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Tarifaço e COP30 testam capacidade de reposicionamento do agro brasileiro

Entre negociações comerciais e espaço geopolítico nas conferências climáticas, o Brasil busca transformar pressões externas em oportunidades de abertura de mercados e inovação.

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Foto: Shutterstock

O agronegócio brasileiro atravessa uma fase de reposicionamento estratégico no cenário internacional. Com uma participação cada vez mais relevante nas exportações globais, sendo o terceiro maior exportador agrícola do mundo, o setor vem ampliando sua influência não apenas pelo volume produzido, mas pela adoção crescente de práticas sustentáveis e integração tecnológica.

Com 70% da produção agrícola ainda destinada ao consumo interno, há espaço para expansão, mas o futuro do agro brasileiro dependerá de sua capacidade de lidar com divergências como o Tarifaço, além de liderar com inovação, responsabilidade socioambiental e presença geopolítica ativa em fóruns como a COP‑30. “A segurança Jurídica no campo é tão importante quanto a produtividade. O AgroLegal Summit nasce como um fórum qualificado para debater marcos regulatórios, propriedade rural, tecnologia, LGPD e outras questões decisivas para o futuro do agronegócio brasileiro”, menciona o diretor da AASP e coordenador do 1º AgroLegal Summit, Antonio Freitas.

Da esquerda para a direita: Ivan Wedekin, ex-secretário de Política Agrícola do Mapa; Thelma Corrêa, diretora jurídica; Antonio Freitas, diretor da AASP e coordenador do AgroLegal – Fotos: Divulgação/AASP

O engenheiro agrônomo com especialização em Desenvolvimento Agrícola e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ivan Wedekin, ressaltou que a força da agricultura brasileira se deve à combinação de tecnologia avançada, aumento da produtividade e políticas agrícolas consistentes nos últimos 20 anos. “A agricultura brasileira é gigante e global porque ela é fundamentada na tecnologia, no aumento da produtividade dos fatores de produção e também na existência de políticas agrícolas bastante competentes nos últimos 20 anos. Isso faz com que a agricultura brasileira obtenha o maior saldo da balança comercial agrícola do mundo.E ela faz isso sendo uma agricultura muito pouco subsidiada”, enfatizou.

Em relação ao impacto do tarifaço dos Estados Unidos imposto sobre produtos brasileiros,  Wedekin destacou que esta é uma oportunidade importante para o Brasil não apenas abrir novos mercados, mas eventualmente traçar mudanças de rota ou novas políticas para acessar mercados.

Políticas macroeconômicas

Segundo Wedekin, políticas macroeconômicas como a Lei Kandir de 1996 e a adoção do câmbio flutuante em 1999 impulsionaram as exportações brasileiras. E a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, consolidou o país como o maior cliente do agronegócio brasileiro. “Hoje, o Brasil exporta cerca de 30% da produção agrícola, mantendo 70% para o mercado interno, e ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais. Esse desempenho reflete, em grande parte, a redução da diferença tecnológica de produtividade em relação aos Estados Unidos, especialmente na produção de soja”, detalhou o engenheiro agrônomo.

Por mais que ainda tenha negociações referente ao tarifaço, em setembro, o Brasil bateu recorde de toda a sua história de exportação de carne bovina em 144 países alcançados. “O mercado de carne e café, por exemplo, continuarão funcionando, mas temos o desafio da agregação de valor, que também depende das políticas”, frisou o ex-secretário do Mapa.

Presença brasileira na COP-30

Diretor da AASP e coordenador do 1º AgroLegal Summit, Antonio Freitas: “A segurança Jurídica no campo é tão importante quanto a produtividade”

O engenheiro de alimentos Marcello Britto, mestre em Administração de Empresas e enviado especial da COP30 para os estados da Amazônia, destacou que o Brasil tem uma oportunidade estratégica de influenciar a agenda geopolítica global durante a conferência, especialmente após as tensões geradas pela gestão Trump. “A COP30 não terá como foco criar novos acordos, mas redefinir caminhos e fortalecer a reaproximação geopolítica entre as nações”, frisou, mencionando que os chefes de estado estão focados em olhar para os Países Asiáticos do Pacífico. “São 11 países que detêm cinco bilhões de habitantes contra três bilhões do resto do mundo inteiro. Segundo o Banco Mundial, a partir de 2030 passam a deter 60% da classe média mundial e sabemos que é essa classe que impulsiona o consumo”.

Ainda de acordo com Britto, dois dias da COP-30 serão inteiramente dedicados a analisar as tendências em agricultura, indústria, mineração, inteligência artificial e meio ambiente na região da China e Índia.

Fonte: Assessoria Associação dos Advogados

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Super El Niño tem formação captada por satélites espaciais; veja o vídeo

Vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia mostra as primeiras anomalias de temperatura no Oceano Pacífico e revela como pequenas mudanças podem desencadear impactos climáticos em escala global.

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Reprodução/ESA

Pela primeira vez, o surgimento de um novo episódio de Super El Niño pode ser acompanhado em detalhes a partir do espaço. Um vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) revela as primeiras alterações na temperatura da superfície do Oceano Pacífico e mostra como um dos fenômenos climáticos mais influentes do planeta começa a se formar.

As imagens foram produzidas a partir de dados coletados por satélites entre os dias 1º e 07 de junho. O material destaca anomalias térmicas, diferenças entre as temperaturas registradas atualmente e a média observada entre 1991 e 2020, consideradas pelos cientistas um dos primeiros sinais do fenômeno.

Reprodução/Nasa

Embora as variações de temperatura pareçam discretas, elas têm grande relevância para o equilíbrio climático global. Isso porque os oceanos armazenam enormes quantidades de calor e pequenas mudanças podem alterar significativamente a troca de energia entre o mar e a atmosfera.

Segundo a ESA, o uso das anomalias permite identificar com maior precisão as fases iniciais do El Niño. “O fenômeno geralmente começa como uma mudança sutil em relação ao que é considerado normal”, explica a agência. Por isso, a comparação com uma média histórica ajuda a evidenciar transformações que, à primeira vista, passariam despercebidas.

O El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais do Pacífico para Oeste,  enfraquecem. Com isso, águas mais quentes se deslocam em direção à Costa Oeste da América do Sul, modificando a circulação atmosférica e alterando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

Os efeitos costumam ser sentidos em diferentes continentes. Dependendo da intensidade do fenômeno, podem ocorrer ondas de calor mais severas, secas prolongadas, chuvas excessivas e tempestades mais intensas, com impactos sobre a agricultura, a disponibilidade de água, a geração de energia e a economia.

Pesquisadores também alertam que o aquecimento global pode influenciar a frequência e a intensidade desses eventos, ampliando seus efeitos e tornando os extremos climáticos ainda mais pronunciados.

Fonte: O Presente Rural
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NOAA vê risco de Super El Niño e mercado acompanha impactos sobre as safras

Fenômeno climático pode elevar temperaturas e alterar o regime de chuvas em diversas regiões produtoras do mundo, com reflexos sobre culturas tropicais e preços das commodities agrícolas.

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A possibilidade de um Super El Niño voltou ao radar dos produtores rurais e dos mercados agrícolas internacionais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno e indicou que há 63% de probabilidade de ele atingir forte intensidade até 2027.

Foto: Divulgação

Caso a projeção se confirme, o fenômeno poderá alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em importantes regiões produtoras do mundo, influenciando a oferta global de alimentos e o comportamento dos preços agrícolas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Mudanças no clima afetam produção agrícola

Os efeitos do El Niño não se distribuem de forma uniforme pelo planeta. Historicamente, o fenômeno está associado a períodos de seca em regiões do Sul e Sudeste da Ásia, Austrália e África Austral, ao mesmo tempo em que favorece chuvas acima da média em áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos.

Essas alterações climáticas têm impacto direto sobre a agricultura, especialmente em culturas tropicais, conhecidas

Foto: Jose Fernando

no mercado internacional como “soft commodities”. Nesse grupo estão produtos como café, açúcar, cacau, algodão e suco de laranja, cujas produtividades são altamente sensíveis a mudanças de temperatura e disponibilidade de água.

Secas prolongadas, ondas de calor ou excesso de chuvas podem comprometer a produtividade, atrasar colheitas e alterar a qualidade dos produtos, reduzindo a oferta global.

Mercado acompanha riscos para as commodities

Além dos efeitos sobre a produção, episódios anteriores de El Niño costumam influenciar os preços agrícolas.

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Historicamente, os mercados registraram valorização de diversas commodities em períodos marcados pelo fenômeno, especialmente quando eventos climáticos extremos afetaram grandes países produtores.

A preocupação atual é ampliada pelo ambiente já desafiador enfrentado pelos agricultores em várias regiões do mundo. Custos elevados de produção, oscilações nos preços dos fertilizantes e do diesel e as tensões geopolíticas recentes aumentam a sensibilidade do mercado a qualquer risco climático adicional.

Especialistas observam que ainda é cedo para estimar a intensidade dos impactos sobre cada cultura. No entanto, a confirmação do fenômeno pela NOAA e a possibilidade de um episódio mais intenso colocam novamente o clima entre os principais fatores de atenção para produtores, tradings e investidores.

Se o El Niño ganhar força nos próximos meses, as consequências poderão ir além das lavouras, influenciando preços de alimentos, fluxos de comércio internacional e a rentabilidade de diversas cadeias do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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Cooperativas passam a ter acesso a fundos regionais e ganham reconhecimento como patrimônio cultural do Brasil

Novas leis ampliam as fontes de financiamento para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e reconhecem oficialmente a contribuição histórica do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

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O cooperativismo brasileiro ganhou duas novas legislações a partir desta quarta-feira (17). Publicadas no Diário Oficial da União, a Lei Complementar nº 231 e a Lei nº 15.433 ampliam o acesso das cooperativas a recursos de fundos regionais de desenvolvimento e reconhecem oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

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A Lei Complementar nº 231 inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Já a Lei nº 15.433 estabelece que o cooperativismo integra o patrimônio cultural brasileiro e determina que o Estado garanta a livre atividade das cooperativas e apoie seu desenvolvimento, conforme previsto na Constituição Federal.

As duas medidas têm potencial para ampliar investimentos em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, agroindústria e infraestrutura, além de reforçar o papel econômico e social desempenhado pelas cooperativas em diferentes regiões do país.

Acesso a recursos

A principal mudança econômica vem com a Lei Complementar nº 231. Com a nova regra, as cooperativas organizadas de acordo com a legislação específica do setor passam a poder acessar recursos dos fundos regionais para financiar projetos produtivos.

Na prática, a medida amplia as fontes de financiamento para investimentos em agroindústria, armazenagem,

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infraestrutura, logística e outras iniciativas com potencial de gerar emprego e renda.

Os fundos regionais têm justamente a função de estimular atividades produtivas e reduzir desigualdades econômicas, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o cooperativismo agropecuário, a mudança abre novas possibilidades de investimentos em cadeias produtivas que já têm forte presença nessas regiões.

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Reconhecimento cultural

A segunda medida publicada é a Lei nº 15.433, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

O texto destaca a contribuição histórica do modelo para a formação econômica e social do país e associa o cooperativismo a valores como colaboração, ajuda mútua, participação democrática e gestão coletiva.

Além do reconhecimento simbólico, a lei determina que o Estado assegure a livre atuação das cooperativas e incentive seu desenvolvimento, em consonância com os princípios previstos na Constituição Federal.

Importância econômica

O reconhecimento institucional ocorre em um momento de expansão do cooperativismo brasileiro.

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No agronegócio, as cooperativas respondem por parcela expressiva da produção e exportação de grãos, carnes, leite e diversos outros produtos. Também desempenham papel relevante na assistência técnica aos produtores, no fornecimento de insumos e no acesso ao crédito.

Com maior acesso a recursos e respaldo legal ampliado, o setor ganha novos instrumentos para investir e ampliar sua participação no desenvolvimento econômico regional e nacional.

Fonte: O Presente Rural
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