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Tarifaço dos EUA coloca em risco US$ 1,5 bilhão em exportações do agro paranaense
Setores de peixes, carne bovina, florestal, café e laranja já sentem o efeito da medida, que começa a valer dia 1º de agosto.

A pouco dias do início da aplicação de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre todos os produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto, as agroindústrias e o setor rural paranaense esperam um terremoto nas operações. Isso porque diversos setores do agronegócio estão na lista de produtos da pauta de exportação paranaense para o país norte-americano. Os produtos florestais, no qual o Paraná se destaca no cenário nacional, café, piscicultura, carne bovina e laranja deverão ser os mais impactados.
Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo principal parceiro comercial do Paraná, importando o equivalente a US$ 1,58 bilhão em produtos da agropecuária. No primeiro bimestre deste ano, o país norte-americano ficou como o terceiro principal destino das exportações paranaenses, totalizando US$ 214 milhões. Ou seja, o mercado comandando pelo presidente Trump não é apenas ocasional, mas um pilar fundamental na estratégia comercial do Estado. “O Sistema Faep está atento às possíveis consequências dessa medida. Estamos a poucos dias do início do tarifaço, mas o governo federal não abriu, em momento algum, um canal de negociação, buscando preservar nossos acordos comerciais e minimizar os impactos sobre quem trabalha no campo. Isso é preocupante”, aponta o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Desde 2009, os EUA são superavitários na relação comercial com o Brasil.

Piscicultura
A piscicultura, em especial a produção de tilápia, segmento no qual o Paraná se destaca nos cenários nacional e internacional, será uma das atividades mais afetadas pelo tarifaço. Isso porque o principal destino do pescado paranaense é os EUA.
Em 2024, os Estados Unidos foram o destino de 89% das exportações brasileiras da piscicultura, totalizando US$ 52,3 milhões. No Paraná, entre 2023 e 2024, as exportações cresceram 94% em valor e 68% em volume. O Estado foi o maior exportador brasileiro de tilápia em 2024, obtendo receita de US$ 35,7 milhões, representando uma fatia de 64% do total nacional.
O Estado é responsável por 36% da produção nacional de tilápia e de 25% de toda a produção de peixes do país. Apesar de estar em

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
crescimento, essa cadeia econômica ainda é bastante incipiente e será impactada de forma mais severa. “Diferentemente das cadeias de aves, suínos e grãos, a da tilápia ainda está em formação. Trata-se de uma atividade com forte presença da agricultura familiar e altamente endividada, que buscou dinheiro em instituições financeiras para adequar as propriedades as questões sanitárias, técnicas e trabalhistas”, destaca o presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema Faep, Edmilson Zabott, que também é presidente do Sindicato Rural de Palotina, no Oeste do Paraná. A região, onde há forte presença de cooperativas, concentra 85% da produção do Estado com 180 mil toneladas anuais do pescado.
De acordo com o Zabott, uma das cooperativas mais relevantes na exportação de tilápia do Paraná já anunciou a redução de 15 toneladas de pescado abatido por dia. “Os Estados Unidos são o nosso maior comprador externo, sendo que 80% da tilápia paranaense vão para lá. Então, as consequências desse aumento de tarifas serão gigantescas”, avalia.
No cenário nacional, a imposição das tarifas norte-americanas interrompe um momento de expansão. As exportações da piscicultura brasileira registraram crescimento de 138% em valor em 2024, chegando a U$S 59 milhões. Já em volume, o crescimento foi de 102%. “Desde 2021 não era registrado crescimento no volume exportado, havendo apenas aumento em valor”, destaca o Fábio Mezzadri, técnico do DTE do Sistema Faep.
Carne bovina
No caso da carne bovina, a expectativa é que a decisão norte-americana não traga impactos diretos. No Paraná existe apenas uma planta,
localizada na região Noroeste, que exporta para esse destino. “O Paraná pode ser afetado com algum efeito colateral. Mas nas suas indústrias não teria um impacto significativo”, avalia o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarnes), Ângelo Setim Neto. “Não houve paralisação de abates no Estado. Nosso mercado continua existindo e absorvendo a produção”, complementa.
Apesar disso, o tarifaço pode interromper um processo virtuoso das exportações paranaenses. Na comparação entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2025, a participação da carne bovina paranaense nos embarques para os EUA aumentou 180% em valores, passando de US$ 1,6 milhão para US$ 4,7 milhões.
Outros produtos da produção bovina também impactam o número de abates. Couros, produtos de couro e peleteria (produtos com pele de animais) também estão entre os principais produtos paranaenses exportados para os EUA. No primeiro semestre desse ano a receita com a exportação desses itens foi de US$ 19,9 milhões. “O couro foi bem afetado. Isso vai refletir no boi. A receita da indústria frigorífica na aquisição do boi não é influenciada apenas pela carne, mas pelo couro e outros produtos também”, analisa Setim.
Produtos florestais
Com forte dependência do mercado norte-americano, o setor florestal do Paraná será o mais impactado pela tarifa imposta pelos Estados Unidos. O Estado já sente os efeitos da medida, com contratos cancelados, embarques suspensos, contêineres retidos em portos, férias coletivas forçadas e demissões em indústrias do ramo. Além disso, empresas reduziram suas operações para rever estratégias, com risco iminente de fechamento de unidades.
Segundo a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), a nova tarifa é inesperada e desproporcional, comprometendo a competitividade do setor, e afeta diretamente a renda de pequenos e médios municípios paranaenses. “Essa taxação praticamente inviabiliza os negócios e, como consequência [disso], milhares de empregos e famílias estão ameaçados”, afirma o presidente da entidade, Fabio Brun, em manifesto.
De acordo com a Apre, o setor florestal emprega cerca de 400 mil pessoas no Paraná, abrangendo desde a base produtiva até as indústrias de transformação. Apenas em 2024, o Paraná vendeu mais de US$ 681 milhões em produtos florestais para os Estados Unidos, sendo US$ 627 milhões em madeira – o que representa cerca de 60% do total comercializado pelo Brasil. O Estado se destaca especialmente nas exportações de compensado, madeira serrada e molduras de pinus, amplamente utilizadas na construção civil norte-americana, além de portas, painéis e móveis de madeira.
No caso das molduras de madeira, o Paraná responde por quase 70% das exportações brasileiras, sendo que quase a totalidade desse volume (98,4%) tem os Estados Unidos como destino. Já no compensado de pinus, o Estado é responsável por cerca de 68% das exportações nacionais, e novamente os EUA aparecem como principal comprador, com 31,7% do total. Com a sobretaxa de Trump, a competitividade desses produtos no mercado internacional será drasticamente comprometida.

Até o momento, três indústrias paranaenses já anunciaram medidas que afetam diretamente trabalhadores do setor. Em comum, todas têm o mercado norte-americano como principal destino das exportações.
A BrasPine, que atua fortemente na produção de molduras para exportação, concedeu férias coletivas para 1,5 mil funcionários,
equivalente a 60% do quadro total. A medida atinge as unidades de Jaguariaíva e Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais. Segundo a empresa, após o anúncio da taxação, “uma quantidade significativa de pedidos” foi suspensa ou adiada.
Na Millpar, de Guarapuava, segunda maior empresa do setor no Brasil e terceira na América Latina, 640 funcionários ligados à manufatura de produtos exportados foram incluídos nas férias coletivas, o que representa 58% do total. Além disso, houve redução nas operações, visando ajustar a produção à nova dinâmica temporária do mercado internacional. Outra gigante do setor, a Sudati anunciou a demissão de 100 colaboradores nas unidades de Ventania e Telêmaco Borba, devido à insegurança gerada pela tarifa de 50%. As duas unidades afetadas produzem compensados.
No momento, redirecionar a produção florestal paranaense para outros mercados não é uma alternativa viável no curto ou médio prazo. O setor está atrelado ao perfil de consumo dos Estados Unidos, onde a madeira brasileira é utilizada tanto na movelaria quanto na geração de energia.

A aplicação da tarifa deve gerar um efeito colateral imediato: sobrecarga no mercado interno, que não tem capacidade de absorver esse volume de produção, especialmente no Paraná. “A madeira produzida aqui dificilmente tem outra saída. O Estado é ainda mais refém, porque boa parte dessa produção não encontra espaço no mercado interno”, afirma Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP.
Café
Os norte-americanos são os maiores consumidores de café do mundo e, hoje, dependem do grão brasileiro para atender à alta demanda pela bebida. O Brasil é o principal fornecedor ao país, responsável por 34% do volume importado pelos Estados Unidos. A eventual ausência do produto brasileiro comprometeria a viabilidade da cadeia norte-americana, pressionando ainda mais os preços ao consumidor.
A Colômbia, segundo maior produtor de arábica – variedade preferida dos Estados Unidos –, não tem capacidade para suprir a lacuna deixada pelo Brasil. Por outro lado, os exportadores brasileiros e paranaenses buscariam novos mercados para mitigar os impactos, com atenção voltada à Ásia e América Latina.

Embora represente uma fatia pequena nas exportações totais de café, o Paraná vinha ganhando espaço com o café solúvel, produto de maior valor agregado que tem nos Estados Unidos seu principal mercado.
Além do café commodity, os EUA também são o principal destino dos cafés especiais brasileiros, que representaram 22% das exportações em 2024. O Paraná, que tem se destacado na produção desse tipo, será afetado pelo efeito cascata, impactando a remuneração e desestimulando produtores locais. “É uma relação histórica de compra de café. O consumidor norte-americano dificilmente deixará de consumir, mesmo com aumento de preços, o que sustentaria o valor agregado da cadeia produtiva. A expectativa é que o mercado se acomode. Mas haverá impacto: o exportador vai receber menos, o produtor também e o consumidor final vai pagar mais”, avalia Jefrey Albers, gerente do DTE do Sistema Faep.
Suco de laranja
Apesar de a União Europeia liderar as importações de suco de laranja brasileiro (51,4%), os Estados Unidos aparecem em segundo lugar nessa lista. Os norte-americanos são o destino de 41,7% do volume exportado nos últimos 12 meses pelo Brasil, conforme dados da CitrusBR. Diante desse cenário, o tarifaço representa uma ameaça direta à estrutura de fornecimento global, com reflexos no Paraná.

Foto: Divulgação/Freepik
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações paranaenses de suco de laranja aumentaram 345% no primeiro semestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,76 milhões.
O município de Paranavaí, no Noroeste do Estado, é um dos polos mais impactados, já que a região se destaca na produção e exportação de suco de laranja, principalmente para os Estados Unidos. “Não sabemos como a tarifa será operacionalizada ou qual o critério de cálculo. Também estamos na expectativa de como será a reação das empresas norte-americanas”, afirma o empresário Paulo Pratinha.
Hoje, o suco brasileiro já paga uma taxa de US$ 415 por tonelada, o que representa entre 15% a 20% do preço final. Se a nova taxação se somar a esse valor, os tributos podem atingir até 70% do valor da exportação. Mesmo que os consumidores norte-americanos aceitem pagar mais caro, o exportador vai receber menos, bem como o produtor rural. “Haverá necessidade de acomodar essa tarifa, independentemente do percentual, entre os elos da cadeia, dada a dependência de importação dos EUA”, complementa.
Segundo o empresário, o grau de dependência dos EUA pelo suco de laranja é elevado, principalmente do Brasil e do México – que também está na lista de sobretaxação, com uma tarifa de 30%. No entanto, a produção mexicana vem sofrendo retração por questões sanitárias, o que deve aumentar ainda mais a dependência dos EUA pelo produto brasileiro. “Com os dois principais fornecedores sobretaxados, os norte-americanos não têm alternativas viáveis. O grau de dependência deles é grande, e isso vai afetar não só o consumidor, mas toda a cadeia industrial que agrega valor ao nosso produto lá”, observa o empresário.

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Controle biológico se consolida como estratégia central contra pragas e doenças
Programa Nacional de Bioinsumos e nova lei impulsionam mercado, que já alcança 79 milhões de hectares tratados na safra 2024/2025.

O aumento da temperatura, alterações nos regimes de chuva e maior concentração de CO₂ podem modificar o ciclo de vida de insetos pragas e de fitopatógenos, influenciar a suscetibilidade das plantas e alterar a distribuição geográfica de pragas e de doenças. O chamado triângulo da doença, hospedeiro suscetível, patógeno virulento e ambiente favorável, é profundamente afetado pelas mudanças climáticas. Se o ambiente muda, mudam também as relações entre planta, patógeno e os microrganismos, sejam os patogênicos ou os benéficos.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Wagner Bettiol, doenças causadas por vírus e molicutes e transmitidas por vetores, como pulgões, cigarrinhas, ácaros e mosca-branca, tendem a ganhar importância com o aumento da temperatura, já que esses vetores terão ciclos de vida mais curtos, maior atividade e maior longevidade. “Consequentemente, levará a um aumento das populações e da aumento importância dessas doenças”, alerta o pesquisador.
Além disso, as mudanças climáticas podem alterar a composição das comunidades microbianas da rizosfera (região das raízes), da filosfera (parte aérea) e do solo, impactando tanto o controle biológico natural quanto o conservacionista e o aumentativo.
“A eficácia dos agentes aplicados pode variar sob as novas condições ambientais. Por isso, é fundamental avaliar continuamente o desempenho desses organismos em cenários futuros”, afirma Bettiol. Além disso, é importante selecionarmos os agentes de controle biológico pensando nos cenários futuros do nosso planeta. Essa seleção de agentes pensando nos cenários futuros já vem sendo realizada pela Embrapa Meio Ambiente em conjunto com a Embrapa Semiárido.
Papel estratégico na segurança alimentar
A ocorrência de doenças, pragas e plantas daninhas é um dos principais fatores de risco à segurança alimentar global. Nesse cenário, o controle biológico ganha importância não apenas como alternativa aos produtos químicos, mas como componente essencial de sistemas agrícolas mais resilientes e mais sustentáveis.
Para Bettiol, o fortalecimento da base científica, a adaptação das estratégias de manejo e o desenvolvimento de novas cultivares resistentes serão decisivos. “É certo que a importância do controle biológico tende a aumentar. A sociedade reconhece que a sustentabilidade dos agroecossistemas depende, cada vez mais, do uso inteligente dos processos biológicos”, conclui.
Com mercado em expansão, respaldo legal recente e pressão por sistemas produtivos menos impactantes, o controle biológico deixa de ser alternativa e passa a ocupar posição central nas estratégias de proteção de plantas no Brasil e no mundo.
Programa Bioinsumos e nova lei impulsionam setor

Foto: Hedeson Alves/TECPAR
Para estimular o uso de produtos biológicos na agricultura, o Governo Federal instituiu, em 2020, o Programa Nacional de Bioinsumos. A política ganhou reforço com a aprovação da Lei nº 15.070, em dezembro de 2024, que definiu oficialmente o conceito de bioinsumo e estabeleceu diretrizes para produção, comercialização e uso.
A nova legislação considera bioinsumo, de uma forma simplificada, como sendo produtos, processos ou tecnologias baseados em agentes biológicos — de origem vegetal, animal ou microbiana — utilizados na agricultura, florestas plantadas e pecuária para nutrir o solo, estimular o crescimento de plantas e controlar pragas/doenças. “É importante entender que o incentivo não é apenas ao controle biológico, mas a um conjunto mais amplo de soluções biológicas para a agricultura”, observa Bettiol.
O mercado brasileiro de controle biológico vem crescendo de forma consistente. Dados do setor indicam que a área potencial tratada com agentes de biocontrole saltou de cerca de 47 milhões de hectares na safra 2022/2023 para quase 79 milhões de hectares na safra 2024/2025, com crescimento superior a 34% no último ciclo analisado.
Bionematicidas e bioinseticidas lideram o uso, representando 78% da área potencial tratada na safra 2024/2025. Biofungicidas responderam por 21%. Ainda assim, os produtos biológicos representam cerca de 7% do mercado total de produtos destinados à proteção vegetal no país, excluídos os herbicidas — segmento no qual ainda não há bioherbicidas comercializados. Esses números colocam o Brasil entre os maiores produtores e consumidores globais de agentes de biocontrole, afirma Bettiol.
O avanço do controle biológico ocorre em um contexto de crescente preocupação com as mudanças climáticas. Segundo o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em 2023, o aquecimento global deve continuar aumentando nas próximas décadas, com impactos diretos sobre a agricultura.
O Controle biológico: ciência e mercado

Foto: Matheus Flalanga
“A redução da soma de inóculo ou das atividades determinantes da doença, provocada por um patógeno, realizada por um ou mais organismos que não o homem, é o conceito mais aceito pela ciência”, explica o pesquisador. Na prática, isso significa interferir no crescimento, na infectividade, na virulência e na agressividade do patógeno, além de outros processos que determinam a infecção, o desenvolvimento de sintomas e a reprodução do agente causador da doença.
De acordo com Bettiol, esse entendimento amplia significativamente o escopo do controle biológico. “Não se trata apenas de aplicar um microrganismo antagonista para controlar um determinado patógeno. Estamos falando de um conjunto de interações biológicas que podem envolver organismos avirulentos ou hipovirulentos da própria espécie patogênica, plantas com resistência estimulada, práticas culturais e microrganismos introduzidos ou de ocorrência natural que fortalecem a capacidade de resposta da planta”, explica.
Tanto o mercado brasileiro quanto o internacional adotam, em geral, um conceito mais simplificado de controle biológico de doenças de plantas, isto é, o uso de um antagonista para controlar um fitopatógeno. Para Bettiol, essa leitura é reducionista, mas facilita o entendimento dos atores envolvidos na cadeia produtiva.
“Quando o mercado restringe o controle biológico à aplicação de um produto comercial à base de um microrganismo antagonista, desconsidera outras estratégias igualmente importantes, como o manejo do ambiente para favorecer organismos benéficos ou o melhoramento de plantas para interagir melhor com esses bioagentes”, afirma.

Foto: Divulgação/APS
Nos últimos anos, ganharam espaço os termos como biopesticidas, biofungicidas e bioprotetores. Biopesticidas incluem organismos vivos — fungos, bactérias, vírus e oomicetos — além de nematoides, predadores, parasitoides e produtos naturais derivados desses organismos, usados na proteção das plantas.
No entanto, Bettiol pondera que nem todos os mecanismos de controle envolvem a morte do patógeno. “Muitos agentes não eliminam, não matam o fitopatógeno, mas protegem a planta por outros mecanismos. Por isso, o termo ‘bioprotetores’ é o mais adequado em vários casos”, destaca.
Quatro tipos de controle biológico
O controle biológico pode ser dividido de uma forma didática em quatro modalidades: natural, conservacionista, clássico e aumentativo. No controle biológico natural, pragas e doenças são mantidas em equilíbrio por ação de inimigos naturais e de antagonistas sem intervenção humana — um serviço ecossistêmico essencial. No conservacionista, práticas agrícolas são adotadas para preservar e estimular esses organismos benéficos de ocorrência natural.
Já o controle biológico clássico envolve a introdução de inimigos naturais de uma região de origem da praga para outra onde se deseja controlar o problema fitossanitário. O controle biológico aumentativo, o mais conhecido pelos agricultores, baseia-se na aplicação massal e periódica de agentes de biocontrole disponíveis comercialmente. Para tanto, há necessidade de realizar a produção industrial destes organismos e registrar para disponibilizar aos agricultores. “Cada estratégia tem seu papel dentro de um programa de manejo. O desafio é integrar essas abordagens”, ressalta o pesquisador.
Este estudo faz parte de capítulo do livro Biocontrole em patologia de plantas: conceitos e inovações, organizado pelo Grupo de Investigações em Fitopatologia, da Universidade Federal de Santa Maria (RS).
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C.Vale detalha a cooperados projetos e perspectivas para 2026
Gerentes apresentaram resultados de 2025 e novas iniciativas para ampliar eficiência e desenvolvimento da produção em 2026.

Entre os dias 9 e 13 de março, a C.Vale realizou prestação de contas aos integrados da produção de peixes, frango, suínos e leite. Cerca de 220 produtores dos municípios de Terra Roxa, Assis Chateaubriand, Palotina, Maripá e Toledo participaram das reuniões.
Fernando Varolo, gerente do Departamento de Produção Animal, apresentou os resultados de 2025 e as perspectivas para 2026. “Explicamos os desafios das áreas e ouvimos dos associados suas percepções e demandas sobre a produção”, disse Varolo.

Gerentes Fernando Varolo (com microfone), Valdecir Mauerwerk, Maykon Buttini, Tiago Zago e Paulo Poggere
Os temas principais abordados incluíram o fundo contra sinistros de aves e peixes, a construção da nova fábrica de rações para aves, a ampliação da fábrica de rações para peixes e os complementos de final de ano.
Para o produtor Renato Burin, os projetos e os novos investimentos foram os destaques do encontro. “A reunião foi muito interessante”, afirmou.
O associado Juraci de Araújo, produtor de frango e peixe, destacou a importância do encontro para esclarecer dúvidas do dia a dia na propriedade. “Muito importante para o nosso crescimento”, disse, lembrando que o fundo contra sinistros trouxe segurança adicional para a produção.
Os encontros também contaram com a presença dos gerentes Valdecir Mauerwerk (suínos e leite), Maykon Buttini (avicultura), Tiago Zago (rações) e Paulo Poggere (piscicultura).
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Porto de Paranaguá completa 91 anos como um dos principais corredores logísticos do Brasil
Segundo maior complexo portuário do país avança com investimentos em infraestrutura e tecnologia para ampliar capacidade e eficiência.

Segundo maior complexo portuário do Brasil e peça fundamental para o desenvolvimento econômico do Paraná, o Porto de Paranaguá comemora 91 anos nesta terça-feira (17). Administrado pela empresa pública Portos do Paraná, ele segue um amplo processo de modernização e expansão, marcado por investimentos em infraestrutura, tecnologia e eficiência logística.
A gestão implantada na Portos do Paraná nos últimos sete anos também contribuiu para grandes avanços operacionais. Em 2025, os portos paranaenses movimentaram mais de 73,5 milhões de toneladas de cargas, um índice que, segundo estudos técnicos, era previsto para ser alcançado a partir de 2035.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
A gestão da empresa pública também tem sido reconhecida nacional e internacionalmente, com destaque em premiações de gestão portuária no Brasil e nos Estados Unidos. A Autoridade Portuária é a única do país a receber, por seis vezes consecutivas, o prêmio de melhor gestão portuária do Brasil, concedido pelo Ministério de Portos e Aeroportos do Governo Federal. Outros prêmios importantes foram entregues pela Associação Americana das Autoridades Portuárias (AAPA) ao longo dos últimos anos.
Ao completar 91 anos, segundo o governador Carlos Massa Ratinho Junior, o Porto de Paranaguá reafirma sua importância estratégica para o Brasil e segue avançando com investimentos que preparam o complexo portuário para os desafios logísticos das próximas décadas. “Viramos uma página. Hoje a Portos do Paraná é sinônimo de eficiência, liderança, comprometimento e investimento”, afirma. “Isso sem perder a essência da visão estratégica para o desenvolvimento do Litoral e das nossas cidades, com obras de infraestrutura, saneamento e preservação ambiental”.
“Ao longo de mais de nove décadas, o Porto de Paranaguá se consolidou como um dos principais corredores logísticos do País, responsável por escoar a produção do agronegócio, receber insumos e conectar o Brasil aos principais mercados internacionais”, complementa o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
O Porto de Paranaguá é responsável por escoar grande parte da produção agrícola do País, o que ajuda a consolidar a balança comercial e o comércio internacional. “Atualmente somos o primeiro colocado na exportação de óleo de soja no Brasil e o principal canal exportador de carne de frango congelada do mundo”, declarou o diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.
Expansão

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Desde 2019, a Portos do Paraná prioriza projetos estruturantes, que ampliam a capacidade operacional do porto e fortalecem a competitividade do Estado no comércio internacional. Entre as iniciativas estão melhorias em infraestrutura que somam mais de R$ 5,1 bilhões em investimentos, parte dos quais já está em implantação.
Grande parte desses investimentos estão sendo possíveis devido ao trabalho que resultou na regularização de 100% das áreas arrendáveis do Porto de Paranaguá. Todos os arrendamentos foram formalizados a partir de leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3).
Outra Grande conquista foi a concessão do Canal de Acesso, um projeto inédito e que está servindo de modelo para outros portos públicos brasileiros. Com a concessão, ele será aprofundado e navios maiores e com mais cargas poderão sair de Paranaguá com um custo operacional menor, tornando o porto ainda mais competitivo.
Um dos maiores símbolos do novo ciclo de investimentos no Porto de Paranaguá é o Moegão, sistema exclusivo de descarga ferroviária de grãos e farelos, que está em fase de conclusão. Com mais de R$ 650 milhões em investimentos, o complexo logístico vai agilizar o recebimento de trens na área portuária e contará com estruturas modernas de transporte, por meio de torres de transferência de carga e sistemas de alimentação para os terminais portuários.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
A estrutura terá capacidade para descarregar até 900 vagões por dia, ampliando a produtividade logística e reduzindo cruzamentos ferroviários na área urbana de Paranaguá. Considerada a maior obra portuária pública em andamento no País, o Moegão deve marcar um novo patamar de eficiência na movimentação de grãos e consolidar o porto como referência logística no Brasil.
Além disso, a construção do Píer em “T” vai revolucionar o corredor de exportação leste, assim como o Píer em “F”, que conectará os terminais do novo corredor oeste. Também está prevista a expansão do píer de líquidos, com a interligação dos terminais que operam esse tipo de carga.
O Píer em “T” contará com quatro novos berços e terá capacidade de movimentar 32 mil toneladas por hora, aumentando consideravelmente a capacidade de escoamento da produção para o mercado internacional.
Novos empregos

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
Mais do que um grande hub logístico, o Porto de Paranaguá é um dos principais motores econômicos do litoral paranaense. A atividade portuária movimenta cadeias produtivas inteiras, gera empregos diretos e indiretos e impulsiona setores como transporte, comércio e serviços.
A Portos do Paraná conta com 492 empregados e estagiários, e o Porto de Paranaguá tem cadastrados, atualmente, 2.458 trabalhadores portuários avulsos (TPAs) e 16.393 profissionais terceirizados, segundo dados da Unidade Administrativa de Segurança Portuária (UASP).
O complexo econômico formado em torno do Porto de Paranaguá também gera milhares de outros empregos. “Cerca de 50% de toda a arrecadação municipal decorre direta ou indiretamente das atividades portuárias, e pelo menos 40% dos empregos em Paranaguá são gerados a partir do Porto”, comenta o diretor de Desenvolvimento Empresarial, Felipe Gama.



