Peixes
Tilápia deve levar Brasil ao top 3 global até 2030
Expansão da produção, abertura de mercados e avanço industrial sustentam projeção de crescimento da piscicultura brasileira.

Nos últimos 10 anos, a piscicultura brasileira cresceu 58,6% e, em 2025, atingiu pela primeira vez a marca histórica de 1,01milhão de toneladas produzidas, tornando o Brasil o maior produtor de peixes de cultivo das Américas. No mesmo período, a produção de tilápia cresceu 148,2%, reforçando o protagonismo da espécie no país. “A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, salienta o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros.
De acordo com o dirigente, a meta do Brasil é alcançar a liderança global na produção de peixes de cultivo até 2040. “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo”, afirma.

Presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros: “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado” – Divulgação/Peixe BR
A tilápia responde por 70% do peixe cultivado no País, sendo a proteína que mais cresceu na última década, com expansão superior a 10% ao ano, acima de suínos, aves, bovinos, leite e ovos. “Esse resultado é mérito de toda a cadeia produtiva”, celebra Medeiros.
Em 2025, foram produzidas 707.495 mil toneladas da espécie, alta de 6,83% em relação ao ano anterior. Já os peixes nativos somaram 257.070 toneladas, com leve recuo de 0,63%. Para 2026 a expectativa é manter estabilidade na produção.
O Paraná lidera a produção nacional, com 273,1 mil toneladas em 2025, crescimento de 9,1% na comparação anual. “Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no Paraná. São diversos os fatores que contribuem para o desenvolvimento da atividade que vêm se repetindo nos últimos anos, como agregação de tecnologia, orientação técnica e a participação de grandes cooperativas e agroindústrias”, ressalta o presidente da Peixe BR.
Na sequência aparecem São Paulo, com 93,7 mil toneladas, aumento de 54% em relação ao ano anterior; Minas Gerais, com 77,5 mil toneladas, alta de 6,46%; Santa Catarina, com 63,4 mil toneladas, crescimento de 7,28%; e Maranhão, com 59,6 mil toneladas, o que representa desempenho 9,36% maior que em 2025. E o Ceará registrou aumento de 29,3% na produção e subiu para a 18ª posição no ranking nacional.
A região Sul concentra a maior produção, com 360,8 mil toneladas, seguido pelo Sudeste, com 195,6 mil toneladas, e Nordeste, com 193,7 mil toneladas. Norte e Centro-Oeste completam o ranking, com 141,1 mil e 120,1 mil toneladas, respectivamente. “Para manter a tilapicultura brasileira nesse ciclo virtuoso é fundamental continuar o processo de evolução da cadeia produtiva e do atendimento ao consumidor final, abrir novos mercados internacionais para ampliar e diversificar as possibilidades de exportação, além de fortalecer ainda mais as relações comerciais, institucionais e governamentais do setor”, enfatizou Medeiros.
Diferença de até R$ 1,48 por quilo

Os preços pagos ao produtor seguem com variações regionais. Em janeiro de 2026, os valores oscilaram entre R$ 8,76/kg e R$ 10,11/kg nas principais praças. O maior preço foi registrado no Norte do Paraná e o menor no Oeste do estado.
Em abril, o preço médio nacional chegou a R$ 9,91/kg, com cotações entre R$ 8,98/kg e R$ 10,46/kg. “Fatores como oferta local, custos de produção, escala e acesso a mercado influenciam diretamente a formação das cotações. Ao mesmo tempo, produtores acompanham com atenção o aumento das importações de tilápia, que pode pressionar os preços internos e alterar a dinâmica de comercialização nos próximos meses”, relata Medeiros.
Recuo das exportações
As exportações brasileiras de piscicultura somaram US$ 60 milhões em 2025, com alta de 2% em valor e queda de 1% em volume, passando de 13.792 toneladas em 2024 para 13.684 toneladas. A tilápia concentrou 94% das vendas externas, seguida por espécies como tambaqui e curimatás.
O Paraná permaneceu como principal exportador de tilápia do país, responsável por 50% do total embarcado, com receita de US$ 28 milhões; enquanto São Paulo representou 29% e gerou receita de US$ 16 milhões, seguido por Mato Grosso do Sul, com US$ 10,7 milhões, o equivalente a 19% das exportações brasileiras.

Foto: Divulgação/C.Vale
Mesmo com a elevação de tarifas, os Estados Unidos seguiram como principal destino em 2025, absorvendo 87% das exportações da piscicultura nacional, o equivalente a US$ 52 milhões. Canadá e Peru responderam por 4% cada, enquanto China e Vietnã tiveram participações menores. Ao longo do ano, o Brasil abriu 21 novos mercados, entre eles o México, segundo maior importador de tilápia nas Américas.
No primeiro trimestre de 2026, porém, houve retração. As vendas externas caíram para US$ 11,2 milhões, redução de 39% frente aos US$ 18,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, a queda foi de 41%, passando de 3,9 mil toneladas para 2,3 mil toneladas.
A redução das tarifas de importação pelos Estados Unidos no fim de fevereiro, de 50% para 10%, trouxe uma reação parcial do mercado. Em março, os embarques voltaram a crescer e atingiram 1.006 toneladas, com receita de US$ 5,1 milhões, puxados principalmente pelos filés frescos de tilápia. “O tarifaço nos trouxe como lição a necessidade de abrir novos mercados, especialmente na América Latina, que importa cerca de 200 mil toneladas por ano e não compra produto brasileiro”, evidenciou Medeiros.
O que o país exportou
Mesmo com queda nas exportações, a tilápia seguiu liderando as vendas externas, com faturamento de US$ 10,2 milhões no primeiro trimestre. Na sequência, o pacu somou US$ 376 mil, com crescimento de 2%, enquanto os surubins registraram alta de 1.689% a partir de uma base baixa.
Entre os produtos mais exportados, os filés frescos ou refrigerados responderam por 78% das vendas externas no período, com US$ 8,8 milhões, com participação de 86% no valor total exportado, apesar da queda de 32% na comparação anual. Em contrapartida, as exportações de filés congelados caíram 76%, somando US$ 143 mil; enquanto os peixes inteiros congelados recuaram 61%, totalizando receita de US$ 1,6 milhão.

O mercado norte-americano continua como principal destino, responsável por 78% das compras no início de 2026. No entanto, o Brasil perdeu espaço após a elevação das tarifas, caindo da terceira para a sétima posição entre os fornecedores. Já as vendas para o Canadá cresceram 51%, atingindo US$ 534 mil, enquanto o México voltou a comprar, gerando uma receita de US$ 319 mil, crescimento de 110% entre fevereiro e março.
A tilápia continua como único produto exportado para Estados Unidos, Canadá, México e Japão. Já no caso do Peru, as vendas seguem concentradas em peixes nativos, com destaque para o pacu. Entre os demais produtos, a tilápia inteira congelada ocupou a segunda posição, com US$ 773 mil e recuo de 73%. O filé congelado foi o único item a registrar crescimento em valor, com alta de 12% e cotação média de US$ 7,25/kg. Já subprodutos e tilápia inteira congelada apresentaram quedas de 14% e 16%, respectivamente.
No segmento de filé fresco, o Brasil embarcou 440 toneladas no período, queda de 57%, a maior entre os principais produtos exportadores. Países como Honduras e Indonésia ampliaram participação, com crescimentos de 50% e 96%, respectivamente.
Estados exportadores

Foto: Jonathan Campos
Entre os principais estados exportadores, o Paraná exportou US$ 3,9 milhões no trimestre, contudo sua participação vem diminuindo, passando de 80% no primeiro trimestre de 2024 para 49% em 2025 e agora 38% em 2026. São Paulo alcançou 31% das exportações, seguido por Mato Grosso do Sul, que atingiu 30%.
As exportações dos estados seguem concentradas em produtos de maior valor agregado. No Paraná, os filés frescos representaram 78% dos embarques, seguidos pela tilápia inteira congelada, com 17%, embora ambas as categorias tenham registrado queda. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, os filés frescos também predominam, enquanto a Bahia se destaca pela exportação de tilápia inteira congelada.
Crescimento internacional

Foto: Jonathan Campos
De acordo com Medeiros, o setor projetava encerrar 2025 como maior exportador de filés de tilápia para os Estados Unidos, superando a Colômbia. À época, o Brasil ocupava a quarta posição. A elevação das tarifas, porém, interrompeu esse movimento, que deve ser retomado ao longo deste ano.
Para o dirigente, a expansão internacional da tilápia brasileira depende do crescimento sustentado da produção e da diversificação de destinos. “A abertura de novos mercados está ligada à capacidade de aumentar a oferta com regularidade e qualidade”, afirmou.
Nesse contexto, países como México e Canadá passaram a ganhar relevância. A entrada nesses mercados é vista como parte de uma estratégia para reduzir a dependência dos Estados Unidos, que ainda concentram a maior parte das compras externas da tilápia brasileira. “A América Latina aparece como eixo prioritário nessa reconfiguração. O México, em especial, é considerado mercado-chave. O país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, mais da metade do volume adquirido pelos Estados Unidos. É um mercado que começou a ser explorado pelo Brasil recentemente, ainda com volumes modestos, mas com grande potencial de crescimento”, frisou Medeiros, citando ainda Colômbia e Peru como alternativas, tanto pelo volume de importação quanto pela vantagem logística em relação a fornecedores asiáticos.
Acordo Mercosul-União Europeia
A perspectiva de novos mercados ganhou ainda mais relevância com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que de forma provisória começou a vigorar a partir de 1º de maio. A tilápia foi incluída na Categoria 0, o que elimina tarifas de importação entre 7,5% e 9% já no início da vigência, sem aplicação de cotas.

Na prática, a medida reduz o custo de entrada do produto brasileiro no mercado europeu em quase 10%, o que pode ser convertido em preços mais competitivos ou em ganho de margem para exportadores. O acordo também coloca o Brasil em condições equivalentes às de concorrentes que já possuem tratados com a União Europeia, como Vietnã e países da América Central.
Do ponto de vista sanitário, o acordo não derruba automaticamente o bloqueio vigente desde 2017, mas cria instrumentos jurídicos para um futuro desbloqueio. Entre eles estão o reconhecimento do pre-listing, que reduz a necessidade de inspeções individuais, e o princípio da regionalização sanitária, que evita a suspensão de embarques de todo o país por problemas pontuais. “É uma janela de médio e longo prazo para ampliar mercados, tanto para a tilápia quanto para espécies nativas. Trata-se de um mercado exigente e seletivo, mas que, com certeza, vai nos impulsionar para frente, tanto em produção quanto em qualidade”, ressaltou.
Neste cenário, Medeiros projeta que o Brasil poderá alcançar a terceira posição entre os maiores produtores globais de tilápia até 2030, avançar para o segundo lugar na sequência e assumir a liderança mundial na década seguinte. “Estamos entrando nos anos de ouro da tilapicultura nacional. Não é um caminho sem desafios, mas é um período com mais oportunidades para quem estiver preparado”, reforçou o dirigente.
Limitações estruturais

Foto: Jonathan Campos
No entanto, mesmo com essas perspectivas, o setor enfrenta limitações estruturais. Atualmente, o principal gargalo está na indústria de processamento. O Brasil exporta predominantemente filé fresco, produto de maior valor agregado, porém com menor escala.
No mercado internacional, o volume está concentrado em filés congelados, segmento dominado por países asiáticos. Nos primeiros três meses deste ano, houve crescimento de 12% sobre o mesmo período de 2025 das exportações brasileiras desse tipo de produto. “A competitividade no filé congelado pode mudar o posicionamento do Brasil no mercado internacional”, prevê Medeiros, apontando a flexibilização de normas industriais como um fator decisivo para essa transição. “Diferente dos avanços na produção, que demandam ciclos mais longos, ajustes industriais podem gerar resultados em prazo mais curto. A diferença competitiva dos asiáticos está mais na eficiência industrial do que na produção primária. É isso que o Brasil precisa ajustar para disputar mercados de maior volume”, avalia.
Importações ampliam desequilíbrio
O crescimento das compras externas reforça a mudança na dinâmica comercial da piscicultura brasileira. No primeiro trimestre de 2026, as importações de espécies aquícolas somaram US$ 328 milhões. O salmão respondeu por 79% desse total, enquanto o pangasius ocupou a segunda posição, com US$ 52 milhões.
A tilápia aparece na terceira colocação entre as espécies importadas, com US$ 14,6 milhões no período. O valor supera toda a exportação da piscicultura brasileira no trimestre, que totalizou US$ 11,2 milhões, evidenciando um déficit comercial de US$ 3,4 milhões.

Foto: Claudio Neves
Até o fim de 2025, as compras estavam concentradas em Santa Catarina e São Paulo. A partir de fevereiro, Minas Gerais e Rio de Janeiro passaram a importar, seguidos por Pernambuco e Maranhão em março, indicando expansão da presença do pescado estrangeiro no mercado nacional.
O valor médio FOB dos filés de tilápia importados do Vietnã foi de US$ 4,09/kg no trimestre, equivalente a cerca de R$ 21,51/kg, sem considerar frete e seguro. Entre os estados, o Maranhão registrou o maior preço médio, de US$ 4,47/kg, aproximadamente R$ 23,38/kg; enquanto Santa Catarina apresentou um dos menores valores, na faixa de US$ 4,19/kg, cerca de R$ 22,03/kg.
A diferença entre os preços do produto importado e o custo de produção nacional sustenta a preocupação do setor. “Mesmo sem considerar despesas adicionais, como frete e seguro, o pescado estrangeiro entra no país com valores competitivos, beneficiado por subsídios na origem e, em alguns casos, por incentivos fiscais no destino”, relata Medeiros.
Risco sanitário
Além da pressão sobre as cotações internas, o setor aponta riscos sanitários. Entre as principais preocupações está a possibilidade de entrada do vírus TiLV, ainda não registrado no Brasil, mas associado a perdas expressivas em outros países produtores. “A introdução de novos patógenos poderia ampliar os desafios já existentes na tilapicultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva”, salientou Medeiros, enfatizando: “O aumento das importações, somado à volatilidade de preços e aos custos de produção, tende a exigir maior coordenação entre indústria, produtores e governo ao longo de 2026. O objetivo é preservar a competitividade da produção nacional e mitigar riscos sanitários em um setor que mantém trajetória de crescimento, mas enfrenta um ambiente de maior pressão externa”.
A versão digital do jornal de Aquicultura é gratuita e pode ser acessada na íntegra clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
EUA incluem peixes e crustáceos entre os setores mais expostos à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Proposta do governo norte-americano ameaça 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e pode afetar a competitividade da piscicultura nacional em seu principal mercado externo.

A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros poderá atingir diretamente as exportações de peixes e crustáceos, segmento que tem nos norte-americanos seu principal mercado comprador.

Foto: Jonathan Campos
A informação foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, ao detalhar os setores que enfrentariam maior exposição caso a medida sugerida pelo governo dos Estados Unidos seja efetivamente implementada.
Segundo o ministro, cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estariam diretamente ameaçadas pela nova política tarifária. Entre os setores mais afetados estão máquinas e equipamentos industriais, produtos plásticos, calçados, produtos de madeira, papel-cartão, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. “Os setores mais atingidos seriam os de máquinas e equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo para emprego, para renda e para as indústrias”, afirmou.
Piscicultura entre os segmentos afetados
A inclusão de peixes e crustáceos na lista coloca em alerta o setor aquícola brasileiro, especialmente porque os Estados Unidos concentram uma parcela relevante das compras de pescado nacional.
Nos últimos anos, a tilápia brasileira conquistou espaço no mercado norte-americano, impulsionando investimentos

Foto: Jaelson Lucas
em processamento, certificação e ampliação da capacidade exportadora. Uma tarifa adicional de 25% logo após a retirada da tarifa de 50% poderia voltar a elevar os custos para importadores e reduzir a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes internacionais.
Além do impacto sobre as empresas exportadoras, a medida pode repercutir ao longo da cadeia produtiva, envolvendo frigoríficos, cooperativas, integradoras e produtores que fornecem matéria-prima para o mercado externo.

Foto: Divulgação
Negociações seguem em andamento
A proposta integra relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda está em fase de discussão.
De acordo com o MDIC, o governo brasileiro mantém diálogo permanente com as autoridades norte-americanas. Desde o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, foram realizadas pelo menos quatro reuniões formais com representantes do USTR, além de rodadas técnicas de negociação.
Enquanto as tratativas prosseguem, os setores exportadores acompanham o tema com preocupação. Caso a tarifa seja confirmada, produtos brasileiros podem perder competitividade em um dos mercados mais importantes para as exportações nacionais de manufaturados e de segmentos específicos do agronegócio, como a piscicultura.
Peixes
São Paulo passa a tributar filé de tilápia importado do Vietnã
Medida anunciada pelo governo paulista é vista pela cadeia produtiva como uma resposta ao aumento das importações e à concorrência com o pescado nacional.

O governo de São Paulo assinou um decreto que passa a tributar a entrada de filé de tilápia importado do Vietnã no Estado. A medida foi anunciada pelo deputado estadual Itamar Borges ao lado do governador Tarcísio de Freitas e dos secretários estaduais da Agricultura, Guilherme Piai, e da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Foto: Divulgação/C.Vale
A decisão foi recebida com entusiasmo por representantes da piscicultura paulista, que há meses vinham manifestando preocupação com o crescimento das importações de pescado asiático e seus reflexos sobre os preços pagos aos produtores brasileiros.
Para a Associação dos Produtores de Peixes em Águas da União (Peixe SP), a tributação representa uma tentativa de reduzir as diferenças competitivas entre o produto nacional e o importado. “Essa medida é um passo fundamental para corrigir uma grave distorção de mercado que vinha asfixiando a piscicultura nacional e, especialmente, a paulista”, afirma a secretária executiva da entidade, Marilsa Patrício.
Concorrência no centro do debate
O avanço das importações de filé de tilápia do Vietnã tem sido alvo de questionamentos por parte do setor produtivo brasileiro. Produtores argumentam que enfrentam custos relacionados à legislação ambiental, exigências sanitárias, normas trabalhistas e carga tributária que não estariam presentes nas mesmas condições para o pescado importado.
Segundo Marilsa, a tributação busca equilibrar essa relação. “Não estamos falando de protecionismo, mas de justiça concorrencial. O produtor brasileiro cumpre regras rigorosas de sustentabilidade e leis trabalhistas e enfrenta uma carga tributária robusta, enquanto o produto importado tem custos artificialmente baixos, sendo uma concorrência desleal”, destaca.
Expectativa de impacto na produção

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A avaliação da Peixe SP é que a medida poderá trazer efeitos diretos sobre os investimentos e a atividade econômica ligada à piscicultura.
Entre os principais impactos apontados pela entidade estão a recuperação da previsibilidade para novos investimentos, a manutenção dos empregos gerados pela cadeia produtiva e o fortalecimento da economia regional.
A piscicultura tem presença significativa no interior paulista, envolvendo produtores, frigoríficos, fábricas de ração, transportadores e distribuidores.
Para a associação, a tributação do produto importado pode contribuir para que uma parcela maior do valor agregado permaneça circulando na economia brasileira. “São Paulo dá um exemplo de sensibilidade econômica e apoio a quem trabalha e produz”, afirma Marilsa.
Setor acompanha próximos desdobramento
A decisão paulista ocorre em um momento de crescente mobilização da cadeia aquícola nacional em torno do aumento das importações de pescado. Entidades representativas defendem medidas que garantam condições de competição consideradas mais equilibradas entre a produção nacional e os produtos importados.
O impacto da nova tributação sobre os volumes importados e sobre o mercado brasileiro de tilápia deverá ser acompanhado nos próximos meses por produtores, indústrias e distribuidores do setor.
Peixes
Embrapa leva genética, inteligência artificial e inovação industrial à Aquishow 2026
Empresa apresenta tecnologias para piscicultura, produtos de valor agregado, capacitações e ferramentas de apoio à gestão e às políticas públicas do setor.

A Embrapa participa da Aquishow 2026, entre os dias 09 e 11 de junho, com um portfólio robusto de tecnologias voltadas a impulsionar a cadeia produtiva do pescado no Brasil. A empresa também concorre em três categorias do Prêmio de Inovação Aquícola, além de disputar o Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026. O evento acontecerá em Uberlândia (MG).

Foto: Divulgação/Aquishow
No estande da instituição, os visitantes poderão conhecer de perto alguns dos resultados do BRS Aqua, projeto coordenado pela Embrapa, que conta com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto reúne 22 centros de pesquisa e dezenas de parceiros públicos e privados.
Tecnologias para o campo e gestão inteligente
Entre os destaques, a Embrapa apresenta o TambaPLUS 1.0, um painel de marcadores genéticos (SNPs) para identificação de relações de parentesco entre animais, testes de paternidade e identificação individual de reprodutores.
Voltado para os pequenos aquicultores, o Sistema de criação de tambaquis em tanques-rede em pequena escala consiste em um conjunto de práticas de manejo para o cultivo de tambaqui em tanques-rede, tais como determinação da densidade de estocagem e o volume do tanque, visando à obtenção de melhores indicadores

Fotos: Divulgação/Aquishow
zootécnicos e econômicos.
Para facilitar o gerenciamento de pisciculturas, será apresentado o aplicativo Aquicultura Certa, que utiliza inteligência artificial para a gestão inteligente de pisciculturas, permitindo monitoramento contínuo e ajustes precisos no manejo de tilápias e tambaquis. O objetivo é tornar a operação mais eficiente, sustentável e lucrativa.
Outro sistema que será levado à Aquishow é o Ater+ Digital: Peixes, voltado para produtores e extensionistas. Nele são disponibilizadas informações, recomendações e dicas sobre piscicultura em diversos formatos de mídia, como imagens, vídeos, textos e infográficos.

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Capacitações
No evento também será lançada a terceira e última parte do Aquacompete, uma trilha de aprendizagem composta por três níveis de cursos EAD.
O primeiro dos três cursos, “Aquicultura Competitiva e Mercado Externo” foi lançado em julho do ano passado. “Na primeira etapa, discutimos aspectos mais amplos da competitividade, seus fatores, a importância de compor arranjos produtivos e falamos sobre os conceitos atuais que pautam o mercado mundial. No segundo curso, a troca de ideias visa compartilhar conhecimentos sobre a conformidade da cadeia e a importância da implementação dos protocolos de autocontrole e formas de integração entre os seus elos”, explica Renata Melon, veterinária da Embrapa Pesca e Aquicultura, responsável pelos cursos.
Já no Aquacompete 3, são apresentadas ferramentas de inteligência comercial aplicadas à aquicultura, com foco na

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análise de tendências de consumo, mapeamento de concorrentes e identificação de nichos de maior valor agregado e interpretação de fluxos internacionais de comércio.
Além do lançamento do Aquacompete 3, também haverá a apresentação do Curso EAD: Compostos nitrogenados em cultivo de camarão marinho. O treinamento traz uma introdução à carcinicultura marinha com foco em sistemas de produção e gestão de compostos nitrogenados. O objetivo é assegurar a produtividade por meio de um manejo que minimize perdas e riscos sanitários.

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Inovações para a indústria
Para a indústria, a Embrapa leva produtos de alto valor agregado, como o patê e a salsicha de tilápia enriquecidos com fibra de abacaxi, desenvolvidos com baixo teor de sódio.
Outra novidade é a embalagem bioativa, composta por polímeros (goma e quitosana) e outras substâncias naturais, que promove menor taxa de oxidação e menor crescimento microbiano durante a armazenagem refrigerada do pescado. É indicada para tilápia e camarão.
A parte de análises laboratoriais também serão contempladas no estande da Embrapa. Será apresentado o NIR para análise bromatológica de ração para peixes, que consiste em modelos matemáticos de calibração incluindo banco de dados de espectros de infravermelho próximo e amostras de ração para tilápia das três fases produtivas (alevinos, crescimento e engorda).
Se aplicam na previsão de propriedades bromatológicas para a avaliação da qualidade nutricional de rações para

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peixe voltadas para a adequação de dietas na cadeia produtivo de tilápia. A análise bromatológica determina o valor nutricional (proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas), o valor calórico, a digestibilidade e a presença de possíveis contaminantes ou toxinas.
Políticas públicas
No âmbito das políticas públicas, serão apresentados o Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAqui) e a Rede de Extensão e Inovação Aquícola (REAQUA), ferramentas estratégicas para apoiar a tomada de decisão governamental e a transferência de tecnologia no setor.

Foto: Divulgação/Aquishow
Ainda no espectro de políticas públicas, também será apresentado o Drawback Exportações de Tilápia, incentivo fiscal à exportação que permite a importação ou a aquisição no mercado interno, desonerada de tributos (II, IPI, PIS, Cofins e ICMS), de insumos a serem empregados na produção de bens destinados à exportação.
Programação técnica e premiações
A Embrapa também participará da programação técnica do Aquishow 2026. No dia 11, a pesquisadora Flavia Tavares participará da mesa-redonda “Regulação em Transformação, Modernização e Avanços – Uso compartilhado das águas, licenciamento e segurança jurídica na produção de pescados”. O debate reunirá também especialistas do Ministério da Pesca e Aquicultura, (MPA) e do Ministério de Minas e Energia (MME).
Por fim, a Embrapa terá seu reconhecimento científico celebrado ao estar na lista de finalistas do Prêmio Inovação Aquícola, nas categorias academia e sustentabilidade. Além disso, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho é também um dos finalistas ao prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026.



