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Supermilho exclui uso do óleo de soja na dieta de animais de produção

Agricultor precisa voltar a produzir milho com maior teor de óleo em sua composição nutricional para formular dietas de animais de produção

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A busca por maior oferta de milho nos últimos anos favoreceu ganhos tecnológicos voltados para características agronômicas em vez de características nutricionais. Mesmo assim, houve uma evolução nutricional do milho, com a redução na variabilidade da composição nutricional, embora alguns elementos tenham apresentado queda dentro dessa composição. Um deles é o óleo, que há anos vem diminuindo gradualmente sua participação no grão, o que inquieta o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Gustavo Lima.

Para o especialista, o agricultor precisa voltar a produzir milho com maior teor de óleo em sua composição nutricional para formular dietas de animais de produção. Rações com o chamado supermilho, com altas concentrações de óleo, menciona o pesquisador, excluem a necessidade da indústria incorporar óleo de soja nas rações, especialmente de suínos e aves, “os maiores clientes do mundo para o milho”. “Se você tem materiais com mais de 6% de óleo no teor nutricional, não precisa usar óleo de soja na dieta”, crava.

No entanto, o milho vem perdendo quantidade de óleo ao longo dos anos. Durante palestra na Pork Expo 2018, que aconteceu dias 26 e 27 de setembro, em Foz do Iguaçu, PR, Lima mostrou dados da Embrapa que comprovam essa queda nos níveis de óleo do milho. Em 2011, a média das amostras apontava 4,1% de óleo na composição nutricional. Em 2017, esse índice caiu para 3,5%, mas esse teor, em alguns casos, pode chegar somente a 1,4%.

Milho, como está sua qualidade? Com essa pergunta, o pesquisador instigou centenas de técnicos, produtores, membros da indústria e fornecedores de matéria-prima a repensar o teor de óleo no milho. De acordo com ele, mais de três mil produtos à base de milho no mundo, mas a produção de rações é um dos principais. Por isso a necessidade de produtores de milho e de proteína animal conectarem-se a essa oportunidade de mercado. “Cadeias produtivas de animais e milho não se entendem”, entende o pesquisador da Embrapa.

De acordo com a pesquisa, a composição do milho variou de 1,41% a 6,09% de óleo. A partir de 6% de óleo na composição, a indústria não precisa acrescer óleo de soja na dieta, reforça, destacando a oportunidade de mercado para agricultores e pecuaristas. “Nos Estados Unidos, milho com grande quantidade de óleo ganhava US$ 10 a mais por tonelada. O setor de grãos com alto valor agregado cresceu até o setor de produção de álcool demandar boa parte da produção e determinar que quantidade fosse mais importante que qualidade”, destacou.

Tem tecnologia, mas por que colocar mais óleo na ração?

No Brasil, o pesquisador cita casos de milho com alto teor de óleo encontrados nos últimos anos. “Já vi, em 2005, milho com 14,5% de óleo. Em 2017, apareceu milho com 10% de óleo”, disse. “Tem um Romário, um Pelé andando por ai”, brincou.

De acordo com o pesquisador, existe tecnologia para produzir esse milho com mais óleo, embora seja mais cara e de manejo um pouco mais desafiador. “Hoje tem tecnologia transgênica para termos milho com alto teor de óleo. A tecnologia existe, mas a gente (indústria) tem que pagar a mais.  A gente precisa demandar esse milho com alto teor de óleo”, sugere Lima. “O grão de alto óleo é um supermilho. Ele pode ser atacado por caruncho, mas a gente tem tecnologia para controlar”, explica.

Na Embrapa foram analisadas mais de 41 mil amostras de 2005 a 2017. De acordo com os resultados, a proteína bruta e fibra bruta oscilam para cima e para baixo, mas não têm tanta importância quanto o amido e o óleo. O teor de amido vem aumentando linearmente, mas o óleo vem caindo. À medida que aumentou o amido, caiu o óleo”, reforça.

Mas qual a necessidade de colocar óleo na dieta dos animais de produção? De acordo com o pesquisador, o óleo se transforma em energia para o animal, o que é essencial para sua sobrevivência e ganho de peso, por exemplo. “Mais óleo significa mais energia”, destaca, exemplificando: “1,3% a mais de óleo equivale a 66 kcal metabolizadas”, revela. A falta de óleo no milho é compensada com a adição de óleo de soja na dieta, o que eleva custos na produção das rações.

Nutrição de precisão

De acordo com Gustavo Lima, produzir milho com maior teor de óleo faz parte da nova nutrição animal. “Saímos da proteína bruta, fomos para rações com aminoácidos totais, depois aminoácidos digestíveis, hoje estamos na nutrição de precisão. Quando chega o milho na fábrica de ração, você faz análise e já pode decidir se aquele milho vai para frango de corte, suíno ou aves de postura, de acordo com a sua composição nutricional”, aponta o pesquisador da Embrapa.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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