Bovinos / Grãos / Máquinas
Sustentabilidade desafia setor lácteo diante de novo perfil de consumo
Indústria de laticínios busca alternativas para reduzir impactos ambientais e atender exigências éticas e nutricionais dos consumidores.

A sustentabilidade ganhou protagonismo como vetor estratégico para a transformação da indústria de alimentos. A crescente preocupação com as mudanças climáticas, o esgotamento de recursos naturais e a urgência por práticas produtivas mais responsáveis estão entre os fatores que impulsionam esse movimento. Consumidores cada vez mais atentos a essas questões passaram a priorizar produtos com menor pegada ambiental, sem abrir mão de qualidade nutricional, sabor e preços acessíveis.
A pandemia de Covid-19 intensificou essa tendência, consolidando no Brasil um movimento global de busca por um consumo mais ético e sustentável. Em resposta, empresas do setor alimentício têm investido em inovações, reestruturação de processos e lançamento de novos produtos, a fim de atender às novas expectativas do mercado.

No setor de laticínios, os desafios são particularmente expressivos. Embora historicamente associados a dietas equilibradas e saudáveis, os produtos lácteos passaram a ser alvo de questionamentos por seu impacto ambiental. A produção leiteira, que demanda elevados volumes de água e energia, além de estar associada a emissões significativas de gases de efeito estufa e questões ligadas ao bem-estar animal, entrou no radar dos consumidores mais conscientes.
Outro fator de pressão veio da ascensão das bebidas vegetais alternativas, que conquistaram espaço e forçaram a indústria tradicional a repensar seu posicionamento. Nesse contexto, ganharam relevância ações voltadas à sustentabilidade, como a adoção de certificações ambientais, melhoria da eficiência produtiva e estratégias para combater o desperdício ao longo da cadeia do leite.
Compreender os entraves e oportunidades desse processo tornou-se imperativo. O estudo em questão analisa os principais obstáculos para a ampliação do consumo de laticínios sustentáveis, levando em conta o papel decisivo da percepção do consumidor e propondo caminhos viáveis para fortalecer a adesão a esse novo padrão de consumo.
Segundo a literatura científica revisada, os desafios enfrentados pela cadeia láctea podem ser organizados em diferentes níveis hierárquicos, compondo uma espécie de pirâmide de dificuldades. Na base, estão as barreiras estruturais e de longo prazo; no topo, os desafios mais imediatos e específicos. Essa organização permite uma leitura sistêmica das transformações exigidas, e aponta para a necessidade de soluções integradas — que envolvam desde políticas públicas até ações de comunicação e inovação tecnológica por parte da indústria.
Falta de informação dificulta consumo de laticínios sustentáveis
Apesar da crescente demanda global por práticas produtivas mais sustentáveis, grande parte dos consumidores ainda apresenta baixo entendimento sobre o conceito de sustentabilidade na indústria de alimentos. No Brasil, essa realidade também se impõe, dificultando o avanço de segmentos que buscam aliar responsabilidade ambiental à produção de alimentos, como é o caso do setor lácteo.
Na base dos desafios enfrentados pela cadeia de laticínios está uma série de fatores estruturais que moldam o comportamento de consumo. Além dos hábitos arraigados e das condições socioeconômicas da população, a limitação do conhecimento sobre práticas sustentáveis impede que muitos consumidores compreendam o valor agregado desses produtos. Sem clareza sobre os benefícios ambientais e sociais, cresce a percepção de que os laticínios sustentáveis são caros demais, o que reduz seu apelo de mercado.
Esse desconhecimento também compromete a confiança do consumidor. A ausência de informações claras sobre origem, diferenciais produtivos e certificações ambientais alimenta o ceticismo em relação às alegações sustentáveis presentes em embalagens e campanhas. O resultado é um círculo vicioso: consumidores desconfiados evitam esses produtos, o que inibe o investimento industrial e mantém a oferta limitada — especialmente grave em um país com forte sensibilidade ao preço como o Brasil.

Foto: Ari Dias
No topo dos entraves está a questão da rotulagem. Mesmo entre os consumidores mais dispostos a adotar práticas de consumo conscientes, há dificuldades para identificar produtos sustentáveis com segurança. A escassez de selos reconhecidos e a falta de padronização na forma de comunicar atributos como emissões reduzidas, menor uso de recursos naturais ou bem-estar animal tornam a decisão de compra mais difícil.
Essa fragilidade no sistema de comunicação de valores sustentáveis já havia sido apontada no Anuário Leite 2024, que destacou a baixa presença de certificações ambientais em produtos lácteos no Brasil e a inexistência de uma regulamentação específica para rótulos voltados a esse nicho. Essa lacuna regulatória reforça a estagnação do setor: sem normas claras, a indústria hesita em investir em diferenciação sustentável, enquanto o consumidor permanece inseguro.
Diante desse cenário, a rotulagem surge como ferramenta estratégica para reverter o quadro. Um modelo sugerido para embalagens de leite UHT, por exemplo, propõe incluir informações padronizadas sobre os aspectos ambientais e sociais da produção. Ao tornar essas informações visíveis e compreensíveis, é possível atuar em três frentes simultaneamente: ampliar o entendimento sobre sustentabilidade (base da pirâmide), reforçar a percepção de valor agregado (nível intermediário) e construir confiança no ponto de venda (topo).
Além disso, o uso de selos reconhecidos e auditáveis pode funcionar como um fator de diferenciação competitivo, facilitando a identificação dos produtos e contribuindo para sua aceitação no mercado. Para que essa estratégia seja eficaz, no entanto, será necessário um esforço conjunto entre indústria, órgãos reguladores e entidades certificadoras, com vistas à criação de um ecossistema de comunicação transparente e acessível.
Rotulagem e certificações: ferramentas-chave para alavancar o consumo de laticínios sustentáveis

Foto: Aires Marga
A adoção de um modelo estruturado de rotulagem informativa, associado ao uso de selos e certificações reconhecidas, tem potencial para se consolidar como uma das principais estratégias de valorização dos laticínios sustentáveis no Brasil. Ao fornecer informações claras sobre a origem do leite, métodos produtivos e compromissos ambientais, as embalagens passam a desempenhar um papel central na educação do consumidor e na construção de sua confiança.
Recursos como QR codes ampliam esse potencial, permitindo acesso direto a dados detalhados sobre a cadeia produtiva, práticas adotadas nas propriedades e diferenciais ambientais. Essa transparência contribui para aproximar o consumidor do produtor e transformar a embalagem em um canal de comunicação ativo e confiável.
Apesar de já adotados em parte da indústria, esses recursos ainda são subutilizados como instrumentos de marketing sustentável. Em muitos casos, o uso do QR code limita-se a ações institucionais pontuais, não explorando seu potencial como ferramenta de diferenciação e informação ambiental. Uma abordagem mais estratégica e contínua pode reverter esse cenário, tornando a tecnologia uma aliada na consolidação do consumo consciente.
A ausência de certificações ambientais brasileiras específicas para o setor de laticínios é outro ponto sensível. Atualmente, o mercado depende de selos internacionais — como os europeus — ou de certificações privadas. Isso destaca a importância da criação de um selo nacional, padronizado e regulado por instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Um selo oficial, conferido por entidades públicas ou com credibilidade reconhecida, pode aumentar a segurança do consumidor, padronizar critérios de avaliação e fomentar a competitividade da indústria nacional.

Foto: Shutterstock
Além disso, os rótulos devem ir além da estética e incluir mensagens objetivas sobre os benefícios das práticas sustentáveis, como uso de energia renovável, redução da pegada de carbono, bem-estar animal e possibilidade de reciclagem das embalagens. O uso de elementos visuais intuitivos e didáticos facilita a identificação dos atributos, gera valor percebido e facilita a escolha no ponto de venda.
Ao integrar essas práticas, a indústria de laticínios poderá não apenas atender às demandas de um novo perfil de consumidor, mas também estimular uma cadeia produtiva mais responsável. Um sistema de rotulagem informativa, aliado a certificações confiáveis, tem o potencial de romper o ciclo de baixa demanda e baixa oferta que hoje limita o crescimento do mercado de laticínios sustentáveis no Brasil.
Mais do que uma ação isolada de marketing, trata-se de uma mudança de paradigma na forma como o alimento é apresentado ao consumidor: com transparência, responsabilidade e propósito. O fortalecimento dessa conexão é o caminho para garantir competitividade à indústria, confiança ao consumidor e sustentabilidade à produção.

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Feicorte consolida qualidade da pecuária brasileira com exposição de 14 raças
Cerca de 600 animais estarão em exposição na feira, que reúne raças voltadas à produção de carne premium, cruzamento industrial e adaptação às diferentes regiões do país.

A exposição de raças é um dos principais pilares da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). A edição 2026, marcada para 23 a 26 de junho em Presidente Prudente (SP), terá ocupação total dos pavilhões do Recinto de Exposições Jacob Tosello, com a presença de cerca de 600 animais.
Os animais, que começam a adentrar o recinto no dia 20 de junho, passarão por um rigoroso controle zootécnico e parasitário conduzido por uma equipe de médicos-veterinários, zootecnistas e universitários dessas graduações da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).
Como novidade na infraestrutura, os julgamentos foram transferidos para duas pistas laterais, deixando de ocupar o centro da feira. Além disso, pela primeira vez no Estado de São Paulo, serão realizados os julgamentos de animais rústicos. “Não temos mais vagas físicas para alojar animais, o que demonstra a força institucional do evento. Teremos uma vitrine completa que une zebuínos, taurino, ovinos e equinos. Além disso, pela primeira vez, as pistas laterais darão ainda mais dinamismo às avaliações”, destaca o zootecnista e responsável pela área de animais da Feicorte, Neimar Nagano.
Angus: oportunidade para conhecer a raça pura
Além da participação na exposição de animais, a raça Angus marca seu retorno oficial às pistas de julgamento da Feicorte com 40 animais no Recinto Jacob Tosello.
A participação foca na apresentação de animais rústicos criados em regime de curral, ampliando o leque de criadores e expositores participantes. “A Feicorte é um palco que historicamente consolidou a raça como a principal escolha nos cruzamentos industriais para carne de qualidade no Brasil”, afirma o diretor de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Gabriel Barros.
Segundo ele, o retorno funciona como uma vitrine de produtividade. “É a oportunidade ideal para apresentar a raça pura e demonstrar a capacidade de produzir touros eficientes, com bons índices de carcaça e fidelidade racial”, frisa.
Bonsmara: fertilidade e cruzamento a campo
Com 22 animais em exposição, entre exemplares jovens e touros seniores contratados por centrais de inseminação, a raça Bonsmara apresentará na Feicorte algumas das principais características que a tornaram referência em cruzamentos industriais nos trópicos, além de participar da Beef Hour das Raças, no dia 23 de junho.
Embora hoje seja uma raça pura, o Bonsmara foi desenvolvido na África do Sul a partir da composição genética de 5/8 Afrikander, 3/16 Hereford e 3/16 Shorthorn. Destaca-se pela fertilidade, precocidade sexual e adaptação ao clima tropical, com fêmeas que podem emprenhar regularmente aos 14 meses de idade.
No cruzamento com vacas Nelore ou meio-sangue taurinas, os touros Bonsmara realizam cobertura a campo, dispensando a necessidade de inseminação artificial para a produção de animais de alto desempenho. Os produtos apresentam terminação precoce, podendo ser abatidos aos 18 meses em confinamento ou aos 24 meses a pasto, alcançando médias entre 20 a 22 arrobas, com acabamento de gordura uniforme de 3 a 7 mm. “O Bonsmara reúne fertilidade, adaptação e produtividade em um único animal. É uma raça perfeitamente adaptada às condições tropicais e produz carne de excelente qualidade, com maciez, sabor e suculência”, aponta a pecuarista Clélia Pacheco, da Fazenda Santa Silvéria.
Brahman: dados científicos do pasto ao prato
A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) confirmou a presença de nove animais e estruturou três ações estratégicas na programação oficial da feira. No dia 23 de junho, a associação contribui com a degustação na Beef Hour das Raças, com de cortes da Fazenda Campo Alegre (GO), sob o comando do mestre churrasqueiro Jorge Sab.
Na mesma data, será realizado o Desfile de Animais Brahman na pista de rústicos, com comentários técnicos do médico-veterinário Alex Miyasaki e análise de carcaça com a diretora da DGT Brasil, Liliane Suguisawa. “O touro de maior Área de Olho de Lombo (AOL) do País é da raça Brahman. Mostraremos por que o Brahman é um dos pilares da pecuária mundial, unindo fertilidade, ganho de peso e qualidade de carcaça”, destaca o presidente da ACBB, Guilherme Bendilatti. A programação encerra no dia 26 com palestra técnica sobre eficiência alimentar no Simpósio ReprodOeste.
Brangus: produtividade, carne de qualidade e cruzamento industrial
A raça Brangus comparece à Feicorte 2026 com uma comitiva de 30 animais de alta linhagem, incluindo workshop com animais em pista e o tradicional “asadito” (churrasco “do jeito Brangus”, terá que nesse ano parceria com o canal Terraviva).
Sob a coordenação da Associação Brasileira de Brangus (ABB), a participação da raça foca em apresentar sua alta capacidade de adaptação às pastagens brasileiras e sua reconhecida contribuição para a produção de carne premium no País. Nesse sentido, a mostra cumpre o papel estratégico de evidenciar os resultados do investimento em genética e a consolidação do Brangus nos cruzamentos industriais de norte a sul do território nacional.
Canchim: genética nacional focada em exportação
A Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCAN) confirmou a participação de 24 animais na exposição deste ano. Desenvolvida pela Embrapa a partir do cruzamento entre o zebu e o charolês, a raça une a rusticidade necessária para o clima tropical com a precocidade e o rendimento de carcaça exigidos pelo mercado.
“A feira cria o ambiente relevante para mostrar os avanços genéticos e os resultados práticos do Canchim. Na última edição, atraímos comitivas internacionais que visitaram nossos criatórios após conferirem os animais no recinto, provando que a raça desperta interesse dentro e fora do País pela combinação de ganho de peso, fertilidade e sustentabilidade”, pontua a presidente da ABCAN, Cristina Ribeiro (Kika).
Caracu: variedade mocha ganha destaque na pista
A raça Caracu expande significativamente sua presença nesta edição e leva 18 animais para os pavilhões da Feicorte. Os visitantes encontrarão uma amostra variada de exemplares, incluindo vacas, novilhas, touros e garrotes focados exclusivamente na seleção da variedade mocha da raça.
“Estamos com um número expressivo e uma excelente amostragem de animais para a exposição. Queremos estreitar o contato com os produtores e mostrar a versatilidade do Caracu nos cruzamentos”, pontua o 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC), Renato Francisco Visconti Filho.
Nelore: linhagens selecionadas para marmoreio
A raça Nelore participa da exposição com 25 animais selecionados com base em dados científicos de carcaça. O pecuarista Fabio Buchalla, representante dos sucessores de Farhan Buchalla, da Fazenda Pagador (tradicional criatório de Presidente Prudente com 80 anos de seleção), levará dez animais em parceria com a Nelore Aymoré.
“Nosso foco é produzir carne com marmoreio, provando que o Nelore possui linhagens melhoradoras para sabor e suculência. Levaremos animais destaques avaliados pela tecnologia de ultrassonografia de carcaça da DGT Brasil, demonstrando em tempo real os índices de área de olho de lombo, espessura de gordura e gordura entremeada”, explica Buchalla.
O criador ressalta o impacto comercial da feira, lembrando que comercializou quase todo o plantel exposto em 2025. Os resultados financeiros da raça também apoiam ações sociais locais por meio do Núcleo Tthere, que atua na profissionalização e inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Santa Gertrudis: julgamento nacional e alta valorização
Com 97 animais em exposição, o principal destaque da participação da raça Santa Gertrudis será o Julgamento Nacional, conduzido pelo jurado Marcelo Moura, especialista em raças zebuínas e Nelore.
O mercado sinaliza o crescimento do interesse pela raça, que registrou um aumento de 20% na presença de touros em centrais de inseminação. “Levaremos líderes do sumário Embrapa/Geneplus, touros de central e destaques de provas de desempenho, demonstrando a capacidade da raça de atender às exigências atuais da indústria”, explica o diretor de marketing da Associação Brasileira da Raça Santa Gertrudis (ABSG), Artur Afonso.
O superintendente da ABSG, José Arnaldo Amstalden, que acompanha a evolução da raça há 50 anos, corrobora a evolução morfológica vista em pista. “Quem acompanha o Santa Gertrudis percebe claramente os avanços em funcionalidade, precocidade e musculatura”, diz.
Os animais expostos estarão disponíveis para comercialização. “Quem visitar a feira entenderá como a raça contribui para aumentar a rentabilidade dentro da porteira”, menciona o presidente da associação, Antônio Roberto.
Sindi: a maior delegação da feira aposta na produtividade
A raça Sindi consolida-se como a maior delegação da Feicorte 2026, somando 98 animais nos pavilhões para exposição e julgamentos. A Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), representada pelo pecuarista e vice-presidente da entidade, Adaldio Castilho (do criatório Sindi Castilho), apresentará dados de ultrassonografia de carcaça que atestam o alto marmoreio do rebanho. Avaliações anteriores registraram médias de 4 pontos em vacas criadas a campo, com indivíduos atingindo até 7 pontos — índices que poderão ser degustados no paladar durante a participação do Sindi na Beef Hour das Raças.
De acordo com Castilho, o foco do trabalho atual está no direcionamento genético por meio do acasalamento de indivíduos superiores, visando o aumento simultâneo do marmoreio e da Área de Olho de Lombo (AOL). Para o criador, que participa do evento desde as edições na capital paulista, a feira se diferencia por atrair um público altamente qualificado e tomador de decisão.
“Diferente de outras exposições voltadas ao lazer, a Feicorte é focada estritamente em animais de corte e em produtividade. Quem nos visita são pessoas do ramo, focadas no agro e interessadas em novidades que tragam ganhos reais de fertilidade, produção e qualidade de carcaça”, aponta.
Texas Longhorn: rusticidade norte-americana e marmoreio surpreendente
Com oito animais, sendo sete puros e um cruzamento industrial, a raça Texas Longhorn participa da feira pela primeira vez. O criador e pecuarista da Fazenda Santa Isabel, José Soares Cardoso Neto, identificou o potencial da raça após viagens de seleção aos Estados Unidos. “Eu buscava rusticidade para o cruzamento industrial. Vi vacas formadas de 650 a 700 quilos criarem bezerros fortes em pastos fracos, com uma habilidade maternal e produção de leite fantásticas”, relata o produtor.
Além da adaptação extrema, capaz de suportar variações entre -20°C e 45°C, os abates técnicos surpreenderam pelos índices de qualidade. “Cruzamos o Longhorn puro com fêmeas meio-sangue Angus e alcançamos avaliações de até 5,5 de marmoreio. O touro vai a campo em qualquer lugar do Brasil e cobre a pasto até ao sol do meio-dia”, destaca Cardoso Neto.
Wagyu: foco em certificação e avaliações de pista
Com 20 exemplares de alto padrão genético confirmados, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu (ABCBRW) projeta uma agenda técnica e comercial intensa. A programação inclui o Curso de Reciclagem de Jurados e a etapa prática no dia 25, durante o julgamento oficial na pista central, sob a condução do zootecnista doutor em Produção Animal Willian Koury, jurado atuante em mais de 120 exposições nacionais e internacionais. “A Feicorte é o momento em que conseguimos reunir criadores, técnicos, indústria e consumidores para mostrar a evolução do Wagyu no Brasil, divulgando nossos programas de melhoramento genético e certificação”, ressalta a secretária-executiva da entidade, Celeste Molitor.
A participação da raça se estende no Leilão Pecuária Solidária, realizado no dia 26 de junho na Feicorte, quando serão disponibilizadas 50 doses da genética do Samurai, animal que construiu uma trajetória que poucos reprodutores conseguem alcançar: campeão individual, campeão por progênie e, principalmente, pai de animais que seguiram fazendo história nas pistas e nos programas de seleção pelo país. Em 2025, sua genética esteve presente em alguns dos principais resultados da raça, incluindo títulos de Grande Campeão, Grande Campeã, Reservada Grande Campeã e Campeão Progênie.
Equinos: exposição e leilão de Paint Horse e Quarto de Milha
A feira também destina um pavilhão exclusivo para 35 cavalos Quarto de Milha (mundialmente reconhecido por sua velocidade, inteligência e aptidão em provas de tambor, vaquejada e lida com gado) e Paint Horse, raça norte-americana que se destaca pela musculatura forte, versatilidade e pelagem malhada única. A programação equestre contará com atividades de manejo nas cocheiras e O 3º Leilão Feicorte – Quarto de Milha e Paint Horse, marcado para o dia 25 de junho, no Espaço Tatersal.
De acordo com o criador e organizador do leilão, Celso Cuba, a feira é uma vitrine essencial para o segmento. “A Feicorte coloca Presidente Prudente no mapa nacional do cavalo e do boi. O evento vai além do campo, pois movimenta a economia local, atrai compradores de todo o País e funciona como um ponto de encontro que une a família em torno do cavalo”, destaca.
Ovinos Suffolk: novidade da Feicorte 2026
A ovinocultura de corte ganha protagonismo com a realização da Exposição Nacional da raça Suffolk, que reunirá 100 animais vindos de diversas regiões do País. A programação da raça inclui julgamentos, atividades técnicas, leilão oficial e participação direta nas degustações da Beef Hour das Raças.
“O Suffolk possui histórico consolidado na ovinocultura nacional pelo elevado desempenho e velocidade de crescimento, sendo referência na produção de cordeiros pesados e precoces”, explica o zootecnista, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos (ASPACO) e diretor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Suffolk (ABCOS), Rafael Jorge, acrescentando que, para ele, a feira é estratégica por aproximar os ovinos dos demais segmentos da pecuária.
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A matemática subjetiva do preço do boi
Fim da cota chinesa muda o fluxo das exportações e expõe uma diferença de cerca de 22% entre os preços pagos pela China e por outros importantes compradores da carne brasileira.

Não existem duas respostas para uma equação matemática.
Não existe ambiguidade nos conceitos da física.
Não existem mágicas na ciência contábil.

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Mas quando o assunto é mercado do boi, muitas vezes a lógica dá lugar às narrativas.
Não faltam opiniões. Faltam números confiáveis.
Se tivéssemos dados exatos sobre o tamanho do rebanho, taxa de desfrute e volume de abate, teríamos uma equação muito próxima da exatidão. Porém, além da ausência de números precisos, há outro fator que dificulta ainda mais qualquer análise: a bolsa.
A bolsa reflete o “papel” do boi, não necessariamente o boi físico. Reflete expectativas, apostas e movimentos especulativos. Muitas vezes, é utilizada mais para influenciar o mercado do que para servir como instrumento de proteção real das operações.
No mundo dos negócios existem períodos de estabilidade e momentos de tempestade, capazes de alterar abruptamente o ritmo do mercado.
Estamos às vésperas de uma dessas mudanças.
Com o encerramento da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira, teremos uma alteração importante

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no fluxo comercial. Nos últimos meses, o Brasil vinha embarcando para aquele país volumes superiores a 130 mil toneladas por mês. A partir de julho, esse excedente deixará de existir.
Naturalmente, devemos considerar outros fatores. Países que aumentarão suas exportações para a China, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, poderão ampliar suas compras de carne brasileira para abastecer seus mercados internos. Também não podemos ignorar o mercado doméstico, que tradicionalmente apresenta maior consumo durante o segundo semestre.
A grande dúvida é o tamanho desse volume adicional de demanda e se ele será suficiente para compensar a mudança no mercado chinês.

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Existe ainda um segundo fator, não menos importante: o preço.
O valor atual do boi reflete uma realidade construída sobre vendas para a China na faixa de US$ 7.000 por tonelada. Já outros importantes destinos da carne brasileira como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Egito, México, Rússia e Canadá pagam, em média, cerca de US$ 5.500 por tonelada, patamar muito próximo ao praticado pelo mercado interno.
Estamos falando de uma diferença próxima de 22%.
Sem subjetividade, sem narrativas e sem exercícios de imaginação, essa diferença precisará ser absorvida por algum elo da cadeia.
O cenário não é confortável nem para a indústria nem para o produtor.
Essa é a equação que temos diante de nós e cuja solução precisaremos encontrar em conjunto.
Sou tradicionalmente otimista, mas confesso estar preocupado com esse novo desafio.
Nada que algumas semanas de acomodação não possam corrigir. Os mercados se ajustam, as oportunidades surgem e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a caminhar.
Bovinos / Grãos / Máquinas Volume recorde
Brasil abate mais de 10 milhões de bovinos no primeiro trimestre
Resultado reflete a maior oferta de animais e reforça a posição do país entre os principais produtores e exportadores mundiais de carne bovina.

O Brasil registrou um novo recorde no abate de bovinos no início de 2026. Dados divulgados pelo IBGE mostram que 10,289 milhões de cabeças, entre machos e fêmeas, foram abatidas entre janeiro e março, o maior volume já contabilizado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do instituto.

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O resultado representa um crescimento de 3,27% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com os três primeiros meses de 2024, a alta é ainda mais expressiva, de 9,1%.
Os números refletem a maior disponibilidade de animais para comercialização e a expansão da produção pecuária observada nos últimos anos. O aumento do abate ocorre em um momento em que a cadeia da carne bovina mantém forte presença no mercado internacional e amplia sua capacidade de atender tanto a demanda externa quanto o consumo doméstico.
Segundo pesquisadores do Cepea, o desempenho do setor evidencia a elevada competitividade da pecuária brasileira, sustentada por ganhos de produtividade, ampliação da oferta e eficiência ao longo da cadeia produtiva.
O volume recorde também reforça a importância econômica da atividade. O Brasil permanece entre os maiores

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produtores e exportadores mundiais de carne bovina, com participação crescente em mercados internacionais e papel decisivo no abastecimento global de proteínas animais.
Para o Cepea, a combinação entre expansão da produção e demanda aquecida mantém a pecuária brasileira em posição estratégica, em um cenário de crescimento do consumo mundial de carne e de busca por fornecedores capazes de oferecer grandes volumes com regularidade e competitividade.



