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Sustentabilidade desafia setor lácteo diante de novo perfil de consumo

Indústria de laticínios busca alternativas para reduzir impactos ambientais e atender exigências éticas e nutricionais dos consumidores.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OP Rural

A sustentabilidade ganhou protagonismo como vetor estratégico para a transformação da indústria de alimentos. A crescente preocupação com as mudanças climáticas, o esgotamento de recursos naturais e a urgência por práticas produtivas mais responsáveis estão entre os fatores que impulsionam esse movimento. Consumidores cada vez mais atentos a essas questões passaram a priorizar produtos com menor pegada ambiental, sem abrir mão de qualidade nutricional, sabor e preços acessíveis.

A pandemia de Covid-19 intensificou essa tendência, consolidando no Brasil um movimento global de busca por um consumo mais ético e sustentável. Em resposta, empresas do setor alimentício têm investido em inovações, reestruturação de processos e lançamento de novos produtos, a fim de atender às novas expectativas do mercado.

No setor de laticínios, os desafios são particularmente expressivos. Embora historicamente associados a dietas equilibradas e saudáveis, os produtos lácteos passaram a ser alvo de questionamentos por seu impacto ambiental. A produção leiteira, que demanda elevados volumes de água e energia, além de estar associada a emissões significativas de gases de efeito estufa e questões ligadas ao bem-estar animal, entrou no radar dos consumidores mais conscientes.

Outro fator de pressão veio da ascensão das bebidas vegetais alternativas, que conquistaram espaço e forçaram a indústria tradicional a repensar seu posicionamento. Nesse contexto, ganharam relevância ações voltadas à sustentabilidade, como a adoção de certificações ambientais, melhoria da eficiência produtiva e estratégias para combater o desperdício ao longo da cadeia do leite.

Compreender os entraves e oportunidades desse processo tornou-se imperativo. O estudo em questão analisa os principais obstáculos para a ampliação do consumo de laticínios sustentáveis, levando em conta o papel decisivo da percepção do consumidor e propondo caminhos viáveis para fortalecer a adesão a esse novo padrão de consumo.

Segundo a literatura científica revisada, os desafios enfrentados pela cadeia láctea podem ser organizados em diferentes níveis hierárquicos, compondo uma espécie de pirâmide de dificuldades. Na base, estão as barreiras estruturais e de longo prazo; no topo, os desafios mais imediatos e específicos. Essa organização permite uma leitura sistêmica das transformações exigidas, e aponta para a necessidade de soluções integradas — que envolvam desde políticas públicas até ações de comunicação e inovação tecnológica por parte da indústria.

Falta de informação dificulta consumo de laticínios sustentáveis

Apesar da crescente demanda global por práticas produtivas mais sustentáveis, grande parte dos consumidores ainda apresenta baixo entendimento sobre o conceito de sustentabilidade na indústria de alimentos. No Brasil, essa realidade também se impõe, dificultando o avanço de segmentos que buscam aliar responsabilidade ambiental à produção de alimentos, como é o caso do setor lácteo.

Na base dos desafios enfrentados pela cadeia de laticínios está uma série de fatores estruturais que moldam o comportamento de consumo. Além dos hábitos arraigados e das condições socioeconômicas da população, a limitação do conhecimento sobre práticas sustentáveis impede que muitos consumidores compreendam o valor agregado desses produtos. Sem clareza sobre os benefícios ambientais e sociais, cresce a percepção de que os laticínios sustentáveis são caros demais, o que reduz seu apelo de mercado.

Esse desconhecimento também compromete a confiança do consumidor. A ausência de informações claras sobre origem, diferenciais produtivos e certificações ambientais alimenta o ceticismo em relação às alegações sustentáveis presentes em embalagens e campanhas. O resultado é um círculo vicioso: consumidores desconfiados evitam esses produtos, o que inibe o investimento industrial e mantém a oferta limitada — especialmente grave em um país com forte sensibilidade ao preço como o Brasil.

Foto: Ari Dias

No topo dos entraves está a questão da rotulagem. Mesmo entre os consumidores mais dispostos a adotar práticas de consumo conscientes, há dificuldades para identificar produtos sustentáveis com segurança. A escassez de selos reconhecidos e a falta de padronização na forma de comunicar atributos como emissões reduzidas, menor uso de recursos naturais ou bem-estar animal tornam a decisão de compra mais difícil.

Essa fragilidade no sistema de comunicação de valores sustentáveis já havia sido apontada no Anuário Leite 2024, que destacou a baixa presença de certificações ambientais em produtos lácteos no Brasil e a inexistência de uma regulamentação específica para rótulos voltados a esse nicho. Essa lacuna regulatória reforça a estagnação do setor: sem normas claras, a indústria hesita em investir em diferenciação sustentável, enquanto o consumidor permanece inseguro.

Diante desse cenário, a rotulagem surge como ferramenta estratégica para reverter o quadro. Um modelo sugerido para embalagens de leite UHT, por exemplo, propõe incluir informações padronizadas sobre os aspectos ambientais e sociais da produção. Ao tornar essas informações visíveis e compreensíveis, é possível atuar em três frentes simultaneamente: ampliar o entendimento sobre sustentabilidade (base da pirâmide), reforçar a percepção de valor agregado (nível intermediário) e construir confiança no ponto de venda (topo).

Além disso, o uso de selos reconhecidos e auditáveis pode funcionar como um fator de diferenciação competitivo, facilitando a identificação dos produtos e contribuindo para sua aceitação no mercado. Para que essa estratégia seja eficaz, no entanto, será necessário um esforço conjunto entre indústria, órgãos reguladores e entidades certificadoras, com vistas à criação de um ecossistema de comunicação transparente e acessível.

Rotulagem e certificações: ferramentas-chave para alavancar o consumo de laticínios sustentáveis

Foto: Aires Marga

A adoção de um modelo estruturado de rotulagem informativa, associado ao uso de selos e certificações reconhecidas, tem potencial para se consolidar como uma das principais estratégias de valorização dos laticínios sustentáveis no Brasil. Ao fornecer informações claras sobre a origem do leite, métodos produtivos e compromissos ambientais, as embalagens passam a desempenhar um papel central na educação do consumidor e na construção de sua confiança.

Recursos como QR codes ampliam esse potencial, permitindo acesso direto a dados detalhados sobre a cadeia produtiva, práticas adotadas nas propriedades e diferenciais ambientais. Essa transparência contribui para aproximar o consumidor do produtor e transformar a embalagem em um canal de comunicação ativo e confiável.

Apesar de já adotados em parte da indústria, esses recursos ainda são subutilizados como instrumentos de marketing sustentável. Em muitos casos, o uso do QR code limita-se a ações institucionais pontuais, não explorando seu potencial como ferramenta de diferenciação e informação ambiental. Uma abordagem mais estratégica e contínua pode reverter esse cenário, tornando a tecnologia uma aliada na consolidação do consumo consciente.

A ausência de certificações ambientais brasileiras específicas para o setor de laticínios é outro ponto sensível. Atualmente, o mercado depende de selos internacionais — como os europeus — ou de certificações privadas. Isso destaca a importância da criação de um selo nacional, padronizado e regulado por instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Um selo oficial, conferido por entidades públicas ou com credibilidade reconhecida, pode aumentar a segurança do consumidor, padronizar critérios de avaliação e fomentar a competitividade da indústria nacional.

Foto: Shutterstock

Além disso, os rótulos devem ir além da estética e incluir mensagens objetivas sobre os benefícios das práticas sustentáveis, como uso de energia renovável, redução da pegada de carbono, bem-estar animal e possibilidade de reciclagem das embalagens. O uso de elementos visuais intuitivos e didáticos facilita a identificação dos atributos, gera valor percebido e facilita a escolha no ponto de venda.

Ao integrar essas práticas, a indústria de laticínios poderá não apenas atender às demandas de um novo perfil de consumidor, mas também estimular uma cadeia produtiva mais responsável. Um sistema de rotulagem informativa, aliado a certificações confiáveis, tem o potencial de romper o ciclo de baixa demanda e baixa oferta que hoje limita o crescimento do mercado de laticínios sustentáveis no Brasil.

Mais do que uma ação isolada de marketing, trata-se de uma mudança de paradigma na forma como o alimento é apresentado ao consumidor: com transparência, responsabilidade e propósito. O fortalecimento dessa conexão é o caminho para garantir competitividade à indústria, confiança ao consumidor e sustentabilidade à produção.

Fonte: O Presente Rural com Anuário do Leite 2025

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Abate de fêmeas cresce 23,5% e bezerro atinge maior preço desde 2021

Brasil abateu 20 milhões de vacas e novilhas em 2025. Em Mato Grosso do Sul, bezerro nelore chega a R$ 3.254, alta de 24,3% em um ano.

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Foto: Shutterstock

O abate de fêmeas bovinas no Brasil atingiu níveis recordes em 2025 e já impacta diretamente o mercado de reposição. Dados do IBGE mostram que, no acumulado do ano, foram abatidas 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas, altas de 15,8% e 23,5%, respectivamente, em relação a 2024.

Foto: Shutterstock

Em termos absolutos, o aumento foi de 3 milhões de cabeças no abate de fêmeas, sendo 1,8 milhão de vacas adultas e 1,2 milhão de novilhas. O avanço reforça o movimento de descarte no rebanho e ajuda a explicar a pressão de alta sobre os preços dos animais de reposição.

Segundo pesquisadores do Cepea, a redução na oferta futura de bezerros tem sustentado a valorização da categoria. Em Mato Grosso do Sul, referência do Indicador Cepea/Esalq, o bezerro nelore de 8 a 12 meses é negociado à média de R$ 3.254,37 na parcial de março, até o dia 17.

O valor representa alta de 3% frente a fevereiro de 2026 e avanço de 24,3% na comparação anual, já considerando os preços deflacionados pelo IGP-DI. Trata-se da maior média mensal registrada desde junho de 2021, em um contexto de oferta mais restrita e recomposição do ciclo pecuário.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Congresso Mundial Brangus reúne 13 países e destaca crescimento da raça no Brasil

Evento em Londrina (PR) integra genética, mercado e visitas técnicas em diferentes sistemas de produção.

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Fotos: Grafaels/Divulgação

A abertura do Congresso Mundial Brangus foi realizada na quarta-feira (18), no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, reunindo delegações de 13 países, criadores e técnicos de diversas regiões do país. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Brangus e marca uma das maiores edições do evento.

Segundo o presidente da entidade, João Paulo Schneider da Silva, sediar o congresso representa um marco para a raça no país. Ele destacou a responsabilidade de receber delegações internacionais e a consolidação do Brangus no cenário pecuário brasileiro.

O presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, afirmou que a edição atual se diferencia pelo volume de participantes estrangeiros e pela qualidade dos animais apresentados. A programação inclui visitas técnicas em propriedades distribuídas por diferentes biomas, com foco na adaptação da raça a distintos sistemas produtivos.

Expansão da raça

O diretor Sebastião Garcia Neto destacou que o evento foi estruturado para integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais, com julgamentos, fóruns e leilões ao longo da programação.

A associação registra atualmente 357 sócios, com crescimento de 43% no último ano. A raça está presente em 18 estados brasileiros e soma cerca de 580 mil registros. No mercado de genética, o Brangus ocupa a terceira posição em venda de sêmen no país, com mais de 870 mil doses comercializadas em 2024.

A abertura contou ainda com a participação de autoridades locais e estaduais. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a articulação entre entidades do setor para viabilizar o evento. O prefeito Thiago Amaral ressaltou a ligação histórica do município com a produção agropecuária.

Representando o governo estadual, o secretário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, afirmou que a raça tem ganhado espaço pela precocidade, adaptação e desempenho produtivo.

Programação inclui visitas técnicas em três estados

Antes da abertura oficial, o congresso promoveu seis giras técnicas desde 12 de março, com visitas a propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As atividades reuniram mais de 1,6 mil participantes, que acompanharam diferentes modelos de produção com a raça.

Após a etapa em Londrina, a programação segue com visitas a fazendas nos dias 22, 24 e 25 de março, além de julgamentos de animais e leilões, consolidando o evento como vitrine da genética Brangus no país.

Fonte: O Presente Rural com Associação Brasileira de Brangus
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ABCZ tem contas de 2025 reprovadas por associados em AGO

Votação ocorreu em Uberaba (MG) e seguiu normas estatutárias, sem imputação direta de responsabilidade.

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Foto: Divulgação/ABCZ

Os associados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) reprovaram as contas da entidade referente ao ano de 2025, período liderado pelo ex-presidente Gabriel Garcia Cid (gestão 2023-2025). A votação ocorreu na quarta-feira (18), durante Assembleia Geral Ordinária, em Uberaba (MG).

Com a presença de associados, conselheiros e diretores, o ex-presidente prestou conta de sua gestão e, em seguida, o Conselho Fiscal apresentou o seu Parecer exarado após exame do balanço e demonstrações financeiras do exercício anterior, no qual recomendava a aprovação com ressalvas das contas de 2025.

Após as manifestações dos presentes, a Assembleia deliberou, por maioria, pela reprovação das contas de 2025, nos termos das normas estatutárias da entidade.

A ABCZ ressalta que a reprovação das contas não representa, por si só, imputação de responsabilidade ou acusação a quaisquer pessoas, tratando-se de deliberação de natureza técnica e institucional, pautada no cumprimento das normas contábeis e estatutárias aplicáveis. A medida reflete o compromisso dos associados com a transparência, a governança e a adequada gestão do patrimônio da entidade.

Nota de esclarecimento

A reprovação das contas de 2025 da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) foi uma decisão política, não técnica.

Durante a gestão anterior, a posição financeira da entidade passou de R$ 24 milhões, em janeiro de 2023, para mais de R$ 50 milhões ao fim de 2025 — o maior caixa dos 107 anos da Associação.

Esse número recorde é reflexo da administração profissional e exitosa do último triênio, que jamais tolerou qualquer tipo de conduta contrária aos interesses coletivos e preceitos estatutários da ABCZ.

Portanto, a decisão atinge de forma indistinta todo o corpo diretivo responsável pela administração no triênio 2023–2025, muitos dos quais seguem integrando a atual gestão, inclusive na área financeira.

Apesar de pareceres do Conselho Fiscal e de uma auditoria externa independente favoráveis à aprovação das contas, a votação foi respaldada por apertada margem de 5 votos entre 47 votantes, dentre os mais de 26 mil associados.

A dúvida gerada foi em decorrência da investigação em aberto, sem levar em consideração que foi a gestão presidida por Gabriel Garcia Cid que identificou irregularidades e, de forma proativa, tomou todas as providências necessárias para cessá-las e puni-las — incluindo a solicitação de abertura de inquérito policial.

A gestão anterior apresentou vasta documentação que demonstrou um elaborado esquema destinado a lesar financeiramente a associação. O suspeito foi identificado, demitido por justa causa e hoje é investigado pelas autoridades.

Na esfera judicial, a então diretoria jurídica identificou e obteve o bloqueio de mais de R$ 900 mil em bens e dinheiro, que deverão ser restituídos à ABCZ ao fim do processo penal.

Qualquer tentativa de distorcer a realidade dos fatos e de personalizar essa questão não é nada mais que um ataque político que, ressalte-se, em nada contribui para o fortalecimento institucional da ABCZ.

Gabriel Garcia Cid

Presidente da ABCZ no triênio 2023-2025

Fonte: Assessoria ABCZ
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