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Tecnoshow Comigo comemora R$ 11,1 bilhões em comercialização na edição que celebra os 20 anos da feira
Vigésima edição foi marcada por incertezas a respeito do acesso a crédito por parte do governo federal, mas produtores apostaram nos investimentos em tecnologias superando o valor comercializado no ano passado, quando a Tecnoshow movimentou R$ 10,6 bilhões.

Durante os cinco dias da edição comemorativa dos 20 anos da Tecnoshow Comigo, o em volume de negócios totalizou R$ 11,1 bilhões. O número alcança uma diversidade de máquinas, implementos, genética animal, veículos e outros produtos, além de insumos comercializados, tanto para a agricultura, quanto para a pecuária, que foram trazidos por 650 expositores alocados no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em
. Hoje, a Tecnoshow Comigo está entre as três maiores feiras de tecnologia rural do país e é a maior do Centro-Oeste.
“Tivemos na Tecnoshow empresas trazendo tecnologias diversas, novas moléculas. E mesmo com nossa preocupação com o momento econômico que atravessamos, com preço decrescente das commodities, carros e caminhões com preços em queda, mas com as máquinas caindo muito pouco. Nossa preocupação era se os empresários conseguiriam fazer negócios na feira”, disse o presidente do Conselho Administrativo da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antonio Chavaglia, acrescentando: “Tínhamos receio de não atingir um bom resultado. No entanto, houve muitas mesas de negociações, alguns financiamentos próprios, somando investimentos que totalizaram R$ 11,1 bilhões. Consideramos fantástico esse resultado!”, celebrou.
A data da próxima Tecnoshow Comigo também foi anunciada e será de 08 a 12 de abril de 2024. A cada ano a feira se renova e investe em infraestrutura. Em 2023, a Comigo promoveu uma série de investimentos no espaço do CTC – onde o evento é realizado em uma área de 65 hectares -, com expansão do estacionamento, melhorias em restaurantes e áreas de descanso, novo plantio de grama em cerca de sete mil metros quadrados, com ampliação da rede elétrica e hidráulica e ampliação da área de desembarque para comportar as grandes máquinas comercializadas na Tecnoshow Comigo. “Queremos que na edição de 2024 tenhamos novas empresas com novas tecnologias para os nossos visitantes. E da nossa parte, temos a expectativa de uma promessa do Governo do Estado de duplicar a pista à frente do CTC, com a construção de duas rotatórias para a entrada e a saída de veículos. O projeto foi entregue para a Goinfra e nossa expectativa é de que sejamos atendidos no próximo ano”, ressaltou.
Rio Verde no foco das atenções
O secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo de Rio Verde, Denimárcio Borges de Oliveira, destacou a criação de empregos, sobretudo na rede hoteleira e de serviços, durante os cinco dias de realização da feira. “O impacto acontece em todo o município. Só no aeroporto, há um aumento de 4,5% no fluxo de aeronaves. Considerando a geração de empregos, são 12.800 empregos diretos e indiretos gerados e um aumento na arrecadação de 9%, com 100% da rede hoteleira ocupada e R$ 92 milhões de impacto no comércio local”, frisou.
Chavaglia reforçou que Rio Verde é beneficiada pela movimentação que a feira gera no município, mas que essa economia também reforça a movimentação em cidades próximas, como Jataí, Santa Helena de Goiás, Acreúna, Montividiu, entre outras. “Recebemos em Rio Verde, na nossa Tecnoshow Comigo, empresários, sociedade e até embaixadores que ficaram gratificados com o que viram aqui. Nosso agradecimento pela presença de todos”, completou.
Capital simbólica
A Tecnoshow Comigo e Rio Verde, por consequência, se tornaram sede simbólica da Capital goianiense durante os dias 27 e 31 de março, período de realização da feira, com a transferência dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – instalados na área do CTC.
O governador Ronaldo Caiado, que esteve presente na feira na solenidade de abertura, no dia 27 de março, enfatizou a importância do cooperativismo e de iniciativas como a Tecnoshow para a difusão de conhecimento e, consequentemente, aprimoramento da prática produtiva rural. “Dizer da emoção que nos toma ao assistirmos Goiás sendo referência nacional na ação de cooperativismo e a mobilização que foi feita, sem dúvida alguma tem a competência e a capacidade de Antonio Chavaglia em mostrar que o cooperativismo é o melhor caminho para que a gente possa superar as dificuldades para implantar tecnologias, trazer a renda para o campo e ao mesmo tempo também a qualificação dos nossos produtores rurais”, frisou.
Representando o poder legislativo, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Bruno Peixoto, ressaltou o trabalho conjunto ao Governo de Goiás para destravar amarras que ainda travam o setor. “Hoje, boa parte das licenças ambientais em Goiás são emitidas em 48 horas e, em breve, não apenas para o pequeno e médio produtor, mas todos os produtores do Estado terão a agilidade de ter a licença em, no máximo, 48 horas. São ações assim que vão contribuir de maneira significativa”, exemplificou.
Já a juíza da Comarca de Rio Verde, Lília Maria de Sousa, que na solenidade representou o desembargador Carlos Alberto França, presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, e o poder judiciário goiano, disse que a feira revela a força da região, fruto de pessoas comprometidas com a tecnologia e desenvolvimento. “A Tecnoshow Comigo coloca a cidade em evidência no cenário nacional.” Ela ainda reafirmou o compromisso do judiciário goiano com o Estado.
A solenidade de abertura e transferência da capital também reuniu representantes do Legislativo nacional e estadual. Estiveram presentes o senador da República, Wilder Morais; a deputada federal Marussa Boldrin, representando a bancada goiana na Câmara Federal; e representando a Alego, além do presidente, os deputados estaduais Karlos Cabral (presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Alego) e Lucas do Vale (presidente da Frente Parlamentar da Agricultura e da Pecuária da Alego), além de outros deputados, vice-governador Daniel Vilela e outras autoridades. O destaque também foi a participação na Tecnoshow deste ano de representantes de 14 embaixadas dos seguintes países: Azerbaijão, Botsuana, Cabo Verde, Coreia do Sul, Cuba, Hungria, Indonésia, Irã, Malawi, Singapura, Suíça, Trinidad Tobago, Turquia e Quênia.
Difusão de Tecnologias e acesso a conhecimento
Destaque em todas as edições realizadas da Tecnoshow Comigo, nos últimos 20 anos, a difusão de conhecimento por meio da programação de palestras também teve espaço importante em 2023. Foram mais de 100 palestras realizadas nos três espaços destinados a esse fim pela Comigo (auditórios 1, 2 e Sede de Pesquisa CTC), além de outras áreas destinadas a palestras e rodas de conversa, organizadas por expositores como Embrapa, Sistema Faeg/Senar e Sebrae Goiás, Governo de Goiás, Prefeitura de Rio Verde, entre outros.
As maiores palestras foram concentradas no Auditório 1, com capacidade para 700 pessoas, trazendo grandes debates para os holofotes da Tecnoshow Comigo. Passaram por lá, nesta vigésima edição da feira, importantes nomes e especialistas como jornalista Kellen Severo (tema: cenário econômico), Antonio Luiz Fancelli (manejo fisiológico e nutricional da soja), Rodrigo Albuquerque (evolução da pecuária), Carmen Perez (bem-estar animal), Etori Baroni (cenário de preços), Alessandra e Fábio Nishimura (sucessão familiar) e Camila Telles (jovens no agro).
Diversidade de expositores e recorde de visitantes
Toda essa programação e destaques obtidos pela Tecnoshow Comigo fazem também com que o número de expositores e de visitantes cresça ano após ano. Em 2002, quando a Comigo iniciou as primeiras ações de difusão de tecnologia, foram 50 expositores e público de quatro mil pessoas. Neste ano, em sua vigésima edição, o CTC recebeu 650 expositores (número aumentou em relação ao ano passado, quando foram 620) e um público visitante de 138 mil pessoas. “Deixamos nossa gratidão aos expositores, ao público e a Deus que nos permitiu realizar essa feira e conseguirmos alcançar esses números.”, comemorou Antonio Chavaglia.
Ele também destacou a diversidade entre os expositores, atendendo culturas diversas, desde os grãos, como a soja, milho, sorgo, algodão e girassol, até pastagens, culturas para alimentação animal, cana-de-açúcar, biodiesel, entre outros. Além disso, na parte destinada à exposição de animais, foram cerca de mil animais expostos, incluindo bovinos, equinos, muares, ovinos e peixes, além de expositores com foco em genética animal, insumos, serviços e dinâmicas de pecuária realizadas.
A feira também teve espaço para a exposição de empresas ligadas à logística, transporte e armazenamento, bem como de serviços, energia solar e irrigação. Abrigou ainda uma diversidade de startups e grandes empresas de tecnologia, oferecendo soluções aplicadas e novos dispositivos, ligados a tecnologias como Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), 5G e Big Data, drones e robôs, realidade virtual e aumentada, entre outras.
Instituições ligadas ao agro também garantiram espaço como expositores na feira, a exemplo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Sistema Faeg/Senar e Sebrae Goiás, Senai Goiás, Prefeitura de Rio Verde e Governo de Goiás. Ainda, completando a variedade de tecnologias apresentadas estiveram presentes centros de pesquisa e tecnologia, como o próprio Centro Tecnológico COMIGO (CTC), Instituto Federal Goiano (IF Goiano), Universidade de Rio Verde (UniRV), Embrapa, Emater, entre outras, demonstrando in loco, seja nos estandes, seja nas áreas de experimentos (plots agrícolas) soluções provenientes da pesquisa científica, tecnológica e de inovação voltadas para o agro.
Ações sustentáveis e preocupação com o futuro
A preocupação com o meio ambiente, de maneira a promover práticas sustentáveis, permeou a feira tanto em palestras direcionadas ao público visitante, incluindo debates sobre manejo correto, boas práticas, mudanças climáticas etc., quanto em ações da própria Tecnoshow Comigo para diminuir os impactos da feira e gerar consciência ambiental nos visitantes.
Uma das novidades da Tecnoshow Comigo 2023 foi o lançamento do Protocolo Emissão de Gases de Efeito Estufa. A proposta é monitorar os gases emitidos durante a feira, além das compensações ou sequestro de carbono proporcionados pelo evento. Somada a outras ações ao longo da feira, a Tecnoshow se firma como um evento que tem compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. Existem dois cálculos: primeiro, o que foi emitido de gases de efeito estufa. Em segundo, o quanto é sequestrado de gás carbônico. A partir da coleta destes números será feito um balanço de captação de carbono.
Até o final da feira também foram entregues 20 mil mudas para os visitantes, com a média de entregas de 4 mil por dia, incluindo espécies nativas do Cerrado, como Ipê, Jacarandá e Aroeira. E, ainda, está sendo feita e processada a coleta de material reciclável pela Cooperativa de Trabalho de Catadores de Material Reciclável em Geral do Sudoeste Goiano, a Coop-Recicla, que separa os recicláveis e fica responsável pela correta destinação. Neste ano, a Tecnoshow Comigo já coletou 61,7 toneladas de resíduos sólidos recicláveis, diminuindo o impacto ambiental e ainda gerando renda para os trabalhadores da cooperativa.
Espaço Tecnoshow 20 anos
Em homenagem à 20ª edição da feira, a Comigo também fez um resgate histórico do sucesso do evento ao longo de duas décadas. Em um local chamado de ‘Espaço Tecnoshow 20 anos, uma história de evolução’ foram instalados diferentes painéis, com imagens e dados, além de vídeo, possibilitando ao visitante saber como a feira surgiu, em 2002, e como chegou ao patamar de referência em vitrine tecnológica do agro brasileiro. Para se ter uma ideia, no início o evento era chamado de Encontro Tecnológico Comigo, já realizado na sede do CTC. Surgiu a partir de articulação entre diretoria da Comigo, cooperados e empresários do setor, que almejavam ter um evento voltado para troca de conhecimento, informações e ferramentas que pudessem abordar especificidades da agricultura e pecuária da região, além apresentar novidades em maquinários existentes no mercado.
Conforme acrescentou Antonio Chavaglia, após 20 anos de realização da Tecnoshow Comigo, a feira deixa um legado para o futuro ao investir na difusão de tecnologia rural. “Ainda estamos em um ano de incertezas e esperamos que isso seja solucionado para que a gente possa voltar a investir. Da nossa parte, vamos continuar trazendo novas tecnologias e oferecendo o que há de mais moderno ao produtor em máquinas, equipamentos, insumos e qualificação. Espero que Deus continue nos iluminando”, finalizou.
Números da feira em 2023
• R$ 11,1 bilhões em negócios
• 138 mil visitantes
• 650 expositores
• 65 hectares de área
• Mais de 100 palestras e dinâmicas
• 5.990 participantes das palestras
• 3 auditórios para apresentações e palestras (1, 2 e Sede de Pesquisa CTC)
• 3 mil participantes das dinâmicas de pecuária
• 11 pavilhões (animais e empresas)
• 40 mil m² de plots agrícolas
• Cerca de mil animais (bovinos, equinos, muares, ovinos e peixes)
• Mais de 200 pesquisadores
• Mais de 3 mil máquinas e equipamentos
• 3 restaurantes e outras áreas de alimentação
• Mais de 25 mil refeições servidas
• 80 mil veículos estacionados, sendo 450 ônibus
• Doação de 20 mil mudas de árvores nativas
• 70 mil mudas e 60 vasos de diferentes tamanhos, com flores variadas para compor toda a jardinagem
• Coleta de 61,7 toneladas de resíduos sólidos recicláveis
• Cerca de 12,8 mil empregos diretos e indiretos (pré e durante evento)
• Mais de 40 helicópteros
• 250 pousos e decolagens no aeroporto de Rio Verde
• 100% de ocupação na rede hoteleira de Rio Verde
• 9% de incremento na arrecadação de impostos municipais
• R$ 92 milhões de impacto no comércio local
• Presença de instituições de pesquisa científica
• Presença de instituições financeiras e de liberação de créditos

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




