Suínos
Suinocultura resiste a cenário de crises e deve seguir crescendo em 2026
Em reunião da Comissão Técnica de Suinocultura, participantes enfatizaram que Paraná já responde por 22% da produção nacional da proteína suína.

Mesmo após um ano desafiador para as proteínas animais, com a crise da gripe aviária, em maio, e o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos, em julho, a suinocultura teve sua resiliência testada, conseguiu manter bom desempenho em 2025 e deve seguir em crescimento em 2026. Essa foi a conclusão da reunião da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, realizada nesta quarta-feira (29), em Cascavel, no Oeste, com a presença de líderes rurais do setor das principais regiões produtoras do Paraná.
“Vivemos uma instabilidade no país, mas o setor de suinocultura continua aquecido. Nosso papel é seguir firmes em nosso dever de casa, levar os custos de produção à risca, para que nossa atividade tenha subsídio e poder superar os desafios junto às cooperativas e agroindústrias”, resumiu Deborah de Geus, presidente da CT de Suinocultura do Sistema Faep. “A suinocultura é uma potência do nosso Estado, mas temos que tentar crescer de forma que seja sustentável para todos os elos, e nós temos subsidiado e incentivado esse trabalho para que tenhamos incrementos na renda dos suinocultores”, completou o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Orso, anfitrião do evento, lembrou da representatividade do Sistema Faep. “Temos tentáculos que movem nossas pautas até a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e muitas vezes servem de inspiração para outros lugares do país. Agora mesmo, estamos trabalhando para nos tornarmos o maior Estado produtor de suínos do Brasil, e isso com o suporte do Sistema Faep”, enfatizou.
Palestra sobre conjuntura
O consultor Iuri Machado, da CNA, ministrou uma palestra durante a reunião da CT, abordando os principais assuntos que envolvem a cadeia da suinocultura. Machado lembrou que as quatro principais proteínas animais (frango, suíno, bovino e ovos) se afetam entre si, já que flutuações em uma cadeia acabam afetando as outras. E nesse ano, houve pelo menos duas grandes crises no setor de proteínas animais.
A primeira delas ocorreu com a detecção do primeiro caso na história de gripe aviária em granjas comerciais do Brasil, com reflexos que podem ser sentidos até hoje, já que alguns mercados internacionais ainda não reabriram para o produto brasileiro. Em julho, foi a vez de os Estados Unidos anunciarem o tarifaço sobre diversos produtos brasileiros, entre eles a carne bovina. Tudo isso formou um cenário desafiador para todas as proteínas, incluindo os suínos.
Nesse contexto, de janeiro a setembro de 2025, as exportações de carne suína pelo Brasil subiram 14,28%, comparado ao mesmo período de 2024. Em volume, o total exportado chegou a 985 mil toneladas nos nove primeiros meses de 2025. “Para 2026, as previsões apontam uma produção 3,6% maior e exportações acima de 1,5 milhão de tonelada, o que representaria uma variação de 5,2%. Já no varejo, o mercado espera preços estáveis ou levemente mais altos, com potencial para amortecer possíveis altas no preço da carne bovina”, previu o consultor.
Outro aspecto positivo que foi destacado por Machado é a diversificação dos destinos das exportações da carne suína, reduzindo a dependência do mercado chinês. “A pulverização das exportações tem sido um movimento contínuo, o que representa um aspecto positivo em termos de menor dependência de um único país, o que dá mais estabilidade ao setor. A China já chegou a representar 55% das nossas exportações, hoje é a segunda colocada e responde por 11,7%, atrás das Filipinas que compram 24,5%. E temos crescido em países com alta exigência em sanidade e qualidade, como Coreia do Sul e Japão”, sinalizou.
Programação
Os participantes também abordaram assuntos regionais, como avanços em negociações de preços e melhorias na atividade com agroindústrias e cooperativas. Houve ainda um momento para fechamento do ano, já que esta foi a última reunião da CT em 2025 e planejamento de ações para 2026.
A programação da CT incluiu ainda uma visita à Feira da Indústria Latino-Americana de Aves, Suínos e Peixes (AveSui), realizada de 28 a 30 de outubro, no Centro de Convenções e Eventos de Cascavel Pedro Luiz Boaretto.

Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.
Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



