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Tempo bom acelera colheitas da soja e do milho nas primeiras semanas do ano no Paraná
Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária aponta que, no caso da soja, a área colhida é 18 pontos porcentuais superior à do mesmo período do ano passado. No milho, são 5 pontos porcentuais a mais.

As condições climáticas têm auxiliado os produtores nestas primeiras semanas de 2022 e as colheitas de soja e milho, dois dos principais grãos produzidos no Paraná, avançam em velocidade superior à registrada no mesmo período do ano passado.
Essa evolução é abordada pelo Boletim Semanal de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 11 a 17 de fevereiro. O documento é preparado pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
Os produtores de soja já retiraram os grãos de 1,1 milhão de hectares até agora. Isso representa 21% do total de 5,6 milhões de hectares. No mesmo período do ciclo anterior, a área colhida era de aproximadamente 173 mil hectares, o que representava 3% do total estimado.
Os preços da oleaginosa continuam atrativos para o produtor. Na semana passada, a cotação estava em R$ 183,72 a saca de 60 quilos, valor 4,4% superior ao registrado na semana imediatamente anterior. Se a comparação for feita com o mesmo período de 2021, a valorização é superior a 12%. Há um ano, a saca era comercializada por R$ 155,39.
Milho
O milho de primeira safra paranaense segue o mesmo padrão observado na soja. A colheita chegou a 26% da área estimada de 437 mil hectares e, no campo, a maioria do restante já está praticamente pronta para ser colhida. Neste mesmo período do ano passado, os produtores tinham retirado o milho de 21% da área plantada.
Da mesma forma, a segunda safra segue em ritmo acelerado de plantio. Dos 2,57 milhões de hectares previstos, 29% já estão semeados. O preço também é atrativo para o cereal, situando-se acima de R$ 90 a saca de 60 quilos. O custo médio variável para produzir essa mesma saca, em novembro de 2021, ficou em torno de R$ 42,00.
Trigo e Frutas
Quanto ao trigo, o documento compara os preços entre a produção argentina e a americana. Historicamente, os argentinos têm cotação 6% menor, mas em janeiro chegou a 20%. Pela proximidade, o preço argentino costuma ter reflexo mais direto nas cotações paranaenses que, em uma conversão simples, tinham valores médios de US$ 310 no atacado.
O boletim analisa também os números apresentados pelo Ministério da Agricultura em relação à balança comercial brasileira das frutas. Entre 2012 e 2021, a variação foi positiva em 33,3% na movimentação de recursos, passando de US$ 909,6 milhões para US$ 1,2 bilhão. Já os volumes cresceram 62,7%, saindo de 765,3 mil toneladas e chegando, em 2021, a 1,2 milhão de toneladas.
Suínos e Ovino
O boletim preparado pelo Deral mostra ainda que, em janeiro, o Paraná exportou 9,4 mil toneladas de carne suína, representando aumento de 12,2% comparado ao mesmo período de 2021. A receita financeira alcançou US$ 20,2 milhões.
As cotações da carne ovina para os produtores estão melhores este ano. No caso da costela, por exemplo, a alta entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022 foi de 18%, com os ovinocultores recebendo R$ 43,98 o quilo agora, contra R$ 37,28% no último mês do ano passado.
Aves e mandioca
No caso da avicultura, o registro é sobre o aumento no custo de produção do frango que, em dezembro, no Paraná, subiu 1,35% sobre o mês anterior. Com isso, os produtores gastaram R$ 0,07 a mais para cada quilo do frango de corte vivo produzido em aviário tipo climatizado em pressão positiva.
O boletim fala também da preocupação que afeta as indústrias de fécula e farinha instaladas no Estado em razão do avanço de soja e milho em áreas de mandioca, que têm o valor de arrendamento elevado. Com isso, há produtores do Noroeste do Estado se transferindo para Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.
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Rio Grande do Sul inicia censo para mapear agroindústrias familiares
Levantamento deve alcançar mais de 4 mil empreendimentos e orientar políticas públicas.

O governo do Rio Grande do Sul iniciou, nesta terça-feira (14), a aplicação do Diagnóstico Socioeconômico do Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), com o objetivo de mapear a realidade de mais de 4 mil agroindústrias familiares no Estado. A primeira entrevista foi realizada em Estância Velha, na agroindústria Sabores do Rancho Laticínio Artesanal.

Secretário Gustavo Paim realizou a aplicação do primeiro censo na Agroindústria Sabores do Rancho em Estância Velha
Batizado de Censo das Agroindústrias Familiares, o levantamento vai reunir informações sobre gestão, sucessão familiar, qualidade de vida, nível de inovação e perspectivas futuras dos empreendimentos rurais.
A ação é coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Departamento de Economia e Estatística (DEE). A proposta é gerar uma base de dados que auxilie na formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o diagnóstico permitirá identificar demandas específicas dos produtores. A partir dessas informações, o governo pretende direcionar ações com maior precisão, focadas na qualificação da produção e no desenvolvimento das agroindústrias familiares.
O presidente da Emater-RS/Ascar, Claudinei Baldissera, destacou que o levantamento também deve aprimorar o atendimento técnico no campo. Com dados mais detalhados, a expectativa é ampliar a atuação da assistência técnica e identificar novas oportunidades para os produtores.
A primeira entrevista foi realizada com a produtora Rafaela Jacobs, proprietária da Sabores do Rancho, agroindústria que produz queijos coloniais, iogurtes e sorvetes artesanais. Ela ressaltou que iniciativas como o censo contribuem para dar visibilidade ao setor e incentivar a permanência das famílias no meio rural.
O Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) reúne empreendimentos que podem participar de feiras promovidas pelo governo estadual. Em 2025, o programa atingiu a marca de 2 mil agroindústrias certificadas, consolidando sua atuação no fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Sul.
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Fenagra 2026 aposta em tecnologia, sustentabilidade e novos mercados
Programação inclui congressos com foco em inovação, descarbonização e biocombustíveis.





Em sua 19ª edição, o evento contará com 250 expositores, entre empresas nacionais e internacionais, ocupando dois pavilhões e uma área de 26 mil metros quadrados. A expectativa é receber cerca de 14 mil visitantes e congressistas, com participação de representantes de países da América do Sul, Europa, Ásia, Estados Unidos, Rússia, Austrália e Arábia Saudita.
Nos dias 13 e 14 de maio, ocorre o III Fórum Biodiesel e Bioquerosene, promovido pela UBRABIO. O encontro reúne representantes do governo, indústria e academia para discutir o avanço dos biocombustíveis, a substituição de combustíveis fósseis e os impactos da legislação no setor.