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Tecnologia e manejo em destaque no Encontro de Inverno da Coamo
Evento técnico contou com estações de pesquisa, exposição de máquinas e palestra sobre o mercado agrícola.

A Coamo realizou, entre os dias 24 e 26 de junho, a 19ª edição do Encontro de Inverno na Fazenda Experimental em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná). O evento reuniu cooperados do Paraná e de Santa Catarina. Ao longo dos três dias, os participantes percorreram cinco estações temáticas de pesquisa, com foco em culturas de inverno, milho segunda safra, trigo e pecuária. “São assuntos do momento, desafios que estamos enfrentando e que os cooperados podem aplicar imediatamente em suas propriedades”, afirma o diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo, Aquiles de Oliveira Dias.
Além das estações, o encontro contou com uma palestra sobre o cenário atual e as perspectivas do mercado agrícola. O tema foi considerado oportuno, diante dos conflitos internacionais que afetam tanto o mercado de insumos quanto o de commodities como soja e milho. “O cooperado teve acesso a informações valiosas sobre o mercado, que podem influenciar diretamente nas decisões da próxima safra”, explica o diretor.
Outro destaque foi a Feira de Negócios da Coamo, realizada paralelamente ao evento. No espaço, cooperados puderam conhecer o portfólio de máquinas, equipamentos, peças, ferramentas e produtos veterinários disponíveis nas lojas da cooperativa. Este ano, a feira contou com a participação um número recorde de empresas parceiras. “A adesão dos cooperados está sendo excelente. Eles estão aproveitando para adquirir rações, suplementos, medicamentos, pneus, lubrificantes e outros itens com condições especiais e prazos diferenciados”, relata Dias. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para os cooperados planejarem suas atividades até o início do próximo ano agrícola.

Neste ano, o Encontro de Inverno integra a programação comemorativa dos 50 anos da Fazenda Experimental da Coamo. Uma das novidades anunciadas é a antecipação do Encontro de Verão, que ocorrerá em dezembro, tanto no Paraná quanto no Mato Grosso do Sul. “A ideia é apresentar os resultados dos ensaios quando as lavouras de soja e milho estarão em pleno desenvolvimento”, explica. Em Campo Mourão, o evento está previsto para 15 a 19 de dezembro.
Apesar das baixas temperaturas e da chuva em parte da programação, o público marcou presença. “Tivemos dois dias com temperaturas negativas e encerramos o encontro com chuva, mesmo assim o cooperado veio, aceitou o convite e participou”, afirma o coordenador da Fazenda Experimental da Coamo em Campo Mourão, João Carlos Bonani.
Segundo ele, cerca de duas mil pessoas passaram pelo local nos três dias de evento, entre cooperados, representantes de empresas parceiras e membros da equipe técnica da cooperativa. “Ano após ano estamos aprimorando a estrutura da Fazenda Experimental para acolher melhor nossos cooperados”, explica Bonani, ao destacar os investimentos em infraestrutura como estandes fechados e estruturas cobertas.

O planejamento do evento começa com meses de antecedência, envolvendo diversas unidades da cooperativa. Para Bonani, a presença do cooperado é um indicativo claro da importância da iniciativa. “O maior termômetro que temos é a participação. Não faria sentido organizar um evento desse porte se o cooperado não comparecesse.”
Os conteúdos apresentados abordaram temas como o manejo da trapoeraba, tecnologias de aplicação, critérios para uso de milho, e controle de nematoides. A intenção, de acordo com Bonani, é que as informações assimiladas no evento sirvam de base para aplicação prática nas propriedades dos cooperados. “A avaliação é positiva porque conseguimos transmitir o conhecimento das estações para o dia a dia das lavouras”, reforça Bonani.

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EUA retiram 471 produtos brasileiros de nova sobretaxa comercial
Lista de exceções inclui defensivos agrícolas, café, petróleo, fertilizantes e suco de laranja. Demais exportações podem enfrentar carga adicional de até 37,5%.

Os Estados Unidos divulgaram uma lista com 471 produtos brasileiros que ficarão fora da nova sobretaxa de 12,5% anunciada pelo governo norte-americano. Entre os itens excluídos da medida estão produtos como café, petróleo, gás natural, fertilizantes, madeira, suco de laranja, defensivos agrícolas e derivados de açaí.

Foto: Shutterstock
A relação foi publicada na quinta-feira (23) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e reúne exceções distribuídas em 20 categorias de produtos. A medida entra em vigor nesta sexta-feira (24) e, para os produtos que não foram contemplados pela lista, será aplicada de forma adicional à tarifa de 25% que já incide sobre parte das exportações brasileiras desde quarta-feira (22).
Com isso, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
Produtos estratégicos ficam fora
Entre os produtos retirados da nova tarifa estão itens considerados relevantes para o comércio bilateral e para cadeias produtivas dos Estados Unidos.
A lista inclui:
- café;
- petróleo e derivados;
- gás natural;
- fertilizantes;
- madeira e produtos de madeira;
- suco de laranja;
- derivados de açaí;
- defensivos agrícolas;
- couros e peles;
- ferro-gusa;
- resíduos e sucata de alumínio;
- equipamentos destinados à fabricação de semicondutores;
- determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos;
- obras de arte, antiguidades e itens de coleção.
Também foram excluídos diversos insumos industriais, minerais, resíduos metálicos e produtos utilizados pelas

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cadeias de tecnologia e farmacêutica.
Critérios para as exceções
A nova sobretaxa foi estabelecida após uma investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o USTR, a medida está relacionada à avaliação de que o Brasil não teria mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.
Apesar da aplicação da tarifa adicional, o governo dos Estados Unidos decidiu preservar centenas de produtos. Segundo o órgão, a definição das exceções levou em consideração fatores como a relevância de determinados produtos para a economia norte-americana, compromissos comerciais existentes e características específicas dos mercados envolvidos.
A lista de produtos excluídos reduz o alcance da medida sobre algumas cadeias exportadoras brasileiras, mas mantém a cobrança adicional para os itens que não foram contemplados pelas exceções.
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Brasil avalia reação comercial após EUA ampliarem tarifas sobre produtos nacionais
Sobretaxa de 12,5% entra em vigor e pode elevar para 37,5% a carga sobre parte das exportações brasileiras. Governo afirma que buscará negociação antes de adotar reciprocidade.

O governo brasileiro contestou a nova tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil e afirmou que a medida foi baseada em uma justificativa considerada equivocada. A cobrança entrou em vigor nesta sexta-feira (24) e, para parte das mercadorias, será acumulada com a tarifa de 25% anunciada anteriormente, elevando a carga total para 37,5%.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/OP Rural/ChatGPT
A sobretaxa foi anunciada pelo governo norte-americano sob o argumento de que o Brasil não adotaria medidas suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o país possui uma política consolidada de combate ao trabalho análogo à escravidão e rejeitou a justificativa apresentada. “O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno”, frisou.
Segundo o ministro, a decisão norte-americana foi construída sobre uma base que não corresponde à realidade brasileira. “É uma tarifa indevida, baseada em fatos que não são reais”, declarou.
Setores sob impacto
Embora uma lista de produtos tenha sido excluída das tarifas, o governo avalia que diferentes segmentos da indústria

Foto: Divulgação
brasileira serão afetados pela cobrança acumulada. Entre eles estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos. “Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla tributação, à dupla taxação, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5%”, afirmou o ministro.
Segundo o MDIC, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram fora das duas medidas tarifárias. Entre os itens preservados estão produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas.

Imagem criada por ChatGPT
A pasta informou, porém, que ainda não concluiu o levantamento de todos os produtos que serão atingidos simultaneamente pelas duas tarifas. O objetivo é identificar com precisão quais cadeias exportadoras terão aumento da carga tributária.
Negociação antes da reciprocidade
O governo brasileiro informou que pretende priorizar as negociações diplomáticas para tentar reverter a medida, mas afirmou que poderá utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica caso não haja avanço nas conversas. “O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil”, reforçou Rosa.
Segundo o ministro, uma eventual reação dependerá do andamento das tratativas com os Estados Unidos. “O

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural
momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar e afastar essas tarifas, porque elas são extremamente injustas e muito danosas”, salientou.
Apoio aos exportadores
Além da estratégia diplomática, o governo informou que trabalha na identificação dos setores mais afetados, na busca por novos mercados e na preparação de medidas jurídicas.
Empresas impactadas poderão acessar recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.
O governo também informou que pretende retomar as conversas com autoridades norte-americanas no próximo mês, após concluir a análise dos impactos da nova medida sobre as exportações brasileiras.
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Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia não registram desmatamento no primeiro semestre
Levantamento do Imazon aponta a menor área desmatada para o período em oito anos, mas alerta para pressão concentrada em unidades de conservação no Pará.

Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia passaram o primeiro semestre de 2026 sem registrar desmatamento. Levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que 588 dos 688 territórios monitorados permaneceram intactos entre janeiro e junho deste ano.

Foto: Eufran Amaral
Desse total, 330 são terras indígenas e 258 unidades de conservação. Os dados foram divulgados poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos incluir o desmatamento ilegal entre as justificativas para impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo brasileiro classificou as acusações como “indevidas” e argumentou que os índices de desmatamento vêm caindo desde 2023.
Segundo o Imazon, a Amazônia perdeu 1.145 quilômetros quadrados de floresta no primeiro semestre de 2026, uma redução de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o instituto, trata-se da menor área desmatada para os seis primeiros meses do ano desde o início da série dos últimos oito anos.
Na comparação com 2022, quando foi registrado o maior índice para o período, a redução chega a 76%.
Pressão concentrada em áreas protegidas
Embora a tendência geral seja de queda, o levantamento mostra que o desmatamento continua concentrado em

Foto: Divulgação
alguns territórios específicos.
As áreas protegidas responderam por 97,37 quilômetros quadrados da floresta derrubada entre janeiro e junho, o equivalente a 8% do total registrado na Amazônia. Desse volume, 9,38 quilômetros quadrados ocorreram em terras indígenas e 87,99 quilômetros quadrados em unidades de conservação.
O principal foco de pressão foi a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, no Pará, responsável, sozinha, por cerca de metade de todo o desmatamento registrado nas áreas protegidas da Amazônia no período. Entre janeiro e junho, foram derrubados 47,85 quilômetros quadrados de floresta na unidade.
Outro destaque é a Floresta Nacional do Jamanxim, também no Pará. Com perda de 3,45 quilômetros quadrados de vegetação nativa, equivalente a quase 350 campos de futebol, a unidade aparece como a quinta mais desmatada da Amazônia. O território voltou ao centro do debate após o Senado aprovar um projeto de lei que reduz sua área.

Foto: Divulgação
Para a coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, a proposta beneficia ocupações irregulares na unidade de conservação. “A aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo de pessoas que invadiu ilegalmente essa unidade de conservação após sua criação, em 2006”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, a manutenção das unidades de conservação é estratégica para conter o avanço do desmatamento e enfrentar as mudanças climáticas. “Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência”, defendeu.
Apenas dois estados registram alta
O levantamento também aponta redução do desmatamento na maior parte da Amazônia Legal. Entre agosto de 2025

Foto: Divulgação
e junho de 2026, apenas Roraima e Maranhão apresentaram aumento nas áreas desmatadas, de 25% e 20%, respectivamente.
Os outros sete estados registraram queda, com reduções que variam de 27%, em Mato Grosso, a 67%, em Tocantins.
Apesar desse cenário, Pará, Mato Grosso e Amazonas continuam concentrando as maiores áreas desmatadas da Amazônia Legal no período analisado. O Pará lidera o ranking, com 684 quilômetros quadrados de floresta derrubada, seguido por Mato Grosso, com 509 quilômetros quadrados, e Amazonas, com 378 quilômetros quadrados.



