Suínos Sistemas de produção
Suinocultura independente: novos tempos e velhos paradigmas
A busca por alternativas que caibam na granja, dentro do acompanhamento da experimentação e observação dos resultados, uma a uma, levará o produtor a um patamar de sucesso produtivo e financeiro.

A arte da criação de suínos ocorre quase que no mundo todo, com exceção da Antártida. É uma atividade que ocorre sob os mais diversos sistemas de produção (do extensivo ao intensivo), utilizando-se de diversos graus tecnológicos, com mão-de-obra de familiar a particular (terceirizada e quarteirizada), com o objetivo de criação de subsistência até como atividade econômica financeira primária.
No Brasil a suinocultura independente é praticada em todos os Estados, comumente como atividade de pequeno e médio porte, estando as granjas de grande porte ligadas de alguma forma aos grandes projetos de integração.
O suinocultor independente delimita o seu sistema particular com grau tecnológico próprio de produção. Determinando a genética, a nutrição, as instalações, os equipamentos, etc. Trabalha no mercado “spot”, onde a sua produção (suínos terminados aptos ao abate) é vendida para abatedouros/frigoríficos de suínos, que em sua maioria das vezes, abastece o mercado nacional com carcaças e cortes.
De um modo geral, as granjas independentes trabalham com genéticas tipo carne atendidas pelos grandes fornecedores de genética internacionais, bem como por empresas nacionais, devendo-se obter sempre reprodutores suínos advindos de Granjas GRSC (Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas), registradas no Mapa e tendo a sua sanidade acompanhada pelo Sistema Veterinário Oficial.
Quanto a alimentação de suínos, de um modo geral trabalha-se como ingredientes principais o milho e o farelo de soja, que nas fábricas próprias são misturados a núcleos comerciais, seguindo o modelo nutricional norte-americano.
E o Mercado Spot tem os seus preços diários, definidos pela oferta e procura, caracterizado por altos e baixos, que de um modo geral não acompanham os custos diários da produção de suínos vivos, que logicamente em épocas fecha no azul, bem como em outras no vermelho, se não atentado para o efeito preço de mercado. Além da oferta e procura, este tipo de mercado acaba sendo afetado também pela condição sanitária, seja da suinocultura como das outras atividades pecuárias, que diante de surtos de doenças, causam limitação de acesso a mercados e forte queda de preços dos suínos vivos, e às vezes, por bons períodos.
Com relação aos custos de produção, a produtividade continua sendo um indicador avaliativo, mas com certeza o segmento nutrição tem um efeito econômico muito expressivo, haja visto que é responsável por 70 a 85% do custo total de produção. E com a Pandemia do Covid-19, houve um aumento mundial pela busca por milho e soja, que fez com que estas commodities tivessem os seus preços elevados. Associado a isto, fora da porteira, ainda sofremos os elevados preços do dólar e dos combustíveis, que acabam impactando também no valor das matérias-primas que precisam chegar às granjas.
E dentro deste contexto, está cada vez mais difícil de praticar a suinocultura independente sem que a mesma esteja adjunta a agricultura na mesma propriedade, onde a primeira fornece um adubo orgânico, e a segunda fornece algum tipo de alimentos (produtos e coprodutos), e assim auxiliar na diminuição dos custos de produção de ambos os negócios.
Alguns paradigmas nutricionais e não nutricionais potenciais a serem batidos pelos suinocultores independentes (“saindo do quadrado”):
- Planejamento de Longo Prazo (antecipado) e real da estrutura e do Custo de Alimentação: medindo, monitorando e gerenciando os resultados. Existe no mercado várias plataformas digitais que trazem esta ferramenta, que auxilia na definição da alimentação com as hipóteses econômicas mais favoráveis.
- Utilização de ingredientes nutricionais alternativos: silagem de grão de milho úmido (S.G.M.U.), milho produzido na propriedade ou comprado de vizinho; DDG (grãos secos de destilaria): coprodutos de milho oriundos de destilarias de etanol; farelos de leguminosas (de amendoim, de girassol, de algodão, etc.), disponíveis regional e em época logo após a colheita; farinhas animais (de carne e ossos, de vísceras, de sangue, de penas, etc.), de fornecedores idôneos, adicionadas em sua produção de anti-oxidantes e anti-salmonela); pré-limpezas de milho, soja, trigo, etc. (secos e logo após a colheita, e isentos de terra e sementes de plantas daninhas nocivas aos suínos); cereais de inverno na região sul (triticale, centeio, aveia, cevada, farelo de arroz, farelo de trigo, ervilha, etc.); uso de óleos (de frango, de peixe, mistos) como fontes de energia, se disponíveis; sorgo, milheto, casca de soja, feno de parte aérea de mandioca, raspa de raiz de mandioca, etc. (quando disponíveis, com qualidade e preços interessantes, ou serem produzidos pelo próprio suinocultor); etc.
- Utilização de melhoradores zootécnicos nutricionais: aditivos tecnológicos (adsorventes de micotoxinas, etc.); aditivos sensoriais (principalmente extratos herbais); aditivos nutricionais (principalmente minerais orgânicos); aditivos zootécnicos (enzimas: fitases, proteases; prebióticos; probióticos; acidificantes; etc.).
- “Um passo além da produção de suínos vivos”: produção de um suíno específico com melhor preço no mercado (tipo orgânico, que já tem empresas trabalhando com este tipo de produto). Ou até mesmo a produção de um produto premium (com foco na qualidade da carne, cortes diferenciados, temperados com costumes locais), que também agreguem valor ao seu produto final. Isto pode ser conseguido via parceria com abatedouros e supermercados
Considerações sobre o uso de formulações de rações com ingredientes alternativos, ou seja, saída do quadrado do suinocultor independente:
– As rações produzidas com ingredientes alternativos, de um modo geral, causam uma leve queda nos resultados zootécnicos;
– O uso de ingredientes alternativos, tende a aumentar o uso de mão-de-obra, mas pode compensar o resultado financeiro final (“saindo da zona de conforto”);
– Para que estas quedas zootécnicas sejam compensatórias financeiramente, o suinocultor independente precisa fazer com que o custo real por quilo produzido vivo diminua a partir do resultado financeiro anterior (custo);
– Em uma experiência em passado recente em uma integração ao qual trabalhei como supervisor de produção no Paraná, onde as médias zootécnicas eram menores (em torno de 10%) e a diminuição do custo por quilo do suíno vivo produzido de até 20% (incluindo custo de impostos e financeiro), quando comparada com os resultados previstos para uma produção em sistema convencional com uso de milho e soja, bem como comparado via benchmarketing com as demais empresas suinícolas da época.
Adaptações na estrutura da granja e outras que devem ser planejadas para o sucesso do uso das sugestões acima:
- As formulações devem ser desenvolvidas e prescritas por assessoria nutricional, com conhecimento técnico e prático no assunto;
- A fábrica de rações deve ser adaptada para o uso de alguns ingredientes: armazenamento das matérias-primas; maquinário de moagem conjunta, quanto ao uso de ingredientes com mais fibra bruta, que diminuem a capacidade de moagem; depósito e injetores de óleos, etc.
- Os comedouros automáticos tipo holandês dos suínos (principalmente para as fases de creche, crescimento e terminação) devem ser adaptados a apresentação da ração pronta. Por exemplo, para o uso de S.G.M.U., é interessante o uso de comedouros que tenham mecanismos de giro interno, bem como do depósito externo, para facilitar a caída da ração, em presença de parte de sabugo).
- Pode-se optar por trabalhar com premix aberto (modelo de nutrição animal europeu), ou conversar com o seu fornecedor de nutrição de suínos para desenhar e desenvolver produtos específicos para as condições de uso.
O que não mudou para o sucesso econômico do suinocultor independente:
– Ter balanças, para saber e conferir tudo que entra (matérias-primas), bem como tudo que sai (produção de suínos vivos), para que tenha em mãos os números e controle total do processo de produção;
– O “mapa da mina”, gestão total sobre a produção, resultados financeiros – em todas as fases de produção – para definição do diagnóstico da problemática: a crise é de baixa produtividade, alto custo dos insumos ou baixo preço do suíno vivo. O sucesso do tratamento, também aqui, está diretamente ligado ao acerto na definição da causa;
– Provisionar o estoque anual das principais matérias-primas, necessário para a produção anual do ciclo de produção dos suínos, comprando na safra e produzindo na entressafra;
– Uso de financiamentos de custeio para compra de matérias-primas na safra, auxiliando no capital de giro do negócio, se necessário;
– Ajuste do plantel de suínos e sua produtividade dentro das fases de produção ao tamanho livre da construção disponível, ou vice-versa, em busca do bem-estar animal, tão necessário na condição atual de retirada/banimento dos antibióticos promotores de crescimento dos sistemas de produção animal;
– Manutenção de um excelente regime de biosseguridade (isolamento da granja, restrição de visitas, controle de roedores e de moscas, etc.), principalmente nesta fase de mitigação de risco frente a Peste Suína Africana, que assola diversos países;
– Produção alternativa de energia elétrica via transformação do biogás dos dejetos dos biodigestores via motor-gerador, ou até via placas solares, que com certeza, tem algum impacto no custo de produção;
– Sustentabilidade ambiental continua: destinação correta dos animais mortos e restos de parto (compostagem); armazenamento, tratamento e destinação dos dejetos; armazenamento e destinação dos demais resíduos da produção (reciclagem e logística reversa), etc.
A busca pela alternativa e/ou alternativas que caiba(m) em sua granja, dentro do acompanhamento da experimentação e observação dos resultados, uma a uma, te levará a um patamar de sucesso produtivo e financeiro. E lembre-se de que “um desistente nunca vence, e um vencedor nunca desiste”.
E finalizando, sempre dá para melhorar, é só prestar atenção nas ocorrências. E ainda, se você quer algum resultado diferente do conseguido, tem que mudar a sua estratégia. Do contrário estará fadado a manutenção do mesmo resultado anterior, que poderá dar continuidade a sua conta no vermelho de sua granja.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



