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Suinocultura catarinense projeta novo ciclo com posse da ACCS

Evento reuniu lideranças do setor e marcou início da gestão 2026-2030 com foco em logística e mercados internacionais.

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Foto: Divulgação

O tradicional Clube 29 de Julho, em Concórdia, vestiu-se de gala no último sábado (07), para celebrar um momento decisivo para o agronegócio brasileiro. O evento festivo marcou a posse da nova diretoria da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), reafirmando a hegemonia do estado no cenário mundial da proteína animal.

Embora o rito oficial tenha ocorrido estatutariamente em 9 de janeiro, a noite de sábado serviu como uma demonstração de força política e setorial, inaugurando o ciclo de gestão que conduzirá a entidade de 2026 a 2030.

A cerimônia reuniu o “PIB da suinocultura”: lideranças políticas, empresários, presidentes de núcleos e parceiros estratégicos que, entre atos oficiais e um jantar que exaltou a gastronomia suína, desenharam o futuro de um setor que hoje coloca Santa Catarina como o terceiro maior exportador mundial. O evento transcorreu em um clima misto de celebração pelos resultados recentes — com produtores operando com margens positivas nos últimos dois anos — e de planejamento estratégico para os desafios logísticos e sanitários que se avizinham.

Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS

Reconduzido ao cargo, Losivanio Luiz de Lorenzi utilizou seu discurso para traçar as metas ambiciosas do novo quadriênio. O dirigente deixou claro que a ACCS transcendeu as fronteiras estaduais para se tornar um player de articulação internacional, focando na redução de custos via integração logística com o Mercosul e na manutenção rigorosa do status sanitário, considerado o “passaporte” para mercados premium como Japão e Estados Unidos.

“A Associação Catarinense de Criadores de Suínos, hoje, não é mais só de Concórdia. As parcerias cresceram e estamos abrindo caminhos para ter um custo menor de produção. Estamos trabalhando na abertura para trazer milho do Paraguai e da Argentina, chegando à região Oeste Catarinense num custo mais baixo. Nosso maior patrimônio é a bioseguridade; é ela que nos mantém nos mercados mais exigentes onde só Santa Catarina consegue alçar voo”, declarou Losivanio.

Marcelo Lopes, Presidente da ABCS

A unidade nacional do setor foi chancelada pela presença de Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Lopes trouxe uma mensagem de coesão, lembrando que a força de Santa Catarina reverbera em todo o agronegócio brasileiro.

“Quero deixar aqui uma recomendação especial de todos os produtores brasileiros, os quais a ABCS representa. Em nome deles, desejo que seja um mandato repleto de bons momentos, de muita conquista e muito trabalho. Esperamos estar juntos sempre neste próximo ciclo”, disse Lopes.

Adir Engel, vice-presidente da ACCS

O novo vice-presidente, Adir Engel, assumiu o compromisso de descentralizar a representatividade da entidade. Reconhecendo a dimensão continental da produção catarinense, Engel destacou que seu papel será garantir que a ACCS esteja onipresente, atendendo tanto os produtores independentes quanto os integrados em todas as regiões.

“O estado de Santa Catarina é muito grande e temos muitas regiões produtoras. Só o presidente, muitas vezes, não pode estar presente em todos os eventos. Aceitamos o desafio de fazer parte desse grupo exatamente para auxiliar ainda mais nos trabalhos, pois sempre que se tem alguma situação, favorável ou desfavorável, quem é chamado é a ACCS”, explicou o vice-presidente.

Admir Edi Dalla Cort, secretário de Estado da Agricultura

Representando o Governo do Estado, o secretário Adimir reforçou o alinhamento total entre a gestão pública e a entidade de classe. Ele destacou que a relevância de Santa Catarina como maior produtor nacional passa, inevitavelmente, pela competência da ACCS em capitanear as demandas do homem do campo.

“A Secretaria da Agricultura está sempre parceira para levar, junto com a ACCS, o melhor para o suinocultor. É fundamental que a entidade continue com esse grande trabalho, fazendo com que a suinocultura catarinense tenha essa relevância a nível nacional. Isso reforça nossa missão de apoiar muito o produtor catarinense”, afirmou o secretário.

Lívia Machado, diretora de marketing da ABCS

Trazendo um olhar necessário sobre a diversidade no campo, Lívia Machado, também representando a ABCS, dedicou sua fala ao protagonismo feminino. Ela ressaltou que a modernização da suinocultura passa também pela liderança das mulheres na gestão das granjas e das entidades.

“Quero ressaltar a presença das mulheres nas granjas, na suinocultura e aqui na ACCS. Em nome da Adriana Donati (diretora administrativa e financeira da ACCS), desejo a vocês todas que continuem junto aos suinocultores fazendo da suinocultura catarinense um exemplo para todo o Brasil. Desejo um mandato fraterno e eficiente”, celebrou Lívia.

Altair Silva, deputado estadual

A voz do Legislativo foi trazida pelo deputado Altair Silva, que apresentou um balanço econômico otimista. O parlamentar enfatizou as vitórias políticas recentes, como a manutenção da carga tributária em patamares competitivos, essenciais para a rentabilidade da cadeia produtiva.

“Tivemos um avanço muito positivo nos últimos dois anos, com a melhora dos resultados. Demos passos importantes, mantivemos o ICMS a 6% e o produtor trabalhou no azul. Isso é muito importante para que a cadeia produtiva da suinocultura continue avançando, gerando renda e desenvolvimento para Santa Catarina”, pontuou Altair.

Valdecir Folador, Presidente da Acsurs

A irmandade entre os estados do Sul foi reafirmada por Valdecir Folador, líder da suinocultura gaúcha. Ele destacou a importância da sintonia fina entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul para o fortalecimento do bloco produtor regional.

“Para nós do Rio Grande do Sul, é um prazer prestigiar a ACCS, que é nossa coirmã. Santa Catarina está muito bem representada pelo trabalho feito por essa diretoria. Vivemos um momento bom nos últimos dois anos e 2026 indica que não será diferente, o que é vital para que os produtores tenham excelente resultado em seus negócios”, projetou Folador.

Rita Ferrão, vice-presidente do Bripaem

A dimensão diplomática da noite ficou a cargo de Rita Ferrão, vice-presidente do Bloco de Governadores, Prefeitos e Empresários do Mercosul (Bripaem). A presença dela sublinhou a influência de Losivanio, que também preside o bloco setorial, na integração comercial sul-americana.

“É uma honra prestigiar o Losivanio, que também é nosso presidente lá no bloco. O trabalho dele é bastante importante não só para a região de Santa Catarina, mas para o Brasil todo. É essencial ressaltar os criadores que põem alimento na nossa mesa”, destacou Rita.

Vanduir Martini, presidente da Copérdia

O cooperativismo, força motriz do Oeste, foi representado por Vanduir Martini. O presidente da Copérdia definiu a relação com a ACCS como uma “parceria de primeira hora”, essencial para blindar o estado contra ameaças sanitárias.

“A Copérdia tem na sua essência a produção de suínos e estamos juntos. Os desafios são gigantes e a questão sanitária é fundamental para que a gente mantenha o status de Santa Catarina diferenciado a nível de mundo. A ACCS tem esse papel fundamental de organizar, defender e blindar o nosso setor”, analisou Martini.

Osvaldo Miotto Jr, conselheiro executivo do Icasa

Osvaldo Miotto Jr, do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), reforçou o caráter técnico da gestão. Ele elogiou a competência da diretoria em articular as ações de defesa sanitária, vitais para a exportação.

“Estar à frente de uma instituição como esta exige criar força junto com as demais instituições. Percebo que o Losivanio e toda a diretoria têm feito isso com muito afinco e carinho. É disso que Santa Catarina e nossos produtores precisam”, afirmou Miotto.

Moacir Sopelsa, Ex-Presidente da ACCS

A emoção tomou conta quando Moacir Sopelsa, figura política histórica e que já presidiu a entidade, relembrou as raízes do associativismo. Filho de um dos fundadores da associação, Sopelsa compartilhou lições de resiliência aprendidas em casa, que servem de bússola para os tempos atuais.

“Meu pai dizia: ‘Nós temos que manter na crise o mesmo peso de animais que temos na fartura’. Ou seja, segurar os plantéis na crise para não precisar esperar quando a melhora vier. A suinocultura sempre teve altos e baixos, mas o nosso produtor, com persistência, nos transformou no maior produtor do país em um estado pequeno”, rememorou Sopelsa.

Paulo Tramontini, Ex-Presidente da ACCS

Mesmo ausente devido a um problema técnico em sua aeronave, o ex-presidente Paulo Tramontini fez-se presente através de um vídeo que tocou os convidados. Sua mensagem reforçou o sentimento de pertencimento e a continuidade do legado.

“Lamentavelmente, um problema de manutenção no avião nos tirou a oportunidade de abraçar os companheiros. Mas fica meu orgulho de ter feito parte dessa história de mais de seis décadas e de ter dado minha contribuição. Tenho certeza que nossa suinocultura continuará sendo referência para o Brasil e para o mundo”, concluiu Tramontini.

De 1959 ao topo do mundo: 66 anos de vanguarda

A celebração da noite de gala coroa uma trajetória iniciada em 24 de julho de 1959, quando 81 produtores visionários, no coração do Oeste, fundaram a ACCS para organizar uma cadeia produtiva emergente. Sob a liderança inicial de nomes como Attílio Fontana, a entidade não foi apenas uma resposta institucional, mas o motor de uma revolução silenciosa que transformou a suinocultura de subsistência em potência industrial. Ao atuar como ponte entre o saber popular e a tecnificação, a ACCS pavimentou o caminho para que Santa Catarina deixasse de ser apenas um estado produtor para se tornar uma referência global em sanidade e eficiência.

O DNA de inovação consolidou-se nas décadas seguintes, quando a entidade protagonizou o salto tecnológico do setor. Sob a presidência de Paulo Tramontini, em 1976, a inauguração da primeira central de inseminação artificial do Brasil marcou o início da era da genética de ponta, solidificando o estado como líder na produção de material de alta qualidade. Essa busca pela excelência, aliada a conquistas sanitárias históricas — como o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação em 2007 —, blindou o estado contra crises e transformou desafios, como os protestos da década de 1980, em políticas públicas estruturantes.

Com 66 anos, a ACCS chega a 2026 com uma estrutura robusta, exemplificada pela moderna Central de Coleta e Difusão Genética (CDG-ACCS) e pela força política do cooperativismo. A associação reafirma que sua longevidade não é fruto do acaso, mas de uma capacidade contínua de adaptação. A história de “suor e ousadia” iniciada pelos colonos prepara agora o terreno para um futuro onde tecnologia, sustentabilidade e liderança continental ditarão as regras.

Fonte: Assessoria Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)

Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais

Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

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Foto: Divulgação

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.

O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.

Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: O Presente Rural
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