Peixes
Tilápia entra em lista de espécies invasoras e provoca reação no setor aquícola
Produtores temem impacto econômico e cobram que classificação técnica não gere restrições à criação do peixe mais cultivado do país.

A decisão do governo federal de incluir a tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras acendeu o alerta no setor aquícola. Produtores e entidades ligadas à piscicultura temem que a medida, de caráter técnico, acabe abrindo espaço para restrições à criação do peixe, que responde por mais de 60% da produção nacional de peixes cultivados.
A inclusão foi aprovada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). A justificativa é que a espécie, originária da bacia do Rio Nilo, tem sido registrada em rios e lagos fora das áreas de produção, o que indica risco de desequilíbrio ambiental.

Foto: Gabriel Pupo Nogueira
Em nota, o ministério afirmou que a decisão não afeta o cultivo comercial da tilápia e que não há qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade, autorizada pelo Ibama. O MMA sustenta que a classificação tem função preventiva e serve de referência para políticas públicas e ações de controle ambiental, sem impor restrições diretas à produção.
Mesmo assim, o clima é de apreensão entre produtores. “O receio é que estados e municípios interpretem a decisão como proibição e passem a dificultar licenças e novos empreendimentos”, disse um representante de entidade do setor.
A tilapicultura é uma das principais atividades da aquicultura brasileira, com forte presença no Nordeste e Centro-Oeste, onde movimenta economias locais e gera milhares de empregos.
Associações defendem que, em vez de restringir o cultivo, o governo invista em programas de manejo sustentável e fiscalização, para evitar o escape dos peixes e reduzir o impacto ambiental. “O reconhecimento como espécie exótica pode ser uma oportunidade para aprimorar práticas, não para criar barreiras”, argumentam representantes do setor.
A Conabio afirma que o objetivo é evitar a fuga de peixes de criadouros para rios e reservatórios naturais, onde poderiam competir com

Foto: Jefferson Christofoletti
espécies nativas. Entre as medidas de controle já adotadas por produtores estão a reversão sexual dos peixes, processo que impede a reprodução em caso de escape, e o uso de gaiolas ou tanques escavados com barreiras físicas.
A repercussão chegou ao Congresso. A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados convidou a ministra Marina Silva para explicar os critérios usados na decisão. Enquanto o debate não avança, o setor pede segurança jurídica para continuar investindo. “É preciso deixar claro que a medida não muda as regras da produção comercial”, afirmou um integrante da Conabio, ressaltando: “O foco é prevenir danos ambientais, não inviabilizar a atividade”.

Peixes
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Peixes
Por que o tucunaré virou um dos peixes mais cobiçados dos rios brasileiros
Além das cores marcantes, espécie chama atenção pelo comportamento reprodutivo e pela resistência como predador.

Encontrado em rios, lagos e áreas alagadas de diferentes regiões do Brasil, o tucunaré conquistou um lugar de destaque entre os peixes de água doce mais conhecidos do país. A combinação entre cores vibrantes, comportamento de caça e características reprodutivas únicas transformou a espécie em uma das mais cobiçadas por pescadores esportivos e admiradores da biodiversidade brasileira.

Foto: Divulgação
A aparência é um dos primeiros fatores que chamam atenção. Dependendo da espécie, o tucunaré pode apresentar tonalidades de amarelo, verde, azul e vermelho, além de diferentes padrões de manchas pelo corpo. Uma característica comum entre as espécies é o ocelo, uma mancha arredondada próxima à cauda que auxilia na identificação do peixe.
Mas a popularidade do tucunaré vai além da aparência. A espécie apresenta um comportamento pouco comum entre os peixes de água doce: o cuidado com a própria prole. Após a reprodução, o casal permanece próximo ao ninho, protegendo os ovos e, posteriormente, os alevinos contra possíveis predadores.

Foto: Divulgação
Esse cuidado parental aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes e diferencia o tucunaré de muitas outras espécies encontradas nos ambientes aquáticos brasileiros.
Diversidade nos rios brasileiros
Atualmente, são reconhecidas 16 espécies de tucunaré, sendo 14 delas encontradas no Brasil. Embora apresentem diferenças de coloração, tamanho e padrões corporais, todas compartilham características que ajudam na adaptação aos ambientes onde vivem.
Com hábitos diurnos, o tucunaré ocupa principalmente lagos, lagoas e regiões de remanso dos rios, locais com menor correnteza. Predador ativo, alimenta-se principalmente de peixes menores e camarões, utilizando sua agilidade para capturar as presas.
A espécie também ganhou destaque na pesca esportiva pela resistência e pelo comportamento durante a captura,

Foto: Divulgação
sendo considerada uma das principais espécies-alvo dessa atividade, segundo o banco de dados da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN).
Um símbolo dos rios brasileiros
A presença do tucunaré em diferentes regiões e sua capacidade de adaptação fizeram da espécie um dos símbolos da biodiversidade dos ambientes de água doce do Brasil.
Além de representar um atrativo para a pesca amadora e esportiva, o peixe também desperta interesse pelo comportamento biológico, especialmente pela estratégia de proteção da prole, uma característica que ajuda a explicar sua permanência e importância nos ecossistemas onde está presente.
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