Suínos
Tecnologias aprimoram e agilizam tomadas de decisão na suinocultura
As várias soluções tecnológicas proporcionam assertividade e agilidade no processo produtivo, a opinião é de Beate von Staa, da Topgen.

O emprego de alta tecnologia tem aprimorado e agilizado as tomadas de decisões na suinocultura. A Eurotier, realizada em novembro de 2022, na Alemanha, apresentou algumas das principais novidades para o setor. Diversos profissionais do Brasil participaram do evento e revelam o potencial cada vez maior de tomadas de decisões mais rápidas e assertivas.

Arie Bronkherst e Beate von Staa, da Topgen – Foto: O Presente Rural
“A evolução na tecnologia digital em sua abrangência de aplicações chamou muito a atenção. A evolução digital como evolução da automação. Além da variedade em aplicações, a quantidade de informações coletadas para o auxílio nas diversas tomadas de decisão, tornando-as mais assertivas e menos influenciadas por eventuais subjetividades. Tudo isto “user friendly”, ou seja, muito fácil de ser utilizado por qualquer usuário e geralmente na palma da mão. Coleta de dados através de sistemas de sensores capazes de monitorar parâmetros comportamentais dos animais para os diversos indicadores fisiológicos, como fome, doença, cio, etc. Tudo isto ainda individualizado, ou seja, possibilita, por exemplo, aplicar um tratamento a um determinado animal no lugar de aplicar o mesmo tratamento a um grupo de animais ou ao rebanho todo”, destaca Beate von Staa, da Topgen Genética Suína.
De acordo com ela, as várias soluções tecnológicas proporcionam assertividade e agilidade no processo produtivo. “Consegue-se, por exemplo, através do monitor de tosse, identificar uma doença respiratória antes do que normalmente um produtor a identificaria. Tanto a agilidade quanto a assertividade possibilitam tratar ou analisar os animais individualmente”, reforça o profissional.
Para ela, essas novidades podem ser aplicadas na suinocultura brasileira. “Tudo pode ser aplicado aqui. O brasileiro, de uma forma geral, é muito receptivo a novas tecnologias”, menciona, destacando ainda que um dos temas apresentados que chamou sua atenção foi o de diminuir o excedente de nutrientes na nutrição para ajudar nas questões de custos e nas questões ambientais, principalmente nas emissões de CO2. “Além de redução de CO2, a busca para redução de nitrogênio também é muito grande. Eu vejo que a liberação de nitrogênio no ambiente é uma preocupação maior que a sociedade tem com relação à produção intensiva de animais”, mencionou, lembrando que outro tema que foi discutido foi sobre as formulações nutricionais sem ou com menos Óxido de Zinco.
Outras percepções
Em entrevista a O Presente Rural, Beate von Staa falou que sentiu a falta de orientais e russos no evento. “Nesta Eurotier percebemos ausência do público russo e uma redução do público oriental. Os europeus, de uma forma geral, estavam muito mais focados em encontrar respostas para a continuidade viável da produção suinícola”.
Outro item que chamou a atenção foram soluções para produção de insetos, que servirão de fontes de proteína para ração. “Pode-se afirmar que tudo que estava exposto na feira tinha como propulsor ou pano de fundo a economia circular, a sustentabilidade e as mudanças climáticas”, cita. “Outro item que chamou a atenção foi a quantidade de organizações ligadas ao fomento para inovação, como universidades, institutos, financiadoras e organizações para apoiar os jovens a ingressar no ramo da produção animal”, diz a profissional.
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Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.




