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Tarifa americana eleva risco para carne brasileira e pressiona setor agro

Embora o impacto para o consumidor nos EUA seja limitado, o aumento de até 20% nos preços desafia a competitividade do Brasil, exigindo diplomacia estratégica e maior eficiência interna no agronegócio.

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Dados do Bureau of Labor Statistics indicam que, nos últimos 12 meses, o preço da carne bovina nos Estados Unidos subiu 7,2%. Com a aplicação das novas tarifas, especialistas projetam um aumento adicional de 15% a 20% até 2026. No entanto, o impacto inflacionário tende a ser diluído, já que a carne bovina representa apenas 0,5% do CPI (inflação oficial americana).

“Nos Estados Unidos, a carne pesa muito pouco no orçamento familiar. Para cada 1% de aumento no preço, a inflação geral sobe apenas 0,05 ponto percentual. No Brasil, por outro lado, a carne bovina tem peso de 3,5% no IPCA. Isso demonstra como os efeitos das variações de preços são percebidos de forma completamente diferente nos dois países”, explica Leandro Avelar, especialista em Comércio Exterior.

Ele ressalta que, em média, uma família brasileira compromete mais de 5% da renda mensal com carne bovina, enquanto nos EUA o impacto é de cerca de 1,3%. “Por isso, qualquer aumento no Brasil é sentido de forma imediata e dolorosa, enquanto os americanos conseguem absorver melhor o reajuste. Além disso, estamos falando de uma renda per capita seis vezes maior nos Estados Unidos do que no Brasil”, analisa.

Para efeito de comparação, a renda média anual nos EUA supera US$ 60 mil, enquanto a renda per capita brasileira gira em torno de US$ 10 mil.

Reflexos no agro brasileiro

Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, o tarifaço representa mais que um entrave comercial: é uma ameaça à competitividade. Além de reduzir margens, pode abrir espaço para concorrentes como Austrália e Argentina. “Mesmo que o impacto direto para o consumidor americano seja pequeno, o reflexo para o produtor brasileiro pode ser significativo. Se o mercado americano encarecer a carne brasileira, a tendência é de perda de participação e de uma pressão ainda maior para buscar eficiência interna”, observa Avelar.

Um outro ponto de atenção levantado por Avelar é o peso da percepção pública. Ele compara com o caso do tomate no Brasil, produto que, ao oscilar, se torna símbolo da inflação. “Se o aumento da carne cair no inconsciente popular americano, ou seja, se a população começar a repetir que a carne está cara demais, a pressão sobre o governo vai crescer e a tarifa pode entrar no centro do debate. Se isso não acontecer, dificilmente haverá uma revisão rápida da medida”, avalia.

Diplomacia e negociações

Avelar reforça que a solução passa pela estratégia diplomática. Para ele, o Brasil precisa “colocar em caixas diferentes” as questões políticas e judiciais que hoje marcam a relação entre os dois países. “O comércio deve ser tratado como comércio. Quando misturamos disputas políticas com pauta econômica, ambos os lados perdem. Os EUA são o segundo maior cliente do Brasil e o que mais deixa margens. É irracional colocar isso em risco”, destaca.

Dever de casa

Para além da geopolítica, Avelar defende que o Brasil precisa atacar gargalos internos. Alta carga tributária, legislação trabalhista engessada e infraestrutura deficiente tornam o país menos competitivo globalmente. “O problema não é só a tarifa americana. Precisamos olhar para dentro e reduzir impostos, modernizar leis, melhorar nossa logística. Só assim o Brasil poderá se abrir mais ao mundo e aproveitar oportunidades, em vez de se preocupar apenas com barreiras externas”, complementa.

É importante reforçar que o impacto das tarifas não se limita às grandes indústrias de carne. Pequenas e médias empresas exportadoras, que dependem fortemente do mercado americano, também podem enfrentar dificuldades caso a sobretaxa se prolongue.

Perspectivas futuras

Apesar do tarifaço, o cenário não é de retração imediata. A dependência americana de fornecedores externos e a eficiência produtiva do Brasil indicam que as exportações continuarão relevantes. No entanto, o ambiente exige cautela e inteligência estratégica. “Se o aumento de preços não cair no inconsciente popular americano, dificilmente haverá pressão política para mudar. Ao contrário, se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações. Até lá, o Brasil precisa se preparar e reforçar sua competitividade”, expõe Avelar.

Fonte: Assessoria JPA Agro

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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