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Suplementação com Vitamina A contribui para melhoria da reprodução em bovinos

Deficiência de Vitamina A pode levar a transtornos reprodutivos em machos e fêmeas.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A pecuária nacional vem se modificando aos longos dos anos notando-se uma evolução nos processos produtivos, resultando no aumento da produção e produtividade dos nossos rebanhos. A mudança do perfil do produtor, que pressionado por questões mercadológicas e outros fatores (econômicos, produtivos) fizeram com que adotassem inovações tecnológicas que segundo Wedekin, (2017), levaram a melhorar a eficiência produtiva em termos de quantidade e qualidade da carne bovina.

Artigo pelo médico-veterinário, PhD em História das Ciências e professor e coordenador dos cursos da Plataforma EAD VeteAgroGestão/Farmácia na Fazenda, Guilherme Augusto Vieira – Foto: Divulgação

Entre as inovações tecnológicas destacam-se a utilização da produção intensiva para engorda (confinamento e semiconfinamento) na pecuária de ciclo curto, e no campo da reprodução um avanço nos sistemas reprodutivos nas fazendas brasileiras com a IATF (inseminação artificial em tempo fixo), aperfeiçoamento da monta natural e outras técnicas como transplante de embriões e fertilização in vitro, tudo isso com o objetivo no aumento da eficiência reprodutiva e a produção de um bezerro por ano. Todas as inovações tecnológicas desenvolvidas visam atender as exigências dos animais de alta performance.

Entretanto, apesar dos avanços da produção pecuária, Pires et al (2010), enfatiza que há necessidade de aumentar a eficiência da produção bovinos corte (engorda em pastagens), mas também o aumento da eficiência reprodutiva dos rebanhos.

De acordo com os autores, vários fatores influenciam na eficiência reprodutiva dos rebanhos, dentre eles as deficiências nutricionais.

Vários autores enfatizam a relação entre a nutrição e a reprodução. De acordo com Robinson et al (1996, 2006) apud Almeida (2024) et al, há uma estreita relação entre fertilidade, condição corporal e estado nutricional nas fêmeas de ruminantes, onde a nutrição influencia a fertilidade, desenvolvimento dos folículos, ovulação, maturação oocitária, fertilização, sobrevivência embrionária e a gestação. Nos machos também a nutrição interfere na reprodução como na espermatogênese, produção de hormônios, condição corporal entre outros fatores (Neiva, 1996).

Corroborando com Neiva (1996), Robinson et al (2006), Maggioni et al (2008), enfatizam que a alimentação e os nutrientes exercem influência na reprodução, sendo que os níveis nutricionais afetam o desenvolvimento e a função dos órgãos reprodutivos tanto nas fêmeas quanto nos machos.

Segundo Maggioni (2008) e Pires (2010), ao serem absorvidos no organismo, os nutrientes apresentam escalas de prioridades orgânicas em sua rota metabólica, entre elas: metabolismo basal, atividades (andar, deitar, entre outros), crescimento, reservas corporais, lactação, engorda, reservas corporais, ciclo estral e início da gestão. Entretanto, conforme demonstrado, o organismo animal só direcionará nutrientes para as atividades reprodutivas quando todas as prioridades anteriores estiverem atendidas, ressaltando que uma dieta deficiente em nutrientes e com suplementação inadequada irá prejudicar os órgãos com baixa prioridade.

Conforme Maggioni et al (2008) e Pires et al (2010) são vários os nutrientes que interferem na reprodução, destacando-se a energia, proteínas, gorduras, vitaminas (A e E), minerais (fósforo, cobre, zinco, manganês e selênio). Contudo, os autores esclarecem que embora os nutrientes sejam estudados separadamente, eles agem de forma conjunta para determinar a fertilidade dos animais. Portanto, ao analisar as questões nutricionais ligados a infertilidade dos machos ou fêmeas, devem ser analisados um ou mais fatores nutricionais.

As vitaminas são substâncias orgânicas, que mesmo em pequenas quantidades, são essenciais para a saúde, o crescimento, a reprodução e a manutenção das espécies animais. As deficiências de vitaminas são denominadas de hipovitaminoses ou avitaminoses, que podem ser resultantes de uma nutrição inadequada e desequilibrada. Entretanto, os animais podem requerer uma maior quantidade de vitaminas em situações específicas durante o crescimento, lactação, prenhez, estresse, infecções, manejo reprodutivo entre outras ocasiões especiais (Medeiros & Paulino, 2011).

Neste contexto, a deficiência de Vitamina A e sua interpelação com a reprodução será analisada neste artigo assim como as formas de suplementação para contribuir no seu ajuste nutricional.

Vitamina A: funções fisiológicas e deficiências nutricionais

A vitamina A é uma vitamina lipossolúvel, segundo Fontaine & Cadoré (2001), a vitamina A só existe na sua forma mais pura nos alimentos de origem animal ou no estado de molécula sintética. As fontes naturais mais importantes são os óleos de certos peixes marinhos (bacalhau e tubarão). Também está presente no fígado de todos os animais, na gema de ovo, leite e seus derivados.

Nos vegetais, a vitamina A se encontra na forma de provitaminas (precursores). Essas provitaminas são pigmentos carotenoides que são transformados em retinol no organismo animal. O principal precursor (mais ativo) da vitamina A é o betacaroteno, que é encontrado nos alimentos, tais como vegetais de cor amarela, laranja ou verde (frutas, legumes e verduras). O pasto verde é considerado uma fonte rica em betacaroteno, sendo que o pasto seco e o feno apresentam baixos teores de betacaroteno (Teixeira, 1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Medeiros & Paulino, 2011).

No organismo, o betacaroteno é transformado em vitamina A em duas vias: na mucosa do intestino delgado onde é absorvido e transportado pela corrente sanguínea; no fígado por hidrólise enzimática, onde é armazenado nas células de Kupfer, a qual é liberado na forma de álcool livre para ser transportado para outros tecidos (Teixeira, 1996; Medeiros & Paulino, 2011).

Quanto as suas funções fisiológicas, a vitamina A intervém no mecanismo da visão, permitindo a síntese dos pigmentos fotossensíveis do olho (rodopsina e iodopsina), sendo importante para a visão. Quanto a ação na reprodução, atua na síntese de hormônios esteroidais a partir do colesterol orgânico, nas gônadas, placenta e adrenais.

Outra grande função fisiológica é a sua participação de modo importante na síntese das glicoproteínas, na regulação da síntese da queratina, no metabolismo das lipoproteínas, na síntese do colesterol e na síntese do RNA mensageiro (Teixeira, 1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Medeiros & Paulino, 2011).

Os autores afirmam que tais ações fisiológicas explicam seu papel fundamental como a vitamina do crescimento ósseo (síntese da condroitina) e muscular, na manutenção dos epitélios queratinizados e não queratinizados (mucosas digestiva, respiratória, ocular e geniturinária), além da sua atuação na reprodução e desenvolvimento embrionário.

A deficiência de vitamina A ocorre devido ao consumo de dieta pobres em retinol ou betacaroteno, no caso dos herbívoros, ingestão de pasto seco ou feno. Afecções hepáticas, fatores de estresse, problemas intestinais ou outros fatores que dificultam a absorção da vitamina A, levando a quadros de avitaminose ou hipovitaminose (Teixeira,1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Pires et al,2010; Medeiros & Paulino, 2011).

Os mesmos autores explicam que a deficiência de vitamina A acarreta uma série de problemas no organismo devido a quantidades insuficientes para manter suas funções normais. Como consequência da carência da vitamina A ocorre uma degeneração da mucosa de diversos órgãos (tecidos do trato respiratório, urogenital, rins, glândulas salivares e olhos) debilitando o epitélio normal, tendo como resultado a baixa resistência às infecções, levando a incidência de doenças bacterianas e parasitárias.

Os quadros mais comuns de deficiência de vitamina A observados em todos os animais são afecções cutâneas e pelos sem brilho, quanto a visão são a cegueira noturna, ceratoconjuntivites, xeroftalmia. Podem ser observados ainda como resultante da carência de vitamina A: cálculos urinários, atrofia glandular, modelagem incorreta dos ossos, diminuição do apetite, ganho de peso e do crescimento.

Vitamina A e a Reprodução

Valentim et al (2019) destaca a importância da vitamina A na reprodução animal, no qual a sua deficiência pode levar a sérios distúrbios reprodutivos.

Segundo Pires et al (2010), a deficiência de vitamina A leva a baixas taxas de fertilidade e concepção nas fêmeas, redução na duração da gestação, abortos, aumento na incidência de retenção de placenta. Os autores citam trabalhos realizados na Alemanha em que os pesquisadores associaram altos níveis de betacaroteno no corpo lúteo de vacas leiteiras com um melhor desempenho reprodutivo, caracterizado por diminuição no tempo de serviço, menor número de serviços por concepção e uma reduzida incidência de cio silencioso e ovário cístico.

Também são observados reabsorção e malformação fetal (Medeiros & Paulino, 2011).

Nos machos, os quadros carenciais apontam uma diminuição na habilidade e atividade sexual, espermatozoides anormais com reduzida motilidade, degeneração dos túbulos seminíferos nos bovinos jovens e injúrias testiculares gerais, tudo isso se deve ao fato da supressão da liberação de gonadotropinas hipofisárias e noutros casos, a espermatogênese é impedida e as funções das células de Sertoli e de Leydig são alteradas (Teixeira, 1996; Silva, 2020).

Suplementação de vitamina A

Teoricamente, as forragens consideradas de alta qualidade, devem ser capazes de fornecer os nutrientes necessários para atender as exigências dos animais em pastejo, quais sejam energia, proteína, vitaminas e minerais (Paulino, 2004).

Entretanto, a qualidade das pastagens no Brasil tem na sazonalidade climática (pastagens verdes na época das chuvas e secas nas épocas de estiagem) um dos fatores limitantes para o desenvolvimento produtivo dos animais, comprometendo a reprodução, engorda, recria e demais índices produtivos (Vieira, 2019).

Diante do exposto, Paulino et al (2004) sugere que nos locais produtivos onde não há possibilidade de produção e fornecimento contínuo de pastagens de qualidade ao longo do ano, o uso de sistemas de alimentação combinando pastagens, fornecimento de silagens, feno, suplementos alimentares adicionais, são requeridos para viabilizar o ajuste nutricional necessário e com isso atender as necessidades nutricionais dos animais.

No caso da vitamina A, além do fornecimento de silagens, fenos de boa qualidade (mais econômico), a suplementação pode ser por meio de rações concentradas, suplementos alimentares em pó e suplementos injetáveis.

No mercado encontram-se suplementos injetáveis a base de vitamina A e suplementos injetáveis múltiplos que contem além da vitamina A, outros nutrientes. A grande vantagem do uso dos suplementos injetáveis é que eles são absorvidos de forma mais rápida pelo organismo, adentram na corrente sanguínea promovendo ações mais rápidas, no que tange a prevenção e na correção dos sintomas carenciais.

Diante do exposto demonstrou-se a importância da nutrição em relação a reprodução animal, no qual a deficiência nutricional interfere sobre maneira nos processos reprodutivos, levando a sérios transtornos reprodutivos. Evidenciou-se a gravidade da deficiência de vitamina A, no qual leva a uma série de intercorrências reprodutivas em fêmeas e machos bovinos.

De acordo com o enfatizado por Pires et al (2010) os nutrientes agem em conjunto para determinar a fertilidade do animal. Portanto ao serem analisados casos de infertilidades, devem-se considerar outras carências nutricionais presentes no rebanho, assim como outras causas multifatoriais que acometem os processos reprodutivos.

A principal fonte de betacaroteno (precursor da vitamina A) para os bovinos são as pastagens verdes. Entretanto, devido a importância da vitamina A e de outros nutrientes na produção e reprodução animal, os produtores e técnicos de ciências agrárias devem considerar o uso de suplementos na prevenção e correção dos sinais carenciais, principalmente em função sazonalidade climática no Brasil.

É muito importante alertar sobre mais um fator que interfere na reprodução animal, pois cada vez mais a pecuária caminha para a produção de excelência.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato pelo e-mail guilherme@farmacianafazenda.com.br.

Fonte: Por Guilherme Augusto Vieira, médico-veterinário, PhD em História das Ciências e professor e coordenador dos cursos da Plataforma EAD VeteAgroGestão/Farmácia na Fazenda 

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Altas temperaturas exigem manejo estratégico para manter produção de leite

Estresse térmico afeta desempenho, saúde e reprodução das vacas, tornando ventilação, sombra e água fresca medidas essenciais nas propriedades.

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Foto: Marcos Tang/Divulgação

O estresse térmico é um dos principais desafios da pecuária leiteira no verão, especialmente em regiões de clima quente e úmido. Vacas de alta produção, como as da raça Holandesa, produzem maior quantidade de calor metabólico e, por isso, têm mais dificuldade para dissipar esse excesso quando as temperaturas se elevam.

A superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Maíza Scheleski da Rosa, explica que o conforto térmico desses animais ocorre em faixas semelhantes às de um dia de outono, entre 8 °C e 18 °C. “Quanto mais leite a vaca produz, maior é o calor gerado pelo próprio metabolismo. Isso torna o animal mais sensível às altas temperaturas, principalmente quando há umidade elevada”, afirma.

Segundo Maíza, o parâmetro mais adequado para avaliar o risco é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que combina temperatura e umidade em um único valor. “O ITU ideal para a raça é abaixo de 68. Quando a temperatura ultrapassa 20 °C, especialmente com umidade alta, a vaca já começa a sofrer com o calor”, explica.

De acordo com a técnica, o animal em estresse térmico reduz o consumo de matéria seca e, por consequência, há queda na produção. A fertilidade pode ser prejudicada, aumentam os problemas metabólicos e os animais ficam mais suscetíveis a doenças.

Os sinais físicos podem ser observados no manejo diário. Respiração mais rápida, salivação intensa e maior permanência em pé, com menos tempo deitada ruminando, indicam que o bem-estar está comprometido. “Esses comportamentos mostram que o animal está tentando dissipar calor e não está em condição ideal de conforto”, observa.

Para melhorar o conforto térmico, Maíza destaca que algumas medidas estruturais e de manejo fazem diferença tanto em sistemas confinados quanto a pasto. “Quando a gente fala em galpões ou freestall, é fundamental investir em boa ventilação, seja natural ou com ventiladores e exaustores. Sempre que possível, também é indicado utilizar sistemas de resfriamento com aspersão de água associados à ventilação”, afirma.

A técnica também chama atenção para a estrutura das instalações. Telhados com isolamento térmico e áreas adequadas de sombreamento contribuem para reduzir os efeitos das altas temperaturas. O fornecimento de água limpa e fresca à vontade é outra medida indispensável segundo a especialista.

O ajuste da alimentação para os horários mais frescos do dia também é recomendado. “A vaca tende a comer melhor quando ela não está sofrendo com o calor”, explica.

Nos sistemas a pasto, a oferta de sombra, natural ou artificial, é essencial, assim como o acesso constante à água de qualidade. A organização das atividades para o início da manhã e o final da tarde ajuda a evitar deslocamentos longos nos períodos mais quentes. O planejamento forrageiro também contribui para reduzir a caminhada excessiva e, indiretamente, diminuir o estresse térmico.

A técnica lembra que sinais como respiração acelerada, salivação e maior tempo em pé indicam que o animal já sofre com o calor. “O conforto térmico não é um luxo, e sim uma necessidade, porque quando a vaca está confortável, ela está em bem-estar, ela come melhor, produz mais leite, reproduz com mais eficiência e permanece mais tempo no rebanho”, afirma.

Fonte: Assessoria Gadolando
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Projetos capacitam veterinários e levam tecnologia reprodutiva à pecuária leiteira familiar

Iniciativas da Embrapa, MDA, Ufscar e MST buscam ampliar produtividade, inclusão social e avanço genético em propriedades rurais.

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Foto: Fernando Dias

A Embrapa Gado de Leite em conjunto com Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançaram na última quinta-feira (05/02) os projetos “Treinamento de Médicos Veterinários em Transferência de Embriões” e “Territórios do Leite: Agroecologia e Inclusão Produtiva”. O evento reuniu pesquisadores, lideranças políticas e de movimentos sociais.

O evento teve início no Campo Experimental José Henrique Bruschi, em Coronel Pacheco, com a entrega de certificados aos oito médicos-veterinários que concluíram a primeira turma do treinamento em transferência de embriões. Sob coordenação do chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, Bruno Campos Carvalho, e dos pesquisadores Clara Slade e Marcos Vinícius G. B. da Silva, o curso busca reciclar esses profissionais no manejo reprodutivo, fisiologia, sanidade e fatores ambientais para obtenção de resultados satisfatórios em programas de transferência de embriões em bovinos. “Além de transferir o embrião, também focamos na preparação completa desses animais e no cuidado das bezerras de alto valor genético que ainda nascerão. Elas são o futuro da propriedade, e garantir que se tornem vacas produtivas é o que causará impacto real na renda do produtor”, explica Carvalho.

Entrega dos certificados. Na foto: chefe-adjunto de TT da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Botelho, o professor da UFScar Alberto Luciano Carmassi, o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite e o representante do MDA Eduardo Pagot – Foto: Luísa Berg

Segundo o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, José Luiz Bellini Leite, o treinamento é um importante passo para fortalecer a pecuária leiteira. “Nosso objetivo é proporcionar condições dignas para essa população, levando tecnologias mais sofisticadas, avançadas, rentáveis e de caráter social, que tragam cidadania para o pequeno produtor”, afirma.

Ademais, a busca por autonomia técnica é um dos pontos altos do projeto, explica Marcos Vinícius da Silva. Para ele, a capacitação gera benefícios diretos na viabilidade econômica da atividade. “O objetivo principal é tornar possível a autossuficiência dentro do movimento dos trabalhadores sem-terra e das pequenas propriedades, utilizando a transferência de embrião para acelerar o progresso genético. Ao garantir que o movimento seja autossuficiente em mão de obra, reduzimos drasticamente os custos de cada procedimento”, destaca.

Em seguida, os participantes se encaminharam para o Centro de Apoio a Agricultura de Goianá para conhecer a Biofábrica de controle biológico de pragas, inaugurada em janeiro deste ano. Desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a Emater/MG, a biofábrica passa a produzir insetos utilizados no combate natural a pragas que afetam lavouras de milho e hortaliças. Além de potencializar a produção, o projeto minimiza a necessidade de defensivos químicos, garantindo alimentos mais saudáveis e seguros para a população.

Ao final, as equipes se mobilizaram para o Assentamento Dênis Gonçalves, em Goianá/MG, onde foram apresentadas as primeiras bezerras das raças Gir nascidas por meio das primeiras experiências de transferências de embriões realizadas no Assentamento. Os animais fazem parte do projeto “Territórios do Leite: Agroecologia e Inclusão Produtiva”, um eixo do programa “Da Terra à Mesa Brasil”, desenvolvido pelo MDA.

O alcance da iniciativa foi destacado por Eduardo Pagot, representante do MDA, que enfatizou o objetivo de descentralizar o acesso à tecnologia. “O programa tem uma abrangência nacional e estamos treinando médicos veterinários que atuam em diferentes regiões do Brasil. É fundamental capacitá-los para que possam atender às demandas de onde atuam e incentivar que a transferência de embriões ocorra em todo o país”, explica Pagot.

Fonte: Assessoria Embrapa Gado de Leite
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Investimento fomenta interiorização da produção de queijos finos no Paraná

Projeto coordenado pelo Biopark passa a atender quatro novas regiões e reforça integração com universidades estaduais. Com investimento de R$ 3,8 milhões, a iniciativa vai transformar a bacia leiteira nas regiões Sudoeste, Campos Gerais, Norte Pioneiro e Metropolitana de Curitiba, consolidando o estado como principal polo de queijos finos na América Latina.

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Foto: Ari Dias/AEN

O Governo do Paraná, em parceria com o Biopark de Toledo, anunciou na terça-feira (10) a expansão do Projeto Queijos Finos para quatro novas localidades no Estado. Com investimento de R$ 3,8 milhões, a iniciativa vai transformar a bacia leiteira nas regiões Sudoeste, Campos Gerais, Norte Pioneiro e Metropolitana de Curitiba, consolidando o Paraná como principal polo de queijos finos na América Latina.

Foto: Ari Dias/AEN

O anúncio ocorreu durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (Oeste), e contou com a presença do governador em exercício Darci Piana. “O nosso governo sempre tem defendido a realização de parcerias, pois não fazemos nada sozinhos, e isso envolve sociedade, empresários e todos os parceiros. Isso engrandece o Estado e faz com que a nossa produção cresça. Esse projeto, que começou no Biopark, conta agora com investimento do Governo do Estado para fortalecer a produção de queijo em todo o Paraná”, destacou Piana, destacando: “Temos o nono melhor queijo do mundo e agora estamos estendendo essa iniciativa para diversas regiões do Estado. Isso significa ajudar muita gente, especialmente o pequeno produtor, aquele que produz pouco leite. Em conjunto, eles vão aprender a fazer queijo de qualidade e nós teremos a segurança de adquirir esse produto, porque ele terá excelência e respeito com a saúde do povo do Paraná e do Brasil”.

A parceria vem sendo costurada desde 2025, a partir de uma visita do governador Carlos Massa Ratinho Junior no estande do Biopark no Show Rural. O projeto existe há cerca de seis anos e é realizado em conjunto pelo Biopark Educação, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o Sebrae/PR e o Sistema Faep/Senar.

Com a expansão, passam a fazer parte as secretarias estaduais da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), da Indústria, Comércio e

Foto: Ari Dias/AEN

Serviços (SEIC), além da Fundação Araucária e o próprio Biopark, que já desenvolve o projeto na região Oeste.

De acordo com o secretário da Seti, Aldo Bona, a iniciativa tem o potencial de transformar a realidade dos produtores em todo o Estado. “Este projeto é revolucionário porque ele pega aquilo que já era produzido na região, aquilo que os produtores já faziam cotidianamente, mas que tinham um ganho reduzido por ser um processo artesanal, e passa a formar essas pessoas, trazendo toda uma tecnologia para que se possa trabalhar com a produção de queijos finos”, ressaltou. “As pessoas passam a produzir com tudo aquilo que já tinham, mas em um processo com tecnologia aplicada, resultando em queijos que têm sido reconhecidos fora do País, premiados quadruplamente, agregando muito mais renda ao pequeno produtor”, acrescentou.

Foto: Ari Dias/AEN

Entre as ações realizadas estão treinamentos iniciais, com cursos teóricos e práticos para produtores interessados; consultoria personalizada, com a seleção de até 40 queijarias por região para atendimento direto na propriedade; doação de tecnologia, com a transferência de até cinco protocolos de fabricação de queijos finos já validados no mercado; e suporte laboratorial, com acompanhamento por três anos e análises gratuitas de água, leite e produto final. “Na expansão, vamos trabalhar com um curso teórico para o maior número possível de produtores de cada região. Depois disso, 20 serão selecionados para um curso prático, onde aprenderão boas práticas de fabricação de queijos e, desses 20, cinco serão escolhidos para receber uma tecnologia personalizada dentro da agroindústria, com acompanhamento da equipe para que o queijo seja produzido com alta qualidade e alto valor agregado”, explicou o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark, Tiago de Oliveira Mendes.

As atividades devem ocorrer nas universidades estaduais localizadas nas regiões que vão receber o projeto, como a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O Projeto Queijos Finos é coordenado por Kennidy de Bortoli, eleito o melhor queijeiro do Brasil. Além da capacitação, também serão

Foto: Ari Dias/AEN

oferecidas orientações para comercialização dos produtos. “Trabalhamos com tecnologia, transferência de conhecimento e também auxiliamos os produtores a colocar o produto no mercado, envolvendo marketing, embalagem, absolutamente tudo para que consigam comercializar melhor e lucrar um pouco mais dentro da propriedade, tornando-a mais sustentável”, disse ele, acrescentando: “A ideia é levar desenvolvimento para o campo da mesma maneira que já fazemos aqui, mas agora em todo o Estado”.

Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, o projeto entrega para a comunidade um resultado que transcende a técnica, a ciência e a tecnologia. “São resultados econômicos concretos. Essa possibilidade de transferência de tecnologia pode ampliar em mais de 380% o resultado obtido com as técnicas tradicionais. Saímos de um queijo vendido a R$ 25 o quilo para um produto que pode alcançar R$ 150 o quilo”, comentou.

Foto: Ari Dias/AEN

Fórum Internacional de TI

Durante a manhã, Darci Piana também participou da abertura do 7º Fórum Internacional de TI das Cooperativas, que visa a promoção de discussões sobre temas atuais e antecipar tendências da área da Tecnologia da Informação com foco no cooperativismo. Na programação estão palestras sobre conectividade rural, cibersegurança e inteligência artificial.

Show Rural

A 38ª edição do Show Rural Coopavel, que começou nesta segunda-feira (09), já teve recorde de público para um primeiro dia de feira. Foram 61.090 pessoas, 4.580 a mais que os 56.510 visitantes em 2025. O Governo do Estado participa com estandes, programas e convênios, além de anúncio de investimentos.

O Show Rural foi criado em 1989, quando reuniu apenas 15 empresas e recebeu 110 visitantes, e hoje se consolidou como um dos mais importantes eventos do setor no Brasil, sendo referência na difusão de tecnologias e no fortalecimento do setor agropecuário. A edição mais recente, realizada em fevereiro de 2025, atraiu mais de 407 mil visitantes em cinco dias e movimentou R$ 7 bilhões em comercialização.

Fonte: AEN-PR
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