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Suinocultura: Integração e comprometimento em crescer com o Brasil

Nos preparamos para receber 2019 com esperança e boas perspectivas para o agronegócio brasileiro e para a nossa suinocultura

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Artigo escrito por Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS)

O Brasil passa por mudanças e a suinocultura também. Após um 2018 de insegurança política e econômica no cenário nacional, encerramos o ano com a certeza de que somos resilientes. O embargo russo, herança de 2017, só cessou em outubro parcialmente, impactando nossas exportações; enfrentamos uma greve de caminhoneiros que parou o país, desabasteceu os sistemas de produção e trouxe prejuízos incalculáveis para todos os setores da economia, com destaque para a agropecuária e toda a nossa cadeia, que agora lida com uma tabela mínima de frete; tivemos desafios sanitários com a Peste Suína Clássica (PSC), o suinocultor teve que aprender a ser mais estratégico na compra de grãos, que teve seu preço em alta, e vimos o país divido nas urnas na hora de decidir os rumos do Brasil para os próximos quatro anos.

Neste cenário provocativo, nos preparamos para receber 2019 com esperança e boas perspectivas para o agronegócio brasileiro, um dos mais produtivos mercados no mundo, e, em consequência, para a nossa suinocultura. O anúncio da deputada federal e atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Tereza Cristina (DEM), como ministra da Agricultura do governo Bolsonaro trouxe otimismo para todo o setor. Além disso, o novo presidente apresenta em sua agenda temas como redução de burocracia e reformas estruturantes, principalmente da Previdência Social e a tributária, muito positivos para o desenvolvimento da nossa atividade.

O otimismo com o novo governo nos dá ainda mais combustível para continuar trabalhando em conjunto e aprimorando nossa produção e indústria, levando ao consumidor um produto cada vez mais reconhecido por sua qualidade, segurança e sabor. Uma das grandes entregas da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) aos brasileiros, com o apoio de suas afiliadas e do Sebrae Nacional, é a realização da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), que a cada ano cresce significativamente, aumentando a penetração da proteína entre os consumidores.

A campanha representa um resultado cíclico de toda a nossa cadeia, unida, com um objetivo em comum e que traz um resultado claro: sustentabilidade para a suinocultura brasileira, gerando renda, empregos diretos e indiretos e trazendo desenvolvimento para a nossa atividade. A carne suína tem se consagrado como uma opção saborosa e saudável para o dia a dia e tem sido apresentada de forma diversificada pelo varejo, que hoje já aposta, inclusive, em sua versão moída já aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Temos em nossas mãos e em nossa união a força de mais de 20 mil suinocultores que trabalham incansavelmente na busca mudança, crescimento, aprimoramento! A cada ano, vemos novas tecnologias surgindo e todo nosso setor integrado, se adaptando e buscando, juntos, resultados que impactam nosso mercado interno e externo, elevando a produção brasileira como uma das melhores do mundo.

A ABCS acredita na construção compartilhada da suinocultura brasileira e vê nisso grande parte do nosso valor. Temos no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS) uma oportunidade de transformar nossa realidade para melhor. Vamos, unidos, nos preparar para mais um ano! Tenho certeza que desafios virão, mas integrados venceremos um por um e sairemos mais fortes.

Fonte: Assessoria
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Agro e desburocratização

Para ser realmente eficaz, a desburocratização deve estar na pauta de gestão das administrações federal, estadual e municipal

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Uma das propostas da nova Administração Federal que está sendo muito valorizada e aplaudida é a adoção de um programa radical de desburocratização, com a supressão dos procedimentos desnecessários que tornam as atividades estatais e os serviços públicos lentos e ineficientes. É notório que o excesso de burocracia atrapalha todos os setores da economia e, em especial, a agricultura e o agronegócio. Esse é um dos segmentos mais prejudicados com o excesso de exigências burocráticas, pagando mais de 15 diferentes tributos.

Para ser realmente eficaz, a desburocratização deve estar na pauta de gestão das administrações federal, estadual e municipal. Nesse aspecto, as entidades do agronegócio – especialmente a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e a Faesc – vêm conferindo prioridade a essa questão. Faz tempo que o excesso de burocracia e a perda da competitividade ameaçam o setor primário da economia. A burocracia se expressa na intervenção do Estado nas atividades agrícolas e pecuárias. Essa intervenção se dá na forma da exigência de licenciamento e autorização prévia para quase todas as atividades, resultado de legislação fiscal e ambiental muito complexa.

Há excesso de regras e uma série de normas incoerentes, incongruentes e inúteis cujo resultado prático é zero, mas que procrastinam os empreendimentos, encarecem os investimentos e desestimulam o empresário-produtor rural. Existem atividades que dependem de múltiplas autorizações de diferentes órgãos estatais. Desconhece-se o ganho social desta ação estatal. Sob a óptica do empresário-produtor, são custos a pagar (taxas e emolumentos) e tempo a perder na espera pela obtenção das licenças.

Um dos principais malefícios da burocracia é o elevado número de dias e de processos necessários para a abertura, regularização de operação e fechamento de empresas rurais e urbanas. Esse decurso temporal é de aproximadamente 80 dias no Brasil. Estamos mal nesse quesito. Na Argentina, por exemplo, são 24 dias, no México, 8,4 e na França 3,5 dias. Essa situação transparece internacionalmente: o Brasil ocupa a 125ª posição entre 190 países com melhor ambiente de negócio.

Documento com as principais propostas do setor para desburocratizar os gargalos e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro foi apresentado ao governo central. O estudo foi elaborado pelo Núcleo Econômico da CNA e tem como base oito pontos principais: carga tributária; política agrícola; sustentabilidade dos sistemas de produção; logística e infraestrutura; questões fundiárias e trabalhistas; pesquisa e desenvolvimento tecnológico; defesa agropecuária e competitividade das cadeias agropecuárias.

A desburocratização casa com sustentabilidade e esse deve tornar-se um caminho sem volta para o agro. Exemplo é o surgimento, em Santa Catarina, do LAC, o Licenciamento por Adesão e Compromisso, uma inovação prevista na Resolução Consema nº 98 de 2017. O LAC é efetuado em meio eletrônico, em uma única etapa, através de declaração de adesão e compromisso do empreendedor, mediante critérios e condições estabelecidas pelo órgão ambiental licenciador, no caso o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Em médio prazo, o LAC beneficiará diretamente a cadeia produtiva da carne – especialmente a de aves e de suínos – que representa um importantíssimo segmento da economia brasileira e catarinense, em termos de produção sustentável de riquezas, geração de empregos e contribuição tributária.

Fonte: Assessoria
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Rodrigo Capella

Abertura de novos mercados e outros pontos importantes

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Alguns pontos do plano de governo de Bolsonaro para o agronegócio merecem nossa análise e – até mesmo – atenção. São eles: segurança no campo, logística de transporte e armazenamento, diversificação, políticas específicas para consolidar e abrir novos mercados externos, e uma só porta para atender as demandas do agronegócio e do setor rural.

A segurança no campo é uma das maiores preocupações dos produtores rurais. Com frequência, visito fazendas e converso com produtores. Este tema é destacado nos primeiros minutos de conversa. Ouço frases como “roubaram o meu gado no mês passado”, “não me sinto seguro aqui no campo”, ou ainda “já tive uma propriedade produtiva invadida”.

A logística de transporte e armazenamento é um tema tão complexo quanto a segurança no campo. Nos dois casos, é necessário implementar ações emergenciais, como munir os profissionais de policiamento com conhecimento e equipamentos necessários e implementar um sistema multimodal, com rodovias para o transporte de curtas distâncias, e ferrovias e hidrovias para longas distâncias.

Sobre a diversificação, ela é necessária em vários níveis, desde o estimulo à rotação de cultura até as múltiplas possibilidades de créditos agrícolas, valorizando o nosso agronegócio em sua amplitude.

Em relação às políticas específicas para consolidar e abrir novos mercados externos, é importante focarmos em Israel (que demonstrou ter alta produtividade agrícola em condições adversas, como no deserto) e na Espanha (referência em fruta, apesar de não ter boas condições climáticas, como temos no Brasil).

Estas políticas precisam também fomentar o intercâmbio de tecnologia, beneficiando todo o ecossistema rural e contemplando os anseios das novas gerações de agropecuaristas, adaptadas em obter as melhores respostas no menor tempo necessário.

Neste contexto, a proposta de uma só porta para atender as demandas do agronegócio e do setor rural pode ser o grande desafio para o futuro governo. Com características e complexidades diversas, esta porta precisa ser ampla e entender que os agropecuaristas brasileiros têm necessidades distintas. Contemplá-las será uma grande ciência.

Caso consiga implementar, com cautela, presteza e verdadeira eficiência, estes pontos importantes do plano, o próximo governo poderá – em pouco tempo – colocar o agronegócio brasileiro em outro patamar. A FAO, por exemplo, estima que teremos mais de 9 bilhões de habitantes em 2050. Eles precisarão ser alimentados. Esse não é um grande estímulo para o nosso agronegócio?

Fonte: Por Rodrigo Capella
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Falta abertura

Não dá para separar as coisas na economia contemporânea, pois o agronegócio é uma cadeia produtiva que começa no laboratório de genética e termina no prato do consumidor

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Artigo escrito por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor da ESPM

A soma das exportações e importações brasileiras e sua proporção em relação ao PIB (a chamada “corrente de comércio”) vem se mantendo praticamente estacionada em torno de 18%, desde 1960. Esse foi o índice daquele ano, que evoluiu ligeiramente duas décadas depois (19,2% em 1980) e chegou em 2010 com um recuo para 17,8%.

Foram 50 anos movendo-se em torno do mesmo ponto em relação ao PIB, enquanto o mundo caminhou pelos ventos da globalização, internacionalização da economia, cadeias globais de valor e trânsito livre e crescente de comércio e investimentos internacionais de todo o tipo.

Considerando dois países que hoje são referência mundial de crescimento, Coreia e China, e naquela época perdiam para o Brasil em grau de abertura, observa-se uma caminhada bem diferente. A Coreia estava com um grau de abertura de 9,5% em 1960, chegou a 61,2% em 1980 e a 82,5% em 2010. A China também saiu lá de trás, em situação mais isolada ainda (8,7%), alcançou 19,9% em 1980 e 48,7% em 2010.

As duas nações não foram exceções, pois o grau médio de abertura comercial entre os quase 40 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que adotam economias de livre mercado, também se expandiu de modo acentuado, registrando 17,5% (1960), 34,9% (1980) e 47,7% (2010). Uma das exceções foi o Brasil, que estacionou e não se alinhou a essa evolução da integração comercial, à qual se atribui parcela relevante dos avanços em produtividade, inovação e renda per capita, nas economias de modelo mais globalizante. Em 2017, o índice de nosso fluxo de comércio representou 17,9% do PIB%, enquanto a média OCDE atingiu 51,9%.

Mas o Brasil é país de contrastes e o agronegócio mostra um comportamento bem mais dinâmico. Em 1960 e décadas seguintes, o país era importador de alimentos. Nos anos 1990, o agro brasileiro começou a inverter os fluxos comerciais, com as exportações agropecuárias protagonizando um notável aumento, desde então. Tanto que em 2017 o fluxo de comércio do setor chegou a 25,8% do PIB do agro, certamente com impactos positivos sobre a eficiência e qualidade de processos e produtos. Não chega a ser uma espécie de China dentro do Brasil, mas revela uma integração internacional mais assertiva.

A consciência desses fatos e de sua correlação com o nosso futuro é algo bem relevante nesses tempos de governo novo e revisão do país. Momento de discutir o tratamento reservado às políticas de comércio exterior em aspectos como tributos, regulatórios e padrões técnicos de produtos, assim como estratégias para gerar oportunidades nessa área – como modernização jurídica, multilateralismo e investimentos em pesquisa.

Que soprem ventos de abertura. E isso vale tanto para o campo (apesar de sua dianteira no assunto) como para a cidade, com seus complexos industriais. Não dá para separar as coisas na economia contemporânea, pois o agronegócio é uma cadeia produtiva que começa no laboratório de genética e termina no prato do consumidor, devendo engajar todos os seus elos no mesmo tônus de consciência, progresso e vitalidade.

Fonte: Assessoria
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