Peixes
Tarifas dos EUA interrompem crescimento da tilápia brasileira no comércio exterior
Exportações caíram 8,5% em 2025 e setor enfrenta perda de mercado externo e maior pressão competitiva interna.

Após uma sequência de crescimento que consolidou a tilápia como o principal produto da piscicultura brasileira voltado ao mercado externo, 2025 marcou uma inflexão negativa para o setor. Dados do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que as exportações da espécie recuaram tanto em volume quanto em receita, refletindo um ambiente internacional mais restritivo e mudanças nas condições de acesso aos principais mercados compradores.

Foto: Jonathan Campos
Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 15,1 mil toneladas de tilápia e derivados, queda de 8,5% em relação a 2024, quando os embarques somaram 16,5 mil toneladas . O recuo interrompe uma trajetória de expansão observada nos últimos anos e acende um sinal de alerta para a cadeia aquícola.
A perda de volume foi acompanhada por redução no faturamento. As exportações de tilápia renderam US$ 59,8 milhões em 2025, retração de 4% na comparação anual. Em moeda local, a receita totalizou R$ 336 milhões, queda de 1,2%, indicando que a desvalorização cambial não foi suficiente para neutralizar a perda de competitividade do produto brasileiro no exterior .
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliam que o resultado reflete um cenário externo mais hostil, no qual fatores comerciais passaram a pesar mais do que vantagens produtivas tradicionais, como escala e disponibilidade de matéria-prima.

Foto: Jonathan Campos
Estados Unidos mais restritivos
Os Estados Unidos permanecem como o principal destino da tilápia brasileira, concentrando a maior parte das vendas externas. No entanto, a imposição de tarifas adicionais ao pescado brasileiro reduziu a atratividade do produto e dificultou a manutenção de contratos.
Segundo dados do Comex Stat e levantamentos da Embrapa Pesca e Aquicultura, o aumento das barreiras tarifárias elevou o custo de entrada da tilápia brasileira no mercado americano, abrindo espaço para concorrentes asiáticos e latino-americanos e pressionando os volumes embarcados ao longo do ano .
Menos espaço fora, mais disputa dentro
Além da perda de fôlego no mercado externo, o setor passou a enfrentar maior competição no mercado doméstico. A abertura do Brasil para a importação de tilápia do Vietnã adicionou um novo vetor de pressão sobre produtores e indústrias nacionais.
Especialistas do Cepea apontam que a entrada do produto importado tende a influenciar os preços internos e reduzir margens,

Foto: Jefferson Christofoletti
especialmente em um momento em que exportar se tornou mais difícil. Também há preocupações relacionadas a padrões sanitários e à assimetria regulatória entre os sistemas produtivos.
Ano crítico
Com menor acesso ao principal mercado externo e aumento da concorrência interna, a cadeia da tilápia enfrentou uma dupla pressão em 2025. Exportadores buscaram diversificar destinos e reduzir a dependência dos Estados Unidos, enquanto produtores revisaram custos, investimentos e estratégias comerciais.
O desempenho captado pelo Comex Stat indica que o desafio do setor vai além de um ajuste pontual. Trata-se de um ano crítico, que pode redefinir o posicionamento da tilapicultura brasileira no comércio internacional nos próximos ciclos, exigindo coordenação entre indústria, produtores e política comercial para recuperar competitividade.

Peixes
Paraná, São Paulo e Minas Gerais lideram produção de tilápia no Brasil
Na lista dos dez principais produtores, o Maranhão foi o estado com o maior índice de crescimento devido ao novo arranjo produtivo local.

Polo produtor de tilápia brasileiro, o Paraná registrou 273,1 mil toneladas em 2025. Esse desempenho representou um crescimento de 9,1% em comparação ao ano anterior e colocou o estado no topo da lista de produção. Esses dados são da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). “Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no estado. São diversos os fatores que contribuem para o desenvolvimento da atividade que vêm se repetindo nos últimos anos, como agregação de tecnologia, orientação técnica e a participação de grandes cooperativas e agroindústrias”, diz o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Esse movimento vindo de empresas privadas e cooperativas mostram a força do setor no estado – Foto: Divulgação/Peixe BR
Em seguida, São Paulo aparece em segundo lugar na lista. Em 2025, a região totalizou 93,7 mil toneladas, volume 54% maior em relação ao ano anterior. Logo depois, vêm Minas Gerais (77.500 t), Santa Catarina (63.400 t) e Maranhão (59.600 t). O estado nordestino ganhou uma posição e fecha a lista dos cinco primeiros do ranking. “O Maranhão foi estado com o maior índice de crescimento (9,36%) entre os dez maiores produtores, mais até do que o Paraná, e tem demonstrado um arranjo produtivo local que permitiu essa ampliação nos últimos anos”, realça Medeiros.
Nesse grupo, Santa Catarina e Minas Gerais também tiveram aumento relevante, com 7,28% e 6,46%, respectivamente. Em termos de aumento de produção, destaque para o Ceará, que avançou 29,3% e, de novo, ganhou uma posição (18º).
Peixes
Embrapa leva tambaqui geneticamente editado e pirarucu defumado a evento em Brasília
Unidade de Palmas apresenta inovação em edição gênica com tambaqui e oferece degustação de pirarucu durante feira no Cerrado.

A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) vai participar da Feira Brasil na Mesa, que será realizada entre os dias 23 e 25 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento integra as comemorações pelos 53 anos da Embrapa e reúne atrações como vitrines tecnológicas, degustações, cozinha show, rodada de negócios, seminários e atividades voltadas ao bioma Cerrado.
Nesta edição, a unidade participará com duas frentes principais: a apresentação de uma tecnologia de edição gênica e a oferta de degustação de pirarucu defumado.
Na vitrine tecnológica, o público poderá observar dois exemplares de tambaqui em aquário: um sem qualquer intervenção genética e outro submetido à técnica de edição gênica. O peixe editado apresenta um padrão diferenciado de coloração, resultado do bloqueio de um gene relacionado à pigmentação. Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia do centro de pesquisa de Palmas, Pedro Alcântara, a proposta deve atrair a atenção dos visitantes e contará com pesquisadores disponíveis para explicar o processo ao público durante o evento.
A tecnologia é desenvolvida pela Embrapa Pesca e Aquicultura dentro de pesquisas em edição gênica aplicada a peixes tropicais. De acordo com o pesquisador Eduardo Sousa Varela, o centro já concluiu o protocolo de edição gênica e utiliza o tambaqui como espécie de referência nas demonstrações. Ele explica que o objetivo é evidenciar resultados visuais, como a despigmentação, indicando a efetividade do processo.
Além da demonstração visual, a pesquisa também mira aplicações produtivas. A edição gênica pode contribuir para reduzir ou eliminar as espinhas intermusculares do tambaqui, estruturas que dificultam o processamento em filé. Com isso, a expectativa é ampliar o rendimento industrial e abrir novas possibilidades de mercado, incluindo exportação.
Na programação de degustações, a Embrapa também vai apresentar lombo de pirarucu defumado, preparado com técnica desenvolvida pela pesquisadora Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos. O processo inclui salga, marinada e defumação a quente, utilizando madeira de goiabeira, em temperatura entre 50°C e 70°C, por cerca de três horas e meia.
Segundo a pesquisadora, a madeira de goiabeira contribui para um processo de defumação mais estável, com produção de fumaça contínua, influenciando cor, brilho e sabor do produto final.
Para o chefe-adjunto Pedro Alcântara, a tecnologia tem impacto tanto para o consumidor quanto para o produtor. Ele destaca que o método pode ser aplicado por agroindústrias ou produtores artesanais e contribuir para a agregação de valor ao pescado. Já a pesquisadora avalia que o processo pode até dobrar o valor do produto e abrir espaço para nichos de mercado, incluindo produção artesanal com potencial de certificações específicas.
Peixes
Tilápia impulsiona piscicultura em Mato Grosso do Sul com produção de 9,7 mil toneladas
Município de Selvíria concentra o maior volume, enquanto o Estado amplia participação no mercado nacional da espécie.

Mato Grosso do Sul registrou avanço na piscicultura e reforçou sua presença entre os principais produtores do país. Durante o Encontro Técnico de Piscicultura, realizado pela Semadesc na Expogrande 2026, foram apresentados dados que apontam crescimento da atividade, impulsionado pela profissionalização e pela abertura de mercados internacionais.
O Estado ocupa atualmente a 6ª posição na produção nacional de tilápia. Entre os municípios, Selvíria lidera com 9,71 mil toneladas, seguido por Mundo Novo e Dourados. A atividade integra a estratégia estadual de desenvolvimento do agronegócio.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Segundo dados apresentados no evento, a produção brasileira de pescado superou 1 milhão de toneladas em 2025. A tilápia respondeu por 707.495 toneladas, o equivalente a quase 70% do total.
No comércio exterior, houve mudança no perfil das exportações sul-mato-grossenses. Em 2017, o foco estava na venda de peixe fresco. Já em 2025, predominam produtos com maior valor agregado, como filés congelados. Os Estados Unidos concentraram 99,96% das compras, com mais de US$ 1,3 milhão em produtos processados.
A tendência, de acordo com os dados apresentados, é de crescimento da agroindustrialização no setor, com maior participação de produtos processados na cadeia.
A projeção de aumento da demanda global por pescado também indica expansão do mercado. A estimativa é de necessidade adicional de 735 mil toneladas até 2055.
No cenário nacional, a piscicultura cresceu 4,41% em 2025. A produção de tilápia avançou 6,8%, enquanto os peixes nativos registraram leve queda de 0,63%.
O Estado também ocupa posições relevantes em outras espécies, sendo o 6º maior produtor de pacu e patinga e o 11º de pintado e cachara. Na aquicultura geral, Mato Grosso do Sul está na 13ª colocação nacional.



