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Sustentabilidade, tecnologia e adaptação de produtos às demandas norteiam a piscicultura brasileira

Saborosa, de fácil preparo e altamente nutritiva, a tilápia tem conquistado cada vez mais consumidores ao redor do mundo. Isso fica evidente no crescimento expressivo das exportações brasileiras desse alimento, que agora está presente em 40 nações em comparação a 2012, quando eram comercializadas apenas para 12 países. Esse crescimento representa um aumento de mais de 200%.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Nos últimos anos, a tilápia brasileira ganhou destaque no cenário global, elevando o Brasil ao status de um dos principais produtores dessa espécie. Sua carne suave e versátil associada à capacidade de crescimento rápido contribuíram para sua popularidade. Para alcançar qualidade e conquistar paladares, no entanto, práticas de cultivo sustentáveis são fundamentais.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, Altemir Gregolin, presidente do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil), médico-veterinário e ex-ministro da Pesca, a aquicultura se configura como a atividade de maior potencial dentro do setor agropecuário brasileiro, com um crescimento significativo, especialmente no caso da tilápia, que registra uma expansão média de 10% ao ano. Atualmente o país é o quarto maior produtor global de tilápia, ficando atrás somente da China, Indonésia e Egito. “Temos um pacote tecnológico bem desenvolvido, com as principais empresas de tecnologia a nível mundial instaladas no Brasil, com isso avançamos ano após ano nas áreas de melhoramento genético, sanidade, equipamentos e nutrição. Ou seja, dispomos de um pacote tecnológico que vem sendo aperfeiçoado de forma contínua”, enaltece.

Saborosa, de fácil preparo e altamente nutritiva, a tilápia tem conquistado cada vez mais consumidores ao redor do mundo. Isso fica evidente no crescimento expressivo das exportações brasileiras desse alimento, que agora está presente em 40 nações em comparação a 2012, quando eram comercializadas apenas para 12 países. Esse crescimento representa um aumento de mais de 200%. Com a abertura de novos mercados, Gregolin diz que nos últimos três anos inúmeras empresas brasileiras buscaram habilitação para exportar seus produtos. “Abrimos um mercado internacional importante, especialmente os Estados Unidos, além de manter cativo o mercado interno”, frisa.

O Brasil possui 214,3 milhões de pessoas, entretanto o consumo de peixes é, em média, de 10 kg/habitante/ano, evidenciando o potencial de crescimento do setor no país. “A tilápia caiu no gosto do brasileiro, no entanto ainda se come pouco, mas, por outro lado, é um mercado com potencial gigante que ainda podemos explorar. Se fizermos as contas, um quilo a mais de consumo de peixe no Brasil significa em peixe vivo em torno de 500 mil toneladas. E produzimos pouco mais de 860 toneladas de peixes cultivados no ano passado, ou seja, temos um potencial gigante para trabalhar”, menciona, acrescentando: “Para isso é preciso dar prioridade a políticas públicas de estímulo ao consumo no país”.

Tendências do setor aqua

Presidente da International Fish Congress & Fish Expo Brasil, médico-veterinário e ex-ministro de Agricultura e Pecuária, Altemir Gregolin – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Gregolin destaca diversos aspectos que a indústria de piscicultura no Brasil deve adotar nos próximos anos, atendendo às necessidades de um mercado em constante evolução e cada vez mais rigoroso em suas exigências.

O primeiro aspecto é a sustentabilidade, a qual constitui um eixo central, uma vez que a viabilidade da atividade está intrinsecamente ligada à adoção de práticas de produção sustentável. Nesse contexto, as certificações assumem um papel crucial, no entanto, a produção sustentável transcende isso, uma vez que envolve um modelo de desenvolvimento que harmoniza preservação ambiental, bem-estar social e impacto econômico. “O advento de tecnologias como o QRcode possibilita a rastreabilidade e a reorganização com certificações inteligentes, tornando-se um alicerce que orienta as relações comerciais internacionais”, pontua Gregolin.

A segunda dimensão destacada pelo presidente do IFC Brasil se refere à oferta de produtos no mercado interno e externo. De acordo com ele, a qualidade já não é o único fator determinante na venda do pescado. Em conformidade com as tendências atuais, os produtos devem adotar embalagens ecológicas, com um balanço de 90% de material de papelão acompanhado por uma película fina de plástico.

Além disso, a demanda dos consumidores tem mudado ao longo do tempo, considerando a mudança no perfil das famílias, agora composta majoritariamente por unidades menores e pessoas que vivem sozinhas. Diante desse contexto, a busca recai sobre produtos fracionados e semiprontos, nos formatos mais práticos de 100, 200 ou 300 gramas, protegidas em embalagens que evidenciam o compromisso com a sustentabilidade. “Esse movimento é uma resposta ao desejo crescente por praticidade, uma vez que as pessoas não querem mais perder tempo com o preparo dos alimentos, por isso a busca por produtos fracionados e semiprontos tem crescido a cada ano”, afirma o ex-ministro.

A integração da tecnologia e da inteligência artificial nos sistemas de produção é uma tendência global e tem revelado um cenário de avanços expressivos no setor. “A incorporação de tecnologia de ponta aliada à inteligência artificial promove uma maior eficiência e precisão aos processos produtivos, atendendo às exigências crescentes do mercado”, expõe.

Potencial de crescimento

Com uma produção em larga escala de Norte a Sul, o Brasil revela um potencial gigante na aquicultura. “Está em nossas mãos transformar o setor aqua em uma commodity cada vez mais valorizada no mundo, assim como fizemos com outras cadeias do agro brasileiro, a exemplo dos grãos e da carne de frango, suína e bovina”, sustenta Gregolin.

Foto: Bing

No cenário global, o Brasil figura como protagonista entre os grandes produtores em razão das condições que o país dispõe para oferecer a cadeia um crescimento sólido. Na contramão, a região do Sudeste Asiático, responsável por 89% da produção mundial de aquicultura e atualmente quem abastece o crescente consumo por pescados, deve reduzir sua taxa de crescimento pela metade já na próxima década, segundo as previsões da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Entre os motivos apontados estão a limitação em termos de expansão de área, problemas ambientais e escassez de matérias-primas para rações.

Entretanto, a demanda global por produtos aquícolas segue em trajetória ascendente. Conforme estimativas da FAO, serão necessários mais de 24 milhões de toneladas anuais de peixes para atender à demanda global até 2030, volume que deve aumentar para 50 milhões de toneladas até 2050. “Nesse contexto, o Brasil emerge como um candidato viável, com suas vastas extensões territoriais, recursos hídricos abundantes, clima favorável, diversidade de espécies aquáticas e acesso a matérias-primas para rações. Essas vantagens posicionaram o Brasil de maneira estratégica para contribuir significativamente com o aumento da produção global de aquicultura”, analisa Gregolin, acrescentando: “Temos um grande potencial, seremos grandes, mas para isso é preciso fazer o dever de casa. Ter um modelo de desenvolvimento sustentável é a questão central, porém é preciso também estudar o mercado para produzir conforme a demanda, atendendo aos padrões de consumo que vão se modificando ano após ano e criar um ambiente regulatório para os negócios, com políticas públicas, que estimulem e facilitem o desenvolvimento do setor, que dê segurança jurídica para o setor”.

 

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Fonte: O Presente Rural

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Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025

Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

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Foto: Divulgação

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.

Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.

Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.

Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.

No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.

De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.

“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.

Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.

“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.

Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas

Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

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Foto: Freepik

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.

No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.

Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas

Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

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Foto: Shutterstock

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.

Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.

Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural

Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.

Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.

Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.

A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.

Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.

Fonte: Assessoria Cepea
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