Notícias Safra 20/21
Teor de umidade dos grãos define qualidade e preço do produto
Em plena colheita, chuvas dos últimos dias preocupa os agricultores por causa da alta umidade dos grãos

As projeções seguem apontando para mais uma safra de grãos recorde em 2021, mas o excesso de chuvas começa a preocupar os agricultores em várias regiões agrícolas do país.
O teor de umidade do grão é um fator importante dentro da classificação de grãos. Por isso, é importante que o produtor rural saiba o momento certo de fazer a colheita, até porque, para atender mercados, é necessário que produtos como soja e milho estejam dentro dos padrões de umidade.
Para preservar a qualidade do grão, em geral, é desejável que a umidade atinja padrões entre 12% a 14% , conforme normas oficiais aprovadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Grãos com umidade superior a 14% podem estar sujeitos a colheitadeiras mal reguladas durante a colheita, enquanto que umidade inferior a 12% pode resultar em maior sensibilidade à quebra dos grãos.
Deve-se destacar que o teor de umidade do grão é um dos principais critérios avaliados pelas tradings, cooperativas, cerealistas e armazéns que compram o produto.
Cada ponto acima de 14% dá espaço para descontos praticados pelos compradores. Esses descontos serão aplicados sobre o peso total do produto entregue, já descontada a porcentagem de impurezas. As empresas compradoras de grãos têm suas normas operacionais e praticam descontos diferenciados entre elas.
Classificação
Além da umidade, a classificação de grãos avalia também as impurezas (detritos próprios como pedaços de caules, vagens), matérias estranhas (sementes de outras espécies, palhas, etc e grãos avariados (imaturos, ardidos, chocho, mofado).
A engenheira agrônoma Ivonete Teixeira Rasera, que tem 40 anos de experiência nesta área de classificação de grãos, prevê para nesta colheita maior quantidade de grãos imaturos, esverdeados e também de vagens verdes por conta do replantio ocorrido em algumas regiões.
“Com o atraso no plantio da soja, houve muitos casos de replantio e, se o produtor colher junto com o primeiro plantio, vai dar diferença”, diz a agrônoma. Segundo ela, o plantio do milho segunda safra também deve acelerar a colheita da soja. “Para não perder o prazo do plantio do milho safrinha, o produtor pode colher a soja com as vagens ainda verdes, o que vai resultar em lucro menor “, prevê Ivonete.
Ela orienta os agricultores a fazerem uma boa regulagem dos maquinários e a medir a umidade dos grãos, da pré-colheita à colheita, como forma de minimizar eventuais perdas.
Medidor de grãos
Com um medidor de umidade de grãos confiável e, devidamente calibrado, o produtor vai realizar o controle de umidade, da roça até o momento da entrega do produto, garantindo desta forma uma boa negociação.
A gerente Comercial e de Marketing da LocSolution, empresa pioneira de locação de equipamentos de controle de umidade de grãos da marca Motomco, Manoella Rodrigues da Silva, informa que a alta umidade dos grãos interfere diretamente no lucro do produtor, pois o comprador vai descontar do preço de compra, os custos para secar e processar os grãos. “Fazendo uso do equipamento, é possível saber o momento certo da colheita e obter uma estimativa maior da lucratividade da sua produção”, afirma.
De acordo com Manoella, o mercado atual exige dos agricultores que eles tenham uma alta produtividade, alta qualidade e um baixo custo. No entanto, para isso, eles precisam das melhores ferramentas, que irão ajudar a serem mais lucrativos, como um medidor de umidade, que garante a qualidade do plantio em todas as etapas da produção.
Passo a passo para garantir a qualidade do grão
Colheita
- Atenção às regulagens das colheitadeiras;
- Observar as condições meteorológicas;
- Fazer a medição da umidade do grão.
Transportes
- A carroceria do caminhão deverá ser coberta para proteger os grãos das intempéries climáticas.
Entrega no armazém
- Coletar amostras representativas de um lote ou volume de grãos, que posteriormente são utilizadas para a determinação de sua qualidade teor de umidade e de impurezas;
- Negociar eventuais descontos.
Umidade: máximo de 14%
- A umidade é a relação percentual entre a quantidade de água e a massa total do grão.
Impurezas e matérias estranhas: máximo de 1%
- Impurezas são detritos do próprio produto – talos de soja, folhas e vagens não debulhadas.
- Matérias estranhas são corpos estranhos, como pedras, insetos, sementes de outras espécies como trigo, milho etc.
Grãos avariados: máximo de 8%
- Grãos ou pedaços de grãos mofados, ardidos, queimados, fermentados, germinados, danificados, imaturos e chochos.
Grãos esverdeados: máximo de 8,0%
- Grãos ou pedaços em desenvolvimento fisiológico e coloração esverdeada.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

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De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



