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Tarifaço global amplia volatilidade no comércio marítimo e pressiona logística brasileira em 2026

Escalada de medidas protecionistas, oscilações nos fretes e redirecionamento de rotas elevam custos e reforçam o papel da análise de dados nas cadeias globais.

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Fotos: Claudio Neves

O comércio exterior inicia 2026 sob o impacto persistente de um novo ciclo de elevação tarifária em grandes economias, movimento que vem sendo classificado por analistas como um tarifaço global. A intensificação de políticas industriais defensivas, somada às tensões geopolíticas e à reorganização das cadeias produtivas, tem aumentado a complexidade operacional do transporte marítimo e pressionado custos ao longo da cadeia.

Especialista em Tecnologia para Logística Marítima, Marcos Silva: “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes. Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos” – Foto: Divulgação

Projeções recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam crescimento moderado do comércio de mercadorias após a desaceleração observada entre 2023 e 2024, enquanto o volume de medidas restritivas segue elevado em nível global. Relatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontam que incertezas regulatórias, custos logísticos e gargalos portuários permanecem entre os principais fatores de risco para a fluidez das trocas internacionais.

No Brasil, dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a corrente de comércio continua em patamar historicamente alto, mas com maior volatilidade de preços e prazos logísticos, especialmente em rotas mais sensíveis a mudanças tarifárias.

Para o especialista em Tecnologia para Logística Marítima, Marcos Silva, o impacto do tarifaço vai além do aumento direto de custos. “O tarifaço não afeta apenas a competitividade do produto, mas também altera fluxos comerciais, pressiona a previsibilidade das rotas e exige um nível muito maior de inteligência de dados para sustentar decisões operacionais”, ressalta.

Segundo Silva, a principal mudança em curso é estrutural, com o comércio marítimo passando a operar de forma mais sistemática sob um ambiente de incertezas. “O transporte marítimo entrou definitivamente na era da volatilidade. Sem visibilidade de fretes e capacidade e desempenho portuário, as empresas ficam expostas a ineficiências que antes eram diluídas pelo crescimento do comércio”, aponta.

Volatilidade nos fretes e nas rotas

Indicadores internacionais de frete, como o Shanghai Containerized Freight Index (SCFI) e o Drewry World Container Index, registraram oscilações relevantes ao longo de 2024 e 2025, refletindo ajustes de capacidade das grandes alianças marítimas e choques geopolíticos em rotas estratégicas.

Na avaliação de Silva, a elevação de tarifas tende a amplificar esse movimento ao provocar redirecionamento de cargas, mudança de origens produtivas e maior desequilíbrio na reposição global de contêineres. “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes. Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos”, explica.

Reconfiguração dos fluxos

A leitura dos dados consolidados de 2025 já evidencia, na prática, os efeitos dessa reconfiguração do comércio global. Segundo análises da Datamar, o Brasil encerrou o ano com crescimento moderado nas exportações conteinerizadas de 2% e com avanço um pouco mais robusto nas importações, chegando a 4,4%.

De acordo com Silva, o desempenho sugere estabilidade, mas a análise detalhada revela movimentos estruturais relevantes ao longo do ano.  “As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,1% em 2025, refletindo diretamente mudanças tarifárias que impactaram os fluxos comerciais, sobretudo no segundo semestre. Em contrapartida, os embarques para outros mercados cresceram 4,1%, compensando parcialmente essa retração”, avalia.

Mesmo nesse contexto, o último trimestre do ano indicou uma inflexão positiva, com crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre de 2024, sinalizando ajustes de rota e recomposição gradual da demanda internacional.

A segmentação por produto reforça o cenário de assimetria: cadeias como carnes, tabaco e produtos vegetais apresentaram crescimento, enquanto café, açúcar e madeira registraram quedas relevantes. “O número consolidado importa, mas ele esconde histórias muito diferentes por produto, mercado e momento do ano. É nesse nível de detalhe que estão os sinais que orientam decisões futuras”, destaca Silva.

Segundo ele, esse tipo de leitura só é possível com bases históricas robustas e modelos analíticos capazes de capturar mudanças estruturais. “O tarifaço acelera a necessidade de inteligência aplicada. Plataforma de inteligência de comércio marítimo permitem enxergar não apenas o que aconteceu, mas antecipar tendências em um ambiente de incerteza crescente”, pontua.

Digitalização ganha urgência

Esse cenário tem acelerado investimentos em plataformas de inteligência logística, integração de dados portuários e análise preditiva. Estudos da McKinsey e da UNCTAD já vinham apontando a digitalização do transporte marítimo como um dos principais vetores de eficiência da década, tendência que ganha tração adicional com o ambiente mais protecionista.

Para Silva, empresas que tratarem dados como ativo estratégico terão vantagem competitiva clara. “O tarifaço funciona como um catalisador da transformação digital no setor de shipping. Quem conseguir antecipar movimentos de mercado com base em dados terá mais resiliência operacional e melhor gestão de custos”, enfatiza.

Fonte: Assessoria Datamar

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Nelore, o boi que samba

Enredo histórico levou o Nelore ao Sambódromo do Anhembi como símbolo produtivo nacional, colocando a raça no centro da narrativa cultural do país e destacando sua importância para o agronegócio brasileiro.

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Foto: Divulgação

Há 20 anos, em 28 de fevereiro de 2006, o icônico locutor da apuração do desfile de carnaval de São Paulo, anunciava: a Império de Casa Verde era bicampeã da folia paulistana. A vitória veio com um enredo que se tornou histórico para o agronegócio brasileiro, ao colocar o Nelore no centro da narrativa cultural do país e levá-lo ao Sambódromo do Anhembi como símbolo produtivo nacional.

A presença do Nelore naquela passarela não foi um gesto episódico nem ornamental. Foi a afirmação pública de uma trajetória construída no campo e, já naquela época, profundamente conectada ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Ao ocupar o carnaval, a raça mais representativa da pecuária nacional passou a dialogar diretamente com a sociedade, em um espaço onde o país se reconhece e se expressa culturalmente.

Artigo escrito por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

Falar do Nelore é falar da base da pecuária de corte. A raça responde por aproximadamente 80% do rebanho nacional com essa aptidão, sustentando um modelo produtivo adaptado às condições tropicais, baseado majoritariamente em pastagens e responsável por garantir escala, eficiência e regularidade à produção de carne. Trata-se de um estrutural, que sustenta toda a cadeia, mas que muitas vezes foi silencioso. Há mais de 70 anos, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) tem dado “voz” a esses animais, que passaram a “cantar” a partir dos versos da Império, compostos por Rafael, Junior Marques e Carlos Jr.

Ao ganhar visibilidade no carnaval, esse protagonismo deixou de ser restrito ao ambiente técnico e passou a integrar o imaginário coletivo. O Nelore foi apresentado como elo entre passado e presente, entre tradição e ciência, entre cultura e produção. A avenida funcionou como espaço de tradução, permitindo que a pecuária fosse compreendida para além dos números e indicadores. Afinal, “Com o boi Nelore/ A pecuária e a ciência evoluiu/ E hoje é um orgulho nacional/ É saboroso, é divinal, pode aplaudir”.

A imagem do “boi que come capim” sintetiza esse modelo. Longe de ser simplificação, ela expressa um sistema produtivo eficiente, tropical e competitivo, construído com base em seleção genética, adaptação ambiental e trabalho contínuo dos criadores. É esse modelo que permitiu ao Brasil se consolidar como potência na produção de carne bovina, com identidade própria e vantagens comparativas claras.

À época, a equipe da ACNB participou diretamente daquele processo e pôde acompanhar como a linguagem cultural ampliou o alcance dessa história. Em vez de explicações técnicas, o Nelore foi apresentado por meio de símbolos, ritmo e imagem. As gravações estão disponíveis na internet para quem quiser conferir. Nelas, a ciência e o melhoramento genético apareceram traduzidos em narrativa acessível, aproximando o campo da cidade e gerando reconhecimento sobre o papel da pecuária na vida nacional.

Duas décadas depois, em 2026, o significado daquela presença permanece atual. O Nelore segue sendo o alicerce da pecuária brasileira – hoje líder em produção e em exportação –, acompanhando avanços tecnológicos, ganhos de produtividade e novos desafios ligados à sustentabilidade e à comunicação. O que se consolidou foi a consciência de que produzir bem também exige capacidade de diálogo com a sociedade.

O Nelore no carnaval simbolizou essa maturidade. Um boi que sustenta a pecuária nacional, que responde pela maior parte do rebanho de corte brasileiro e que também ocupa o espaço da cultura. Naquela avenida, ficou claro que o Nelore não é apenas base produtiva. É identidade, história e parte viva do Brasil. E, quando preciso, também samba.

Fonte: Artigo escrito por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).
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Terceiro dia do Show Tecnológico Copercampos destaca inovação e troca de conhecimento no campo

Evento em Campos Novos reúne visitantes interessados em soluções para manejo, genética e eficiência produtiva.

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Fotos: Copercampos

O terceiro dia do 30º Show Tecnológico Copercampos foi marcado por intensa participação de público, geração de conhecimento e fortalecimento da conexão entre produtores, empresas e especialistas do agronegócio. Realizado em Campos Novos (SC), o evento seguiu com grande movimentação nos espaços de exposição, vitrines tecnológicas e áreas demonstrativas, reunindo visitantes interessados em inovação e oportunidades para aumentar a produtividade no campo.

Durante toda a programação, associados e produtores rurais acompanharam orientações técnicas, conheceram novas soluções para manejo, genética, nutrição de plantas e tecnologias voltadas à eficiência produtiva. A circulação constante de visitantes reforçou o papel do evento como ambiente de troca de experiências e atualização profissional.

Um dos principais destaques do dia foi a palestra do biólogo e comunicador Richard Rasmussen, que reuniu mais de mil pessoas no espaço do Restaurante. Em sua apresentação, ele abordou os desafios da comunicação no agronegócio e a importância de aproximar o campo da sociedade, destacando que a informação clara e responsável é fundamental para o desenvolvimento do país e para a valorização de quem produz alimentos.

A programação do evento encerra nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, quando os visitantes ainda poderão acompanhar palestras, visitar os estandes e conferir as novidades preparadas pelos expositores.

Fonte: Assessoria Copercampos
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Agrigenômica ganha espaço no campo e reforça decisões baseadas em dados biológicos

Mercado global deve superar US$ 5,3 bilhões em 2026, impulsionado por diagnósticos moleculares que ampliam previsibilidade e gestão de risco no agro.

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O mercado de genômica agrícola deve crescer de forma consistente nos próximos anos

À medida que o Brasil enfrenta desafios climáticos crescentes e demanda por eficiência produtiva, a agricultura caminha para decisões cada vez mais baseadas em dados técnicos e biológicos. O mercado global de agrigenômica, que inclui diagnósticos moleculares aplicados ao agronegócio, está projetado para crescer de cerca de US$ 4,8 bilhões em 2025 para mais de US$ 5,3 bilhões em 2026, refletindo a adoção crescente de tecnologias que transformam informações em ação estratégica no campo. Os dados são do relatório Agrigenomics Global Market Report.

De acordo com a especialista em Biotecnologia Aplicada, Priscila Pires Bittencourt, a capacidade de interpretar dados moleculares está deixando de ser diferencial e se tornando critério de competitividade no agro moderno. “Organizações que incorporam análises moleculares ao processo decisório ampliam a previsibilidade operacional, fortalecem o manejo de riscos biológicos e criam vantagens consistentes em eficiência produtiva”, pontua.

Priscila Pires Bittencourt, especialista em biotecnologia aplicada da BS Agro

Tradicionalmente restritas ao meio acadêmico, as técnicas de biologia molecular avançaram para aplicações práticas que permitem compreender com precisão a dinâmica de comunidades microbianas no solo, plantas e insumos, indo além dos indicadores físicos convencionais. Metodologias como metagenômica e qPCR, que quantificam microrganismos de interesse ao longo do ciclo agrícola, ampliam a capacidade de leitura dos sistemas produtivos e embasam decisões de manejo com maior profundidade biológica.

O mercado de genômica agrícola deve crescer de forma consistente nos próximos anos, com projeções que apontam para cerca de US$ 8,17 bilhões até 2030, impulsionado pelo avanço das plataformas de seleção genômica, pela maior demanda por melhoramento genético de precisão, pela expansão do sequenciamento de nova geração (NGS), ao foco crescente em genética resiliente às mudanças climáticas e pelo aumento dos investimentos em bioinformática, pilares de uma agricultura mais eficiente, resiliente e sustentável. “O ambiente agrícola de hoje exige informações rápidas e precisas, e os dados moleculares fornecem exatamente isso”, reforça Priscila.

Segundo ela, os dados moleculares reduzem o tempo de diagnóstico de dias para horas e permitem ajustes dirigidos em práticas de manejo, desde o uso de bioinsumos até a detecção precoce de patógenos. “Esse tipo de informação se torna um ativo estratégico, não apenas para reduzir perdas, mas também para aumentar a lucratividade e a sustentabilidade das operações agrícolas”, enfatiza, ressaltando: “Com a adoção crescente de tecnologias moleculares, o agronegócio brasileiro acompanha uma tendência global de gestão orientada por dados, consolidando práticas que aliam sustentabilidade, produtividade e competitividade num cenário de rápidas transformações climáticas e de mercado”

Fonte: O Presente Rural com BS Agro
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