Avicultura
Sul vive ano de contrastes no frango entre Paraná e Santa Catarina
Paraná sustenta preços mais altos ao produtor e puxa as valorizações de 2025, enquanto Santa Catarina mantém estabilidade regional e vê cortes premium, como o filé de peito, seguirem liderando no atacado.

O setor avícola do Sul do Brasil registrou um ano de oscilações importantes tanto no preço do frango vivo quanto nos principais cortes no atacado. Dados da Epagri/Cepa e de levantamentos regionais mostram que Paraná e Santa Catarina seguiram trajetórias distintas ao longo de 2025, com disparada mais intensa no mercado paranaense a partir do segundo trimestre.
Paraná abre vantagem e mantém preços mais altos ao produtor

Entre abril e julho, o Paraná puxou as valorizações no frango vivo, alcançando pico de R$ 5,18/kg em maio, bem acima de Santa Catarina, que chegou a R$ 4,76/kg em junho. Enquanto o Paraná manteve preços mais aquecidos no segundo semestre, Santa Catarina apresentou movimento mais moderado e estável, com variações menores entre suas regiões produtoras.
No estado catarinense, o Meio Oeste liderou as cotações durante todo o ano, superando Litoral Sul e Oeste e alcançando R$ 5,13/kg em julho, antes de se estabilizar em torno de R$ 5,10/kg.
No atacado, filé de peito segue isolado no topo
Os preços da carne de frango no atacado catarinense confirma a diferença entre os cortes. O filé de peito congelado manteve-se como o produto de maior valor agregado, encerrando novembro (parcial) a R$ 17,74/kg, praticamente no mesmo patamar de outubro.
Outros cortes mostram comportamento mais suave:
Peito com osso congelado recuou do pico de abril (R$ 14,49/kg) para R$ 13,58/kg em novembro.
Coxa e sobrecoxa seguiu trajetória de leve queda, chegando a R$ 8,63/kg.
Frango inteiro congelado permaneceu estável, fechando novembro a R$ 12,90/kg.
Mercado firme, mas com comportamentos diferentes
O Paraná teve um ano mais pressionado por demanda e exportações, sustentando preços mais elevados ao produtor.
Santa Catarina manteve estabilidade regional, com diferenças marcantes entre Meio Oeste, Litoral Sul e Oeste.
No atacado, cortes premium, especialmente o filé, seguem resistentes, enquanto os cortes populares refletem maior equilíbrio entre oferta e demanda.
A avicultura catarinense, marcada pela forte integração, mostrou novamente um padrão de menor volatilidade, mesmo em um ano de custos variáveis e ritmo intenso nas indústrias.

Avicultura
Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos
Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado
O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.
Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.
A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.
Avicultura Recorde histórico
Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre
Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.
Avicultura Mesmo com alta de até 21% em março
Preço médio do ovo na Quaresma é o menor em quatro anos
Quedas ao longo de 2025 e janeiro de 2026 no menor patamar em seis anos limitaram efeito sazonal típico do período religioso.

Os preços dos ovos subiram até 21% em março, movimento recorrente no período da Quaresma, quando parte dos consumidores substitui a carne vermelha. Ainda assim, levantamentos do Cepea mostram que o valor médio praticado no período religioso deste ano é o mais baixo dos últimos quatro anos nas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas.
De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de 2025 as cotações recuaram em boa parte dos meses, reduzindo a base de comparação para o início deste ano. Como reflexo desse comportamento, janeiro de 2026 registrou a menor média para o mês dos últimos seis anos em diversas praças monitoradas.
Dessa forma, o mercado iniciou 2026 em patamar inferior ao observado em 2025. A reação verificada em fevereiro e março, embora expressiva em termos percentuais, não foi suficiente para que a média de preços desta Quaresma superasse a registrada em anos anteriores.





