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Suplementação com metionina protegida no período de transição de vacas leiteiras e os benefícios para os bezerros

Suplementação com MET durante o período pré-parto exerce efeitos benéficos no metabolismo e desenvolvimento dos bezerros

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Fernanda Lopes, da Adisseo América do Sul, e Carolina Bespalhok Jacometo, da Universidad de La Salle – Bogotá, Colômbia

Os primeiros dias de vida dos bezerros representam um período de grandes desafios. Enquanto estão dento do útero das vacas eles recebem diretamente através da circulação sanguínea todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento (principalmente glicose e aminoácidos). Após o nascimento, a reserva endógena de energia é muito baixa, e eles devem ingerir o colostro o mais rapidamente para suprir as demandas nutricionais e garantir sua sobrevivência. O colostro é um alimento riquíssimo, e contém todos os nutrientes necessários para esta fase de desenvolvimento do animal, entretanto é visto pelo organismo do neonato como uma “bomba” de energia e proteína. Após a ingestão e digestão do colostro, os nutrientes absorvidos são direcionados ao fígado para serem processados e então direcionados a todos as células do organismo. Portanto a ativação do metabolismo hepático é um processo extremamente importante e desafiador para os bezerros, e quanto mais eficiente for esse processo, melhor será para o seu desenvolvimento.

O estudo que vamos apresentar nesta edição foi conduzido na Universidade de Illinois. A hipótese do trabalho era de que a suplementação com MET durante o período final da gestação, além de beneficiar as vacas, poderia estar associada a alterações no metabolismo hepático dos neonatos. O objetivo do estudo foi avaliar marcadores sanguíneos relacionados ao metabolismo, função hepática, inflamação e estresse oxidativo, bem como a expressão hepática de diversos genes relacionados a atividade deste órgão vital.

Foram utilizadas 40 vacas da raça Holandês, aleatoriamente distribuídas em dois grupos: 1) Metionina protegida (MET): suplementadas com 0,08% de MET em relação a ingestão de matéria seca (IMS) diária, atingindo uma relação Lis:Met de ~2,8:1 na dieta total; e 2) Controle (CON): não suplementadas, atingindo uma relação Lis:Met de ~3,6:1 na dieta total. A suplementação teve início 21 dias antes da data prevista para o parto. A IMS das vacas era acompanhada diariamente e individualmente. Após o nascimento os bezerros eram manejados e alimentados (com sucedâneo lácteo) seguindo o mesmo protocolo, portanto, qualquer diferença observada entre eles pode ser atribuída a programação pela dieta materna.

Amostras de sangue foram coletadas em cinco momentos diferentes: ao nascimento (antes de receberem o colostro), 24 horas após a ingestão do colostro (cada bezerro recebia 3,8 L de colostro da própria mãe), e aos 14, 28 e 50 dias de vida. As biópsias hepáticas foram realizadas aos 4, 14, 28 e 50 dias de vida, o que permitiu acompanhar a maturação do metabolismo hepático desde o nascimento até o período pós desmame (neste estudo os animais eram desmamados aos 42 dias).

Principais resultados

Os bezerros filhos das vacas MET apresentaram maiores concentrações sanguíneas de insulina (Figura 1 A), e menores relações ácidos graxos: insulina e glicose: insulina, demonstrando uma maior sensibilidade a insulina nestes animais. A insulina é um hormônio essencial para a captação de glicose pelas células, demonstrando assim que esses bezerros eram mais responsivos a esse hormônio, ou seja, eram mais eficientes em captar a glicose circulante, fornecendo assim energia para as células. Este resultado foi comprovado pela maior expressão hepática de genes sinalizadores da rota da insulina, especialmente pelo gene SLC2A2 (Figura 1 B), que é uma proteína facilitadora do transporte de glicose.

Aos 14 dias de idade, os bezerros filhos das vacas MET apresentaram menores concentrações de ceruloplasmina (uma proteína de fase aguda positiva relacionada a inflamação), menores concentrações de metabólitos reativos ao oxigênio (moléculas produzidas durante o estresse oxidativo), menores concentrações de mieloperoxidase (enzima produzida em resposta ao estresse oxidativo) e menores concentrações de tocoferol (um anti-oxidante). A combinação destes resultados é particularmente relevante, pois nesta idade os animais estão mais susceptíveis a ocorrência de doenças (há um significativo aumento na ingestão de leite e índice de ocorrência de diarreia), demonstrando assim que a suplementação materna com MET pode auxiliar no controle de respostas fisiológicas em períodos de estresse, refletindo em animais mais saudáveis.

Na biopsia hepática realizada no 4˚ dia de vida, observou-se nos bezerros MET uma maior expressão de genes relacionados a gliconeogênese e oxidação de ácidos graxos – processos essenciais para geração de energia, o que, combinado com a maior sensibilidade a insulina e maior controle do estresse oxidativo, é vantajoso para o desenvolvimento pós-natal.

Um outro marcador muito importante, o receptor de glicocorticoides (GR), também foi afetado pela suplementação materna com MET (Figura 2). A ativação deste receptor estimula o processo de gliconeogênese e também a produção endógena de glicose. Portanto a maior expressão desse receptor no fígado dos bezerros MET indica uma maior maturação das rotas energéticas, o que é extremamente vantajoso ao desenvolvimento dos animais.

Desta forma, é possível concluir novamente que a suplementação com metionina vai muito além da produção de leite. Além de todos os benefícios na saúde e reprodução da vaca leiteira, a suplementação com MET durante o período pré-parto exerce efeitos benéficos no metabolismo e desenvolvimento dos bezerros. Demonstrando assim ser uma estratégia nutricional “multi-eficiente” durante o período de transição.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março

Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

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O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.

Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.

No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.

As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil

Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

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Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.

Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA

Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.

O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.

Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping

Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA

A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.

Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”

Fonte: Assessoria FPA
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%

Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

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Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.

O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.

Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.

“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.

Fonte: Assessoria Imac
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