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Tecpar recebe carta patente de invenção de processo industrial para obtenção de substâncias
Pesquisa teve como objetivo a síntese química de moléculas ainda não disponíveis comercialmente para a obtenção de uma substância de importância crucial para a detecção de contaminações de alimentos por Ocratoxinas.

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), neste mês de dezembro, a concessão da Patente de Invenção de um novo processo industrial para obtenção de substâncias químicas.
Os processos químicos que foram patenteados podem ser aplicados na indústria farmacêutica, para a criação de novos medicamentos; na indústria alimentícia, para criar aditivos alimentares, aromatizantes e conservantes; e na indústria química, para a fabricação de pesticidas, herbicidas e produtos químicos especiais, entre várias outras aplicações.
Intitulada “Processo para síntese total da Ocratoxina Alfa enantiomericamente pura”, a invenção é resultado da pesquisa de pós-doutorado do doutor em Química e pesquisador do Tecpar, Cesar Antonio Lenz. O estudo foi realizado na Alemanha, com orientação do professor doutor Michael Rychlik, da Universidade Técnica de Munique (TUM). Lenz e Rychlik são os inventores registrados na carta patente.
A pesquisa teve como objetivo a síntese química de moléculas ainda não disponíveis comercialmente para a obtenção de uma substância de importância crucial para a detecção de contaminações de alimentos por Ocratoxinas – uma toxina altamente prejudicial à saúde humana. “Contaminações por Ocratoxinas são resultantes de atividade de alguns tipos de fungos e são encontradas em vários tipos de alimentos e bebidas. É considerada tóxica aos rins e causadora de tumores de trato urinário. Como essa substância pura é difícil de ser encontrada no mercado internacional, eu fiz um projeto para sintetizá-la totalmente em laboratório”, explica Lenz.
O diretor-presidente do Tecpar, Celso Kloss, reforça que, como instituição pública de ciência e tecnologia, o instituto tem o compromisso de fomentar a inovação e o empreendedorismo tecnológico no Paraná, e também no Brasil.
De acordo com ele, o Tecpar é um dos grandes polos de pesquisa científica do Estado, atuando fortemente para promover a conexão entre os avanços científicos e a aplicação das

inovações tecnológicas à indústria. “Para que os projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) tragam resultados efetivos ao setor produtivo, contamos com um time de profissionais com alta formação acadêmica que recebem apoio integral para desenvolver seus projetos”, salienta.
O projeto contou ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Universidade Técnica de Munique (TUM), que disponibilizou o laboratório de pesquisas com estrutura tecnológica avançada.
Desenvolvimento
A síntese química consiste no processo de criar compostos químicos a partir de substâncias mais simples e desempenha um papel fundamental em diversas aplicações da vida cotidiana. A atividade econômica relacionada ao processo de síntese química é o complexo industrial da química fina e especialidades, que fabrica produtos com conteúdo tecnológico e valor agregado elevados.
O projeto patenteado por Lenz focou no desenvolvimento de métodos e processos químicos inéditos para a obtenção das moléculas intermediárias que possibilitaram a produção mais econômica e eficiente da Ocratoxina alfa.
“Como resultado do trabalho, foram desenvolvidas duas novas rotas sintéticas para a obtenção da Ocratoxina alfa, com uma abordagem inédita para a síntese da molécula, e com rendimentos superiores aos até então citados em literatura”, relata.

Por serem descobertas inéditas, elas foram submetidas ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para obtenção da patente, em maio de 2011. “Assim que o pedido foi aceito para análise do INPI e recebeu a data de prioridade, publicamos o artigo científico e aguardamos por 13 longos anos, até recebermos a resposta”, lembra Lenz.
O processo de avaliação encerrou-se em novembro de 2024 e o INPI concluiu que a invenção apresenta novidade, atividade inventiva e aplicação industrial, e que o pedido se encontra em condições de obter a patente pleiteada.
Utilização
Segundo Lenz, a perspectiva é que as indústrias possam utilizar a invenção patenteada pelo Tecpar em algum de seus processos de produção, dentro das etapas reacionais do processo químico.

“Como toda a patente, você só tem a utilização de uma pesquisa a partir do momento em que a indústria transforma isso em produto, só então é uma inovação. Sempre que as indústrias precisam implantar ou pensam em melhorar o processo de produção, elas buscam novas invenções que sejam patenteadas e possam ser aplicadas no seu processo. Caso se interessem por essa invenção, podem pedir o licenciamento da patente ao Tecpar”, observa o pesquiador.
Patente
A Lei de Propriedade Intelectual (Lei 9279/1996) regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. No Brasil, para se registrar uma patente, é necessário depositar um pedido no INPI. Depois de devidamente analisado, o depósito poderá se tornar uma patente, com validade em todo o território nacional.
Antes de solicitar o depósito, é recomendado realizar a busca de anterioridade, feita por meio de uma pesquisa em diversas bases internacionais de patentes e periódicos, para saber se não há nada igual ou semelhante já patenteado no Brasil e no mundo. Isso evita conflitos, reduz os riscos de perda do investimento e avalia se uma invenção infringe os direitos de propriedade intelectual de terceiros.

Notícias
Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



