Bovinos / Grãos / Máquinas
Tecnologia transforma dados do rebanho em estratégia para elevar rentabilidade na pecuária
Ferramenta desenvolvida pela Embrapa permite simular cenários produtivos e antecipar impactos econômicos antes das decisões no campo.

A pecuária de corte brasileira ocupa posição estratégica no comércio internacional de proteínas, mas ainda opera com índices médios de produtividade por hectare abaixo do que a tecnologia disponível permitiria alcançar. A distância entre potencial técnico e resultado efetivo no campo expõe um gargalo histórico de gestão. É nesse contexto que surge o Simulador Pecuaria.io, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul, em parceria com a Inovatech, com a proposta de transformar dados zootécnicos e econômicos em projeções concretas para apoiar decisões dentro da propriedade rural.
O aplicativo permite que o pecuarista teste, em ambiente virtual, diferentes arranjos produtivos antes de alterar a dinâmica do rebanho. A ferramenta possibilita simular, comparar e projetar cenários com base em parâmetros técnicos e econômicos, antecipando impactos sobre produtividade e resultado financeiro. Disponível gratuitamente para acesso via computador ou smartphone conectado à internet, a plataforma foi estruturada como um sistema de apoio à decisão ancorado em indicadores zootécnicos consolidados. “A proposta é permitir que o produtor simule diferentes cenários zootécnicos do rebanho e compreenda como ajustes em alguns indicadores influenciam a eficiência produtiva e financeira da pecuária”, afirma o doutor em Zootecnia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul e um dos idealizadores do projeto, Vinicius do Nascimento Lampert.
Gestão orientada por dados

Doutor em Zootecnia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul e um dos idealizadores do projeto, Vinicius do Nascimento Lampert: “É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento científico, permitindo avaliar resultados e melhorias planejadas com mais segurança” – Foto: Gabriel Aquere
O simulador é direcionado, neste primeiro momento, a sistemas de ciclo completo, do nascimento ao abate, operando com rebanhos estabilizados. Na prática, são propriedades que operam em regime fechado, nas quais a composição de cada categoria animal decorre das próprias taxas de natalidade, mortalidade e comercialização, sem a necessidade de aquisição de gado externo para reposição.
A partir dos dados inseridos pelo usuário, a ferramenta projeta indicadores como quilos de peso vivo produzidos por hectare e índices produtivos associados ao desempenho do rebanho. Entre as variáveis analisadas estão taxa de desmame, mortalidade, idade à primeira monta, idade de venda e lotação por hectare, permitindo uma leitura integrada do sistema.
O principal diferencial reside na modelagem estruturada de cenários comparativos. A ferramenta permite isolar variáveis e quantificar, com base nos parâmetros informados, o impacto específico de decisões como a redução da idade ao abate ou o aumento da taxa de desmame sobre o desempenho econômico consolidado do sistema. “Com isso, o produtor pode avaliar de maneira isolada como alterações específicas, por exemplo redução da idade ao abate ou o aumento da taxa de desmame, repercutem sobre o resultado econômico final do sistema produtivo”, detalha Lampert.
A plataforma também incorpora módulos de análise de investimentos, simulação de sensibilidade, que identifica quais variáveis exercem maior influência sobre o desempenho global, e definição de metas produtivas, com estimativas de área necessária, dimensionamento do rebanho e volume de animais a comercializar conforme os objetivos estabelecidos. “Com ela, buscamos nos aproximar da rotina de gestão das propriedades. É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento científico, permitindo avaliar resultados e melhorias planejadas com mais segurança”, enfatiza Lampert.
Uma versão específica para sistemas de cria, voltada à produção de bezerros, está prevista para os próximos meses.
Lacuna entre dado e decisão
Embora muitos produtores já coletem informações técnicas de seus rebanhos, a conversão desses dados em projeções integradas ainda é limitada. Segundo Lampert, um dos entraves à elevação da produtividade é justamente a dificuldade de avaliar, de forma sistêmica, como decisões simultâneas de manejo afetam o resultado final. “Muitas vezes, o produtor tem acesso aos dados, mas falta uma ferramenta que traduza essas informações em projeções claras sobre o impacto na produção a partir de dados reais por ele informados”, afirma, acrescentando: “O Simulador Pecuaria.io foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna.”
Produtividade como fronteira
Nas últimas décadas, a pecuária de corte brasileira expandiu área e ampliou sua presença no comércio internacional de proteína animal. O desafio atual, no entanto, está em elevar a produtividade sem ampliar a fronteira, combinando eficiência zootécnica e sustentabilidade econômica.
Indicadores como produção de quilos por hectare ainda abaixo do potencial, idade avançada ao abate e taxas de desmame aquém do ideal comprimem margens e retardam o giro do capital. Nesse contexto, a capacidade de testar combinações de manejo em ambiente virtual, antes de implementá-las no campo, tende a reduzir incertezas e qualificar o planejamento. “O Simulador Pecuaria.io é um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para tornar a gestão mais previsível, sustentável e rentável”, pontua Lampert.
Em um setor historicamente sensível a decisões de alto custo e retorno de longo prazo, a possibilidade de simular cenários, medir impactos e ajustar estratégias antes da execução prática pode representar uma inflexão na governança produtiva da bovinocultura de corte no país.
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Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária sustentável ganha selo oficial e incentivo no crédito rural
Certificação em boas práticas amplia a competitividade das fazendas e assegura benefício financeiro para produtores de médio e grande porte.

O Programa Boas Práticas Agropecuárias para Bovinos e Bubalinos de Corte (BPA Bovinos e Bubalinos de Corte), desenvolvido pela Embrapa, recebeu reconhecimento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A homologação foi publicada no Diário Oficial da União em 08 de junho e representa um marco para a pecuária brasileira, tornando o BPA o primeiro programa de produção animal do país a obter esse tipo de chancela do governo federal.

Foto: Divulgação
Criado em 2015 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, o manual passou por atualização em 2023, incorporando novas diretrizes voltadas à sustentabilidade, ao bem-estar animal, à eficiência produtiva e ao uso de tecnologias digitais nas propriedades.
Segundo a pesquisadora da Embrapa, Vanessa Felipe de Souza, o reconhecimento fortalece a credibilidade da iniciativa e amplia sua importância para a cadeia pecuária. “Esse programa se destaca porque poderá servir como referência para outros guias de boas práticas, além de gerar mais confiança para o produtor e conceder benefícios às fazendas certificadas”, afirma.
Produção mais eficiente e sustentável
O BPA Bovinos e Bubalinos de Corte reúne um conjunto de normas e procedimentos destinados a tornar os sistemas produtivos mais competitivos e rentáveis, ao mesmo tempo em que busca garantir a oferta de alimentos seguros e produzidos de forma sustentável.
As orientações abrangem áreas como manejo sanitário, bem-estar animal, gestão da propriedade e adoção de ferramentas digitais para aumentar a eficiência da atividade.
Por apresentar diretrizes adaptáveis a diferentes realidades, o programa pode ser implementado por produtores de pequeno, médio e grande porte, em diversas

Foto: Divulgação
regiões do país e em distintos sistemas de produção.
Além do manual técnico, a Embrapa também desenvolveu dois aplicativos específicos: um voltado aos produtores rurais e outro destinado aos técnicos credenciados responsáveis pelo acompanhamento das propriedades.
Certificação pode reduzir juros do custeio
Entre os benefícios da adesão ao programa está a possibilidade de acesso a incentivos financeiros. Produtores de médio e grande porte certificados pelo BPA terão direito a desconto de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros do custeio agrícola previstas no Plano Safra 2026.
Além do incentivo econômico, a certificação contribui para a organização da propriedade, melhoria dos processos produtivos e fortalecimento da sustentabilidade da atividade pecuária.
Como participar
Os produtores interessados podem conhecer as diretrizes do programa por meio do site oficial do BPA Bovinos e Bubalinos de Corte ou procurar a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), além das unidades descentralizadas da instituição espalhadas pelo país.
A rede de apoio inclui centros da Embrapa nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, permitindo que a iniciativa alcance diferentes sistemas produtivos e realidades da pecuária brasileira.
Bovinos / Grãos / Máquinas Em menos de um ano
Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos do Brasil
País asiático importou mais de 12 mil toneladas do produto entre janeiro e maio, movimentando US$ 19,5 milhões.

Menos de um ano após a abertura do mercado para os miúdos bovinos brasileiros, a Indonésia já ocupa a segunda posição entre os principais compradores do produto, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o país asiático importou mais de 12 mil toneladas, movimentando US$ 19,5 milhões.
O rápido avanço das compras está ligado ao tamanho do mercado indonésio. Com população superior a 284 milhões de habitantes, a Indonésia importou mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos em 2025, em negócios que ultrapassaram US$ 150 milhões.
Os embarques brasileiros para o mercado internacional também seguem em expansão. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 países, gerando receita de US$ 256 milhões. Em 2025, as exportações do produto alcançaram 267 mil toneladas, com faturamento de US$ 605 milhões.

Foto: Divulgação/Freepik
A autorização para a entrada dos miúdos bovinos brasileiros na Indonésia foi concedida em agosto de 2025. Desde então, o número de frigoríficos habilitados a exportar para o país aumentou gradualmente. Em setembro do ano passado, 17 plantas foram incluídas na lista de exportadores autorizados, elevando para 38 o total de unidades aptas a atender o mercado indonésio. Em janeiro deste ano, outras 14 plantas foram habilitadas, totalizando 52 estabelecimentos autorizados.
O crescimento das exportações ocorre em meio à ampliação das relações comerciais entre os dois países. Atualmente, a Indonésia é o 11º principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio deste ano, as compras de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e derivados.
Embora tenham consumo mais restrito no mercado brasileiro, os miúdos bovinos encontram demanda significativa em diversos mercados internacionais. As exportações desses produtos ampliam o aproveitamento comercial dos animais abatidos e representam uma importante fonte adicional de receita para a cadeia da carne bovina.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Reinserção de produtores é caminho estratégico para fortalecer a pecuária sustentável no Brasil
Regularização ambiental, rastreabilidade, assistência técnica e acesso ao crédito são apontados como fatores decisivos para ampliar a inclusão produtiva e manter a competitividade da carne bovina brasileira.









