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Tecnologia Antecipe aumenta produtividade do milho segunda safra no Tocantins

Com a tecnologia, os pesquisadores registraram a média de 3.062 quilos por hectare nos experimentos realizados.

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Fotos: Guilherme Viana

Em estudo desenvolvido no município tocantinense de Marianópolis, foi observado que o cultivo intercalar de milho, antes da colheita da soja, aumenta a produtividade e reduz os riscos da segunda safra tardia. Chamada de Antecipe, a técnica desenvolvida pela Embrapa promoveu aumento do número de espigas e da produtividade de grãos de milho em 287%, comparado ao plantio convencional desse cereal pós-soja. Com a tecnologia, os pesquisadores registraram a média de 3.062 quilos por hectare nos experimentos realizados no Tocantins.

O estudo comparou três sistemas de cultivo: intercalar do milho antes da colheita da soja (o Antecipe), a semeadura do milho após a colheita da soja e um terceiro sistema denominado “padrão do produtor”, em que o milho foi semeado após a colheita da soja no mesmo dia do Antecipe. A pesquisa foi executada em parceria por três Unidades da empresa: Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), Embrapa Milho e Sorgo (MG) e Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

“O Antecipe é uma tecnologia com potencial de aumentar a produção de milho na segunda safra no Tocantins, respeitando a janela de recomendação para o milho safrinha no estado”, declara o agrônomo da Embrapa Francelino Peteno de Camargo, responsável pelo experimento no estado (veja no quadro abaixo como a técnica funciona).

Antecipe é sucesso em oito estados

O Tocantins é um dos oito estados em que o Antecipe gerou bons resultados. “O sistema foi validado em várias regiões do País que adotam a safrinha, como Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão”, relata o pesquisador Décio Karam, líder do projeto. Ele conta que os resultados têm sido promissores, tanto nas operações de plantio intercalar do milho como na colheita da soja. Em Goiás, por exemplo, ocorreram os resultados expressivos na segunda safra de 2021. Em um experimento conduzido em Rio Verde (GO), o Antecipe entregou 66 sacas de milho por hectare. Na semeadura tradicional, com o milho semeado após a colheita da soja, a produtividade foi de 28 sacas por hectare.

Como funciona o sistema Antecipe

Essa técnica permite a semeadura mecanizada do milho nas entrelinhas da soja durante a fase de enchimento de grãos da leguminosa, a partir do estádio R6. O milho é cortado durante o processo de colheita da soja, reduzindo a área foliar das plantas. Porém, como o ponto de crescimento encontra-se abaixo da superfície do solo, a planta continua seu crescimento, sem prejuízo à produtividade de grãos. Porém, essa desfolha deve ocorrer até o estádio de desenvolvimento V5 do milho, pois, se realizada após esse período, há perda de produtividade.

Essa estratégia permite ao produtor antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias antes da colheita da soja, reduzindo os riscos de perdas por condições climáticas desfavoráveis, típicas do final do verão e início do outono. Com o plantio antecipado, a cultura do milho aproveita melhor as chuvas do início da estação, resultando em ganhos significativos de produtividade e rentabilidade.

Foto: Sandra Brito

De acordo com Karam, a técnica também reduz os custos de produção da soja, eliminando a necessidade de dessecação da cultura para antecipar a colheita, o que beneficia o produtor em aspectos operacionais, econômicos e ambientais. Além disso, em regiões com maior experiência no cultivo da safrinha, é possível utilizar cultivares de soja de ciclo mais longo e maior potencial produtivo, sem comprometer o desempenho do milho.

Outra vantagem do sistema é a possibilidade de implantar o milho safrinha em áreas onde a segunda safra ainda não está consolidada, expandindo as janelas de cultivo para regiões antes consideradas inviáveis. Essa flexibilidade amplia o potencial agrícola, permitindo maior eficiência no uso da terra e contribuindo para a sustentabilidade do sistema produtivo.

O pesquisador Emerson Borghi explica que os cultivos intercalares antecipados nas entrelinhas da soja, antes de sua colheita, permitem semear a segunda cultura, que pode ser de milho, sorgo, milheto, gergelim ou pastagens, de acordo com a região e o negócio da propriedade. A colheita da soja é feita sem causar danos às plantas dessas culturas. “Desse modo, com melhores condições, a garantia de segunda safra pode ampliar o retorno econômico. Isso pode acontecer na produção de grãos, silagem ou, em casos em que o produtor adota a ILPF, ganho de peso na pecuária de carne ou leite, pois o pasto semeado nas entrelinhas da soja permite a entrada do gado mais cedo na área”, exemplifica Borghi que ainda ressalta o impacto ambiental da tecnologia: “tudo isso feito em plantio direto, garantindo uma pegada de carbono ainda mais efetiva e colocando o Brasil ainda mais na vanguarda da produção sustentável de alimentos para o mundo”.

 

A história do Antecipe

Lançado em 2020, o pacote tecnológico Antecipe apresenta uma abordagem inovadora para a produção de grãos. Desenvolvido pela Embrapa, o sistema combina um método inédito de cultivo, uma semeadora-adubadora, que já conta com pedido de patente pela Embrapa, e comercializada em parceria com a empresa Jumil.

A técnica consiste em semear o milho nas entrelinhas da soja . Para isso, a lavoura deve estar no estádio fenológico R6 pois, antes disso, o milho não se desenvolve pelo sombreamento causado pela soja. Durante a colheita da soja, sem a necessidade de adaptações no maquinário, o equipamento corta simultaneamente as plantas das duas culturas, reduzindo a parte aérea do milho.

Mesmo com a passagem pela colhedora reduzindo a área foliar e os pneus da máquina amassando algumas plantas, o ponto de crescimento do milho não é afetado e, assim, a planta continua seu desenvolvimento. Os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da tecnologia alertam para o estádio fenológico que o milho deve estar nesse momento, o que não pode ocorrer após a emissão da sexta folha com bainha visível (conhecido como estádio fenológico V6).

O plantio intercalar antecipado oferece vantagens estratégicas, garantindo um ganho de até 20 dias no ciclo de cultivo e permitindo que o milho se beneficie de condições climáticas mais favoráveis, otimizando a produtividade, quando comparado ao plantio do milho fora do calendário agrícola preconizado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

Para a sua efetividade, o Antecipe tem que ser programado com antecedência, iniciando antes da semeadura da cultura de verão, segundo ressalta Borghi. “Ele também depende da semeadora-adubadora específica, que pode ser utilizada para a semeadura de todas as culturas, independentemente da época do ano. Suas configurações atendem produtores de diferentes proporções, para diferentes finalidades, tornando essa tecnologia acessível a todos”, declara o pesquisador

O Antecipe no Tocantins

As áreas em sequeiro, manejo que predomina no Tocantins, sofrem de alto risco climático, principalmente a partir do fim do período de verão, tornando a segunda safra bastante desafiadora. “Com a antecipação do plantio do milho, promovida pelo Antecipe, a semeadura em segunda safra é feita em época mais favorável, promovendo incrementos de produtividade quando comparada a semeaduras realizadas fora do calendário agrícola preconizado pelo Zarc”, detalha Camargo.

O estado do Tocantins é o principal produtor de grãos da região Norte do Brasil. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), considerando apenas as culturas da soja e do milho, são 1,7 milhão de hectares e, desse total, 74% são destinados à cultura da soja. No entanto, o cultivo de milho após a colheita da soja em segunda safra ainda é bastante incipiente na região – apenas 28% da área de soja recebe o milho safrinha.

Uma semeadora-adubadora inovadora para cultivo intercalar

A viabilização do Antecipe exigiu o desenvolvimento de um novo equipamento. Criada e patenteada pela Embrapa, a semeadora-adubadora combina plantio e adubação de milho nas entrelinhas da soja sem causar danos mecânicos, amassamento ou perda de área foliar da cultura sucessora e ainda preservando a produtividade da oleaginosa.

O projeto, iniciado em 2007, resultou na criação de um protótipo, que também realiza as operações tradicionais de plantio convencional. Durante a safra 2020/2021, o equipamento foi testado em condições reais de produção para ajustes finais.

“O desenvolvimento foi pensado para atender pequenos e médios produtores, oferecendo a eles maior competitividade, redução de riscos e aumento de produtividade”, enumera Fabrício Rosa de Morais, diretor-presidente da Jumil, empresa que levou a tecnologia ao mercado.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Fundesa elege vice-presidente e aprova dois novos integrantes

Instituto Desenvolve Pecuária e Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios passam a integrar o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul.

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Foto: Thais D'Avila

Duas assembleias foram realizadas quarta-feira (15) na Casa da Sanidade Animal, sede do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, com 100% de presença dos conselheiros no formato presencial e virtual. Na primeira assembleia, de prestação de contas do primeiro trimestre de 2026, foram aprovados os números de arrecadações, rendimentos e aplicações. O saldo do fundo é de R$ 188,9 milhões e no período foram aportados R$ 2,64 milhões em diferentes frentes relacionadas às quatro cadeias produtivas que compõem o fundo – aves, suínos, bovinos de corte e leite.

A distribuição dos aportes, teve 43%, R$ 1,16 milhão, direcionada à indenização de produtores pelo abate sanitário de animais com registro de doenças de notificação obrigatória. Destaque para o apoio financeiro ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, com a compra de insumos, aquisição e calibração de  equipamentos entre outros, totalizando R$ 394,9 mil. O Fundesa também adquiriu 10 mil brincos de identificação de bovinos, no valor de R$ 109 mil, que serão utilizados no Projeto Piloto de Rastreabilidade Bovina no Rio Grande do Sul.

Novos integrantes

Na sequência da prestação de contas trimestral ordinária, uma Assembleia Extraordinária tratou de temas ligados ao estatuto e regimento interno do Fundesa. Foi realizada a eleição e posse do novo vice-presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, da Farsul. O cargo de vice-presidente estava vago desde janeiro, com a saída de Gedeão Pereira do Conselho Deliberativo do Fundesa. O presidente do Fundesa registrou agradecimentos a Gedeão pela contribuição ao fundo ao longo de nove anos.

Lopes agradeceu a confiança e colocou-se à disposição para, junto com os demais conselheiros, trabalhar em prol da proteína animal gaúcha. Domingos Velho Lopes já foi secretário da Agricultura e, na pasta, teve a dimensão da importância do Fundesa-RS para o pleno andamento do Serviço Veterinário Oficial do estado.

Os conselheiros também aprovaram o ingresso de dois novos integrantes no Conselho Deliberativo do Fundesa. A partir de agora, integram o Fundo a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Estado – Apil, e o Instituto Desenvolve Pecuária, Idepec.   “Ambas atuam diretamente nas áreas de interesse do fundo, e representam contribuintes do Fundesa, seja à frente de pecuaristas, seja à frente de agroindústrias”, afirma Kerber, que disse estar na expectativa da contribuição das entidades no debate da sanidade animal gaúcha.

As duas novas entidades se somam às atuais dez representações das quatro cadeias produtivas que compõem o fundo. Asgav, Sipargs, Acsurs, Sips, Sicadergs, Fecoagro, Farsul, Fetag, Febrac e Sindilat.

Fonte: Assessoria Fundesa/RS
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Sanepar vence prêmio com usina que transforma esgoto em energia

Unidade de biogás se sobressai no país ao converter resíduos em energia renovável e reforçar protagonismo no setor.

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Fotos: Sanepar

A ETE Belém – Biogás, também conhecida como USBioenergia ou USBio, é campeã na categoria unidades ou plantas geradoras de biogás (Saneamento) no Prêmio Melhores do Biogás Brasil, promovido no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. O evento, realizado em Foz do Iguaçu na terça-feira (14), reconhece profissionais e empresas que geram iniciativas sustentáveis no setor.

Localizada em Curitiba, a ETE-Belém é fruto de iniciativas inovadoras da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para transformar resíduos, ou seja, o lodo gerado no processo de tratamento de esgoto, em energia renovável, o biogás. A Companhia possui mais de 200 estações de tratamento equipadas com reatores anaeróbicos (que utilizam microrganismos para decompor a matéria orgânica), em todo o Paraná.

Esta é a terceira vez que a Sanepar garante o prêmio nessa categoria, sendo duas delas com a ETE-Belém e uma com a Atuba Sul, também em Curitiba. Em 2023, a estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde, de Foz do Iguaçu, foi eleita a mais sustentável o País na mesma premiação.

“A Sanepar celebra a premiação tendo a certeza de que está no caminho da sustentabilidade. Quando destinamos nossos investimentos à transformação do lodo em biogás, estamos aplicando a economia circular que não apenas nos beneficia, mas toda a cadeia produtora também. O reconhecimento, que vem com o prêmio, é de todos os empregados que participam do processo e fazem a Companhia ser destaque em todas as áreas em que atua”, comemorou o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.

Com capacidade para processar diariamente 900 m³ de lodo da ETE Belém — o equivalente a cerca de 36 caminhões-pipa — e 150 toneladas de resíduos orgânicos de grandes geradores, a unidade se consolida como um gigante da economia circular. A operação é sustentada por dois biodigestores de 5.000 m³ cada, que juntos comportam o volume de quatro piscinas olímpicas de material em tratamento.

Graças a um sistema de pós-digestão que garante a estabilização total dos resíduos e elimina passivos ambientais, a planta atingiu um desempenho otimizado: a produção de 18.000 Nm³ (metros cúbicos normais) de biogás por dia. Na prática, esse resultado converte toneladas de descarte urbano em uma fonte de energia renovável, pronta para o aproveitamento energético. A premiação demonstra o posicionamento da Sanepar como uma das principais operadoras de biogás do Brasil.

Trabalho complexo

O gerente de tratamento de esgoto em Curitiba e responsável pela unidade, Raphael Tadashi Diniz, recebeu o prêmio em nome da Companhia e explica que o trabalho conta com o apoio da diretoria que dispõe de investimentos em inovação e novos negócios, e também da equipe operacional.

“Agradeço principalmente a quem trabalha diretamente na ETE Belém e na Usina de Biogás, que são os verdadeiros guerreiros. Seja no processo de operação, manutenção, que estão no dia a dia da estação, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Um trabalho bastante complexo, mas que eles fazem com satisfação e contribuem muito para esse reconhecimento e a conquista desse importante prêmio”, disse ele, ao agradecer, em nome da equipe.

Destaque

Somente no primeiro bimestre de 2026, a unidade recebeu mais de 6 milhões de toneladas de lodo e outros resíduos orgânicos. Nesse período, a eficiência da usina resultou na geração de 1.517,50 MWh. Em outras palavras, essa eletricidade seria suficiente para abastecer uma cidade de 12 mil habitantes por um mês inteiro. O processo que é uma alternativa à disposição de lodo e resíduos orgânicos em aterros sanitários, reduz, portanto, custos operacionais e impactos ambientais.

“Essa premiação representa a validação de uma estratégia de inovação que transforma passivos ambientais em ativos energéticos. Na Sanepar, entendemos que os resíduos não são o fim da linha, mas potenciais fontes de recursos”, afirmou Gustavo Rafael Collere Possetti, Especialista em Pesquisa e Inovação da Sanepar.

“Ao otimizarmos a codigestão de lodo com outros resíduos orgânicos, estamos escalando nossa capacidade de gerar energia limpa e reduzindo emissões de gases de efeito estufa. Essa iniciativa exemplifica como a ciência aplicada ao saneamento pode impulsionar a descarbonização, a transição energética e fortalecer a segurança energética do Paraná”, destacou Possetti.

Fonte: AEN-PR
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Embrapa aponta queda nos custos de suínos e estabilidade na produção de frangos

Indicadores reforçam cenário de ajuste nos custos, com destaque para variação nos preços da ração.

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Foto: Shutterstock

Os custos de produção de suínos voltaram a cair em março, mantendo a tendência observada desde janeiro, enquanto os custos do frango de corte ficaram praticamente estáveis. Os dados são da Embrapa Suínos e Aves, divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).

No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte permaneceu em R$ 4,72, com índice de 365,38 pontos. No acumulado de 2026, há alta de 1,44%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é negativo em 2,95%. A ração, principal componente do custo (63,60%), teve leve alta de 0,37% em março, mas acumula queda de 8,72% em um ano.

Já em Santa Catarina, o custo do quilo do suíno vivo recuou de R$ 6,36 em fevereiro para R$ 6,30 em março, redução de 0,96%. O índice ICPSuíno caiu para 360,63 pontos. No ano, a retração acumulada é de 2,71%, enquanto em 12 meses chega a -1,76%. A ração, que representa 72,22% do custo total, diminuiu 0,55% no mês e acumula queda de 1,96% em 2026.

Paraná e Santa Catarina são utilizados como referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs), por concentrarem a maior produção nacional de frangos de corte e suínos, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Como suporte à gestão nas propriedades, a Embrapa oferece ferramentas gratuitas, como o aplicativo Custo Fácil, que permite gerar relatórios personalizados e separar despesas, além de uma planilha específica para granjas integradas disponível na plataforma da CIAS.

Fonte: Assessoria Embrapa Suínos e Aves
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