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Notícias Especial Cooperativismo

Sustentabilidade vai virar vantagem competitiva, avalia Frimesa

Boas práticas de gestão e produção exigem mudança e inovação no setor cooperativista.

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Foto: Shutterstock

“Sempre praticamos a sustentabilidade com ênfase no social e ambiental, sem deixar de viabilizar economicamente o agronegócio”, avalia o diretor-executivo da Frimesa Cooperativa Centra, Elias Zydek, em referência a agenda ESG no cooperativismo.

Segundo Zydek, as cooperativas, pela natureza do sistema, são pioneiras em governança corporativa, atuam fortemente no social e agem com práticas ambientalmente corretas. “O que acontece agora é o aperfeiçoamento desse sistema para que obtenham vantagens competitivas. A agenda ESG avançará na avaliação e competitividade do agronegócio, desta forma as cooperativas poderão liderar as práticas do ESG”, ressalta.

Elias Zydek, diretor-executivo da Frimesa: “As cooperativas do Paraná estão avançando com rapidez na adoção das práticas preconizadas pelo ESG. A Ocepar lidera e estimula as orientações e preparação do sistema cooperativista para a aceleração das ações”

Conforme Zydek, a cooperativa possui uma área de Gestão de Risco e Integridade (GRI) conduzida por um gerente com equipe especializada, onde trata-se de compliance, sustentabilidade e governança. “A importância para os negócios com a agenda ESG crescerá cada vez mais. Não vemos interferências negativas em relação ao ESG”, afirma.

De acordo com Zydek, o desafio dos negócios, hoje e no futuro, está na sustentabilidade. “A questão básica é garantir a perenidade das empresas num ambiente de mudanças e inovações”, aponta. Para ele, a agenda ESG estabelece o roteiro e os pilares da sustentabilidade. A despoluição, a economia circular, a ética nos negócios, o comprometimento social, são contribuições e diretrizes que as cooperativas e empresas devem seguir. “Essa será a grande contribuição para um ambiente de bem-estar e paz social para todos”, afirma.

Social

A Frimesa atua em duas instâncias sociais: uma interna, com seus colaboradores e fornecedores de leite e suínos. Outra externa, que envolve instituições e as comunidades onde atua. Entre as ações, destaque para a distribuição de resultado anual, doações de alimentos, auxílios em planos de saúde e seguro, transportes, bonificações por conformidade, contribuições com escolas, hospitais e igrejas. Além de doações para pesquisas, subsídios aos estudos e aperfeiçoamentos.

De acordo com o presidente, a Frimesa contempla em seu planejamento estratégico, no orçamento anual, projetos e ações voltados a oportunidades e benefícios aos públicos envolvidos. “São investimentos no bem-estar dessas pessoas envolvidas com nossa cooperativa”, ressalta.

Governança

A gestão de qualquer empresa, pública ou privada, exige comprometimento e atenção a detalhes que requerem ajustes finos para evitar perdas financeiras e desgaste na imagem da instituição. No cooperativismo não é diferente, e talvez as exigências sejam ainda maiores do que em outros setores.

A Frimesa possui como órgão máximo a AGO (Assembleia Geral Ordinária), onde presta contas anualmente. Tem ainda um Conselho Fiscal, auditorias externas e internas, Conselho de Administração, Diretoria Executiva e Gerências profissionais.

Segundo Zydek, a ferramenta de gestão é o Planejamento Estratégico que estabelece as metas e os níveis de controle.

“Internamente temos a Gerência de Riscos e Integridade que conduz também o programa de Compliance e Sustentabilidade. A nível estadual pertencemos ao programa de Autogestão da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que avalia o sistema de gestão. Tem ainda o Canal de Denúncias, gerido por empresa externa, bem como o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

A cooperativa tem todos os processos administrativos sistematizados, digitalizados e integrados em tempo real, e os Fundamentos Corporativos contendo o Código de Conduta orientam e regulamentam as ações dos colaboradores, explica Zydek. “Todos os indicadores são acompanhados e avaliados pelas áreas e consolidados pela nossa controladoria”, expõe.

Respeito ao meio ambiente

Uma das premissas da Frimesa é respeitar e preservar o meio ambiente em todas as atividades desenvolvidas pela cooperativa. O reflorestamento de áreas com eucalipto para abastecer as caldeiras das indústrias é uma prática recorrente, e, segundo Zydek, a cooperativa pretende ampliar essas áreas para atingir a autossuficiência em biomassa. “Implantamos nos principais frigoríficos o sistema de biodigestor com geração de gás para uso nas operações e destino dos resíduos para adubação orgânica”, explica.

Parque Ambiental Frimesa é um local rico em biodiversidade e aspectos histórico-culturais, voltado à educação ambiental – Fotos: Divulgação/Frimesa

De acordo com Zydek, através da redução na compra de gases como CO2 e GLP de uso nas indústrias e da captação de gás carbônico pelos reflorestamentos, “estamos contribuindo com a melhoria do meio ambiente e atenuando as mudanças climáticas no planeta”, destaca.

A cooperativa também reutiliza as águas dos processos indústrias e capta água das chuvas nos telhados das instalações, e todos os efluentes industriais são tratados antes do lançamento nos corpos hídricos.

Outra ação que impacta de forma positiva o meio ambiente é a implantação de uma usina para geração de energia solar, com o objetivo de reduzir o consumo da rede elétrica fornecedora.

A Frimesa também pratica a logística reversa através da participação econômica com as entidades que recolhem e reciclam as embalagens descartadas.

A cooperativa pretende ainda desenvolver ações nas propriedades rurais que produzem suínos e leite. A meta é conseguir a certificação delas para o manejo ambientalmente correto.

Outra iniciativa apontada por Zydek e que pode trazer ótimos resultados para a cooperativa é a produção de GNV (gás natural veicular), a partir do biogás. “Estamos analisando a viabilidade dessa produção”, sustenta.

Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho

Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

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Foto: Freepik

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.

Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB

“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.

O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.

Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja

Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

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Foto: Breno Lobato

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.

O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.

Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho

Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.

Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.

Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.

Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.

A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.

Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Colunistas

Seu contrato de arrendamento pode ser extinto

Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).

Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.

Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.

Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.

A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.

Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.

Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.

E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.

Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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