Suínos
Suínos: Quais são as soluções existentes para combater o calor?
Estratégias de manejo e suplementação alimentar ajudam a reduzir os impactos do calor sobre o desempenho e a saúde dos suínos.

Artigo escrito por Dra. Elisa A. Arnaud Laboratórios Phodé, Terssac, França
Altas temperaturas ambientais e dias quentes no verão em países tropicais podem representar um sério problema para os animais de criação, causando estresse térmico. Isso pode afetar seu crescimento e diminuir os resultados econômicos das propriedades. Na indústria de suínos, em quase todas as fases de produção os animais são afetados pelo estresse térmico: porcas prenhas, porcas lactantes e suínos de engorda. Este artigo tem como objetivo destacar algumas das alterações que ocorrem nos suínos sob estresse térmico. Também apresenta soluções para atenuar os efeitos negativos do estresse térmico em suínos.
Quando um suíno sofre estresse térmico?
O estresse térmico ocorre quando o corpo não consegue regular sua própria temperatura. Ele começa quando o animal está fora de sua zona térmica neutra. Isso é influenciado pela temperatura externa e pela umidade. O estresse térmico pode afetar os suínos em todas as fases do ciclo de produção. Para um suíno de engorda de 50 kg, a zona de estresse térmico começa a partir dos 25°C. Isso significa que, acima de 25°C, um suíno com esse peso começa a experimentar os efeitos negativos do estresse térmico.
A zona térmica neutra da porca situa-se entre 12 e 20°C, enquanto a dos leitões está entre 27 e 30°C. Na maternidade, é comum manter a temperatura das salas entre 21 e 25°C, junto com ninhos aquecidos, para criar um ambiente favorável aos leitões. Portanto, as porcas lactantes também podem sofrer estresse térmico, independentemente da estação ou da região. O estresse térmico também pode afetar as porcas prenhas e impactar sua descendência.
Como os suínos reagem ao estresse térmico?
Entre os animais de criação, os suínos são especialmente sensíveis ao estresse térmico, pois possuem poucas glândulas sudoríparas e pulmões pequenos. Sua alta produtividade e rápido crescimento os tornam ainda mais suscetíveis ao estresse térmico (figura 1). Quando a temperatura aumenta, o suíno adapta seu comportamento. Ele reduz sua locomoção e a ingestão de alimentos, o que limita a termogênese (produção de calor pelo organismo). Além disso, aumenta sua frequência respiratória. O fluxo sanguíneo é redirecionado dos órgãos internos para a pele, a fim de evacuar o excesso de calor. Esse fenômeno é denominado vasodilatação. Isso aumenta a termólise (dissipação do calor pelo organismo).
No trato intestinal, a falta de fornecimento de oxigênio, provocada pelo redirecionamento do fluxo sanguíneo, é prejudicial para as células epiteliais, que são muito sensíveis à hipoxia e à redução dos nutrientes disponíveis. Isso degrada o epitélio intestinal. Substâncias exógenas, como antígenos ou toxinas bacterianas, podem passar do lúmen intestinal para o fluxo sanguíneo (intestino permeável), o que provoca uma resposta inflamatória e a produção de espécies reativas de oxigênio (ERO). Trata-se de um círculo vicioso, pois as ERO podem ser prejudiciais para as células epiteliais se produzidas em excesso. Se o estresse térmico persistir, ele pode causar diversos problemas no crescimento e no desempenho reprodutivo.
Figura 1. Mecanismos de adaptação de suínos em condições de estresse térmico

Como o estresse térmico afeta a produtividade?
Vários estudos destacam os efeitos negativos do estresse térmico sobre o desempenho reprodutivo das porcas e o crescimento dos suínos. Em porcas lactantes, um aumento da temperatura de 18°C para 29°C reduziu a produção de leite entre 12% e 26%, o que impactou o crescimento da leitegada (em média -15 kg de peso da leitegada. Porcas expostas ao estresse térmico durante a gestação sofreram partos prematuros. Além disso, seus leitões nasceram com menor peso, e essa redução se manteve até o abate. Em suínos de engorda, o aumento da temperatura provocou uma diminuição no consumo de ração e no ganho de peso, reduzindo assim o peso da carcaça no frigorífico.
Como atenuar os efeitos negativos?
Podem ser aplicadas várias estratégias nutricionais e de manejo para atenuar os efeitos negativos do estresse térmico: dispor de um bom sistema de ventilação, aumentar o fluxo de ar nas instalações, nebulizar água, reduzir a densidade dos currais, fornecer água de alta qualidade e ad libitum e utilizar aditivos alimentares.
Os aditivos alimentares podem se tornar soluções que ajudam os suínos a se adaptar melhor às condições de estresse térmico, com possibilidade de atuação:
Em nível comportamental, para melhorar a ingestão de ração e manter atividades normais.
Em nível fisiológico, para melhorar a resposta do organismo.
Em nível comportamental, a suplementação com um ingrediente funcional sensorial à base de cítricos pode ajudar os suínos a lidarem melhor com o estresse psicossocial que enfrentam em ambientes desafiadores. Essa solução contribui para a manutenção de comportamentos normais, como a ingestão de água e de ração.
Um ensaio conduzido com porcas lactantes em condições de estresse térmico demonstrou que a suplementação da dieta com o ingrediente funcional sensorial à base de cítricos aumentou a ingestão de ração em 10%, o que resultou em um aumento de 4% no peso da leitegada ao desmame.
Em nível fisiológico, a suplementação com um aditivo para rações à base de ingredientes ativos específicos de especiarias é uma abordagem interessante.
As especiarias picantes podem ajudar o metabolismo dos suínos em situações de estresse térmico, limitando a inflamação intestinal e reduzindo o estresse oxidativo. Algumas dessas substâncias são bem conhecidas, como a capsaicina, presente na planta Capsicum, que demonstrou reduzir os níveis de citocinas pró-inflamatórias no soro de suínos, ajudando assim a controlar a inflamação. Também foi comprovado que essa especiaria aumenta as atividades de α-amilase, lipase e protease na mucosa do jejuno de leitões desmamados.
Em conclusão, o estresse térmico pode afetar tanto as porcas quanto os suínos em todas as fases da produção, com efeitos de longo prazo que impactam nos resultados reprodutivos e no crescimento. Duas abordagens podem ser adotadas para ajudar os animais a enfrentar o calor: melhorar sua resistência em ambientes desafiadores e apoiar sua fisiologia.
Referências bibliográficas: [email protected]
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Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.






