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Teor de gordura da carne de búfalo é quase 50% inferior ao da bovina

Estudos demonstram que média de gordura da carne bubalina é de apenas 1,29%, enquanto bovina alimentados a pasto é de 2,25%

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Ronaldo Rosa

Estudos desenvolvidos por duas unidades de pesquisa da Embrapa no Rio Grande do Sul, Pecuária Sul e Clima Temperado, estão mostrando que a carne de búfalo é quase 50% mais magra do que a bovina. Foram analisadas as qualidades físico-químicas das carnes de 50 animais da raça Murrah, que, com a Mediterrânea, integra a lista das mais utilizadas por criadores de búfalos no Brasil.

Preliminarmente, os estudos demonstram que a média de gordura da carne bubalina é de apenas 1,29%, enquanto a da bovina de alimentados a pasto é de 2,25%. Esse resultado pode contribuir para ampliar e diversificar o mercado de produtos bubalinos no País, hoje muito mais focado no leite, cujo crescimento é superior a 20% ao ano.

Os estudos revelaram também que o rendimento de carcaça dos bubalinos é semelhante ao dos bovinos (47,7%). A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério explica que desde 2016 estão sendo avaliadas carcaças de animais abatidos com 27 meses. As amostras de carne coletadas vêm sendo examinadas no laboratório de Ciência e Tecnologia de Carnes da Embrapa Pecuária Sul.

Segundo ela, os níveis de colesterol estão em fase de avaliação. “Estamos otimistas com os dados preliminares, que se apresentam bem positivos. Nosso intuito é, ao fim, fazer uma qualificação nutricional das carnes de búfalos, o que pode ser um atrativo a mais para o consumidor que busca alimentos com baixos teores de gordura”, afirma.

Já no quesito maciez, que se baseia em testes de cisalhamento da fibra muscular, a carne não foi considerada muito macia. “Esse dado provavelmente se deve à idade avançada dos animais, que possuíam mais de 27 meses. Acreditamos que, em se tratando de novilhos, com cerca de 18 meses, a maciez seria maior, o que iremos avaliar também”, completa.

Seleção e melhoramento

O trabalho realizado na Região Sul faz parte de um projeto intitulado “Análises genéticas para a seleção de búfalos (Bubalus bubalis) para leite e carne”, liderado pela Embrapa Amazônia Oriental (PA). Além da análise sensorial e físico-química da carne, a pesquisa também busca auxiliar o produtor a melhorar a genética dos animais por meio de seleção.

Entre as principais características buscadas estão, por enquanto, aquelas ligadas ao crescimento. Também está sendo realizada a avaliação genética de carcaças por meio de ultrassom para viabilizar a seleção de animais melhoradores.

No caso do leite, o melhoramento leva em conta dados de produção e avaliações da qualidade do produto. As coletas são realizadas pela Embrapa Clima Temperado a cada 28 dias, desde 2012, com o propósito de analisar a composição química do leite (gordura, proteína, lactose, sólidos totais); efetuar a contagem das células somáticas (CCS) e a contagem-padrão em placas; avaliar a instabilidade do leite pelo teste do álcool; a acidez, pelo método de Dornic; e a densidade.

Na segunda fase do projeto, as avaliações apontaram melhora no peso do leite, com aumento dos níveis de gordura. A quantidade variou de 5% a 6%, em comparação a 3% no leite de vaca. A gordura do leite, além de apresentar características importantes à alimentação, também tem papel relevante na indústria.

Preço do leite chega a ser o dobro do de vaca

Em relação à produção, a média anual obtida por búfala gira em torno de cinco litros por dia, para uma ordenha diária, e em oito litros diários para duas ordenhas. Apesar de inferior à produção bovina, de 15 litros por dia em média, o leite de búfala é mais bem remunerado – o preço pago pela indústria pode chegar ao dobro do preço do leite de vaca – e seus derivados têm maior valor agregado.

Além disso, o leite de búfala também rende mais no processamento. “Em comparação ao leite bovino, apresenta um rendimento superior que pode chegar a 50%, principalmente na elaboração de queijos, como o muçarela”, explica a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Maria Cecilia Damé, responsável pelo trabalho.

Os resultados também vêm mostrando uma melhora na qualidade do leite, à medida que problemas são identificados e sanados. É o caso da instabilidade ao teste do álcool, que ocorre por problemas nutricionais e mastite, geralmente em função de ordenhadeira mal regulada.

Em termos de composição, os níveis de proteína do leite de búfala vão de 4% a 4,4%; de lactose, de 4% a 5%; e de sólidos totais, de 16% a 17%. Essas informações, tanto da produção e qualidade do leite quanto da carne, estão abastecendo um banco de dados que, após avaliação, permitirá identificar os animais de linhagens mais produtivas para corte e para leite.

O principal problema identificado em relação à sanidade do rebanho é a alta mortalidade dos terneiros, que chega a 20% devido a parasitas gastrointestinais. O controle, segundo a pesquisadora Maria Cecilia, deve ser feito com aplicação de antiparasitários, baseado em exames mensais de fezes.

“No abatedouro, entra bubalino e sai bovino”

No Brasil, há ainda um grande problema: a falta de identificação da carne de búfalo, que geralmente não é comercializada com rótulo de carne bubalina. “No abatedouro, muitos dos animais entram búfalos e saem bovinos, com algumas raras exceções. Ou seja, muita gente já comeu carne de búfalo, achando que é de bovino. Essa falta de definição fragiliza a cadeia, não proporcionando pagamento justo por qualidade, que poderia ser bonificada ao produtor e aproveitada pelos consumidores”, aponta Nalério.

No Rio Grande do Sul, onde o consumo de carnes é bem significativo, grande parte dos produtores de búfalos vê boas perspectivas para o mercado da carne bubalina. “O búfalo caminha em direção ao leite no Brasil. Porém, no Rio Grande do Sul se fez um esforço para o consumo de carne. Só que isso exige um mercado forte”, analisa Delfino Beck Barbosa, ex-presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu).

Fonte: Embrapa Pecuária Sul

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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil

Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

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Foto: Divulgação

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.

Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA

Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.

O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.

Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping

Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA

A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.

Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”

Fonte: Assessoria FPA
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%

Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

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Fotos: Shutterstock

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.

O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.

Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.

“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.

Fonte: Assessoria Imac
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Brasil abre mercado para exportação de miúdos bovinos ao Vietnã

Negociação amplia oportunidades para a cadeia da carne e reforça presença em um dos principais destinos do agro brasileiro.

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Foto: Divulgação

O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que permitirão a exportação de miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para aquele mercado.

A abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal.

O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis.

Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão.

Esse resultado decorre da atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Assessoria Mapa
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