Notícias Gulfood 2024
Sustentabilidade e confiabilidade são destaques dos produtos brasileiros no Oriente Médio
Rastreabilidade das proteínas animais, relevância dos pequenos produtores, ampla certificação halal e crescente produção de feijões e pulses posicionam o Brasil como fornecedor preferencial para países árabes e asiáticos.

Na última semana, entre segunda (19) e sexta-feira (23), 117 empresas brasileiras participaram da Gulfood, a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio. A presença no evento é estratégica para os exportadores brasileiros, pois reforça o relacionamento com os compradores da região, que é altamente dependente de importação do agronegócio. Para os compradores, sustentabilidade e produção halal são diferenciais.
De acordo com Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que organizou a delegação do Brasil, a produção brasileira é sustentável em diferentes aspectos. “O nosso produto é reconhecido aqui por ter altos padrões de sustentabilidade, desde grandes empresas, as produtoras de proteínas que têm todo um processo de rastreabilidade que garante que aquele animal não foi criado em áreas desmatadas, até os pequenos produtores”, explica.
Outro importante fator de sustentabilidade da participação brasileira na Gulfood 2024 foi o grande número de cooperativas. “A gente tem cooperativas ligadas ao segmento de grãos, de arroz, de carnes, e elas têm um importante papel no que toca à sustentabilidade social, já que em sua maioria elas são formadas por pequenos produtores, da agricultura familiar, e são responsáveis pela fixação dessas famílias no campo”, explicou Repezza.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), reiterou a relevância da participação dos produtores de menor porte. “Antigamente tínhamos exportação de grandes empresas e agora a gente trouxe ao projeto as cooperativas, empresas menores exportadoras, democratizando o acesso às informações e à própria feira. Além das empresas que estão aqui, outras que ainda não tem um tamanho para ter um estande estão representadas e conseguem usar o espaço para projetar uma inserção maior na exportação”, celebra.
Feijões e pulses: sustentabilidade e segurança alimentar
Outro destaque sustentável nas exportações brasileiras para a região são as leguminosas, conhecidas como pulses. O feijão, por exemplo, é um alimento extremamente altamente proteico e representa a menor demanda de recursos naturais por quilo de proteína entregue. A pegada de carbono da produção é tão baixa que pode até chegar a ser negativa, já que a cultura necessita de pouca água e pode melhorar a absorção de carbono e fixação de nitrogênio no solo, o que contribui para a diminuição do efeito estufa.
Uma inovação da edição da Gulfood 2024 foi a participação, em parceria com Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE), de empresas do setor em rodadas de negócios durante a feira. O objetivo da ação é explorar as potencialidades do mercado, especialmente para gergelim e pulses, que são altamente demandados no Oriente Médio.
Para o evento, foram convidados compradores de diversos países, como Índia, China, Paquistão, Turquia e da Europa, com objetivo de geração de contatos e negócios. “No último ano, a ApexBrasil apoiou 15 empresas de pulses, que exportaram US$ 350 milhões. A expectativa é que, com ações desse tipo, esses resultados sejam ultrapassados esse ano”, destaca Ana Repezza.
Proteínas animais certificadas
No mercado de proteínas animais, além da sustentabilidade ambiental e social, outro aspecto importante é a certificação halal, que atesta produção de acordo com as diretrizes islâmicas. Hoje, o Brasil já é reconhecido nesse mercado e tem conquistado cada vez mais espaço.
Atualmente, o país já é o maior fornecedor global de frango com certificação halal. O marcado islâmico ganhou tanto destaque para os exportadores brasileiros que em 2022 o Oriente Médio se tornou o principal destino das nossas carnes de frango. A região já representa um terço do total exportado do Brasil para o mundo.
Para estimular esse mercado, a ApexBrasil desenvolve, em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Árabe (CCAB), o projeto “Halal do Brazil”, que viabiliza a exportação aos mercados muçulmanos. Para Rafael Solimeu, chefe do escritório da CCAB em Dubai, “esse projeto mostra para os árabes e para o mundo islâmico em geral, um mercado gigantesco, que o Brasil é um país sério, que sabe produzir produtos com alto valor agregado, halal, e eles podem confiar na gente”.
O crescimento das exportações brasileiras para a região está refletido no tamanho do pavilhão brasileiro de proteínas animais na Gulfood. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, celebrou a evolução. “Quando começamos aqui na Gulfood com a ApexBrasil tínhamos um estande de 36 m², pequenininho, discreto, buscando um espaço. Este ano estamos com um estande de mais de 500 m², mostrando o protagonismo do Brasil como o maior exportador de carnes de aves do mundo, e o maior exportador de carne halal. Fazemos vendas de mais de US$ 4 bilhões por ano para esses mercados”, destacou.
No pavilhão de carnes bovinas, as perspectivas de negócios também são positivas. Segundo Carlos Rogério, diretor de relações governamentais da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o Oriente Médio representa cerca de 15% das exportações do setor. A expectativa é que a feira gere em torno de US$ 1 bilhão em negócios fechados.
Para promover ainda mais a carne halal brasileira na Gulfood 2024, a ApexBrasil, em parceria com a CCAB, levou o chefe Ian Baiocchi, para participar do principal festival gastronômico da feira, que reúne chefes do mundo todo. A agenda do chef incluiu uma masterclass, rodadas de entrevistas com jornais locais, além de participar de um jantar, preparado a quatro mãos junto com um chefe francês, em um restaurante renomado de Dubai.

Notícias
Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo
Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.
“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.
Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.
Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.
“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.
Notícias
Copel cria canal exclusivo para produtor rural após articulação do Sistema Faep
Agricultores e pecuaristas relatam atendimento mais ágil, que permite reduzir impactos das quedas de energia e prejuízos no campo.

Desde 6 de abril, os produtores rurais do Paraná têm um canal exclusivo de comunicação com aCopel. O Copel Agro faz parte de um plano de ações da empresa voltado à redução dessas ocorrências no campo. A iniciativa atende a reivindicação do Sistema Faep, diante dos recorrentes episódios de queda de energia em áreas rurais do Paraná e dos prejuízos milionários dentro da porteira.
A expectativa é que, com o Copel Agro, as respostas aos produtores rurais sejam rápidas com atendimento das demandas com mais eficiência. O canal conta com 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia para atender os agricultores. O contato pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970. O atendimento é exclusivo para produtores rurais, especialmente aqueles que atuam com proteína animal, como frango, suíno, leite e peixe.
“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema Faep buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado
Apesar de estar disponível há poucos dias, o serviço já tem registrado resultados positivos. O produtor de tilápias Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, na região Oeste do Paraná, utilizou o novo canal e aprovou a iniciativa, principalmente o atendimento humanizado. “Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.
Cancian relata que as quedas de energia ocorrem de duas a três vezes por semana na região, gerando prejuízos. “Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma. “Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

Depois de acumular prejuízos, Rosimeri Draghetti identificou melhoras no atendimento da Copel com o novo canal
A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também percebeu melhora no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes causada pela falta de energia. “A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.
Rosimeri lembra que as longas interrupções sempre geraram preocupação, mesmo com o uso de gerador. “A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.
Mais ações previstas
O plano elaborado pela Copel em parceria com o Sistema Faep e outras entidades do setor produtivo prevê um conjunto de ações voltadas à melhoria do atendimento e do fornecimento de energia no meio rural. Desde o início do ano, Sistema Faep, Ocepar e Fiep realizam reuniões semanais com a Copel para estruturar um plano alinhado às demandas.
De acordo com Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná. No entanto, nas propriedades rurais, esse número pode chegar a 40 horas anuais.
“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Eliezer.
As ações previstas serão implementadas a curto, médio e longo prazos e foram estruturadas com base em temas considerados prioritários: poda de vegetação, financiamento, reforço de equipe, comunicação, cadastro, capacitação técnica, tecnologia, geração distribuída, investimentos em subestações e cronograma.
Outro avanço envolve um projeto de lei que retira dos produtores rurais a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes de energia elétrica. O projeto de Lei 189/2026, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, altera a Lei Estadual 20.081/2019 e estabelece que a poda, manejo e supressão de árvores, em um raio de até 15 metros das redes de distribuição passem a ser responsabilidade das concessionárias. O projeto já está em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e deve ser aprovado ainda neste mês.
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Moatrigo 2026 debate efeitos das canetas emagrecedoras no mercado de alimentos
Engenheira de alimentos Cristina Leonhardt analisa como a difusão da semaglutida altera padrões de consumo, reduz ingestão de ultraprocessados e pressiona reformulações no setor de alimentos.

A popularização dos medicamentos agonistas de GLP 1, impulsionada pela recente expiração da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, pode transformar o setor alimentício no Brasil, tanto nos padrões de consumo quanto nas estratégias das empresas. O tema integra a programação do Moatrigo 2026, que será realizado na segunda-feira (13), em Curitiba (PR), promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo PR), reunindo lideranças e representantes da cadeia moageira do trigo.

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A palestra “O impacto dos medicamentos GLP 1 nos negócios de alimentos brasileiros” será conduzida por Cristina Leonhardt, engenheira de alimentos com mais de 20 anos de experiência em inovação. Cristina apresentará uma leitura técnica e atualizada sobre como esses medicamentos, originalmente indicados para diabetes, mas amplamente usados para emagrecimento, estão mexendo com padrões de consumo e desafiando empresas de alimentos no país.
Mudanças de consumo já aparecem nos dados
Estudos indicam redução consistente na ingestão entre usuários dos GLP 1 e uma alteração clara nas escolhas alimentares. As tendências mostram queda na procura por processados, maior interesse por alimentos frescos e ácidos e impacto direto em categorias como snacks salgados, uma das mais sensíveis ao novo padrão.
Segundo Cristina, parte dessas mudanças permanece mesmo após o fim do tratamento, o que sinaliza efeitos estruturais para o setor, e

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não apenas um ajuste momentâneo.
A palestra também discutirá como empresas de alimentos já começam a reagir ao movimento, com desenvolvimento de produtos mais alinhados a esse novo perfil de consumo, incluindo itens ricos em fibras e proteínas. A especialista apresentará ainda caminhos estratégicos e éticos para que as fabricantes brasileiras se adaptem a diferentes cenários futuros.



