Peixes
Tilápia impulsiona crescimento da piscicultura na Bahia
Produção da espécie cresceu 7,2% em 2024, alcançando um total de 36.450 toneladas, com destaque para os municípios de Glória, Casa Nova e Paulo Afonso.

A piscicultura baiana se destaca como um setor estratégico para o agronegócio nacional, com uma produção crescente, especialmente no cultivo de tilápia. Contudo, a atividade enfrenta uma série de desafios que dificultam seu pleno desenvolvimento no estado. Entre as principais dificuldades elencadas pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) estão os elevados custos de energia, alternativas limitadas de comercialização, dificuldades de acesso ao crédito, licenciamento ambiental complexo e a necessidade de uma maior industrialização. Esses obstáculos têm sido um fator limitante para o avanço da piscicultura baiana.
Marcos Rocha, assessor técnico da presidência da Bahia Pesca, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), destaca as características naturais do estado como um diferencial competitivo para a atividade. “Apesar das dificuldades, a Bahia possui uma imensa riqueza hídrica, com importantes rios como o São Francisco, Vaza Barris, Mucuri, Jequitinhonha, Itapicuru, Real e Rio das Contas. Esses recursos conferem ao estado um enorme potencial de crescimento na produtividade da piscicultura”, afirma Rocha.
Além dos rios, os reservatórios de água doce de Sobradinho, Paulo Afonso e Xingó são fundamentais para a expansão da piscicultura, com destaque para a produção de tilápia, uma das espécies mais cultivadas no estado.
Produção de tilápia
Em 2024, a produção de tilápia na Bahia teve um desempenho significativo, especialmente nas regiões de Itaparica e Sertão do São Francisco. Os municípios de Glória, Casa Nova, Paulo Afonso e Sento Sé também se destacaram pela expressiva produção de tilápia, que impulsionou o crescimento do setor. A produção de tilápia no estado, que já ocupa um papel central na piscicultura, contribuiu para um aumento de 7,2% em relação ao ano de 2023.
Números de produção
A produção total de pescado na Bahia tem apresentado um crescimento constante nos últimos anos. Em 2020, a produção foi de 30.270
toneladas, saltando para 34.000 toneladas em 2022 e alcançando 36.450 toneladas em 2024.
Distribuição da produção
Os viveiros de piscicultura no estado baiano ocupam uma área total de 3.072 hectares, distribuídos em 8.981 viveiros. Além disso, a utilização de tanques-rede tem se expandido, com 5.408 unidades em operação, o que demonstra a modernização do setor.
Maiores municípios produtores
Conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, 10 municípios estão se consolidado como polos importantes para a piscicultura na Banhia, entre eles Glória, Barreiras, Casa Nova, Cabaceiras do Paraguaçu, Correntina, Paulo Afonso, Canudos, Valença, Araci e Santana.
Desafios e oportunidades
Embora a piscicultura da Bahia enfrente obstáculos significativos, como o alto custo de insumos e a falta de infraestrutura adequada para comercialização e industrialização, as oportunidades de crescimento são claras. Com um território vasto e recursos hídricos abundantes, o estado tem condições de se tornar uma potência na produção de pescado, principalmente de tilápia.
A integração de novas tecnologias, o apoio ao acesso ao crédito e a melhoria do licenciamento ambiental são fundamentais para que a piscicultura baiana possa superar seus desafios e alcançar novos patamares de produção e sustentabilidade.

Peixes
Brasil leva tilápia e tecnologia de aquicultura para feira internacional no Chile
Pavilhão brasileiro na Aquasur 2026 apresentou produtos, equipamentos e soluções para pesca e crustáceos, atraindo empresários de 34 países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Embaixada do Brasil em Santiago, participou da 13ª edição da Aquasur 2026, realizada na última semana em Puerto Montt, Chile. Considerada uma das principais feiras de aquicultura da América Latina, o evento reuniu mais de 550 expositores de 34 países e teve a abertura oficial com a presença do presidente chileno José Antonio Kast.

Foto: Divulgação/Mapa
No Pavilhão Brasil, representantes do Mapa, da Embaixada do Brasil, da Embrapa, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), da Abipesca, do Sindipi-SC e da ABRA apresentaram produtos, serviços, máquinas e equipamentos voltados à aquicultura. O espaço também destacou peixes e crustáceos destinados à exportação, com ênfase na produção de tilápia.
Além da exposição, o pavilhão sediou reuniões entre instituições brasileiras e chilenas, promovendo encontros com empresários interessados em tecnologias e serviços brasileiros para a produção de pescado. A participação reforça a estratégia do Brasil de fortalecer a presença no mercado internacional de aquicultura, ampliar oportunidades de negócios e consolidar a imagem do setor como competitivo e inovador.

Foto: Divulgação/Mapa
Um dos destaques da participação brasileira foi o lançamento do 8º International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026, marcado para os dias 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu. O evento deve reunir representantes de toda a cadeia produtiva do pescado para fomentar negócios, promover a troca de experiências e discutir inovação no setor.
Realizada a cada dois anos, a Aquasur é hoje uma das principais vitrines da aquicultura no hemisfério sul. Em 2026, o evento recebeu mais de 30 mil visitantes e registrou crescimento de 37% em relação à edição anterior. A programação incluiu congresso internacional, espaços de networking e apresentação de novas tecnologias para o setor.
Brasil e Chile mantêm uma relação comercial sólida no agro, apoiada por instrumentos de

Foto: Divulgação/Mapa
cooperação e facilitação de comércio, como o Acordo de Livre Comércio entre os dois países, em vigor desde 2022, que contribui para dar mais previsibilidade, segurança e agilidade às trocas comerciais. No último ano, o Chile importou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes, cacau, café, rações para animais, soja e produtos florestais. Já o Chile fornece ao Brasil produtos como vinhos, pescados, especialmente salmão, além de frutas frescas e secas.
Saiba como participar
Empresas interessadas em participar de feiras internacionais e dos pavilhões brasileiros podem acompanhar o calendário de eventos e as oportunidades de inscrição nos canais oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária e de entidades parceiras. A participação varia de acordo com o perfil de cada feira e com os critérios definidos para cada ação de promoção comercial. O Mapa também tem incentivado a presença de cooperativas e de empresas de pequeno porte com interesse em ampliar sua atuação no mercado internacional.
Peixes
Édipo Araújo assume Ministério da Pesca e Aquicultura
Engenheiro de pesca terá desafios regulatórios e estruturais para fortalecer a piscicultura e políticas do setor no Brasil.

A nomeação de Rivetla Édipo Araújo Cruz para o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) é vista com otimismo por parte do setor de piscicultura. Engenheiro de Pesca formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Araújo integra uma geração que ajudou a transformar o extrativismo predatório no Norte do país em uma cadeia produtiva mais estruturada e sustentável.
Para a Peixe BR, associação que representa produtores de pescado, a experiência do novo ministro reforça a expectativa de uma gestão técnica e alinhada às demandas do setor.
Entre os principais desafios apontados estão questões regulatórias consideradas urgentes. A entidade destaca a necessidade de parecer da Consultoria Jurídica do MPA sobre a atuação da Conabio na definição da lista de espécies exóticas invasoras sem análise de impacto regulatório; a articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para garantir a realização da Análise de Risco de Importação (ARI) da tilápia proveniente do Vietnã; e a prorrogação por três anos da obrigatoriedade da Licença de Aquicultor.
A Peixe BR afirma que pretende acompanhar e colaborar com o Ministério para avançar em políticas que fortaleçam a piscicultura no país, equilibrando crescimento produtivo e sustentabilidade.
Peixes
Curso de sanidade aquícola será destaque na Aquishow Brasil 2026
Capacitação ocorre em junho, em Uberlândia, com foco nas principais doenças da tilapicultura

A Aquishow Brasil 2026 firmou parceria com a Aquivet Saúde Aquática para a realização do Curso de Sanidade Aquícola, marcado para os dias 9 e 10 de junho, no Castelli Master, em Uberlândia. O tema desta edição será “Doenças na Tilapicultura: patógenos, imunidade e competitividade”.
O curso vai abordar a epidemiologia das principais doenças bacterianas que afetam a criação de tilápia no Brasil, com foco em informações voltadas à gestão sanitária nas propriedades. Entre os temas, está a expansão de agentes como Streptococcus agalactiae sorotipo III, em avanço sobre Minas Gerais e Espírito Santo, e Lactococcus petauri, com novas linhagens identificadas em expansão global.
A presidente da comissão organizadora da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício Fernandes, afirma que o curso reforça a programação técnica do evento ao tratar de pontos considerados críticos para a cadeia produtiva da tilapicultura e para a competitividade do setor.
Segundo Santiago Benites de Pádua, da Aquivet Saúde Aquática, a iniciativa reúne produtores e empresas fornecedoras de insumos para nivelar informações sobre doenças e estratégias de controle sanitário com profissionais do setor.
A programação contará com palestras do próprio Santiago Benites de Pádua e do professor Henrique Figueiredo, da Universidade Federal de Minas Gerais. O curso também terá a participação do pesquisador Francisco Yan Tavares Reis, da Embrapa Amazônia Ocidental, com discussões sobre epidemiologia e imunidade da tilápia. A pesquisadora e empresária Paola Barato, da Corpavet Colômbia, abordará a gestão de doenças emergentes, como Streptococcus agalactiae sorotipo Ia e o vírus TiLV na Colômbia.
- Santiago Benites de Pádua
- Henrique Figueiredo
A organização destaca que o curso integra a programação técnica da Aquishow Brasil e busca promover a troca de conhecimento entre pesquisa, setor produtivo e indústria, com foco nos desafios sanitários da tilapicultura.








