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Terapia de vaca seca é a principal estratégia no controle de mastite

Prática tem objetivo de promover descanso do úbere, necessário para intensificar regeneração e formação de alvéolos, preparando-o para nova lactação

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Artigo escrito por Hanna Caroline Prochno, médica veterinária na J.A Saúde Animal

O período seco das vacas é o período entre duas lactações, compreendido entre a secagem (interrupção da extração de leite) e o parto seguinte. É uma necessidade fisiológica da vaca leiteira e tem relação direta com a saúde do úbere, com a produção de leite da próxima lactação e com o risco de doenças no pós-parto. A secagem da vaca deve ocorrer 60 dias antes do parto. Esta prática tem o objetivo de promover o descanso do úbere, necessário para intensificar a regeneração e formação de alvéolos (unidades secretoras do leite), preparando-o para a nova lactação.

Durante o período seco, a glândula mamária passa por três fases distintas: involução ativa, involução completa e lactogênese ou colostrogênese. Na primeira fase ocorre a involução do parênquima, que começa um ou dois dias depois da secagem e vai até a completa involução da glândula mamária (cerca de 21 dias após a secagem). Durante esta fase, a glândula fica vulnerável a uma nova infecção intramamária principalmente por três fatores: ainda não ocorreu a formação do tampão de queratina natural que funciona como uma barreira física no canal do teto protegendo contra novas infecções; ainda há síntese de leite pelas células secretoras da glândula mamária (continua por 2 a 3 dias após a secagem) e este leite residual, além de aumentar a pressão intramamária, pode se tornar meio de cultura para as bactérias que estão presentes no úbere no momento da secagem, em vacas que apresentam mastite subclínica; e por último, níveis séricos de cortisol podem estar aumentados devido ao estresse causado pela interrupção da rotina de ordenha, levando a uma diminuição da imunidade da vaca e a tornando suscetível a uma nova infecção.

A segunda fase, de involução completa, é considerada um período de baixo risco para novas infecções, pois o tampão de queratina já foi completamente estruturado no teto, e as células secretoras sofreram involução. As novas infecções neste período são geralmente raras e, quando ocorrem, muitas vezes são eliminadas espontaneamente. Esta fase se inicia cerca de 21 dias após a secagem e se estende até quando ocorre o reinício da síntese de colostro antes do parto (14-21 dias).

Por fim, temos a fase da lactogênese e colostrogênese, que está inserida no período do periparto, normalmente nos últimos dias pré-parto. Nesta última fase, tal como na primeira fase, haverá uma maior suscetibilidade a novas infecções por agentes ambientais, pois reinicia uma nova proliferação celular para síntese do colostro devido a uma ativação hormonal, causando novamente aumento da pressão intramamária. Além disso, a vaca se encontra no período de transição, podendo estar em balanço energético negativo. Nesta fase ocorrem importantes mudanças nutricionais, imunes e metabólicas que causam redução de até 30% na ingestão de matéria seca, causando supressão do sistema imune com consequentes ocorrências de enfermidades.

Aproximadamente 60% das mastites clínicas durante os 100 primeiros dias de lactação estão associadas com infecções que se iniciam durante o período seco. Pode-se estimar que no primeiro mês de lactação todos os casos de mastite clínica estão associados com o período seco, enquanto que no restante da lactação a origem dos casos clínicos é de novas infecções durante a lactação.

Por outro lado, o período seco é uma ótima oportunidade para eliminar infecções subclínicas já presentes. O objetivo principal do controle de mastite no período seco é reduzir as infecções intramamárias para otimizar a produção de leite na próxima lactação, visto que a mastite subclínica é a principal responsável pela queda de produção.

A terapia de vaca seca é a principal estratégia para controle da mastite durante o período seco. Este procedimento é realizado pela introdução intramamária de antibiótico de longa ação após a última ordenha. A antibioticoterapia no período seco possui vantagens como o aumento da taxa de sucesso terapêutico se comparado à obtida quando é feito durante a lactação, a utilização de doses mais elevadas de antibióticos, menores perdas com o leite descartado, e o fato de permitir o tratamento de infeções não reconhecíveis, sendo que caso o tratamento seja bem-sucedido, o tecido mamário tem tempo para recuperar antes da próxima lactação.

Características dos antibióticos

As características dos antibióticos que indicam potencial de cura de mastite na secagem são tempo de ação, a concentração e a persistência do produto. Produtos para secagem devem ter tempo prolongado de ação e boa difusão no úbere. Devem também apresentar concentração suficiente para eliminar e prevenir patógenos causadores de mastite, com liberação lenta e que persista durante a maior parte do período seco. Um dos princípios mais utilizados devido a sua alta taxa de eficácia é a Cloxacilina Benzatina, um antimicrobiano de longa ação da classe dos Beta Lactâmicos. As penicilinas anti-estafilocócicas, como a cloxacilina, são resistentes à penicilinase produzida por Staphylococcus aureus, sendo assim indicadas no tratamento deste agente patogênico, bem como de outros estafilococos e estreptococos.

Além da função curativa, o manejo de secagem é essencial para a prevenção de novas infecções de origem ambiental realizado pela introdução do selante no canal do teto. Os selantes de tetos são estratégias preventivas, cuja função é bloquear fisicamente a comunicação entre o ambiente externo e o interior da glândula mamária. Os selantes imitam a função do tampão natural de queratina formado fisiologicamente no canal do teto em até duas semanas após a secagem, porém apenas 50% dos tetos formam o tampão de queratina na primeira semana após a secagem.

A terapia de vaca seca é essencial no controle de mastite, pois elimina em média 80% das infecções existentes e previne até 80% das novas infecções intramamárias durante o período seco. A associação de antibioticoterapia intramamária em conjunto com o selante de teto é a melhor estratégia para tratamento de infecções existentes e prevenção de novas infecções no rebanho.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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