Peixes
Tarifaço dos EUA derruba exportações da piscicultura brasileira em até 32%
Com aumento das tarifas de importação para 50%, vendas ao principal destino da piscicultura nacional despencam. Tilápia concentra quase toda a pauta exportadora e sofre forte impacto no terceiro trimestre.

As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos aos produtos da piscicultura brasileira, que começaram em agosto, impactaram fortemente o setor. Em receita, a queda foi de 28% no terceiro trimestre deste ano, comparando-se com o mesmo período de 2024. Já em toneladas, a queda chegou a 26% na mesma comparação. O terceiro trimestre também foi o que teve menores resultados em 2025, tanto em toneladas como em receita.
De julho a setembro, o Brasil exportou quase 3.000 toneladas de produtos da piscicultura, gerando receita de U$ 13,3 milhões. Detalhando cada mês, as quedas chamam atenção. Em toneladas, foram exportadas 1.390 em julho, passando para pouco mais de 800 em agosto e para menos de 780 em setembro. Já em receita, os números arredondados são U$ 5,7 milhões, U$ 3,9 milhões e U$ 3,7 milhões, respectivamente. Esses e outros dados estão no novo Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, referente ao terceiro trimestre de 2025.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A publicação é editada periodicamente pela Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) e conta com a parceria da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). O responsável é Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa. Segundo ele, no período analisado “outro destaque foram as importações de filé de tilápia originárias do Vietnã, que totalizaram US$ 195 mil e 48 toneladas. Alguns desses filés vindos do Vietnã chegaram ao Brasil a um preço FOB de R$ 16,70/kg, o que é bem inferior ao preço do produto brasileiro e, portanto, pode representar um risco para a cadeia da tilápia do Brasil”. O preço do filé de tilápia no atacado no Brasil é de cerca de R$ 31,00.
Principal parceiro
Especificamente para os Estados Unidos, principal destino dos produtos da piscicultura brasileira, a queda foi maior: 32%. “Especialistas do setor esperavam uma queda maior, mas algumas empresas conseguiram manter parte das vendas por meio de negociações com importadores norte-americanos. No entanto, alguns exportadores afirmam não ser possível manter essas negociações no longo prazo; então, caso o tarifaço continue, é provável que haja uma redução maior nas vendas no último trimestre de 2025”, contextualiza o pesquisador.

Foto: Shutterstock
A tilápia é responsável por 99% das exportações brasileiras de piscicultura para os Estados Unidos. Além de variação negativa de 32% na comparação entre os terceiros trimestres de 2025 e de 2024, neste ano houve queda ao longo do tempo. No primeiro trimestre, foram U$ 16,2 milhões; no segundo, o valor caiu para U$ 15,5 milhões; e no terceiro trimestre foram U$ 11,5 milhões. Ou seja, o cenário, que já estava desafiador, ficou ainda mais difícil com o tarifaço de Donald Trump.
E o que vem por aí depende fundamentalmente da manutenção ou não das tarifas, que passaram de 10% para 50%. “Caso o cenário atual continue, é provável que tenhamos uma redução ainda maior das exportações no último trimestre de 2025. Os exportadores têm tentado buscar novos mercados no exterior, mas isso leva tempo e é difícil encontrar outros países que absorvam o mesmo volume de tilápia que era exportado para os Estados Unidos – principalmente considerando que o mercado europeu continua fechado para as exportações de pescado do Brasil,”, projeta Manoel.

Peixes
Importações de tilápia ultrapassam exportações pela primeira vez
Fevereiro registrou 1,3 mil toneladas de filé do Vietnã, equivalente a 6,5% da produção mensal brasileira, e acende sinal de alerta no setor de piscicultura.

Pela primeiro vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou, segundo dados da Peixe BR. Só em fevereiro, o país trouxe do Vietnã mais de 1,3 mil toneladas de filé, equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, cerca de 6,5% da produção mensal brasileira.
A tilápia segue como uma das proteínas de maior crescimento na piscicultura nacional. Nos últimos dez anos, a produção aumentou em média mais de 10% ao ano, posicionando o Brasil como o quarto maior produtor mundial da espécie.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Esse é praticamente o preço do peixe quando chega ao frigorífico no Brasil. Isso cria uma distorção importante na concorrência” – Foto: Divulgação/Peixe BR
A entidade aponta que a diferença de preços tem estimulado a entrada de pescado estrangeiro. O filé importado chega ao mercado brasileiro custando entre R$ 25 e R$ 29 por quilo, praticamente o mesmo valor do peixe nacional ao chegar aos frigoríficos. “Esse é praticamente o preço do peixe quando chega ao frigorífico no Brasil. Isso cria uma distorção importante na concorrência”, disse o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.
Segundo a associação, fatores como carga tributária, custos trabalhistas e exigências regulatórias também prejudicam a competitividade do produto brasileiro. Em alguns casos, o pescado importado entra no país com vantagens fiscais.
A Peixe BR ainda solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária uma missão técnica ao Vietnã para avaliar riscos sanitários. O país asiático registra doenças como o vírus TiLV, ainda não presentes na produção brasileira, e que podem causar alta mortalidade. “Precisamos dessa análise com urgência”, alerta Medeiros.
O aumento das importações coincide com a Quaresma, período de maior consumo de peixe no Brasil, e pode influenciar preços no mercado interno. “As exportações ajudam a equilibrar o mercado. Com mais importações, esse efeito diminui, podendo afetar o setor”, explica Medeiros. Ele reforça: “Não somos contra a importação, mas queremos condições iguais para competir”.
Peixes
Produção de peixes avança no Pará com destaque para espécies nativas
Estado registra aumento anual e fortalece cadeia produtiva apoiada na abundância de água.

O Pará segue fortalecendo sua posição na piscicultura brasileira, combinando tradição e crescimento da atividade em diferentes regiões do estado. Parte desse avanço tem origem no uso de espécies nativas, que representam cerca de 96% do setor, com destaque para tambaqui, pirapitinga e matrinxã.
De acordo com dados do Anuário de Psicultura Brasileiro PeixeBR 2026, o estado alcançou 25.950 toneladas de peixes nativos em 2025, resultado 2,2% superior ao registrado no ano anterior. A produção reforça a relevância da atividade para a economia local.
A piscicultura paraense também se beneficia da disponibilidade de água, fator que favorece tanto os sistemas produtivos quanto a culinária regional, onde o pescado é presença constante. Esse cenário contribui para a manutenção da tradição e para o avanço da cadeia produtiva.
Entre os municípios, Marabá lidera a produção em áreas escavadas, com 554 hectares, seguido por Conceição do Araguaia (336 ha) e Parauapebas (271 ha). Paragominas e Itupiranga também aparecem entre os principais polos produtores.
Já na produção em tanques-rede, Tucuruí ocupa a primeira posição, com 145 unidades, enquanto Altamira aparece em seguida, com 114.
A tilápia responde por cerca de 900 toneladas da produção estadual, enquanto os peixes nativos dominam amplamente o setor, com 25 mil toneladas. Outras espécies somam aproximadamente 80 toneladas.
O desempenho confirma a expansão da piscicultura no estado, impulsionada por condições naturais favoráveis e pela consolidação de polos produtivos em diferentes regiões.
Peixes
Copacol apresenta pescados na Seafood Expo North America em Boston
Cooperativa leva tilápia e outros produtos ao maior evento do setor nos Estados Unidos para ampliar parcerias e oportunidades de exportação.

A Copacol está presente em uma das maiores feiras de pescados do mundo, a Seafood Expo North América, realizada anualmente em Boston, nos Estados Unidos. O evento reúne empresas, importadores, distribuidores e especialistas do setor de diversos países, sendo um importante espaço para negócios e relacionamento no mercado global de alimentos.
Durante a feira, a Copacol apresenta a qualidade e a diversidade dos produtos, com destaque para a linha de pescados, especialmente a tilápia, que vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional. A participação no evento também permite à Cooperativa acompanhar tendências de consumo, fortalecer parcerias comerciais e ampliar oportunidades de exportação.
“Participar da Seafood Expo North América é uma oportunidade estratégica para a Copacol fortalecer a presença da nossa marca no mercado internacional. Estar em um evento que reúne empresas e compradores do mundo todo nos permite apresentar a qualidade dos nossos produtos, ampliar parcerias comerciais e abrir novas oportunidades de negócios. Esse trabalho internacional reflete diretamente no desenvolvimento da Cooperativa e na geração de renda para os nossos cooperados.”, destaca o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol
Valores
Antes de participar da Seafood Expo North América, em Boston, nos Estados Unidos, a Copacol esteve presente em um evento promovido pela Embaixada do Brasil reunindo representantes do setor produtivo brasileiro e parceiros do mercado internacional. O encontro teve como objetivo fortalecer a presença dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, além de promover a troca de experiências entre empresas exportadoras, autoridades e representantes da cadeia de alimentos. A programação também destacou o potencial do Brasil na produção de proteína animal e pescados, evidenciando a qualidade e a competitividade dos produtos brasileiros no cenário global. “Nosso diferencial é o modelo de produção baseado no cooperativismo, que integra milhares de produtores rurais e garante eficiência e qualidade dos produtos, além de desenvolvimento para as famílias que fazem parte disso tudo. Esses valores são importantes e valorizados pelos parceiros que adquirem nossos alimentos e escolhem a marca Copacol”, complementa Pitol.



