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Peixes

Tilápia entra no cardápio de mais quatro gigantes do agro

Com frigoríficos próprios e modelo de integração, Cocari, Coopavel, Primato e Lar seguem o exemplo de Copacol e C.Vale e ampliam a piscicultura no Paraná, reforçando a liderança do estado na produção de tilápia.

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Foto: Divulgação/Primato

O Paraná ocupa há vários anos a posição de liderança incontestável na piscicultura brasileira. Em 2024, o estado concentrou 50,3% da produção nacional de tilápia, espécie que responde por mais de 60% de todo o pescado cultivado no país, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Não bastasse a força no consumo interno, o Paraná também lidera as exportações: foram 7,6 mil toneladas de tilápia enviadas ao exterior no último ano, o equivalente a 70% dos embarques nacionais, mantendo o Brasil entre os quatro principais fornecedores globais da proteína.

Esse protagonismo ganha um novo capítulo com a decisão de quatro gigantes do cooperativismo paranaense de investir de forma robusta na piscicultura. Cocari, Coopavel, Primato e Lar seguiram o modelo de integração com produtores, já consagrado na avicultura e suinocultura, e estruturaram frigoríficos próprios para industrializar a tilápia e disputar mercados.

Presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), Marcos Antonio Trintinalha: “A piscicultura surge como uma alternativa estratégica, integrada ao nosso planejamento de expansão do setor de proteína animal” – Foto: Divulgação/Cocari

Essas cooperativas seguem o caminho aberto pela Copacol a partir de 2008 e pela C.Vale em 2017, pioneiras no setor, que implantarem sistemas de produção e processamento de tilápia em larga escala. Hoje, juntas, são responsáveis pelo abate de quase 350 mil peixes/dia e transformaram o Oeste do Paraná em polo mundial da tilápia cultivada.

A entrada das novas cooperativas no mercado da tilápia amplia a base de produtores integrados e reforça a estratégia de diversificação do campo paranaense. “Nosso foco é sempre oferecer alternativas que ampliem a sustentabilidade, a rentabilidade e a diversificação das atividades dos nossos cooperados. A piscicultura surge como uma alternativa estratégica, integrada ao nosso planejamento de expansão do setor de proteína animal”, explica o presidente da Cocari, Marcos Antonio Trintinalha.

Por que investir em peixe?

Seja em Mandaguari, Toledo, Cascavel ou Medianeira, as quatro cooperativas têm em comum o objetivo de diversificar atividades e oferecer novas fontes de renda aos associados, em especial os pequenos e médios produtores. A tilápia desponta como resposta a esse desafio por três razões principais: o consumo interno crescente, o bom desempenho da proteína nos mercados internacionais e a possibilidade de integração eficiente, a exemplo do que já ocorre na avicultura e na suinocultura.

Na Coopavel, que em 2024 adquiriu o frigorífico Pescados Cascavel e o transformou na Fripeixes, o presidente Dilvo Grolli recorda que a decisão foi fruto de longas análises. “A procura e a demanda por carne de peixe está em expansão e há anos a Coopavel estuda a possibilidade de entrar nesse mercado, o que agora se transforma em realidade, com novas possibilidades de crescimento para a cooperativa”, afirma, enfatizando que a nova proteína é uma forma de garantir competitividade às famílias rurais diante do cenário de custos altos e margens estreitas no milho e na soja.

Na Primato, o zootecnista e gerente de Divisão Pecuária da cooperativa, William Rui Wesendonck, reforça que a entrada na piscicultura proporciona ao produtor, além de uma renda extra, também uma estabilidade financeira ao longo dos ciclos. “Outro ponto é a possibilidade de o produtor manter os filhos na propriedade graças à diversificação das atividades”, pontua.

Diretor-presidente da Coopavel Cooperativa Agroindustrial, Dilvo Grolli: “O início das atividades atende ao mercado nacional, mas a Fripeixes está fazendo as adequações necessárias para conseguir habilitação para exportação” – Foto: Divulgação/Coopavel

Já a Lar enxergou no peixe uma extensão natural de sua trajetória de seis décadas na produção de grãos, aves e suínos. “A piscicultura tem sido demandada por nossos associados como mais uma alternativa de investimento e geração de renda segura. É uma oportunidade tanto para as propriedades que já possuem integração em aves ou suínos quanto para aquelas que ainda atuam apenas com grãos”, expõe o Superintendente de Suprimentos e Alimentos da Lar, Jair Meyer, destacando que o produtor prefere o sistema de integração em detrimento da produção independente, pela segurança de ter destino certo em data determinada, além de contar com todo o suporte da cooperativa. “Desde os alojamentos dos lotes e assistência técnica até o destino para o abate, com remuneração justa pelo investimento e trabalho até o momento da entrega”, frisa.

Na Cocari, cuja base social é formada 80% por pequenos e médios produtores, a piscicultura foi vista como chance concreta de agregar valor às pequenas áreas. “São propriedades de 20 a 25 hectares em média. É fundamental fomentar novas alternativas que ampliem a sustentabilidade e a rentabilidade do produtor”, complementa Trintinalha.

Segurança e previsibilidade

O modelo de integração aplicado ao peixe é, na prática, muito semelhante ao das aves e suínos. A cooperativa fornece os insumos como alevinos ou juvenis, ração de alto desempenho, assistência técnica e acompanhamento, garantindo a compra de toda a produção. Ao produtor cabe a estrutura dos tanques, sistemas de aeração, oxigenação da água e manutenção diária do plantel. Essa partilha de responsabilidades reduz riscos, garante previsibilidade e amplia o acesso de pequenos produtores à atividade.

A Cocari conta com 23 produtores integrados, sendo 20 em tanques escavados e três em tanques-rede. “O investimento necessário varia conforme a estrutura da propriedade, o sistema de criação escolhido e a tecnologia empregada. Em média, os custos partem de R$ 45 por m² de lâmina d’água. O prazo de retorno costuma girar em torno de cinco anos, podendo variar de acordo com a gestão de cada produtor”, salienta Trintinalha, destacando a expansão gradual para entrada de novos produtores quanto para ampliação da lâmina d’água dos já integrados.

Superintendente de Suprimentos e Alimentos da Lar Cooperativa Agroindustrial, Jair Meyer: “Iniciar exige preparo, equipes profissionalizadas em todos os elos da cadeia produtiva e produtores comprometidos. Nossa vantagem foi adquirir uma indústria já em operação, o que encurtou o caminho” – Foto: Divulgação/Lar

Atualmente com 50 piscicultores integrados, a Lar pretende, até 2030, chegar a 350 produtores no sistema de integração, a partir da construção de um novo complexo industrial em Missal. “Esse crescimento será gradativo, com expansão da produção a campo a partir de 2026. E a previsão é iniciar os abates nesse novo complexo já no segundo semestre de 2028, conduzindo o crescimento da produção e do abate de forma sustentável”, destaca Meyer.

Já a Primato conta hoje com 33 produtores integrados à piscicultura. Segundo Wesendonck, a cooperativa trabalha com a integração de cerca de 10 milhões de animais a campo. No modelo adotado, os produtores recebem ração, juvenis com peso médio de 20 gramas, assistência técnica e todos os insumos necessários ao longo do lote. “Por estarmos em fase de expansão na piscicultura, optamos por atuar no modelo terceirizado, adquirindo alevinos e juvenis de parceiros que são referência no mercado nacional. Essa estratégia nos garante agilidade, eficiência e competitividade, já que novos projetos exigem grandes volumes para viabilizar a operação e costumam demandar muito tempo até alcançar implantação plena e rentabilidade”, detalha.

Peça-chave da agregação de valor

Mais do que tanques e alevinos, o grande diferencial das cooperativas na piscicultura está nos frigoríficos próprios, que permitem transformar a tilápia em cortes valorizados e com certificações exigidas pelo mercado.

A Fripeixes, da Coopavel, iniciou as operações em 2025 com abate diário de 25 mil peixes, mas com capacidade instalada para chegar a 60 mil tilápias por dia. Na prática, são cerca de 50 toneladas diárias, com potencial de crescimento, estrutura moderna e possibilidade de atender aos mercados mais exigentes. Filés, postas, iscas e peixe inteiro abastecem redes varejistas que demandam rastreabilidade e fornecimento regular. “O início das atividades atende ao mercado nacional, mas a Fripeixes está fazendo as adequações necessárias para conseguir habilitação para exportação”, adianta Grolli.

A Primato abriu sua Unidade Industrial de Tilápia em Toledo (PR) no início de 2025, iniciando com o processamento de 15 mil animais/dia. Wesendonck antecipa que a meta agora é ampliar gradualmente os volumes até atingir a marca de 25 mil animais/dia, à medida que novos mercados consumidores forem sendo conquistados. O plano, porém, é muito mais ambicioso: um frigorífico novo, com capacidade para 120 mil peixes/dia, o que poderá elevar o faturamento da atividade para R$ 400 milhões anuais. “Já avançamos em toda a parte fiscal e hoje já estamos habilitados a exportar nosso peixe. O próximo passo é ampliar os volumes de abate com a implantação de um segundo turno”, enfatiza.

Zootecnista e gerente de Divisão Pecuária da Primato, William Rui Wesendonck: “Já avançamos em toda a parte fiscal e hoje já estamos habilitados a exportar nosso peixe. O próximo passo é ampliar os volumes de abate com a implantação de um segundo turno” – Foto: Divulgação/Primato

Na Lar, a aquisição da estrutura da Frimapar em São Miguel do Iguaçu representou um salto estratégico. Hoje, a unidade abate 12 mil tilápias por dia, com previsão de 15 mil até o primeiro trimestre de 2026, e já projeta um segundo complexo industrial. “Para a Lar, trata-se de um processo natural de crescimento, no qual podemos oportunizar novos produtores integrados que estão em fila de espera, além de gerar novos empregos na indústria. Como consequência do aumento da produção, a cooperativa estará ainda mais presente nos pontos de venda, junto às nossas linhas de produtos de frango”, sintetiza.

A Cocari, por sua vez, opera a Unidade de Beneficiamento em Alvorada do Sul com capacidade de até 12 toneladas/dia. Os produtos são comercializados pela Aurora Coop, em um exemplo de intercooperação que amplia o alcance nacional. “O frigorífico está em fase final de adequações estruturais e de programas de autocontrole necessários para obter o registro no Sistema de Inspeção Federal”, adianta.

Desafios: burocracia, sanidade e exportações

Se o potencial é grande, os obstáculos também são relevantes. Trintinalha aponta a burocracia para obtenção de outorgas e licenças ambientais como um entrave. “Esse processo, muitas vezes demorado, acaba desestimulando produtores interessados em ingressar na piscicultura”, alerta, apontando que outro desafio foi a necessidade de adquirir expertise no manejo, abate e comercialização de peixes. “Para superar esses desafios, buscamos tecnologias, equipamentos e profissionais especializados. A experiência da Cocari na produção de rações de alta qualidade foi um diferencial, e seguimos consolidando o projeto de forma planejada e sustentável”, ressalta o executivo.

Foto: Divulgação/Cocari

Outra dificuldade está nas exportações. O mercado norte-americano, principal destino da tilápia brasileira, impôs tarifa de 50% sobre o produto a partir de agosto de 2025, o que afeta diretamente os planos de expansão. “Reconhecemos que as tarifas representam um desafio, mas trabalhamos com planejamento de médio e longo prazos. Neste momento, nosso foco está em obter a certificação SIF, que abre portas para diferentes mercados internacionais. No cenário atual, entendemos que o setor precisará se ajustar às condições de mercado, seja redirecionando parte da produção para o consumo interno, seja buscando novos destinos. O importante é estarmos preparados para aproveitar as oportunidades quando elas surgirem”, salientou Trintinalha.

Por sua vez, Meyer aponta como dificuldade inicial a formação de equipes especializadas e o alinhamento aos padrões de qualidade. “Iniciar exige preparo, equipes profissionalizadas em todos os elos da cadeia produtiva e produtores comprometidos. Nossa vantagem foi adquirir uma indústria já em operação, o que encurtou o caminho”, afirma, ressaltando: “Entre as maiores dificuldades de muitas empresas estão colocar seus produtos nos pontos de venda do Brasil. Para a Lar, essa etapa é facilitada pela forte presença que já temos na avicultura, com produtos em todos os estados brasileiros. Isso acelera a chegada da nova linha de pescados ao mercado, fortalecida por uma marca reconhecida”.

Faturamento anual

O efeito da entrada das cooperativas vai além da produção de peixe. A geração de empregos diretos e indiretos, a fixação de famílias no campo e o dinamismo econômico nas regiões Oeste e Norte do Paraná são evidentes.

Por ser uma atividade recente, a piscicultura ainda representa uma participação modesta no faturamento da Cocari, cerca de 1% em 2025, em um faturamento estimado superior a R$ 5 bilhões. Na Primato, o peixe deve atingir R$ 120 milhões, em torno de 5,5% do faturamento em 2025/26.

Foto: Cleyton Vidal

Na Lar, a meta é integrar a piscicultura como uma atividade complementar à estratégia em grãos e carnes, consolidada especialmente em aves e com sinergia crescente em suínos e peixes. “Agregar valor à produção primária, gerar renda às famílias associadas e promover o desenvolvimento regional sustentável, com geração de empregos diretos e indiretos, são objetivos permanentes da Lar”, enfatiza Meyer.

Todas as cooperativas projetam crescimento acelerado para os próximos anos. E convergem em uma visão: a piscicultura será, ao lado de aves e suínos, um dos pilares do cooperativismo agroindustrial no Paraná. “A competitividade está em todos os setores da produção, mas a eficiência e a qualidade vão determinar o crescimento das empresas e das cooperativas integradas ao peixe”, sentencia Grolli.

Pioneiras da piscicultura

Responsáveis por grande parte da produção de tilápia no Paraná, a Copacol e a C.Vale provaram a viabilidade do modelo integrado e transformaram a tilápia em negócio bilionário. A Copacol foi a primeira a apostar no modelo integrado, em 2008, com a Unidade Industrial de Peixes em Nova Aurora (PR), um investimento de R$ 15 milhões. Hoje, integra 271 produtores, emprega 1,2 mil trabalhadores e abate em média 153 mil tilápias por dia, totalizando 56,09 milhões em 2024, alta de 1,43% frente a 2023. A produção de carne de peixe chegou a 20,2 mil toneladas, avanço de 19,2%.

Foto: Divulgação/Lar

Em genética, a cooperativa mantém a Unidade de Produção de Alevinos, que em 2024 forneceu 86,13 milhões de alevinos, 53% acima do ano anterior. O segmento responde por 5,89% do faturamento da Copacol, que atingiu R$ 10,6 bilhões no ano.

A C.Vale ingressou na atividade em 2017, com um frigorífico em Palotina (PR) orçado em R$ 110 milhões. Em menos de uma década, ampliou sua capacidade para 190 mil peixes/dia, com previsão de chegar a 240 mil até o fim de 2025. Em 2024, processou 47,9 milhões de quilos de tilápia, sendo 64% destinados ao mercado interno.

Com a incorporação da Paturi Piscicultura Agroindustrial, passou a operar também em Nova Prata do Iguaçu, onde já processa 10 mil peixes/dia, com expansão prevista para 15 mil. O sistema integra 234 produtores, que entregaram 48 milhões de alevinos e 50,8 milhões de juvenis em 2024. Certificada pelos selos internacionais ASC, BAP e Halal, a cooperativa emprega 1,3 mil trabalhadores na piscicultura e reforça sua estratégia de diversificação dentro de um faturamento total de R$ 22 bilhões.

O know-how acumulado da Copacol e da C.Vale serviu de exemplo para que Cocari, Coopavel, Primato e Lar dessem seus próprios passos. Com integração técnica, industrialização e visão de longo prazo, essas cooperativas ampliam a competitividade, promovem sustentabilidade econômica e social e reforçam o Paraná como referência na produção de tilápia. O setor, embora desafiador, mostra potencial de crescimento consistente, criando oportunidades para cooperados, geração de empregos e fortalecimento do mercado interno e externo.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes No Paraná

Startup com gel à base de tilápia entra na incubadora da UEPG

Cicatripep foi selecionada pela Agipi e vai desenvolver produto inovador na área de saúde com apoio da universidade.

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Foto: Jefferson Christofoletti

A Agência de Inovação e Propriedade Intelectual da UEPG (Agipi) terá novas empresas incubadas em 2026. As startups Cicatripep e Muush passaram por avaliação e vão receber o apoio da Incubadora de Projetos Tecnológicos (Inprotec) em projetos inovadores e no desenvolvimento de seus empreendimentos.

A Agipi oferece às empresas incubadas um conjunto de serviços voltados ao fortalecimento e à consolidação dos negócios, como infraestrutura física e compartilhada, apoio ao planejamento e acompanhamento do desenvolvimento dos negócios, além de capacitações, assessorias e consultorias nas áreas de empreendedorismo, tecnologia, mercado, capital e gestão. Também atua como ponte com instituições de ensino e pesquisa, pesquisadores e especialistas e apoia a elaboração de projetos para captação de recursos junto a agências de fomento e investidores.

Foto: Aline Jasper/UEPG

“Estamos muito felizes por receber duas novas empresas que estão tentando se viabilizar para ir ao mercado de produtos inovadores”, enfatiza o vice-reitor da UEPG e membro da banca de avaliação, professor Ivo Mottin Demiate. “Uma empresa que trabalha com materiais alternativos e ecológicos, biodegradáveis, sustentáveis a partir de fungos, a Muush; e um outro projeto muito interessante na área de saúde animal, em um primeiro momento, mas que também pode ser expandida para a saúde humana, que é um gel cicatrizante à base de subproduto da tilápia, a Cicatripep”.

“O processo de avaliação das potenciais startups significa que a aplicação do planejamento estratégico da Inprotec da Agipi, com vistas a consistir o processo de inovação, empreendedorismo e tecnologia da universidade em relação à comunidade e empresas, está em pleno andamento, pois cada uma, em que pese tenham vieses diferentes em princípio, poderão atuar em parceria, não só entre si, como também com outras áreas”, destaca o chefe da Incubadora de Projetos Tecnológicos, Carlos Ubiratan da Costa Schier.

Em nível avançado no processo de incubação, as empresas avaliadas ampliam a carteira de startups da Agipi e contribuem para a qualificação da Agência para obter certificações Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos) nos níveis 2, 3 e 4, além de ampliar sua evidência e importância no ecossistema de inovação e empreendedorismo na cidade, região e mesmo em nível estadual.

“Ambas fazem parte do esforço da equipe da Agipi em tornar a agência uma das referências na parceria da universidade com as políticas públicas do Estado em integração com o mercado na busca dos melhores resultados possíveis, tanto em termos de desenvolvimento econômico-social, quanto em soluções para aplicação efetiva na vida das pessoas e empresas”, complementa Schier.

Além das duas startups que entrarão no rol da Agipi, são cinco empreendimentos incubados atualmente: Blue Rise, Breven Law, Expurgos, Peplus e Virtwell. A agência também presta apoio a modelos de negócios ou projetos e encaminha para pré-incubação no Centro de Educação Empreendedora (CEE).

Cicatripep

O potencial já é reconhecido: o projeto que deu origem à Cicatripep já participou do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), do Governo do Paraná, no qual foi um dos projetos premiados.  Agora, o objetivo é partir da pesquisa científica para a aplicação comercial. “Nosso interesse em procurar a Agipi é a gente tirar do balcão do laboratório e ter esse olhar e experiência mais comercial para nos ajudar a alavancar nosso projeto de uma escala mais acadêmica para uma escala mais comercial”, conta o professor Flávio Luís Beltrame.

O sucesso do produto também pode gerar um incentivo maior à pesquisa e incitar novos projetos, melhorias e testagens cada vez mais rápidas, além de potencializar a conquista de bolsas para pesquisadores. “É empolgante ver que um produto de pesquisa, de dentro do laboratório, pode chegar no mercado e, mais do que isso, ajudar pessoas e animais, no nosso caso. Isso é muito enriquecedor e satisfatório. Eu acho que isso é o objetivo principal”, complementa.

Fonte: AEN-PR
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Peixes

Justiça autoriza desembarque de tilápia vietnamita em Santa Catarina

Decisão do TJ-SC libera apenas cargas contratadas antes da portaria estadual, mas mantém veto à venda e impõe exigências sanitárias rigorosas para evitar riscos à aquicultura local.

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Foto: Claudio Neves

Uma decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) autorizou, de forma excepcional, a entrada no Estado de cargas de tilápia importadas do Vietnã que já haviam sido contratadas, pagas e embarcadas antes de 17 de dezembro de 2025. A liberação, no entanto, não permite a comercialização do pescado, que seguirá proibida até nova manifestação da autoridade sanitária estadual.

Foto: Claudio Neves

A decisão foi proferida pelo desembargador João Henrique Blasi, relator de uma ação ajuizada por uma empresa importadora que buscava suspender os efeitos da Portaria SAQ nº 010/2025. A norma, publicada pelo governo catarinense em dezembro, proibiu a entrada e a comercialização da tilápia vietnamita no Estado, alegando risco sanitário.

Ao analisar o pedido, o magistrado reconheceu a possibilidade de prejuízo irreversível ao importador, especialmente diante de custos elevados com demurrage, armazenagem portuária e do risco de perecimento da mercadoria. Segundo ele, havia plausibilidade na tese de que a portaria estadual poderia extrapolar a competência do Estado ao vedar o ingresso e o trânsito de um produto cuja importação foi autorizada por órgão federal. “A solução adequada consiste em resguardar a saúde pública sem sacrificar contratação perfeita, adotando-se medidas de rastreabilidade, testes laboratoriais e segregação para mitigar o alegado risco à incolumidade dos possíveis consumidores”, afirmou o desembargador na decisão.

Leia mais: Santa Catarina proíbe entrada de tilápia do Vietnã para proteger cadeia produtiva e segurança sanitária

Risco sanitário no centro do debate

A restrição imposta por Santa Catarina está fundamentada em pareceres técnicos elaborados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e

Foto: Jaelson Lucas

Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os estudos apontam risco potencial associado ao vírus da tilápia do lago (Tilapia Lake Virus – TiLV), patógeno que pode provocar elevada mortalidade em plantéis e comprometer a sanidade da cadeia aquícola.

Leia mais: Saiba porque Santa Catarina decidiu barrar a tilápia importada do Vietnã

De acordo com o entendimento do magistrado, embora exista preocupação sanitária legítima, ainda não foi concluída uma Análise de Risco de Importação (ARI) por parte do órgão federal competente, o que fragiliza a adoção de medidas definitivas de bloqueio com base apenas em normas estaduais.

Mesmo assim, a liberação concedida pela Justiça é parcial e condicionada. As cargas autorizadas só poderão ingressar em Santa Catarina mediante o cumprimento de exigências sanitárias rigorosas, como apresentação de documentação aduaneira e sanitária, armazenamento em instalações sob inspeção oficial e laudo laboratorial oficial que comprove a ausência do TiLV. Até que haja parecer favorável da autoridade sanitária estadual, a venda do produto permanece proibida.

Portaria segue valendo para novos contratos

A decisão do TJ-SC não altera a validade da portaria para novas importações. Contratos firmados após 17 de dezembro continuam

Foto: Shutterstock

proibidos, reforçando o posicionamento do governo catarinense de adotar o princípio da precaução diante das incertezas científicas.

Segundo o Estado, o congelamento tradicional não assegura a completa inativação do vírus, o que amplia o risco de introdução do patógeno em áreas produtoras. Em encontros com representantes da embaixada do Vietnã no Brasil, o governo catarinense já havia rejeitado pedidos de revogação da norma.“Santa Catarina tem responsabilidade com seus produtores e com a segurança sanitária. Sem garantias científicas que afastem os riscos apontados pelos estudos técnicos, a proibição será mantida”, afirmou o secretário de Estado da Aquicultura e Pesca, Tiago Bolan Frigo.

O caso evidencia o embate entre segurança sanitária, competência federativa e segurança jurídica no comércio internacional de pescados, em um momento em que a tilapicultura brasileira busca consolidar mercados e proteger sua base produtiva.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Falta de frigoríficos habilitados limita exportações de tilápia em Minas Gerais

Terceiro maior produtor do país, estado ainda não conta com plantas certificadas para o mercado internacional.

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Foto: Divulgação

Apesar de ocupar a terceira posição no ranking nacional de produção de tilápia, Minas Gerais ainda está fora do mapa das exportações do pescado. O entrave não está na criação, mas na etapa industrial: o estado não conta, até o momento, com frigoríficos certificados para atender às exigências sanitárias do comércio internacional.

Presidente da Associação dos Aquicultores e Empresas Especializadas do Estado de Minas Gerais (Peixe MG), Pedro Rivelli: “Existem duas ou três empresas trabalhando nesse processo de habilitação, porque é uma demanda enorme para o desenvolvimento da cadeia no estado, mas, até agora, Minas não é exportador” – Foto: Arquivo pessoal

Segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção mineira avança em ritmo consistente, sustentada majoritariamente por pequenos e médios produtores. No entanto, a falta de unidades de processamento habilitadas obriga o setor a buscar alternativas fora das divisas estaduais. “A produção de tilápia em Minas é uma das maiores do país, mas ela está pulverizada. São produtores independentes, frigoríficos pequenos, muita agricultura familiar, e não temos hoje nenhum frigorífico habilitado para exportação”, afirma o presidente da Associação dos Aquicultores e Empresas Especializadas do Estado de Minas Gerais (Peixe MG), Pedro Rivelli, complementando: “Existem duas ou três empresas trabalhando nesse processo de habilitação, porque é uma demanda enorme para o desenvolvimento da cadeia no estado, mas, até agora, Minas não é exportador.”

Na prática, parte significativa do pescado mineiro precisa ser enviada para outros estados para passar pelo processamento industrial. Paraná e São Paulo, líderes nacionais na produção e exportação de tilápia, concentram boa parte desse fluxo, mas frigoríficos em Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro também absorvem a matéria-prima produzida em Minas.

Do ponto de vista institucional, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) reconhece o desafio e afirma que atua para estruturar a cadeia. Em nota, a pasta informa que trabalha com o “objetivo central de profissionalizar a cadeia produtiva do pescado, promovendo a integração de seus diversos elos – insumos, produção, processamento e comercialização, por meio da organização em arranjos produtivos locais”. Ainda assim, não há previsão oficial para o início das exportações de tilápia a partir do estado.

Foto: Jonathan Campos

Enquanto Minas tenta superar gargalos internos, o cenário externo também se tornou mais adverso para a tilapicultura brasileira. Em 2025, o país exportou 15,1 mil toneladas de tilápia, volume 8,5% inferior ao registrado em 2024, quando as vendas somaram 16,5 mil toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita acompanhou o movimento e recuou 4%, passando de US$ 59,8 milhões para US$ 55,6 milhões no período.

A queda ocorreu principalmente no segundo semestre, após a imposição de sobretaxas de 40% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O país norte-americano é, disparado, o principal destino da tilápia nacional, respondendo por cerca de 90% das exportações. E mesmo com o anúncio, em novembro, de retirada de grande parte das taxas para produtos brasileiros, a tilápia não foi contemplada, situação que permanece até hoje.

Rivelli acrescenta que o mercado interno também influenciou a redução das exportações. “A queda tem dois grandes fatores. O preço do peixe subiu no mercado doméstico e tivemos o tarifaço, que travou as vendas a partir do meio do ano, justamente no principal período de compras externas”, pontua.

Mesmo diante das dificuldades conjunturais, o setor mantém perspectivas otimistas no médio e longo prazo. Rivelli destaca que a tilápia

Foto: Shutterstock

foi a proteína animal que mais cresceu no país na última década e que o Brasil já ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção. “Nos últimos 10 anos é a proteína que mais cresceu em produção nacional. O Brasil é hoje o quarto maior produtor do mundo, com potencial para se tornar o segundo até 2030 e, mais à frente, assumir a liderança global”, projeta.

Para Minas Gerais, o desafio passa por transformar volume em competitividade, com investimentos em industrialização e acesso aos mercados internacionais.

Fonte: O Presente Rural
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