Suínos
Técnica pós-cervical muda padrões de inseminação artificial
1)
Como funciona a técnica da inseminação artificial pós-cervical? Qual a
diferença da IA intracervical?
A
técnica de inseminação artificial tradicional utilizada em suínos permite a
deposição da dose inseminante na porção proximal a média da cérvix, por isso é chamada
de deposição intracervical.
A
inseminação artificial pós-cervical (IAPC) foi possível pela adição de um novo
instrumento ao processo: o cateter. Os cateteres utilizados atualmente permitem
uma extensão de aproximadamente 20 cm além da pipeta tradicional, ultrapassando
assim a barreira da cérvix e alcançando o corpo do útero e a porção inicial dos
cornos uterinos (figura 1).
Uma das perguntas mais frequentes
nas granjas talvez seja: Como uma extensão de apenas 20 cm permite uma
alteração tão significativa no número de espermatozóides utilizados e no volume
das doses?.
A
cérvix representa um ambiente hostil ao espermatozoide, com saliências e
reentrâncias (aneis cervicais), muco, pH e células de defesa, onde uma porção
significativa dessas células de fato pode ser perdida.
Além
dessas considerações a respeito da cérvix, os apenas 20 cm significam quase 5.000
vezes o tamanho do espermatozóide (que tem aproximadamente 50µ). Comparando com
uma pessoa de 1,80m, significariam 9.000 metros. Apesar do transporte
espermático nessa fase praticamente não depender da motilidade da célula (e sim
das contrações uterinas e da fluidez do muco na cérvix), a IAPC permite a não
exposição a esse ambiente e coloca os espermatozoides já no ambiente uterino,
diminuindo significativamente as perdas.
2)
Por que se fala tanto hoje em dia de inseminação
artificial pós-cervical?
A
Inseminação artificial tradicional é uma técnica que foi desenvolvida na década
de 30, no Japão e Rússia e os primeiros registros da tentativa de modificar
esse processo e utilizar a IAPC em suínos datam do final dos anos 50, portanto,
não é uma ideia que possamos chamar de nova.
Já
em 1959, um pesquisador utilizou um equipamento que dispunha de um cateter para
realizar a deposição intrauterina do sêmen, muito parecido com o que utilizamos
hoje. Os resultados desse autor foram
excelentes, com aproximadamente 100% de taxa de prenhez e 95% de oócitos
fecundados. Nas pesquisas bibliográficas que realizamos, não está claro porque
essa ideia tão promissora foi abandonada na época.
O assunto foi retomado na comunidade
científica da suinocultura no início de 2000, com a realização de uma série de
trabalhos já em condições de campo e com os equipamentos que utilizamos
atualmente. Os resultados desses trabalhos estão resumidos na tabela abaixo.
Autor | Tratamento | Bilhões de sptz/dose | Volume (mL) | Taxa de Prenhez (%) | No de fetos ou embriões |
Watson e Behan, 2002 | IAPC | 1,0 | 80 | 86,9 | 12,1 |
IAT | 3,0 | 80 | 92,5 | 12,2 | |
Dallanora et al., | IAPC | 1,5 | 60 | 94,9 | 11,5 |
IAT | 3,0 | 90 | 94,4 | 11,8 | |
Bennemann et al, 2004* | IAPC | 0,5 | 20 | 92,7 | 11,3 |
IAT | 3,0 | 90 | 95,1 | 12,1 |
*trabalhos
realizados no Brasil.
Concomitantemente,
enquanto alguns trabalhos comprovavam que era possível utilizar a técnica e
reduzir o número de espermatozoides, outros trabalhos testavam qual poderia ser
o número mínimo seguro de espermatozoides/dose para ser utilizado em condições
comerciais.
Autor | Tratamento | Bilhões de sptz/dose | Volume (mL) | Taxa de Prenhez (%) | No de embriões |
Mezalira et al., 2003* | IAPC | 1,0 | 20 | 84,7 | 13,3 |
0,5 | 20 | 85,5 | 14,3 | ||
Bennemann et al., 2004* | IAPC | 1,0 | 60 | 82,1 | 15,9 |
2,0 | 60 | 96,5 | 14,9 |
*trabalhos
realizados no Brasil
Nos
dados de pesquisa, ficou estabelecido que é possível utilizar até 1,0 bilhão de
espermatozoides/dose e 25 mL de volume total, porém, baseado no conhecimento do
aparelhamento das centrais de inseminação daquela época, optou-se por trabalhar
com um pouco mais de cautela, o que é mantido até hoje.
Tabela
3. Número de espermatozoides e volume de dose inseminante ideais para o uso de
IA tradicional e IAPC, em condições de campo no Brasil.
Dados da inseminação | IA Tradicional | IA Pós-cervical |
No | 3-4 | 1,5 |
Volume | 80-100 | 40-60 |
Apesar
do estabelecimento completo da metodologia e dos resultados já consolidados há
mais de 10 anos, o custo do conjunto pipeta/cateter ainda era muito alto e
tornava a inviável a aplicabilidade em condições comerciais, tanto no Brasil
como em qualquer outro local do mundo. Em 2002, uma pipeta de IAPC custava mais
de 10 vezes o valor da pipeta de IA tradicional.
Nos
últimos anos, especialmente na Espanha, essa técnica passou a ser utilizada em
condições comerciais e, no Brasil, com a chegada de equipamentos de custo
razoável, o uso passou a ganhar uma importância significativa.
3) Quais são as vantagens REAIS da IAPC?
As possíveis vantagens na
utilização dessa técnica estão relacionadas ao aumento do número de nascidos,
diminuição do tempo de inseminação, redução do consumo de diluente e redução do
número de machos no plantel. É fundamental avaliar essas possibilidades com cautela
em cada granja.
O aumento do número de nascidos não
deve ser considerado uma verdade absoluta. Todos os trabalhos são claros em
provar que, quando a IA tradicional é bem conduzida, os resultados da IAPC são
semelhantes, ou seja, é possível MANTER o desempenho reprodutivo utilizando 50%
a menos de espermatozoides e de volume de dose. É um erro dizer que a técnica
por si só melhora o desempenho das granjas, quando o manejo reprodutivo é
adequado.
O segundo ponto muito discutido é o
tempo de inseminação nas granjas. Esse benefício vem ao encontro de toda a
discussão de otimização de mão de obra as granjas e também não é uma verdade
absoluta. Quando cronometramos o tempo de inseminação total, desde a passagem
do macho para confirmar o cio até o final da infusão da dose, não há diferença
significativa.
Os dois benefícios reais estão
relacionados à redução de 50% no número de espermatozoides e volume de dose,
permitindo uma economia em diluente e um aumento no número de fêmeas atendidas
por um mesmo macho.
A IAPC permite a aceleração da
difusão de características desejáveis nos planteis. Os machos são
responsáveis por 50% do melhoramento genético que chega ao plantel e são
selecionados para características produtivas (conversão alimentar, ganho de
peso, carne magra), as quais possuem uma maior herdabilidade que as
características reprodutivas. Com a redução na necessidade de machos, pode ser
tomada a decisão de utilizar machos de maior valor e melhorar algumas
características no rebanho com maior velocidade.
OS
relatos mais recentes indicam uma relação de 1 macho: 350 matrizes,
considerando que aproximadamente 20% das coberturas serão realizadas com doses
tradicionais (leitoas) e 80% das inseminações com doses de IAPC.
4)
Implementação, protocolos, cuidados (A IAPC exige protocolos diferenciados
de execução? Quais os principais cuidados? Somente profissionais especializados
podem realizar a IAPC na propriedade? A indução do cio é necessária para o uso
da IA Pós-cervical? Ou qual protocolo seria o mais recomendado?)
Não
há mais dúvidas sobre a aplicabilidade prática dessa tecnologia nas condições comerciais
das granjas brasileiras, o que há, de fato, é a necessidade de cuidados na
produção das doses inseminantes e especialmente em relação a lesões ao trato reprodutivo
da matriz durante a IAPC.
Para o manejo reprodutivo em si, não
há alterações na dinâmica de indução/diagnóstico de cio e também não há
necessidade de nenhuma manipulação hormonal do ciclo estral.
Um ponto que vendo sendo trabalhado
com alguma diferença entre as granjas é a questão da presença ou não do macho
na frente das fêmeas no momento da infusão das doses inseminantes. Algumas
granjas preferem continuar trabalhando da forma tradicional (com a presença do
macho) e não tem sido observada maior dificuldade por causa disso. Lembrando
que o macho precisará permanecer na frente das leitoas que continuarão sendo
inseminadas pela técnica tradicional.
A dinâmica ideal da realização da
IAPC é a introdução e alocação da pipeta na cérvix de 4 a 5 matrizes ao mesmo
tempo, sendo seguida pela passagem do cateter nas mesmas 4 a 5 matrizes e
posterior infusão da dose. Dessa forma, a fixação da pipeta promove o
relaxamento da cérvix, preparando para a passagem do cateter. Nos
casos de dificuldade de passagem do cateter, as alternativas são esperar alguns
instantes, fazer a infusão de uma pequena quantidade de sêmen para haver alguma
lubrificação e até mesmo fazer a tentativa de realocar a pipeta.
No
protocolo de inseminação, são utilizadas doses de sêmen com 24 h, ou seja, uma
dose inseminante/dia, o que já era feito em diversos sistemas de produção,
mesmo utilizando IA tradicional. Tanto a produção das doses
inseminantes quanto a realização da inseminação podem ser conduzidas pelas
mesmas pessoas que trabalham com a IA tradicional, porém não podemos subestimar
os riscos de erros nesses processos e perdas de produtividade. Ë essencial
realizar treinamentos teóricos, práticos, sérios e detalhados, capacitando
realmente às pessoas. Em alguns casos, o que estamos vendo no campo atualmente
é a banalização/simplificação excessiva dos procedimentos, o que não é
desejável em nenhuma atividade e abre portas para queimar a tecnologia.
4.1) Produção de doses de sêmen para
IAPC
Pelo uso de um número menor de
espermatozoides, é fundamental que o processo de determinação da concentração
seja o mais preciso e o menos subjetivo possível. Como sabemos, a câmera de Neubauer é
o método mais preciso para determinar a concentração do ejaculado (número de
espermatozoides/mL), porém, pela riqueza de detalhes na sua execução, é também
a técnica que está sujeita ao maior risco de erro e ao maior tempo, o que
inviabiliza seu uso na rotina das centrais de produção de sêmen. Pela
subjetividade da avaliação visual, também não recomendamos o uso de
espermodensímetro.
Os
sistemas de avaliação computadorizada são considerados os métodos mais
precisos. Pelo seu custo, isso ficaria limitado, atualmente, às centrais de
grande porte. Em centrais de porte médio, os fotômetros são a ferramenta que
produz, na prática, o maior custo/benefício, especialmente se forem
frequentemente auditados através da contagem na câmara de Neubauer.
Além
da escolha do método de determinação da concentração, todo o procedimento
precisa ser cuidadosamente realizado. Em geral, não utilizamos mais que 0,5 mL
de sêmen (na maioria das vezes muito menos que isso) para estimar o número de
espermatozoides em 300 a 400 mL de sêmen. Então, essa amostra precisa ser muito
bem coletada.
Durante
a coleta, as células tendem a se acumular em maior concentração no fundo do
recipiente, então, se coletarmos do fundo estaremos superestimando e, se
coletarmos muito superficialmente, estaremos subestimando. É fundamental a
homogeneização do ejaculado antes de coletá-la. Essa homogeneização também deve
ser realizada com cuidado, pois os movimentos de centrífuga acabam lançando os
espermatozoides para as paredes do copo, prejudicando a avaliação.
O
volume do ejaculado também deve ser estimado através do peso, evitando
recipientes graduados em mL, os quais, na maioria das vezes, não são precisos.
4.2) Desperdício de espermatozóides
É
preciso tomar alguns cuidados em relação a três momentos que podem ser fonte de
desperdício/perda de espermatozóides: o uso do sêmen para lubrificar a pipeta, o
residual de sêmen que pode ficar dentro do cateter após o final da IA e o
refluxo no momento da inseminação.
As
duas primeiras situações podem gerar perdas de até 10 mL e significar 20% dos
espermatozóides que deveriam ser infundidos. A
questão do refluxo não é comum na IAPC e pode ser um indicador de que os
equipamentos estejam mal posicionados no trato reprodutivo.
4.3) Lesões no trato reprodutivo
feminino
Nos
trabalhos realizados no Brasil, a taxa de sucesso na passagem do cateter pela
cérvix é próxima de 100%, nas matrizes multíparas, ou seja, não há grandes
dificuldades na realização da técnica. A IAPC tem restrição de uso nas leitoas
e exige um pouco mais de cuidado nas primíparas. A lesão ao trato reprodutivo (cérvix
e/ou útero) é avaliada pela presença de sangue no momento da retirada da pipeta
e tem consequências sobre o desempenho reprodutivo.
| ||
Figura | ||
Autores | % de fêmeas com presença de sangue | Consequências |
Dallanora | 9,5 | 13,8% |
Bennemann | 8,4 | 2,6 |
Como
pode ser visto, o impacto é bastante significativo e a passagem do cateter
merece toda a atenção. Temos trabalhado com treinamento em peças de frigorífico
para simular a dificuldade de passagem do cateter pelos aneis cervicais, para
depois passar para as matrizes em cio. Deve ser uma preocupação de todos,
também pelas questões de bem estar e não sofrimento das matrizes.
5)
Qual a importância da qualidade de fertilidade do reprodutor no processo?
Podemos falar em padrões de reprodutor mais recomendado para a técnica?
Com
o aumento do número de matrizes atendidas/ macho na IAPC, o reprodutor ganha
uma importância ainda maior.
Apesar
disso, não há um padrão de reprodutor que seja mais indicado para ser doador de
sêmen para a IAPC. Há uma indicação de realização de exame de morfologia
espermática a cada 60 dias, como rotina de machos em Centrais de produção de
sêmen e as avaliações de motilidade espermática de sêmen in natura e sêmen
diluído. Os limites mínimos para esses parâmetros continuam os mesmos, sendo
< 20% de defeitos totais e >70% de motilidade.
A
fertilidade individual dos machos é muito importante. Praticamente não há uso
de pool de sêmen na suinocultura brasileira e trabalhos recentes têm indicado
que, mesmo quando utilizado o pool, na maioria das vezes não permite a devida compensação
dos problemas.
Há
aproximadamente 15-20% dos machos que se apresentam subférteis ao longo do ano,
mesmo sem sinais clínicos e sem alteração nas avaliações de rotina citadas
acima (Alm et al., 2006). Essa constatação ganha importância à medida que
reduzimos o número de células/dose, como no caso da IAPC.
É
preciso implantar um programa de controle de qualidade nas centrais de produção
de sêmen de forma garantir a estabilidade da qualidade das doses produzidas ao
longo do ano (pelo menos bacteriologia de água e sêmen, concentração
espermática, morfologia e motilidade).
Com relação aos indicadores de
subfertilidade, infelizmente ainda não existem testes simples e de
aplicabilidade prática que estimem com alto grau de confiabilidade que indiquem
essa situação.
6) É uma tecnologia mais cara? Por que compensa? Pode ser utilizada por todo
produtor?
A
decisão de implementação da técnica de IAPC num sistema de produção deve ser
avaliada individualmente. Sob o ponto de vista de disseminação de
características desejáveis no rebanho, as vantagens são evidentes. Apesar
disso, os critérios abaixo devem ser observados.
6.1) Custo da inseminação das matrizes
Atualmente,
a definição por utilizar a IAPC não significa necessariamente aumento no custo
de inseminação das matrizes. O custo do conjunto pipeta/cateter que era o
principal entrave de 10 anos atrás não é mais significativo.
Algumas
estimativas de valor/matriz foram realizadas ao longo dos anos, mas é preciso
considerar a realidade de cada sistema de produção. A definição do valor dos
machos utilizados será o principal fator a influenciar, já que esses representam
60-70% do custo de produção das doses inseminantes.
6.2) Escala de produção e nível de
tecnologia utilizada na produção de sêmen:
O
número de machos utilizados em cada sistema de produção apresenta um limite
máximo de redução, ou seja, não podemos simplesmente utilizar as relações
divulgadas de 1 macho para mais de 300 matrizes deliberadamente.
Considerando
o risco de subfertilidade já comentado
anteriormente, não recomendamos um número menor que 5 machos em uma central de
produção de sêmen, ou seja, não seria possível reduzir o número de machos num
plantel menor que 1.500 matrizes.
Em
unidades de produção de pequeno porte, o indicado é que, no caso de definição
pelo usa da IAPC, as doses sejam adquiridas de centrais com estrutura adequada
para produção das mesmas. Em
unidades de maior porte, mesmo assim, é preciso considerar o nível de
tecnologia e qualidade no processamento das doses ou buscar a adequação dos
mesmos.
Consideramos
também fundamental que sejam realizados treinamentos e que o procedimento seja
conduzido com bastante cuidado dentro da granja, para evitar lesões ao aparelho
reprodutivo das matrizes.
*Por Djane Dallanora, consultora da Integrall Soluções em Produção Animal e professora da Unoesc
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Acompanhe AO VIVO 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento reúne os principais elos da cadeia para debater os rumos da atividade dentro e fora da porteira.

A suinocultura paranaense enfrenta desafios cada vez maiores dentro e fora da granja. Biosseguridade, mão de obra, sucessão familiar, eficiência produtiva, mercado e exportações estarão no centro das discussões do Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece nesta terça-feira (09), a partir das 09 horas, em Marechal Cândido Rondon (PR).
Promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
• Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
• Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
• Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
• Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
• Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
• Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
• Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
14h40 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
• Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h20 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
• Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
• Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento tem ainda o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Clique aqui e ative o lembrete da live.
Suínos
Pesquisa sobre javalis tem prazo ampliado até o fim de junho
Baixa adesão no Paraná leva à prorrogação do levantamento nacional que busca mapear a presença de javalis e javaporcos e os prejuízos causados ao agro.

Produtores rurais paranaenses ganharam mais tempo para participar do levantamento nacional que busca dimensionar a presença de javalis e javaporcos no campo brasileiro. O prazo da pesquisa “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)” foi estendido até 30 de junho, diante da necessidade de ampliar a adesão ao questionário, especialmente no Paraná, onde a participação ainda é considerada baixa.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT
A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com articulação do Sistema Faep, busca reunir informações diretamente das propriedades rurais para compreender a dimensão do avanço desses animais no país, os prejuízos registrados e os impactos ambientais, sanitários e econômicos relacionados à espécie. O levantamento também deverá subsidiar estratégias mais efetivas de controle e manejo.
“É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente. A participação é essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
A extensão do prazo reforça a importância da participação dos produtores que convivem com a presença dos animais ou já sofreram prejuízos. O questionário permite mapear ocorrências de javalis e javaporcos (resultado do cruzamento entre javalis e suínos domésticos), espécies que têm avançado rapidamente em diferentes regiões devido à ausência de predadores naturais e à elevada capacidade reprodutiva.
A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano, permitindo um retrato mais preciso da presença dos animais no país e contribuindo para a formulação de políticas públicas e medidas de enfrentamento mais eficazes. Além da pesquisa, o Sistema Faep também disponibiliza uma cartilha com orientações e informações sobre os riscos associados aos javalis e javaporcos.
Prejuízos

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente”
No Paraná, a preocupação com o tema não é recente. A mobilização teve origem na Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, que articulou diferentes instituições em torno do problema. O movimento culminou, em 2020, na criação do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, formado por órgãos como o Ministério da Agricultura, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Exército Brasileiro, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e representantes do setor produtivo.
Os prejuízos atribuídos aos suínos asselvajados vão desde a destruição de lavouras e ataques a rebanhos até danos à vegetação nativa, degradação de nascentes e impactos sobre ecossistemas locais. Também há preocupação com a segurança sanitária, já que esses animais podem atuar como vetores de enfermidades como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa, representando risco para a cadeia produtiva da suinocultura.
Suínos
Setor suinícola exporta US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026
Desempenho acumulado é impulsionado pelo recorde de 129,4 mil toneladas embarcadas em maio e pela ampliação dos mercados compradores.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

Foto: José Fernando Ogura
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor” – Foto: Mario Castello
embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
