Avicultura
Tecnologia reaproveita calor que seria desperdiçado de aviários
Para amenizar os efeitos do aquecimento e também como medida de cuidado com os poluentes produzidos existem equipamentos no mercado, já utilizados por uma parcela de produtores, que auxiliam nos cuidados de redução dos poluentes, beneficiando a redução do consumo de matérias-primas, produção de amônia e contribuem para a melhoria do bem-estar animal.

Conforme levantamento de dados divulgados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 2021, o Brasil foi responsável pela exportação de 4,610 milhões de toneladas de carne de frango, seguindo o posto de 1º lugar mundial. Esse mercado cresce ano após ano e conta com inúmeras novas tecnologias que visam melhorar os cuidados com o bem-estar animal e com as emissões de poluentes que prejudicam o meio ambiente.
O trabalho nas granjas é bastante peculiar, por isso é necessário conhecimento técnico e cuidados diários para que as aves sejam cuidadas da melhor maneira possível e, consequentemente, tragam resultados positivos para o produtor. Um dos trabalhos que precisam de muita atenção é o controle da temperatura dos aviários, sendo que controlar a temperatura gera poluentes, pois na maioria dos casos é utilizado lenha ou gás para aquecer as aves.

Marcel Hoffmann, médico veterinário da Munters do Brasil: “Essas soluções são voltadas para melhorar o custo benefício, evitar gastos, reduzir o consumo, diminuir o custo” – Fotos: O Presente Rural
Para amenizar os efeitos do aquecimento e também como medida de cuidado com os poluentes produzidos existem equipamentos no mercado, já utilizados por uma parcela de produtores, que auxiliam nos cuidados de redução dos poluentes, beneficiando a redução do consumo de matérias-primas, diminuem a produção da amônia, contribuindo para a melhoria do bem-estar animal e também melhoram as condições de trabalho dos avicultores.
Conforme explica Marcel Hoffmann, médico-veterinário da Munters do Brasil, é muito importante que o produtor trabalhe com o reaproveitamento dos recursos naturais, sendo que existem várias soluções no mercado que auxiliam na redução dos poluentes. “É o caso dos equipamentos que reutilizam o calor. Esta máquina é uma fonte para reaquecer o ar. O ar que saía quente depois de passar pelas aves a gente consegue reaproveitar o calor deste ar e trazer com ar puro para dentro do aviário. É uma solução que diminui o consumo de gás, diesel, lenha”, explica.
Marcelo enaltece que estes equipamentos trazem muitos benefícios ao produtor e auxiliam no bom manejo da granja. “Essas soluções são voltadas para melhorar o custo benefício, evitar gastos, reduzir o consumo, diminuir o custo. Quando olhamos em uma visão mais ampla ainda vemos que estes equipamentos reduzem a utilização de recursos naturais, o que é um apelo muito grande das legislações e do mercado”, aponta.
O médico-veterinário destaca que estes equipamentos são grandes aliados na redução de emissão de CO2, medida que está cada vez mais presente no agronegócio. “Melhorar as condições ambientais para os animais, com a distribuição do ar um pouco melhor é fundamental. Temos estudos mostrando que a utilização destes maquinários reduz a produção de amônia do aviário, melhorando as condições de distribuição do ar. Desta maneira, o benefício principal é a redução do consumo de gás. Entretanto, este equipamento também possibilita benefícios secundários, como a melhoria do bem-estar das aves. Tudo isso são benefícios coadjuvantes, mas que fazem parte da produção animal, trazendo benefícios para o produtor, para os animais e para a sociedade”, evidencia.
Tratamento do ar de saída
Uma segunda leva de equipamentos que podem auxiliar na avicultura são aqueles focados no tratamento do ar de saída, os chamados limpadores de amônia e filtros de odores, pois eles são capazes de fazer a captura de toda a amônia produzida no aviário a fim de fazer um tratamento naquele líquido residual.
Conforme assegura Marcelo, estes equipamentos tratam o líquido residual e transformam em um produto que pode ser utilizado na lavoura, fechando todo o ciclo de produção. “Estes equipamentos possibilitam que o produtor emita menos poluentes na atmosfera, o que pode prejudicar a saúde das pessoas, além de diminuir o cheiro desagradável que é possível sentir próximo aos aviários. Este equipamento consegue eliminar uma grande parte dos odores e ainda possibilita utilizar esta matéria-prima na agricultura”, aponta o profissional.
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Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



