre o município de Rio Bonito de Iguaçu, causando danos bastante severos sobre a cidade. Foram registrados tombamentos de veículos, quedas de árvores inteiras e inclusive de casas de alvenaria. A classificação do tornado foi baseada na análise dos danos e também nas imagens do radar meteorológico do Simepar”, explicou o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib.

Foto: Ari Dias/AEN
Dentro da escala Fujita, relacionada à intensidade dos ventos e aos danos associados ao fenômeno, o tornado foi classificado preliminarmente com o índice F2, porém após fortes indícios de que o tornado, em alguns pontos da cidade, ultrapassou os 250 km/h, os meteorologistas do Simepar mudaram a classificação para F3.
Zona rural
Ainda não há informações concretas sobre os prejuízos na zona rural, em que predominam pequenas e médias propriedades de suinocultura, avicultura, bovinocultura de leite e agricultura familiar. As equipes de emergência enfrentam dificuldades de acesso a comunidades do interior, muitas delas com estradas bloqueadas e energia elétrica interrompida. “Ainda estamos na fase de levantamento de dados. A prioridade é o resgate e o atendimento das famílias atingidas na área urbana”, afirmou a Defesa Civil do Paraná. “Nosso trabalho está focado na localização e salvamento das vítimas, e também na triagem e atendimento hospitalar, assim como policiamento”, afirmou o coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros do Paraná. “Ao longo de sábado (08) vamos ter um cenário mais factível de desabrigados e desalojados para ajudar melhor as pessoas”, complemdentou.
Na área rural, os estragos ainda estão sendo avaliados. Há relatos preliminares de instalações de suínos e aves destelhadas, perda de energia

Fotos: Jonathan Campos/AEN
em granjas e danos a lavouras de milho e soja próximas à área urbana, mas nenhum dado oficial foi divulgado até este sábado (08). A Copel (Companhia Paranaense de Energia) trabalha para restabelecer o fornecimento de eletricidade no município. Sem energia elétrica, os prejuízos em unidades de produção animal podem se agravar de form rápida por falta de ventilação, água e alimentação adequada para os animais.
O governo estadual afirmou que o levantamento completo dos danos deve levar alguns dias e que o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional será acionado para apoio na reconstrução. “O momento é de solidariedade e reconstrução. Rio Bonito do Iguaçu precisa de todos nós”, enfatizou Ratinho Júnior.
Vítimas e desabrigados
O governo estadual informou que mais de 750 pessoas foram atendidas pelas equipes de socorro, nove delas em estado grave, e seis mortes foram confirmadas, cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava, na área rural. Em Rio Bonito do Iguaçu foram três homens com idades de 49, 57 e 83 anos, e duas mulheres, com idades de 14 e 47 anos. A vítima de Guarapuava é um homem de 53 anos. Também há um desaparecido no momento, mas as forças de salvamento ainda estão recebendo informações de familiares e o número pode aumentar. Mais de 50 bombeiros estão em atendimento na cidade.

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) segue com operações de busca e salvamento nos locais afetados, principalmente nas estruturas mais colapsadas. A corporação também está fazendo levantamento de danos junto com autoridades locais, como postes caídos, casas afetadas e vítimas que ainda necessitem de atendimento.
As informações sobre desalojados e desabrigados também continuam sendo levantadas, uma vez que a situação está em andamento. Desta forma, os dados podem ser alterados conforme o atendimento for sendo realizado.
Restabelecimento da energia e de água
Equipes da Sanepar e da Copel trabalham para restabelecer os sistemas de abastecimento de água e energia elétrica afetados pelo tornado que atingiu o município. A Sanepar implantou um Plano de Ação para a Recuperação do Sistema de Abastecimento de Rio Bonito do Iguaçu, que envolve quatro geradores de energia, três caminhões-pipa, duas carretas para transporte de água potável, além de dezenas de empregados, entre operadores, técnicos e engenheiros, e outros equipamentos hidráulicos necessários para retomar o sistema.
O Sistema de Abastecimento de Rio Bonito do Iguaçu é composto por duas captações em rios, um poço, uma estação de tratamento e reservatórios. No momento, as equipes atuam em um plano contingencial para garantir o fornecimento emergencial de água à população, mesmo com o sistema principal ainda inoperante.
A Copel informa que está com mais de 100 profissionais atuando em Rio Bonito do Iguaçu. Até o momento, a companhia contabilizou cerca

Foto: Ari Dias/AEN
de 280 postes caídos e três torres de alta tensão derrubadas na região Sudoeste de Guarapuava. Cerca de 3.790 unidades consumidoras estão desligadas no município, aproximadamente 75% do total de clientes.
A Copel enviou projetistas, técnicos, eletricistas e lideranças da companhia para a cidade, além de 12 caminhões pesados. Todos trabalham na reconstrução das redes elétricas. Por questões de segurança, o restabelecimento da energia está sendo coordenado em conjunto com a Defesa Civil.
Estradas desobstuídas
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR) trabalha para manter a trafegabilidade de estradas e rodovias das áreas atingidas pelas fortes chuvas. A PRC-158 em Rio Bonito do Iguaçu, que havia sido bloqueada na noite de sexta, já está liberada, assim como a PRC-466, em Guarapuava. Materiais podem ser encontrados nas laterais da pista, o que requer a atenção de motoristas que trafegam pelo local.
Na PR-170, os trabalhos devem se estender por mais tempo, com expectativa inicial de cerca de 10 dias para completa desobstrução e limpeza da rodovia, devido à intensidade dos estragos. As chuvas do Paraná também afetaram rodovias das regiões Oeste e Norte, com quedas de árvores, mas todas já foram desobstruídas.

Foto: Ari Dias/AEN
Decreto de calamidade pública
O governador Ratinho Junior decretou (Decreto 11.838/2025), neste sábado (08), estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, após o tornado ter atingindo cerca de 90% do município, provocando seis mortes até o momento. O governador está na cidade acompanhando o trabalho da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e das equipes estaduais que prestam atendimento à população e fazem o levantamento dos danos à infraestrutura.
O decreto de calamidade pública é uma medida administrativa que reconhece oficialmente a gravidade da situação em um município ou região. Ele permite que o governo estadual adote procedimentos emergenciais, como a dispensa de licitações, a mobilização imediata de recursos e o pedido de apoio federal. O objetivo é acelerar a resposta às situações de desastre e dar suporte mais rápido à população atingida.
A partir do decreto, o município também pode solicitar recursos da União e do Fundo Estadual de Calamidade Pública, além de firmar convênios emergenciais para reconstrução.
O tornado destruiu casas, derrubou postes e árvores, destelhou escolas, arrastou veículos e comprometeu estruturas públicas. Imagens divulgadas mostram bairros inteiros arrasados, com escombros espalhados e ruas intransitáveis. O cenário é descrito pelos moradores como apocalíptico.
Para enfrentar a emergência, o Governo do Paraná já enviou 2,6 mil telhas, 1,2 mil cestas básicas, 565 colchões, 270 kit limpeza, 204 kit

dormitório e 54 bobinas de lona, além de equipes de apoio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e secretarias estaduais.
Tempestades no estado
Um intenso sistema de baixa pressão atmosférica formado entre o Paraguai e o Sul do País impulsionou ao longo da tarde e noite desta sexta-feira o deslocamento de uma frente fria, associada ao deslocamento de um ciclone extratropical do continente para o oceano. Por conta dessa combinação de sistemas foram registrados vários temporais severos sobre as regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do estado.
Desde o início de novembro, várias cidades do Paraná enfrentam fortes chuvas, tempestades, vendavais e granizo, o que fez com que o Governo do Estado realizasse medidas emergenciais para liberação de recursos, auxílio às vítimas e reconstrução de áreas afetadas. Até sexta-feira (07), 14 cidades estavam em situação de emergência.
- Foto: Ari Dias/AEN
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- Foto: Jonathan Campos/AEN
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- Foto: Divulgação/Defesa Civil
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Sistema OCB anuncia Tania Zanella como presidente executiva
Reforma de governança inaugura novo ciclo de modernização e profissionalização da entidade.

Em um movimento histórico para o cooperativismo brasileiro, a OCB aprovou, nesta terça-feira (9), reforma de governança que aprimora sua estrutura organizacional e inaugura uma nova fase de modernização institucional. Entre as decisões, destaca-se a nomeação de Tania Zanella como a primeira mulher a ocupar a Presidência Executiva da entidade, com foco na gestão da entidade.
A mudança foi aprovada durante a 28ª Assembleia Geral Extraordinária, realizada na Casa do Cooperativismo, em Brasília, que reuniu lideranças de Organizações Estaduais de todo o país. O novo estatuto consolida o modelo dual de governança, separando de forma mais clara as funções estratégicas e institucionais — agora sob comando do presidente do Conselho de Administração, Márcio Lopes de Freitas — das funções executivas, assumidas por Tania.
Ao assumir o novo cargo, Tania emocionou o plenário ao reconhecer o simbolismo da nomeação. “É uma honra assumir esta missão. Sei da responsabilidade, especialmente por ser a primeira mulher nessa posição. Estou pronta para conduzir a gestão com coragem, diálogo e foco em resultados para as cooperativas. Vocês podem contar comigo”, afirmou.
A escolha de seu nome foi amplamente celebrada pelas lideranças regionais. Conselheiros destacaram sua capacidade técnica, trajetória no Sistema OCB e postura dialogada. “Ter a Tania como presidente executiva é um reconhecimento merecido — não apenas pelo seu trabalho, mas pela liderança exercida com competência, serenidade e diálogo”, afirmou Luís Alberto Pereira, representante do Centro-Oeste. Para André Pacelli, do Nordeste, o momento simboliza “um avanço na profissionalização e na inovação que o cooperativismo exige para os próximos anos”.
Fortalecimento
A reforma estatutária é resultado de um processo robusto, construído ao longo de 2024 e 2025 com participação de comitês técnicos, consultorias especializadas e representantes de todas as regiões. Segundo Márcio Lopes de Freitas, a atualização representa um marco evolutivo. “Construímos um modelo mais moderno, equilibrado e transparente, capaz de garantir sustentabilidade institucional para os próximos anos. O cooperativismo amadureceu — e a OCB precisava dar esse salto”, destacou.
Além da nova governança, a Assembleia aprovou o plano de trabalho e o orçamento para 2026, que reforçam a agenda de modernização da representação cooperativista nacional. Entre as prioridades estão: educação política, acompanhamento da aplicação da reforma tributária, uso estratégico de inteligência artificial, fortalecimento do marketplace do cooperativismo e ampliação de ferramentas de inteligência de dados.
Estrutura de governança da OCB
Conselho de Administração
. Márcio Lopes de Freitas – presidente do Conselho de Administração
. Ricardo Khouri – conselheiro representante da Região Norte
. André Pacelli – conselheiro representante da Região Nordeste
. Luís Alberto Pereira – conselheiro representante da Região Centro-Oeste
. Edvaldo Del Grande – conselheiro representante da Região Sudeste
. Darci Hartmann – conselheiro representante da Região Sul
Presidência Executiva
. Tania Zanella – presidente executiva
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Mudanças de mentalidade vão nortear as próximas gerações
Com foco no empreendedorismo, Geraldo Rufino propôs reflexão sobre hábitos simples para fomentar o desenvolvimento pessoal e profissional.

“Não há pobreza que resista a 16 horas de trabalho, 16 horas de dedicação a um propósito. Aprendi isso com a minha mãe”. Foi com essa energia que o especialista em positividade e motivação, Geraldo Rufino, conduziu sua palestra durante o Encontro Estadual de Líderes Rurais 2025, promovido pelo Sistema Faep. O palestrante nasceu na roça, onde seus pais produziam café e mandioca, em Minas Gerais. Cresceu em uma favela de São Paulo e, hoje, é um empresário de sucesso.
No palco, Rufino envolveu os mais de 4 mil produtores e produtoras rurais com reflexões sobre família, espiritualidade, força feminina, diversidade e empreendedorismo. Convidou o público a olhar para dentro de si, reconhecer a própria força e recomeçar sempre que necessário. “Vamos olhar mais para o para-brisa e menos para o retrovisor. No para-brisa, vemos o futuro”, afirmou.

Especialista em positividade, Geraldo Rufino fala sobre empreendedorismo e desenvolvimento pessoal
Ao abordar o tema do empreendedorismo, o palestrante destacou que empreender não é apenas abrir um negócio, mas um movimento constante e silencioso que faz parte do cotidiano das pessoas. De forma bem-humorada e reflexiva, Rufino relembrou sua própria trajetória: saiu do “paraíso”, como ele descreve a vida simples que levava com a família na roça, para enfrentar a realidade dura da favela. Essa mudança aconteceu quando seu pai decidiu ignorar a intuição de sua mãe.
Na época, o pai de Rufino perdeu tudo trabalhando com agricultura e sua mãe insistiu que o caminho era recomeçar, reconstruir, persistir, já com um espírito empreendedor. Porém, o patriarca da família optou por abandonar tudo e tentar algo completamente novo, enfrentando uma jornada ainda mais difícil. Com essa história Rufino reafirma seu conceito que empreender é ter coragem de recomeçar sempre que necessário: “É tentar até dar certo”.
Ao aprofundar o tema, Rufino enfatizou que o empreendedorismo começa dentro de casa, antes mesmo de qualquer plano de negócios. Para ele, atitudes simples como oferecer carinho e dar atenção aos familiares são formas de construir relacionamento e influência. “Estamos fazendo network sem perceber”, afirmou. Com seu jeito espontâneo, brincou que conquistar a sogra ou levar um café para a esposa, recebendo em troca uma oração por um bom dia, já são exemplos de uma rede de contatos bem-sucedida. “Existe network melhor do que esse?”, provocou o público, arrancando risos e reflexões.
Rufino também destacou a importância do produtor rural em um mundo cada vez mais tecnológico. Segundo o palestrante, todos se tornaram mais dependentes da inteligência artificial, dos celulares e de diversas tecnologias, mas ainda conseguem viver sem elas. Porém, o mesmo não ocorre com o alimento. “O agricultor e o pecuarista produzem a comida que nos mantém de pé. Isso mostra a importância de cada um que está no meio rural”, ressaltou.
Especialista em positividade e motivação, suas palestras são conhecidas por trazer lições práticas que podem ser aplicadas no dia a dia profissional e pessoal. Empreendedor e autor de dois livros (O Poder da Positividade e O Catador de Sonhos), Rufino começou a passar seu conteúdo por meio de suas redes sociais. “Acredito que empreender é um estilo de vida. Comecei como catador de latinhas na periferia de São Paulo, mas o empreendedorismo sempre esteve em mim. E foi isso que fez eu me tornar um empresário de sucesso”, disse.
Sustentabilidade

Rufino propõe reflexão sobre família, espiritualidade e empreendedorismo
Tema central na agricultura atual, a sustentabilidade foi lembrada por Rufino como algo que nasce em pequenas atitudes do dia a dia. “Quando qualquer pessoa usa menos toalhas de papel para secar as mãos, está sendo sustentável. Quando economiza água também. São nessas ações que damos o exemplo.”
Para o palestrante, não há faculdade renomada, nem estudo de ponta que ensine alguém que não esteja disposto a mudar a mentalidade. “É nossa responsabilidade orientar a nova geração. Precisamos ser modelos”, afirmou.
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“O Brasil é a maior potência agrícola do mundo”, afirma Paulo Guedes
No encontro promovido pelo Sistema Faep, ex-ministro relacionou desafios globais, avanço da China e oportunidades para o agronegócio brasileiro.

“O Paraná é forte porque a agricultura é forte. O Brasil é forte porque tem Estados como o Paraná”. Com essa frase, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes abriu a palestra no Encontro Estadual de Líderes Rurais 2025, promovido pelo Sistema Faep. Durante sua fala, Guedes ainda abordou o atual cenário geopolítico mundial e como o país tem as ferramentas necessárias para crescer e se tornar uma potência global.
Segundo o ex-ministro do Governo Bolsonaro, uma das potencialidades à economia nacional é o crescimento da população mundial em cerca de 2 bilhões nos próximos 25 anos, atingindo próximo de 10 bilhões até 2050. Com menos terras disponíveis no planeta para o cultivo de grãos e, consequentemente, menos matéria-prima para ração animal, o Brasil, diante da pujança do setor, segue como um dos principais players do agronegócio mundial. “Para alimentar essa população global precisaremos de proteína. A China, os Estados Unidos e a Índia não têm recursos hídricos para suprir essa demanda. Por isso, o Brasil é uma potência do agronegócio”, explicou.

Ex-ministro apontou potencialidades para o Brasil crescer no mercado internacional
O ex-ministro dividiu a apresentação em três momentos: o primeiro sobre como a geopolítica global se estabeleceu após a Segunda Guerra Mundial; seguiu sobre os desafios da economia com a entrada da China como superpotência; e, por fim, as oportunidades do Brasil em meio a esses cenários.
O primeiro episódio, intitulado “Grande Ordem Liberal”, narra como os Estados Unidos se tornaram a principal potência global após o fim da Segunda Guerra Mundial. Guedes cita que as bombas atômicas lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram as ferramentas de domínio norte-americano.
Além disso, no pós-guerra, os EUA pregaram a pacificação e reconstrução dos países envolvidos no conflito. Somente via Plano Marshall, 12 bilhões de dólares foram injetados em nações europeias envolvidas no conflito, como Alemanha Ocidental, França, Itália e Reino Unido. Mesmo fora desse pacote econômico, o Japão também foi beneficiado com investimentos norte-americanos.
O ex-ministro ainda apontou que o pós-guerra intensificou fluxos migratórios em países afetados pelo conflito bélico, especialmente nas nações do Eixo (como Alemanha, Itália e Japão) e do Leste Europeu (como Polônia e Ucrânia). “Democracia, liberdade e mercados são as palavras-chaves desse período. Os imigrantes chegaram no Brasil e já começaram a produzir. Não tinha burocracia do governo para atrapalhar. Eles geravam emprego e receita, seja no agronegócio ou na indústria”, complementou Guedes.
Desordem mundial

Paulo Guedes relacionou crescimento de líderes conservadores com crise econômica e social
A segunda parte da palestra de Guedes desenhou o atual momento da geopolítica global. Chamada pelo ex-ministro de “Desordem Mundial”, o movimento coloca a China como uma superpotência e diversos fatores que levaram políticos conservadores a ganharem espaço em países de primeiro mundo.
Para Guedes, a China se tornou essa superpotência após adotar um capitalismo agressivo, o que impactou em empresas consolidadas dentro do mercado. “A China é o elefante na piscina das crianças, que é a globalização. Ameaças empresas já estabelecidas em diversos setores, como os automóveis e o aço. Isso com o capitalismo mais agressivo do mundo, onde existe o trabalhar, mas não existe leis trabalhistas”.
O ex-ministro também apontou que uma das consequências dessa mudança geopolítica é a retomada da alta nos fluxos migratórios, em especial na África, América Latina e Oriente Médio. Esse volume de imigrações gerou ondas de protestos em diversos países, o que facilitou a eleição de novos líderes conservadores pelo mundo. Casos como o de Donald Trump nos EUA, Giorgia Meloni na Itália, Karol Nawrocki na Polônia e Viktor Orbán na Hungria têm aumentado ao redor do planeta e esse movimento deve seguir nesta toada nos próximos anos.
“O mundo liberal vai demorar para voltar. As palavras-chaves hoje são geopolítica e força. Na maioria dessas vitórias [dos partidos de centro-direita e direita] houve alianças entre conservadores e liberais para vencerem candidatos e lideranças da esquerda”, contextualizou o ex-ministro.
Agro de oportunidades
Guedes encerrou a palestra ao apontar caminhos para o Brasil crescer exponencialmente nos próximos anos. “O Brasil é a maior potência agrícola do mundo. Poderíamos estar crescendo 5% ao ano, com juros e inflação baixas, com o Mercosul atuando dentro da Organização para a Cooperação Desenvolvimento Econômico. Porém, precisamos fazer a lição de casa para sermos uma potência. Mas, ao contrário, estamos nos descredenciando, nosso capital institucional está esgarçando”, declarou o ex-ministro.
Outro rumo apontado por Guedes é melhorar a destinação de recursos públicos para investimentos. Desta forma, o Governo Federal daria mais autonomia para poderes estaduais e municipais decidirem as áreas prioritárias para receberem essas verbas, o que, na visão do ex-ministro, potencializaria áreas chaves da economia. “O Brasil oferece um cenário positivo nos setores do agronegócio e energético. Nossos principais problemas são os internos. Mas, diante deste cenário, nós precisamos ter resiliência e esperança”, finalizou Guedes.

















