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Tarifa de Trump atinge em cheio a carne bovina brasileira e força reconfiguração global

Medida derruba exportações, altera planos de produção e exige reação rápida de produtores, governo e indústrias frigoríficas.

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Fotos: Shutterstock

O anúncio de uma tarifa adicional de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, feito pelo presidente Donald Trump no dia 09 de julho, desencadeou uma reação imediata no setor de carne bovina do Brasil. Com início de vigência previsto para 1º de agosto, a medida levou os frigoríficos a suspenderem embarques ao mercado norte-americano, interrompeu abates destinados aos EUA e já pressiona para baixo os preços do boi gordo no mercado interno.

A decisão de Trump, classificada por representantes do setor como “unilateral e sem justificativa econômica”, atingiu diretamente o segundo maior destino da carne bovina brasileira em 2024, atrás apenas da China. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), os Estados Unidos importaram do Brasil 230 mil toneladas de carne bovina no ano passado, gerando receita de US$ 1,35 bilhão. Somente entre janeiro e abril de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina aos EUA já haviam atingido 135,8 mil toneladas, crescimento de 161% sobre igual período de 2024.

“Com essa tarifação, é inviável economicamente que o Brasil envie carne aos Estados Unidos”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec. “Estamos dialogando com autoridades brasileiras e americanas para evitar que essa medida entre em vigor. A interrupção desse fluxo comercial prejudica ambas as partes.”

Exportações suspensas e frigoríficos em alerta

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Serroni Perosa:  “Estamos dialogando com autoridades brasileiras e americanas para evitar que essa medida entre em vigor. A interrupção desse fluxo comercial prejudica ambas as partes” – Foto: Divulgação/Alimenta

A repercussão foi imediata. Grandes empresas exportadoras, como JBS, Marfrig, Minerva e Naturafrig, interromperam os embarques para os EUA. Frigoríficos suspenderam os abates direcionados ao mercado norte-americano e passaram a reavaliar suas estratégias comerciais. Em nota, a Abiec confirmou que “todas as operações de exportação àquele mercado estão sendo revisadas” e que cargas já preparadas estão sendo redirecionadas a outros destinos.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que cerca de 30 mil toneladas de carne bovina brasileira, com valor superior a US$ 150 milhões, estão atualmente nos portos ou a caminho dos Estados Unidos, correndo o risco de serem sobretaxadas na chegada. “Estamos realocando a carne para países com os quais já temos relações comerciais estabelecidas”, disse Cláudio Branquinho, diretor executivo da Abrafrigo. “O principal destino deve ser a China, seguida por países do Oriente Médio, América do Sul e Ásia.”

Preços em queda e pressão no campo

Com a interrupção dos embarques aos EUA, parte da carne bovina que seria exportada passa a disputar espaço no mercado interno. Isso já pressiona os preços pagos ao produtor. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi gordo caiu para cerca de R$ 300 em diversas praças do Brasil. O movimento é atribuído ao aumento da oferta no mercado doméstico em um período que já registra abates maiores, em função da seca nas pastagens. “O mercado esfriou nos dias seguintes ao anúncio da tarifa. Os frigoríficos reduziram a procura por boi gordo e o pecuarista perdeu poder de barganha”, avalia Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria. “Além disso, algumas indústrias estão usando o contexto para pressionar os preços ainda mais, mesmo em regiões com pouca dependência do mercado norte-americano.”

Apesar disso, segundo Juliana Pila, analista da Scot, há possibilidade de reposicionamento da carne brasileira no comércio internacional. “Os Estados Unidos vão buscar mais carne de fornecedores como Austrália, México, Uruguai e Argentina. Isso vai deslocar oferta desses países para os EUA, abrindo espaço em outros mercados que poderão ser preenchidos pelo Brasil.”

Perspectiva de realocação e efeito global

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) também observa que, embora a perda do mercado norte-americano seja relevante, ela pode ser compensada ao longo dos próximos meses. Segundo dados do Cepea, os Estados Unidos representavam entre 10% e 12% do volume total exportado de carne bovina brasileira em 2025.

A China, por outro lado, concentra quase 50% das exportações.“Em junho, as vendas aos EUA já haviam começado a desacelerar, enquanto as exportações totais de carne bovina seguiram robustas”, afirma o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho. “Há uma tendência de ajuste natural no mercado internacional. O Brasil tem competitividade e poderá ocupar nichos deixados por países que agora vão focar os EUA.”

Segundo o Cepea, o preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil se mantém competitivo, mesmo com a necessidade de redirecionar volumes. E a possibilidade de realocar os cortes que seriam destinados aos EUA – em sua maioria carne dianteira para hambúrguer – pode favorecer mercados como o Chile, Emirados Árabes e Indonésia.

Impactos nas empresas e posicionamento do setor

Para o setor produtivo, o principal efeito da tarifa é a instabilidade. A Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne bovina da América do Sul, informou por meio de comunicado ao mercado que menos de 5% de sua receita provém das exportações brasileiras aos EUA. A empresa antecipou embarques e estocou carne nos Estados Unidos ainda em junho, prevendo o risco de medidas protecionistas.

Já a JBS, que possui unidades produtivas nos Estados Unidos, deve ser menos afetada, uma vez que poderá atender o mercado americano a partir de suas operações locais. O Itaú BBA, em relatório de análise de mercado, destaca que empresas mais verticalizadas e internacionalizadas estão mais preparadas para mitigar os impactos. Por outro lado, frigoríficos médios com foco exportador deverão sentir com mais força a perda do canal americano.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os setores de suínos e aves, afirmou que acompanha com preocupação o episódio e que, embora os EUA tenham menor participação nas exportações desses segmentos, a medida representa um “precedente perigoso”.

Saída diplomática

O governo federal criou um Comitê Interministerial para tratar do tema, com representantes dos Ministérios da Agricultura e Pecuária, Relações Exteriores, Indústria e Planejamento. A missão é buscar alternativas diplomáticas e avaliar possíveis contramedidas comerciais. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou: “Temos alguns dias para tentar reverter esse quadro, que não tem a menor lógica do ponto de vista econômico. Estamos trabalhando para evitar prejuízos ao setor produtivo brasileiro e ao consumidor americano.”

Entre as prioridades está o pedido de exceção para cargas já embarcadas e contratos firmados antes do anúncio, a fim de evitar a cobrança da nova tarifa. Além disso, senadores brasileiros organizaram uma Comissão Temporária Externa, com viagem marcada a Washington na última semana de julho, para dialogar diretamente com o Congresso dos Estados Unidos.

“O Brasil não quer retaliação, mas diálogo. Vamos mostrar que o comércio bilateral é mutuamente benéfico e que essa medida prejudica os consumidores americanos e o agronegócio brasileiro”, afirmou o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Uma tarifa sem lastro econômico

As principais entidades do setor agropecuário, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), criticaram o anúncio americano, classificando a tarifa como “política” e sem justificativa técnica. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) emitiu nota reforçando que os Estados Unidos tradicionalmente mantêm superávit comercial com o Brasil e que a medida poderá gerar aumento de preços para os consumidores americanos.

“Trata-se de uma retaliação geopolítica disfarçada de proteção econômica. O Brasil tem sido parceiro comercial estratégico dos EUA e cumpre todas as regras sanitárias e de qualidade exigidas”, afirma a nota da CNI.

Cenário ainda em aberto

A menos de dez dias da entrada em vigor do tarifaço, o setor aguardava um desfecho político. Enquanto isso, frigoríficos buscam reequilibrar a oferta, pecuaristas enfrentam queda na arroba e o consumidor brasileiro pode, ao menos temporariamente, ser beneficiado por preços mais estáveis da carne.

Para Juliana Pila, da Scot Consultoria, os impactos são significativos, mas o Brasil tem capacidade de adaptação. “Não é o primeiro choque comercial que o agro brasileiro enfrenta. O setor é resiliente. Se o Brasil conseguir reposicionar sua carne em outros mercados e manter a demanda interna aquecida, o impacto tende a ser mitigado ao longo do segundo semestre.”

Até o momento do fechamento desta edição, em 22 de julho de 2025, não havia recuo público por parte do governo norte-americano. As negociações seguem nos bastidores e o agronegócio brasileiro se prepara para uma reorganização forçada das suas rotas internacionais.

O acesso à versão digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Fundocarne une produtores e frigoríficos para reposicionar pecuária gaúcha

Campanha aposta na identidade dos campos do Rio Grande do Sul e cria modelo inédito de financiamento conjunto para fortalecer a marca no mercado interno e externo.

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Fotos: Divulgação

O lançamento do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, na terça-feira (24), na Estação de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, marca uma nova estratégica na forma como a pecuária do Rio Grande do Sul pretende se apresentar ao mercado. Pela primeira vez, produtores e indústrias frigoríficas estruturam um mecanismo conjunto e permanente de promoção da carne do estado.

O Fundocarne nasce a partir da articulação entre o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul, reunindo dois elos historicamente tensionados da cadeia. A proposta é substituir disputas por coordenação estratégica, com foco em construção de marca, posicionamento e valorização do produto.

“O gaúcho precisa valorizar essa carne e o brasileiro precisa reconhecer que o que produzimos aqui é igual ou até superior ao que fazem Uruguai e Argentina”, afirma Antonia Scalzilli, presidente do Desenvolve Pecuária.

A comparação com os vizinhos do Mercosul não é casual, visto que os dois países consolidaram identidade forte para suas carnes no mercado internacional, associando origem, qualidade e tradição.

Campanha aposta em identidade e patrimônio cultural

O primeiro movimento do fundo é a campanha “Carne gaúcha é diferente”. O vídeo institucional, que será veiculado nas redes do Desenvolve Pecuária, do Sicadergs e parceiros, constrói uma narrativa baseada na tradição campeira, no manejo extensivo e no churrasco como símbolo cultural.

As imagens foram captadas em atividades reais de nove propriedades rurais de diferentes regiões do estado. A proposta é comunicar que a qualidade não está apenas no produto final, mas no sistema de produção: genética, pastagens, respeito ao tempo do animal e à paisagem dos campos sulinos.

A estratégia privilegia o apelo emocional, tratando a carne como patrimônio cultural, e não apenas como commodity.

Para Ivon Silva Jr., presidente do Sindicato das Indústrias, o momento exige confiança. “Se nossos vizinhos fazem, nós também podemos fazer. É preciso acreditar que isso trará resultados para todos”, sustenta.

Modelo de financiamento coletivo

O Fundocarne será constituído como pessoa jurídica independente. O financiamento virá de contribuições voluntárias de produtores e frigoríficos.

Os 17 frigoríficos participantes assumiram o compromisso de destinar R$ 0,50 por cabeça abatida, considerando a totalidade dos abates. Já os produtores contribuem de forma espontânea, inclusive em leilões. “Há produtores que doaram R$ 1,00 e outros R$ 10,00”, relata Antonia.

Segundo Ronei Lauxen, presidente executivo do Sicadergs, o projeto começou com cinco frigoríficos e rapidamente mais que triplicou a adesão. A meta agora é ampliar a base de participantes para garantir escala financeira e continuidade às ações de marketing e posicionamento.

Arena Pecuária debate mercado e rastreabilidade

O lançamento do fundo ocorreu dentro da programação da Arena Pecuária na Abertura da Colheita de Arroz, que ampliou sua estrutura nesta edição e reuniu produtores, técnicos e representantes da cadeia.

Entre os temas debatidos no primeiro dia esteve a necessidade de maior alinhamento entre os elos produtivos. A rastreabilidade ganhou destaque como ferramenta de gestão, sanidade e acesso a mercados premium. A certificação e a integração com o poder público foram apontadas como pilares para fortalecer o protagonismo do estado no sistema nacional de identificação bovina.
Nesta quarta-feira (25), o tema central é “A pecuária potencializando sistemas”, com debates voltados à integração produtiva, eficiência e geração de valor dentro da propriedade rural. E na quinta-feira (26), os painéis abordam Integração Lavoura-Pecuária e Pecuária Intensiva, com foco em verticalização, produtividade por hectare e uso de tecnologias.

O movimento articulado pelo Fundocarne indica uma mudança de postura da cadeia gaúcha: menos fragmentação e mais coordenação estratégica para disputar espaço em um mercado cada vez mais orientado por marca, origem e diferenciação.

Fonte: O Presente Rural com Sicadergs
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Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões

Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.

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Foto: Divulgação/OP Rural

As exportações brasileiras de lácteos somaram 4,30 milhões de litros em equivalente-leite (EqL) em janeiro de 2026, queda de 16,75% em relação a dezembro de 2025. Já as importações avançaram 7,94% no mesmo período, totalizando 178,53 milhões de litros EqL.

Na comparação com janeiro de 2025, tanto os embarques quanto as compras externas recuaram, respectivamente, 11,43% e 14,32%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e foram analisados pelo Cepea.

Foto: Divulgação

Com o resultado, o déficit da balança comercial de lácteos chegou a 174,24 milhões de litros EqL em janeiro, volume 8,7% superior ao registrado no mês anterior. Em valores, o saldo negativo foi de US$ 71,68 milhões, aumento de 11,1%, também segundo a Secex.

Do lado das importações, o leite em pó respondeu por 75,6% do total adquirido pelo Brasil no exterior. As compras desse produto cresceram 4,93% em janeiro, alcançando 134,90 milhões de litros EqL. O preço médio foi de US$ 3,29 por quilo, recuo de 1,4% frente a dezembro.

As importações de queijos, que representaram 23,8% do total, avançaram 17,85% na comparação mensal. O preço médio subiu 4,3%, para US$ 10,08 por quilo.

Entre os produtos exportados, leite condensado e queijos tiveram maior participação nos embarques de janeiro, com 29,2% e 36,3% do total, respectivamente. As vendas externas de leite condensado recuaram 11,46% em relação a dezembro, somando 1,25 milhão de litros EqL. Já os embarques de queijos diminuíram 8,37%, totalizando 1,56 milhão de litros EqL. Análise feita por João Vitor Sesso.

Fonte: Assessoria Cepea
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso

Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

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Foto: Gabriel Faria

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.

O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.

Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.

Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.

Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.

Como funciona o programa

Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.

O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.

Fonte: O Presente Rural com Imac
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