Conectado com

Suínos

Suinocultura catarinense projeta novo ciclo com posse da ACCS

Evento reuniu lideranças do setor e marcou início da gestão 2026-2030 com foco em logística e mercados internacionais.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

O tradicional Clube 29 de Julho, em Concórdia, vestiu-se de gala no último sábado (07), para celebrar um momento decisivo para o agronegócio brasileiro. O evento festivo marcou a posse da nova diretoria da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), reafirmando a hegemonia do estado no cenário mundial da proteína animal.

Embora o rito oficial tenha ocorrido estatutariamente em 9 de janeiro, a noite de sábado serviu como uma demonstração de força política e setorial, inaugurando o ciclo de gestão que conduzirá a entidade de 2026 a 2030.

A cerimônia reuniu o “PIB da suinocultura”: lideranças políticas, empresários, presidentes de núcleos e parceiros estratégicos que, entre atos oficiais e um jantar que exaltou a gastronomia suína, desenharam o futuro de um setor que hoje coloca Santa Catarina como o terceiro maior exportador mundial. O evento transcorreu em um clima misto de celebração pelos resultados recentes — com produtores operando com margens positivas nos últimos dois anos — e de planejamento estratégico para os desafios logísticos e sanitários que se avizinham.

Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS

Reconduzido ao cargo, Losivanio Luiz de Lorenzi utilizou seu discurso para traçar as metas ambiciosas do novo quadriênio. O dirigente deixou claro que a ACCS transcendeu as fronteiras estaduais para se tornar um player de articulação internacional, focando na redução de custos via integração logística com o Mercosul e na manutenção rigorosa do status sanitário, considerado o “passaporte” para mercados premium como Japão e Estados Unidos.

“A Associação Catarinense de Criadores de Suínos, hoje, não é mais só de Concórdia. As parcerias cresceram e estamos abrindo caminhos para ter um custo menor de produção. Estamos trabalhando na abertura para trazer milho do Paraguai e da Argentina, chegando à região Oeste Catarinense num custo mais baixo. Nosso maior patrimônio é a bioseguridade; é ela que nos mantém nos mercados mais exigentes onde só Santa Catarina consegue alçar voo”, declarou Losivanio.

Marcelo Lopes, Presidente da ABCS

A unidade nacional do setor foi chancelada pela presença de Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). Lopes trouxe uma mensagem de coesão, lembrando que a força de Santa Catarina reverbera em todo o agronegócio brasileiro.

“Quero deixar aqui uma recomendação especial de todos os produtores brasileiros, os quais a ABCS representa. Em nome deles, desejo que seja um mandato repleto de bons momentos, de muita conquista e muito trabalho. Esperamos estar juntos sempre neste próximo ciclo”, disse Lopes.

Adir Engel, vice-presidente da ACCS

O novo vice-presidente, Adir Engel, assumiu o compromisso de descentralizar a representatividade da entidade. Reconhecendo a dimensão continental da produção catarinense, Engel destacou que seu papel será garantir que a ACCS esteja onipresente, atendendo tanto os produtores independentes quanto os integrados em todas as regiões.

“O estado de Santa Catarina é muito grande e temos muitas regiões produtoras. Só o presidente, muitas vezes, não pode estar presente em todos os eventos. Aceitamos o desafio de fazer parte desse grupo exatamente para auxiliar ainda mais nos trabalhos, pois sempre que se tem alguma situação, favorável ou desfavorável, quem é chamado é a ACCS”, explicou o vice-presidente.

Admir Edi Dalla Cort, secretário de Estado da Agricultura

Representando o Governo do Estado, o secretário Adimir reforçou o alinhamento total entre a gestão pública e a entidade de classe. Ele destacou que a relevância de Santa Catarina como maior produtor nacional passa, inevitavelmente, pela competência da ACCS em capitanear as demandas do homem do campo.

“A Secretaria da Agricultura está sempre parceira para levar, junto com a ACCS, o melhor para o suinocultor. É fundamental que a entidade continue com esse grande trabalho, fazendo com que a suinocultura catarinense tenha essa relevância a nível nacional. Isso reforça nossa missão de apoiar muito o produtor catarinense”, afirmou o secretário.

Lívia Machado, diretora de marketing da ABCS

Trazendo um olhar necessário sobre a diversidade no campo, Lívia Machado, também representando a ABCS, dedicou sua fala ao protagonismo feminino. Ela ressaltou que a modernização da suinocultura passa também pela liderança das mulheres na gestão das granjas e das entidades.

“Quero ressaltar a presença das mulheres nas granjas, na suinocultura e aqui na ACCS. Em nome da Adriana Donati (diretora administrativa e financeira da ACCS), desejo a vocês todas que continuem junto aos suinocultores fazendo da suinocultura catarinense um exemplo para todo o Brasil. Desejo um mandato fraterno e eficiente”, celebrou Lívia.

Altair Silva, deputado estadual

A voz do Legislativo foi trazida pelo deputado Altair Silva, que apresentou um balanço econômico otimista. O parlamentar enfatizou as vitórias políticas recentes, como a manutenção da carga tributária em patamares competitivos, essenciais para a rentabilidade da cadeia produtiva.

“Tivemos um avanço muito positivo nos últimos dois anos, com a melhora dos resultados. Demos passos importantes, mantivemos o ICMS a 6% e o produtor trabalhou no azul. Isso é muito importante para que a cadeia produtiva da suinocultura continue avançando, gerando renda e desenvolvimento para Santa Catarina”, pontuou Altair.

Valdecir Folador, Presidente da Acsurs

A irmandade entre os estados do Sul foi reafirmada por Valdecir Folador, líder da suinocultura gaúcha. Ele destacou a importância da sintonia fina entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul para o fortalecimento do bloco produtor regional.

“Para nós do Rio Grande do Sul, é um prazer prestigiar a ACCS, que é nossa coirmã. Santa Catarina está muito bem representada pelo trabalho feito por essa diretoria. Vivemos um momento bom nos últimos dois anos e 2026 indica que não será diferente, o que é vital para que os produtores tenham excelente resultado em seus negócios”, projetou Folador.

Rita Ferrão, vice-presidente do Bripaem

A dimensão diplomática da noite ficou a cargo de Rita Ferrão, vice-presidente do Bloco de Governadores, Prefeitos e Empresários do Mercosul (Bripaem). A presença dela sublinhou a influência de Losivanio, que também preside o bloco setorial, na integração comercial sul-americana.

“É uma honra prestigiar o Losivanio, que também é nosso presidente lá no bloco. O trabalho dele é bastante importante não só para a região de Santa Catarina, mas para o Brasil todo. É essencial ressaltar os criadores que põem alimento na nossa mesa”, destacou Rita.

Vanduir Martini, presidente da Copérdia

O cooperativismo, força motriz do Oeste, foi representado por Vanduir Martini. O presidente da Copérdia definiu a relação com a ACCS como uma “parceria de primeira hora”, essencial para blindar o estado contra ameaças sanitárias.

“A Copérdia tem na sua essência a produção de suínos e estamos juntos. Os desafios são gigantes e a questão sanitária é fundamental para que a gente mantenha o status de Santa Catarina diferenciado a nível de mundo. A ACCS tem esse papel fundamental de organizar, defender e blindar o nosso setor”, analisou Martini.

Osvaldo Miotto Jr, conselheiro executivo do Icasa

Osvaldo Miotto Jr, do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), reforçou o caráter técnico da gestão. Ele elogiou a competência da diretoria em articular as ações de defesa sanitária, vitais para a exportação.

“Estar à frente de uma instituição como esta exige criar força junto com as demais instituições. Percebo que o Losivanio e toda a diretoria têm feito isso com muito afinco e carinho. É disso que Santa Catarina e nossos produtores precisam”, afirmou Miotto.

Moacir Sopelsa, Ex-Presidente da ACCS

A emoção tomou conta quando Moacir Sopelsa, figura política histórica e que já presidiu a entidade, relembrou as raízes do associativismo. Filho de um dos fundadores da associação, Sopelsa compartilhou lições de resiliência aprendidas em casa, que servem de bússola para os tempos atuais.

“Meu pai dizia: ‘Nós temos que manter na crise o mesmo peso de animais que temos na fartura’. Ou seja, segurar os plantéis na crise para não precisar esperar quando a melhora vier. A suinocultura sempre teve altos e baixos, mas o nosso produtor, com persistência, nos transformou no maior produtor do país em um estado pequeno”, rememorou Sopelsa.

Paulo Tramontini, Ex-Presidente da ACCS

Mesmo ausente devido a um problema técnico em sua aeronave, o ex-presidente Paulo Tramontini fez-se presente através de um vídeo que tocou os convidados. Sua mensagem reforçou o sentimento de pertencimento e a continuidade do legado.

“Lamentavelmente, um problema de manutenção no avião nos tirou a oportunidade de abraçar os companheiros. Mas fica meu orgulho de ter feito parte dessa história de mais de seis décadas e de ter dado minha contribuição. Tenho certeza que nossa suinocultura continuará sendo referência para o Brasil e para o mundo”, concluiu Tramontini.

De 1959 ao topo do mundo: 66 anos de vanguarda

A celebração da noite de gala coroa uma trajetória iniciada em 24 de julho de 1959, quando 81 produtores visionários, no coração do Oeste, fundaram a ACCS para organizar uma cadeia produtiva emergente. Sob a liderança inicial de nomes como Attílio Fontana, a entidade não foi apenas uma resposta institucional, mas o motor de uma revolução silenciosa que transformou a suinocultura de subsistência em potência industrial. Ao atuar como ponte entre o saber popular e a tecnificação, a ACCS pavimentou o caminho para que Santa Catarina deixasse de ser apenas um estado produtor para se tornar uma referência global em sanidade e eficiência.

O DNA de inovação consolidou-se nas décadas seguintes, quando a entidade protagonizou o salto tecnológico do setor. Sob a presidência de Paulo Tramontini, em 1976, a inauguração da primeira central de inseminação artificial do Brasil marcou o início da era da genética de ponta, solidificando o estado como líder na produção de material de alta qualidade. Essa busca pela excelência, aliada a conquistas sanitárias históricas — como o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação em 2007 —, blindou o estado contra crises e transformou desafios, como os protestos da década de 1980, em políticas públicas estruturantes.

Com 66 anos, a ACCS chega a 2026 com uma estrutura robusta, exemplificada pela moderna Central de Coleta e Difusão Genética (CDG-ACCS) e pela força política do cooperativismo. A associação reafirma que sua longevidade não é fruto do acaso, mas de uma capacidade contínua de adaptação. A história de “suor e ousadia” iniciada pelos colonos prepara agora o terreno para um futuro onde tecnologia, sustentabilidade e liderança continental ditarão as regras.

Fonte: Assessoria Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)

Suínos

Incentivos públicos fortalecem suinocultura e impulsionam produção no Sul do País

Programas de apoio financeiro, assistência técnica e biosseguridade ampliam competitividade e renda no campo.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/ACSURS

O município de Três Passos vem consolidando a suinocultura como uma das principais atividades econômicas locais por meio de políticas públicas voltadas ao incentivo produtivo, à biosseguridade e às boas práticas no meio rural. Entre as ações, destaca-se a concessão de subsídios financeiros e de horas-máquina aos suinocultores, calculados conforme o número de animais alojados.

Os incentivos abrangem serviços essenciais para a implantação, ampliação e modernização das granjas, como terraplanagem para novas estruturas, escavação de esterqueiras, adequação de áreas para embarque e desembarque de animais, melhoria dos acessos às propriedades e benfeitorias anexas, a exemplo de composteiras, escritórios e espaços para instalação de silos de ração. As medidas contribuem para a geração de renda, a permanência do produtor no campo e a sustentabilidade da suinocultura.

Bioseguridade como prioridade

Além dos investimentos em infraestrutura, o município incentiva fortemente a adoção de práticas de manejo, sanidade e bem-estar animal, fundamentais para a competitividade da suinocultura moderna.

Nesse contexto, destaca-se o Programa Municipal de Incentivo à Biosseguridade na Suinocultura, que subsidia adequações exigidas pelas legislações vigentes. Por meio do programa, cada produtor inscrito pode receber:

– Até 15 horas-máquina para obras e serviços de adequação sanitária;
– 700 URMs por ano, o que atualmente corresponde a R$ 4.802,00, pelo período máximo de seis anos, conforme disponibilidade orçamentária.

Atualmente, cerca de 100 produtores participam do programa, reforçando o compromisso do setor com a sanidade, a prevenção de doenças e a segurança da produção.

Acompanhamento técnico especializado para a suinocultura

O Programa Pró-Suíno assegura acompanhamento técnico permanente por meio de um profissional da Secretaria Municipal de Agricultura, dedicado exclusivamente à suinocultura, oferecendo suporte contínuo aos produtores e contribuindo para o aprimoramento da atividade no município.

PROMAT fortalece a atividade agropecuária

O PROMAT – Programa de Manutenção na Agropecuária consiste no repasse de créditos financeiros aos empreendimentos rurais, calculados em 5% sobre o retorno de ICMS gerado pelo próprio produtor, com base no Valor Adicionado Fiscal (VAF) do setor agrossilvipastoril.

O programa tem como objetivo auxiliar na manutenção das atividades no campo, estimular a produção e fortalecer a arrecadação municipal. Têm direito ao benefício os empreendimentos que efetivamente geram retorno de ICMS ao município, com exceção da produção leiteira, que possui regulamentação específica.

Em 2025, o PROMAT resultou no repasse de R$ 305.816,45 a 255 produtores rurais, evidenciando sua relevância para o fortalecimento do setor agropecuário local.

Associação

A construção e a consolidação dessas políticas públicas contam com a participação ativa da Assuipassos – Associação dos Suinocultores de Três Passos, que atua de forma direta na elaboração, no incentivo e no aperfeiçoamento dos projetos voltados à suinocultura. Como representante dos produtores, a entidade tem papel fundamental no diálogo com o poder público e contribui de maneira significativa para o desenvolvimento técnico, econômico e sanitário da atividade no município.

Fonte: Assessoria ACSURS
Continue Lendo

Suínos

Nova plataforma integra dados laboratoriais e reforça vigilância sanitária na suinocultura

Sistema nacional reúne informações de laboratórios para antecipar riscos biológicos, apoiar defesa sanitária e fortalecer conceito de Saúde Única.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A suinocultura brasileira se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa Suínos e Aves disponibilizou esta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS). A plataforma integra dados de laboratórios de todo o país para antecipar riscos biológicos, otimizar a biosseguridade e fortalecer o conceito de Saúde Única, um “radar nacional” que transforma dados laboratoriais dispersos em inteligência para produtores e órgãos de defesa sanitária.

Até então, o monitoramento sanitário enfrentava o desafio da fragmentação: cada Laboratório de Diagnóstico Veterinário (LDV) utilizava sistemas e terminologias próprias. Em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Embrapa implantou padrões internacionais (como LOINC e SNOMED CT) para garantir que todos os laboratórios falem a mesma língua. Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, explica que como o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais, manter a saúde dos rebanhos é essencial, e a CISS permite análises preditivas e retrospectivas, tornando-se um instrumento inovador.

O projeto-piloto da plataforma já trouxe dados valiosos sobre a Pneumonia Enzoótica (Mycoplasma hyopneumoniae), um dos principais vilões do Complexo Respiratório Suíno (PRDC). Entre 2019 e 2025, foram analisados mais de 253 mil testes de PCR, o maior índice de positividade foi registrado em maio de 2022, quando 38% das amostras testaram positivo. Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina lideram as submissões de dados.

Além da pneumonia, estudos recentes integrados à plataforma identificaram o genótipo PCV2d como predominante no Brasil para o Circovírus suíno tipo 2, dado crucial para a atualização de protocolos de vacinação. A CISS não foca apenas na produtividade, mas na Saúde Única. A lógica é simples: animais saudáveis exigem menos antibióticos, o que reduz o impacto ambiental e previne a resistência antimicrobiana em humanos.

A vigilância é particularmente crítica para vírus como a Influenza A. Como os suínos podem ser infectados por vírus humanos e aviários simultaneamente, eles atuam como potenciais “vasos de mistura” para novas variantes. O monitoramento contínuo via CISS permite identificar precocemente agentes zoonóticos antes que se tornem ameaças à saúde pública global. Os próximos passos incluem a expansão da rede de laboratórios parceiros e a emissão de relatórios mensais para o setor. No horizonte tecnológico, a Embrapa planeja integrar Inteligência Artificial e Big Data para prever surtos com precisão matemática.

Para Janice Zanella, pesquisadora e líder do projeto, o papel do veterinário moderno vai além da granja: “Eles estão na linha de frente da saúde global. O Brasil pode liderar soluções em sanidade que impactam positivamente todo o planeta”, finaliza.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

Estresse térmico e desafios fisiológicos elevam riscos produtivos na suinocultura

Manutenção do equilíbrio hídrico e eletrolítico é apontada como fator essencial para reduzir perdas reprodutivas nas matrizes.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Artigo escrito por Flávia Cristina Silva, médica Veterinária (UFU) e MBA Gestão Empresarial, coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex

A homeostase não é um conceito abstrato difícil de ser mensurado: ela pode ser aferida através de alguns parâmetros. Pode-se avaliar, por exemplo, o pH sanguíneo (entre 7,35 e 7,45), a temperatura retal (entre 38,6 e 39,2ºC), os batimentos cardíacos (de 60 a 120 bpm), a frequência respiratória (entre 32 e 58 mrm), a porcentagem de água corporal (de 50 a 80%), a glicemia (entre 65 e 95 mg/dL), entre outros. O que vai determinar qual desses números vai enquadrar o animal em homeostase é a fase de vida dele. Logo, um leitão de maternidade tende a ter batimentos cardíacos muito acelerados (entre 110 e 120 bpm) enquanto a mãe dele vai ter um ritmo bem menos veloz (entre 60 e 80 bpm).

Os principais recursos fisiológicos usados por animais para manutenção da homeostase estão ligados ao movimento de água e eletrólitos. O ganho de água acontece principalmente pela água de bebida (80%), ração (5%) e metabolismo (15%). Lembrando que uma ração seca tem aproximadamente 12% de umidade e que os produtos do metabolismo aeróbico são água e CO2. E a perda acontece em sua maior parte pela urina e menor parte pela respiração e pele (perda insensível) e pelas fezes. Já o ganho de eletrólitos é quase exclusivamente pela ingestão de ração e ínfimo pela água. A perda de eletrólitos acontece principalmente pela urina, fezes (saliva e bile) e muito pequena parte pela pele, já que os suínos têm poucas glândulas sudoríparas funcionais. Então, o estado de equilíbrio entre a perda e o ganho de água e eletrólitos significa que o animal está em homeostase.

Fases desafiadoras das fêmeas

Os suínos destinados à reprodução, mais especificamente as fêmeas, passam por fases desafiadoras para a homeostase, natural e ciclicamente. Uma fêmea no cio tem seu apetite reduzido e pode entrar em hipoglicemia (ou cetose metabólica) e desidratar-se. O periparto é bastante desafiador também, pois no mesmo evento (o parto) temos uma redução intencional na oferta de ração e uma súbita necessidade de energia e eletrólitos (para contrações uterinas) e água (para formação do colostro).

Além do mais, o parto é um evento desencadeado pela alta concentração de cortisol produzido pelos leitões já prontos para nascerem. Já uma fêmea lactante tem sua temperatura retal normal aumentada (39,1ºC), pois a lactogênese produz calor. Toda vez que uma fêmea passa por uma situação estressante em que não consegue manter a homeostase ela, numa tentativa de autopreservação, sacrifica seu desempenho reprodutivo. Isso pode ser percebido quando há uma repetição de cio irregular, um aborto, um baixo número de nascidos totais ou uma baixa produção de leite. Seja hipoglicemia, desidratação ou hipertermia, essas condições naturais são inerentes ao processo, mas podem ser agravadas por infraestrutura inadequada que não mitiga estressores ambientais. O calor é inquestionavelmente o principal estressor ambiental da fêmea suína.

Embora desenvolvido para ruminantes, o esquema da Figura 1 é aplicado na Bioclimatologia Animal em suínos e outras espécies. Suínos adultos criados sob condições climatológicas brasileiras (que variam de equatorial à subtropical) têm mais desafios frente ao calor que ao frio. Ondas de calor muito intensas ou abruptas podem produzir uma ofegação (aumento da frequência respiratória) que aumenta a excreção de CO2 e do pH sanguíneo levando o animal à alcalose respiratória e morte por hipertermia. Todos os mecanismos de hipo e hipertermia podem ser explicados pela regulação ácido-base sanguínea.

Figura 1 – Representação esquemática das zonas de sobrevivência, bem-estar e homeotermia em relação as condições ambientais dos ruminantes

Ferramenta coadjuvantes

É evidente que nenhum recurso adicional elimina os efeitos de uma infraestrutura deficitária com incidência solar direta, alta umidade (acima de 70%) ou altas temperaturas (geralmente, acima de 22ºC para animais adultos), por exemplo. Mas suplementos minerais, vitamínicos e com carboidratos via água de bebida são uma excelente ferramenta como coadjuvantes na correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos causados pelo estresse natural e provocado de cada fase.

Suplementos compostos pelos principais íons presentes no meio extracelular (Na+ e Cl-) e intracelular (K+), além de fontes de energia (glicose), mantém a bomba de sódio e potássio ativa e funcional e ajudam a manter o pH sanguíneo na estreita faixa de variação tolerável pelos animais. A pressão sanguínea pode variar até 10% sem que haja prejuízo para o suíno, mas pode ser fatal se a osmolaridade sanguínea variar acima de 1%.

Vitaminas como C, E e A são antioxidantes e combatem os radicais livres aumentados nesses períodos estressantes. Já as vitaminas C, do complexo B e D ajudam a regular os níveis de cortisol circulantes.

Conclusão

Em resumo, mesmo que todas as condições de bem-estar animal ligadas ao conforto térmico sejam oferecidas às fêmeas suínas, os eventos cíclicos naturais como cio, parto e lactogênese são suficientemente estressantes. Capazes de provocar desidratação, hipoglicemia e hipertermia, exacerbados por estressores ambientais ou uma condição física debilitada, os efeitos desses eventos naturais variam desde uma perda de desempenho leve até a fatalidade. Logo, utilizar ferramentas como suplementos minerais, vitamínicos e energéticos podem facilitar a manutenção da homeostase. É bem-estar animal na prática.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo