Notícias Especial Cooperativismo
Sustentabilidade vai virar vantagem competitiva, avalia Frimesa
Boas práticas de gestão e produção exigem mudança e inovação no setor cooperativista.

“Sempre praticamos a sustentabilidade com ênfase no social e ambiental, sem deixar de viabilizar economicamente o agronegócio”, avalia o diretor-executivo da Frimesa Cooperativa Centra, Elias Zydek, em referência a agenda ESG no cooperativismo.
Segundo Zydek, as cooperativas, pela natureza do sistema, são pioneiras em governança corporativa, atuam fortemente no social e agem com práticas ambientalmente corretas. “O que acontece agora é o aperfeiçoamento desse sistema para que obtenham vantagens competitivas. A agenda ESG avançará na avaliação e competitividade do agronegócio, desta forma as cooperativas poderão liderar as práticas do ESG”, ressalta.

Elias Zydek, diretor-executivo da Frimesa: “As cooperativas do Paraná estão avançando com rapidez na adoção das práticas preconizadas pelo ESG. A Ocepar lidera e estimula as orientações e preparação do sistema cooperativista para a aceleração das ações”
Conforme Zydek, a cooperativa possui uma área de Gestão de Risco e Integridade (GRI) conduzida por um gerente com equipe especializada, onde trata-se de compliance, sustentabilidade e governança. “A importância para os negócios com a agenda ESG crescerá cada vez mais. Não vemos interferências negativas em relação ao ESG”, afirma.
De acordo com Zydek, o desafio dos negócios, hoje e no futuro, está na sustentabilidade. “A questão básica é garantir a perenidade das empresas num ambiente de mudanças e inovações”, aponta. Para ele, a agenda ESG estabelece o roteiro e os pilares da sustentabilidade. A despoluição, a economia circular, a ética nos negócios, o comprometimento social, são contribuições e diretrizes que as cooperativas e empresas devem seguir. “Essa será a grande contribuição para um ambiente de bem-estar e paz social para todos”, afirma.
Social
A Frimesa atua em duas instâncias sociais: uma interna, com seus colaboradores e fornecedores de leite e suínos. Outra externa, que envolve instituições e as comunidades onde atua. Entre as ações, destaque para a distribuição de resultado anual, doações de alimentos, auxílios em planos de saúde e seguro, transportes, bonificações por conformidade, contribuições com escolas, hospitais e igrejas. Além de doações para pesquisas, subsídios aos estudos e aperfeiçoamentos.
De acordo com o presidente, a Frimesa contempla em seu planejamento estratégico, no orçamento anual, projetos e ações voltados a oportunidades e benefícios aos públicos envolvidos. “São investimentos no bem-estar dessas pessoas envolvidas com nossa cooperativa”, ressalta.
Governança
A gestão de qualquer empresa, pública ou privada, exige comprometimento e atenção a detalhes que requerem ajustes finos para evitar perdas financeiras e desgaste na imagem da instituição. No cooperativismo não é diferente, e talvez as exigências sejam ainda maiores do que em outros setores.
A Frimesa possui como órgão máximo a AGO (Assembleia Geral Ordinária), onde presta contas anualmente. Tem ainda um Conselho Fiscal, auditorias externas e internas, Conselho de Administração, Diretoria Executiva e Gerências profissionais.
Segundo Zydek, a ferramenta de gestão é o Planejamento Estratégico que estabelece as metas e os níveis de controle.
“Internamente temos a Gerência de Riscos e Integridade que conduz também o programa de Compliance e Sustentabilidade. A nível estadual pertencemos ao programa de Autogestão da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que avalia o sistema de gestão. Tem ainda o Canal de Denúncias, gerido por empresa externa, bem como o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
A cooperativa tem todos os processos administrativos sistematizados, digitalizados e integrados em tempo real, e os Fundamentos Corporativos contendo o Código de Conduta orientam e regulamentam as ações dos colaboradores, explica Zydek. “Todos os indicadores são acompanhados e avaliados pelas áreas e consolidados pela nossa controladoria”, expõe.
Respeito ao meio ambiente
Uma das premissas da Frimesa é respeitar e preservar o meio ambiente em todas as atividades desenvolvidas pela cooperativa. O reflorestamento de áreas com eucalipto para abastecer as caldeiras das indústrias é uma prática recorrente, e, segundo Zydek, a cooperativa pretende ampliar essas áreas para atingir a autossuficiência em biomassa. “Implantamos nos principais frigoríficos o sistema de biodigestor com geração de gás para uso nas operações e destino dos resíduos para adubação orgânica”, explica.

Parque Ambiental Frimesa é um local rico em biodiversidade e aspectos histórico-culturais, voltado à educação ambiental – Fotos: Divulgação/Frimesa
De acordo com Zydek, através da redução na compra de gases como CO2 e GLP de uso nas indústrias e da captação de gás carbônico pelos reflorestamentos, “estamos contribuindo com a melhoria do meio ambiente e atenuando as mudanças climáticas no planeta”, destaca.
A cooperativa também reutiliza as águas dos processos indústrias e capta água das chuvas nos telhados das instalações, e todos os efluentes industriais são tratados antes do lançamento nos corpos hídricos.
Outra ação que impacta de forma positiva o meio ambiente é a implantação de uma usina para geração de energia solar, com o objetivo de reduzir o consumo da rede elétrica fornecedora.
A Frimesa também pratica a logística reversa através da participação econômica com as entidades que recolhem e reciclam as embalagens descartadas.
A cooperativa pretende ainda desenvolver ações nas propriedades rurais que produzem suínos e leite. A meta é conseguir a certificação delas para o manejo ambientalmente correto.
Outra iniciativa apontada por Zydek e que pode trazer ótimos resultados para a cooperativa é a produção de GNV (gás natural veicular), a partir do biogás. “Estamos analisando a viabilidade dessa produção”, sustenta.
Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Notícias
Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
Notícias
Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



