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Tarifa dos Estados Unidos reacende alerta sobre riscos à segurança alimentar no Brasil

Medida imposta por Trump se soma a pressões internas e pode comprometer produção, exportações e acesso a alimentos no país.

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Foto: Shutterstock

A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump no início de julho, reacendeu o debate sobre os efeitos de decisões econômicas internacionais e nacionais na cadeia produtiva de alimentos. A medida, com forte impacto sobre o agronegócio, preocupa especialistas e produtores rurais que temem uma escalada de preços e o comprometimento da segurança alimentar dos brasileiros.

Segundo a advogada especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, Márcia de Alcântara, essa tarifa vem se somar a um conjunto de medidas internas que já vinham pressionando o setor. “Estamos diante de uma verdadeira sopa de taxas. Alta da Selic, aumento do IOF, proposta de taxação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e, agora, tarifas comerciais internacionais. O prato do brasileiro começa a ficar mais caro e mais vazio”, afirma.

Márcia de Alcântara, advogada:  “Não se trata de isentar o campo de impostos a qualquer custo, mas de garantir equilíbrio, previsibilidade e apoio à produção. – Foto: Divulgação

A decisão dos Estados Unidos afeta diretamente produtos como carne bovina, suco de laranja, café e equipamentos agrícolas, dificultando as exportações e reduzindo a margem de lucro dos produtores. “Com menos competitividade no exterior e mais custos para produzir internamente, o risco é o produtor recuar. E quando o campo recua, a cidade sente: faltam alimentos e os preços sobem”, alerta a advogada.

Dificuldade de acesso a crédito rural

Além dos efeitos no comércio exterior, a especialista destaca que a alta de taxas internas tem dificultado o acesso a crédito rural. As LCAs, que representam cerca de 39% do financiamento agrícola, podem perder atratividade caso sejam tributadas, travando o fluxo de investimentos no setor. “Essa retração atinge principalmente pequenos e médios produtores, que dependem do crédito para comprar sementes, maquinário, defensivos e tecnologia”, explica.

Segundo Márcia, a pressão sobre o agronegócio compromete não apenas a produção, mas também a economia como um todo. “A agricultura é um dos pilares do nosso PIB. Quando a produção rural é sufocada, o impacto é sentido na arrecadação, no emprego e no consumo interno. Menos grãos e carne significam menos exportações, menos dinheiro circulando e, claro, mais pressão inflacionária”, afirma.

Dados do Ministério da Agricultura apontam que o agronegócio brasileiro movimentou bilhões de reais em exportações em 2024, com os EUA e a China entre os principais parceiros comerciais. Agora, com a nova tarifa americana, setores como o da carne bovina já reportam perdas e incertezas.

Rumos das políticas fiscais e comerciais

Foto: Gilson Abreu

Para a advogada, é urgente repensar os rumos das políticas fiscais e comerciais. “Não se trata de isentar o campo de impostos a qualquer custo, mas de garantir equilíbrio, previsibilidade e apoio à produção. O direito à alimentação está previsto no artigo 6º da Constituição. Se não houver alimento acessível na mesa do cidadão, esse direito está sendo violado”, ressalta.

A preocupação não é isolada. Entidades como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Sistema OCB também vêm manifestando resistência a medidas que fragilizam o setor. “Sem a produção rural, a cidade não tem o que comer. É uma verdade incontestável”, reforça Márcia.

A especialista enfatiza que essa guerra tarifária não atinge só os produtores. “Ela ameaça a segurança alimentar de todo o país. Se não houver reação coordenada, o impacto pode ser profundo, silencioso e duradouro, afetando diretamente o que está no prato de cada brasileiro”, frisa.

Fonte: Assessoria Escritório Celso Cândido de Souza Advogados

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Copercampos supera R$ 9,6 milhões em economia com Mercado Livre de Energia

Estratégia iniciada em 2018 já envolve 13 unidades da cooperativa e reduz custos com eletricidade em mais de 25% em comparação ao mercado cativo.

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Foto: Divulgação

A decisão estratégica da Copercampos de migrar parte de suas unidades para o Mercado Livre de Energia segue gerando resultados expressivos e consolida a cooperativa como referência em gestão eficiente de custos e visão de longo prazo. Iniciado em 2018, o projeto começou com a migração de cinco unidades e, ao longo dos anos, foi sendo ampliado de forma planejada, acompanhando a evolução do consumo energético e as oportunidades do setor elétrico brasileiro.

Somente em 2025, as unidades da Copercampos inseridas no mercado livre registraram uma economia de R$ 1.866.154,16, o que representa uma redução média de 25,55% nos custos com energia elétrica em comparação ao mercado cativo, sem considerar o ICMS. No período, o consumo total dessas unidades somou 11.168,040 MWh, evidenciando a relevância do impacto financeiro da estratégia adotada.

Além do ganho econômico, toda a energia adquirida pela cooperativa no Mercado Livre é proveniente de fontes 100% renováveis, o que reforça o compromisso da Copercampos com práticas sustentáveis e responsáveis. “A utilização de energia limpa contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental”, destaca o Gerente Operacional Ricardo Saurin.

Desde o início do projeto, a cooperativa avançou de forma consistente. Em 2018, cinco unidades passaram a operar no mercado livre. Em 2024, outras três migraram, seguidas por mais cinco unidades em 2025. Atualmente, o grupo conta com 13 unidades no ambiente de contratação livre, e o planejamento segue ativo, com mais cinco unidades em processo de migração em 2026, reforçando o compromisso contínuo com a eficiência energética e a competitividade.

No acumulado desde 2018, a economia total alcançada pela Copercampos com o mercado livre de energia é superior a R$ 9,6 milhões. O maior destaque está na Indústria de Rações, unidade que apresenta o maior consumo energético do grupo. Migrada ainda em 2018, essa unidade já acumula, até o momento, uma economia de R$ 5,3 milhões, demonstrando como o modelo é especialmente vantajoso para operações industriais de grande porte e consumo intensivo.

“Além da redução direta de custos, a atuação no mercado livre proporciona ganhos estratégicos, como previsibilidade orçamentária, análises de impacto de reajustes tarifários, otimização de demanda e avaliação contínua do perfil de consumo. Para 2026, estamos realizando a contratação de três novos contratos de fornecimento, ampliando a gestão ativa da energia e fortalecendo a segurança no abastecimento”, ressalta Ricardo Saurin.

O gerente da área ressalta ainda que a experiência da Copercampos no Mercado Livre de Energia demonstra que a eficiência energética vai além da economia financeira. “Trata-se de uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade, sustentar investimentos e contribuir para um modelo de gestão cada vez mais moderno, sustentável e alinhado às boas práticas ambientais”, complementa.

Fonte: Assessoria Copercampos
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Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar

Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

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Manoel Terças - Foto: Divulgação

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.

O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.

Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.

Fonte: Artigo escrito por Manoel Terças, advogado com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural.
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Conflito no Oriente Médio pressiona custos e fertilizantes do agro brasileiro, aponta estudo

Interrupção de rotas logísticas e alta nos preços do petróleo e fertilizantes pode encarecer produção de grãos, rações e carne, enquanto safra recorde mantém perspectiva positiva.

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Foto: Freepik/Divulgação

A escalada do conflito no Oriente Médio após a intervenção dos Estados Unidos no Irã pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro, com pressão sobre custos logísticos, fertilizantes e cadeias de produção de alimentos. A avaliação integra o relatório econômico Cenário do Agronegócio, apresentado pela Bateleur durante a Expodireto Cotrijal, que está sendo realizada até esta sexta-feira (13) em Não-Me-Toque (RS).

Ainda de acordo com o estudo, o impacto do conflito sobre a inflação global influencia o nível das taxas de juros, o que, no Brasil, associado à pressão inflacionária decorrente do repasse das cadeias globais e da desvalorização do câmbio, pode dificultar o ciclo de cortes na Selic e diminuir a perspectiva de redução dos juros do Plano Safra, encarecendo o crédito e prejudicando a capacidade de investimento.

Fotos: Claudio Neves

Outro fator de preocupação é a interrupção parcial do fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A restrição elevou os preços da commodity e ampliou os custos logísticos em escala global. “O fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”, destaca o relatório. O impacto sobre as cadeias de suprimento que passam pelo Oriente Médio, somado à necessidade de alterar rotas marítimas e ao encarecimento do frete, tende a gerar efeitos indiretos sobre diversas commodities.

Fertilizantes e cadeia produtiva

O Oriente Médio também tem papel relevante no fornecimento global de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola. Eventuais restrições na oferta podem elevar custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, com efeitos que começam na produção de grãos e se estendem à pecuária, por meio do aumento no preço das rações. “No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados são importados, e aproximadamente um terço da ureia vem do Oriente Médio. Esse cenário torna o setor particularmente sensível a choques de oferta e de preços”, aponta o estudo.

O aumento dos custos de energia também pode afetar polos industriais estratégicos, como a China, principal compradora de commodities brasileiras, pressionando a inflação global e influenciando decisões de política monetária. No Brasil, esse contexto pode impactar investimentos.

Exportações

No que tange às exportações, o Brasil vende para o Oriente Médio principalmente carne de frango, carne bovina, milho e açúcar. Eventuais bloqueios logísticos na região podem afetar temporariamente essa demanda, exigindo o redirecionamento das exportações para outros mercados.

Por outro lado, o relatório aponta que o cenário internacional também pode abrir oportunidades. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do agronegócio brasileiro a novos mercados nos próximos anos, ainda que a indústria nacional enfrente maior concorrência.

Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira permanecem positivas. A safra nacional 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas de grãos, um novo recorde.

Fonte: Assessoria Bateleur
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