Peixes Em Mato Grosso do Sul
Tilápia pode entrar na merenda escolar e nas refeições da segurança pública
Projeto de lei propõe inserir o peixe nas refeições institucionais e priorizar produtores locais, em um estado que ampliou em quase 19% sua produção aquícola em 2024.

A tilápia, carro-chefe da piscicultura sul-mato-grossense, pode ganhar espaço definitivo nos pratos de estudantes e servidores de Mato Grosso do Sul. A Assembleia Legislativa iniciou, na quarta-feira (26), a tramitação do Projeto de Lei 313/2025, que autoriza a inclusão do peixe como alternativa proteica na merenda escolar da rede estadual e nas refeições fornecidas aos órgãos de segurança pública.

Fotos: Shutterstock
A proposta, apresentada pelo deputado Roberto Hashioka (União), mira dois objetivos: diversificar os cardápios institucionais e fortalecer uma cadeia produtiva que vive ciclo de expansão no estado. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 18,77% na produção total de peixes, alcançando 40,5 mil toneladas, boa parte sustentada justamente pela tilápia.
O texto estabelece que a compra do pescado dependerá da oferta no mercado local e regional e deverá atender às normas nutricionais e sanitárias definidas por estados e municípios. A viabilidade econômica e orçamentária das aquisições também será critério obrigatório, além do cumprimento das regras de licitações públicas.
O projeto prevê múltiplas formas de fornecimento, desde peixe fresco e congelado até filés e preparações industrializadas. A prioridade será dada a produtores sul-mato-grossenses, numa tentativa de criar um ciclo virtuoso entre políticas públicas de alimentação e estímulo à economia rural.
Hashioka afirma que a iniciativa atende tanto às recomendações nutricionais de escolas e corporações quanto ao potencial produtivo

regional. “Somos um dos maiores produtores de tilápia do país e temos condições de ampliar o consumo interno com regularidade e qualidade”, argumenta.
Se aprovado, o projeto tende a consolidar a tilápia como presença constante nos cardápios institucionais, ajustando volumes e formatos de compra às necessidades de cada público atendido. Para o setor aquícola, representa mais um passo na integração entre produção local e compras governamentais, uma demanda recorrente entre pequenos e médios produtores.

Peixes No Paraná
Startup com gel à base de tilápia entra na incubadora da UEPG
Cicatripep foi selecionada pela Agipi e vai desenvolver produto inovador na área de saúde com apoio da universidade.

A Agência de Inovação e Propriedade Intelectual da UEPG (Agipi) terá novas empresas incubadas em 2026. As startups Cicatripep e Muush passaram por avaliação e vão receber o apoio da Incubadora de Projetos Tecnológicos (Inprotec) em projetos inovadores e no desenvolvimento de seus empreendimentos.
A Agipi oferece às empresas incubadas um conjunto de serviços voltados ao fortalecimento e à consolidação dos negócios, como infraestrutura física e compartilhada, apoio ao planejamento e acompanhamento do desenvolvimento dos negócios, além de capacitações, assessorias e consultorias nas áreas de empreendedorismo, tecnologia, mercado, capital e gestão. Também atua como ponte com instituições de ensino e pesquisa, pesquisadores e especialistas e apoia a elaboração de projetos para captação de recursos junto a agências de fomento e investidores.

Foto: Aline Jasper/UEPG
“Estamos muito felizes por receber duas novas empresas que estão tentando se viabilizar para ir ao mercado de produtos inovadores”, enfatiza o vice-reitor da UEPG e membro da banca de avaliação, professor Ivo Mottin Demiate. “Uma empresa que trabalha com materiais alternativos e ecológicos, biodegradáveis, sustentáveis a partir de fungos, a Muush; e um outro projeto muito interessante na área de saúde animal, em um primeiro momento, mas que também pode ser expandida para a saúde humana, que é um gel cicatrizante à base de subproduto da tilápia, a Cicatripep”.
“O processo de avaliação das potenciais startups significa que a aplicação do planejamento estratégico da Inprotec da Agipi, com vistas a consistir o processo de inovação, empreendedorismo e tecnologia da universidade em relação à comunidade e empresas, está em pleno andamento, pois cada uma, em que pese tenham vieses diferentes em princípio, poderão atuar em parceria, não só entre si, como também com outras áreas”, destaca o chefe da Incubadora de Projetos Tecnológicos, Carlos Ubiratan da Costa Schier.
Em nível avançado no processo de incubação, as empresas avaliadas ampliam a carteira de startups da Agipi e contribuem para a qualificação da Agência para obter certificações Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos) nos níveis 2, 3 e 4, além de ampliar sua evidência e importância no ecossistema de inovação e empreendedorismo na cidade, região e mesmo em nível estadual.
“Ambas fazem parte do esforço da equipe da Agipi em tornar a agência uma das referências na parceria da universidade com as políticas públicas do Estado em integração com o mercado na busca dos melhores resultados possíveis, tanto em termos de desenvolvimento econômico-social, quanto em soluções para aplicação efetiva na vida das pessoas e empresas”, complementa Schier.
Além das duas startups que entrarão no rol da Agipi, são cinco empreendimentos incubados atualmente: Blue Rise, Breven Law, Expurgos, Peplus e Virtwell. A agência também presta apoio a modelos de negócios ou projetos e encaminha para pré-incubação no Centro de Educação Empreendedora (CEE).
Cicatripep
O potencial já é reconhecido: o projeto que deu origem à Cicatripep já participou do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), do Governo do Paraná, no qual foi um dos projetos premiados. Agora, o objetivo é partir da pesquisa científica para a aplicação comercial. “Nosso interesse em procurar a Agipi é a gente tirar do balcão do laboratório e ter esse olhar e experiência mais comercial para nos ajudar a alavancar nosso projeto de uma escala mais acadêmica para uma escala mais comercial”, conta o professor Flávio Luís Beltrame.
O sucesso do produto também pode gerar um incentivo maior à pesquisa e incitar novos projetos, melhorias e testagens cada vez mais rápidas, além de potencializar a conquista de bolsas para pesquisadores. “É empolgante ver que um produto de pesquisa, de dentro do laboratório, pode chegar no mercado e, mais do que isso, ajudar pessoas e animais, no nosso caso. Isso é muito enriquecedor e satisfatório. Eu acho que isso é o objetivo principal”, complementa.
Peixes
Justiça autoriza desembarque de tilápia vietnamita em Santa Catarina
Decisão do TJ-SC libera apenas cargas contratadas antes da portaria estadual, mas mantém veto à venda e impõe exigências sanitárias rigorosas para evitar riscos à aquicultura local.
Peixes
Falta de frigoríficos habilitados limita exportações de tilápia em Minas Gerais
Terceiro maior produtor do país, estado ainda não conta com plantas certificadas para o mercado internacional.











