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Suínos Perspectivas da ABPA

Suinocultura amplia abates com projeção para crescer ainda mais em 2022

Quarto maior produtor de carne suína do mundo, a produção do Brasil é estimativa em até 4,7 milhões de toneladas, número 6% superior ao registrado no ano anterior, com 4,4 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 4,85 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação a 2021.

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Fotos: Arquivo OP Rural

Entre os oito maiores contribuintes do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), a suinocultura cresceu 2,8% em relação ao ano anterior, agregando uma receita de R$ 31,2 bilhões em 2021. Quarto maior produtor de carne suína do mundo, a produção do Brasil é estimativa em até 4,7 milhões de toneladas, número 6% superior ao registrado no ano anterior, com 4,4 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 4,85 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação a 2021.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A Rússia abriu uma cota de importação de 100 mil toneladas de carne suína, que pode ser acessada por todas as nações habilitadas, mas com os embargos dos Estados Unidos e da Europa, o Brasil terá mais chances de capturar essa grande oportunidade” – Foto Édi Pereira

De acordo com as projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas internacionais apontam para embarques totais de até 1,13 milhão de toneladas, número 10,5% superior ao alcançado em 2020, quando chegou a 1,024 milhão de toneladas. “Ultrapassamos em novembro o total de toneladas exportadas ano passado (2020), o que é muito positivo, atingindo 1,047 milhão de toneladas, ou seja, chegamos a um recorde histórico de exportações em 11 meses”, celebra o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Ao analisar os meses de janeiro a novembro de 2021 com o mesmo período do ano anterior houve um crescimento de 11,33% nas exportações, com uma receita 17,8% maior, chegando a R$ 2,4 bilhões em 2021. Em 2022, as vendas internacionais poderão chegar a 1,2 milhão de toneladas, volume que supera em 7,5% as exportações projetadas para 2021.

Destino das exportações

A China continua sendo o principal destino das exportações de carne suína brasileira, com 49% do mercado externo, o que representa um volume de 503.866 toneladas, um crescimento de 7,5% de janeiro a novembro do ano passado quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Na sequência figura a cidade-estado de Hong Kong (14%), Chile (5%), Singapura, Vietnã e Uruguai com 4% cada; Argentina, Filipinas e Angola com 3% cada; Geórgia (1%) e outros 10% é destinado para outros países.

Estados maiores exportadores

O Estado de Santa Catarina detém a maior fatia do mercado de exportação brasileira, com um share de 51%, ou seja, de janeiro a novembro exportou 532.793 mil toneladas, um crescimento de 11% comparado ao mesmo período de 2020. Em seguida, Rio Grande do Sul exporta 27% e Paraná 14%, fechando o ranking com os três principais Estados exportadores do país.

Mercado interno

A disponibilidade da carne suína no mercado interno cresceu 5%, podendo chegar a 3,5 milhões de toneladas até o fim de 2021. Neste ano, as projeções apontam para um volume entre 3,6 e 3,7 milhões de toneladas de carne suína, um crescimento de 4,5%, um pouco abaixo do projetado para o ano passado.

Com relação ao consumo per capita, o índice deverá alcançar 16,80 quilos por habitante/ano, número 5% maior que o consumo registrado em 2020, quando atingiu 16,06 quilos. Já em 2022, o consumo per capita projetado alcança 17,30 quilos, margem 3% maior que o esperado para 2021. Tanto a produção quanto às exportações e o consumo per capita projetados para 2021 e 2022 são recordes históricos. “Números que consolidam a presença cada vez maior da carne suína na mesa do brasileiro”, reitera Santin.

Mercado global

Caso aumente a produção dos Estados Unidos, do México e do Canadá será menor que 1% no segundo semestre de 2022. No caso da Europa, focos ativos da Peste Suína Africana podem continuar impactando as exportações. Já na China, estima-se aumento da produção em 2021, apresentando recuperação parcial, mas, neste ano, deverá se estabilizar ou apresentar leve queda no segundo semestre. “O abate de matrizes antecipadas gerou uma sobreoferta de carne na China no ano passado, o que deve normalizar neste ano, apresentando uma leve queda”, estima Santin.

No Vietnã, as importações totais para 2022 provavelmente permanecerão acima dos níveis de 2020, e as Filipinas aumentaram significativamente as importações no ano passado, com um volume crescendo mais de 400% no primeiro semestre e devem seguir em 2022 também pressionado, uma vez que a Peste Suína Africana ainda está muito ativa em todo o continente asiático e europeu.

Projeções globais

Conforme previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a projeção de produção da China é de queda de 4,9% em 2022 com relação a 2021, que até outubro deste ano apresentava 26% de crescimento, seguindo com queda de 0,1% da União Europeia e 0,3% dos Estados Unidos. Já o Brasil, é cogitado o crescimento na casa dos 4% em 2022.

Nas exportações, nota-se um aumento de 2% do volume exportado da União Europeia, mas em 2020 foi maior do que está sendo projetado para 2022, ou seja, cresce sobre uma base menor e fica inferior às exportações de 2020. Mesmo processo acontece com os Estados Unidos, muito próximo da estabilização das exportações, com crescimento em torno de 2,8%. Canadá terá um leve aumento e as exportações brasileiras comparadas aos demais países segue em alta, com projeção para 2022 de 7,5%.

Importações da China

Apesar de ter quedas de preços locais sobre a oferta de produtos, maior abate de matrizes e aumento da produção local no país chinês, a ABPA estima 4,5 milhões de toneladas importadas pela China até o fim do ano. A projeção para 2022 é que a China continue a importar 4,7 milhões de toneladas, dando sustentabilidade às importações do Brasil com destino ao país.

Embora houve queda nas importações pela China nos meses de setembro e outubro do ano passado causada pela sobreoferta de produto, o share do Brasil cresceu de 9% para 11% comparado com o ano anterior. “Com o início do ano lunar chinês, em 1º de fevereiro, a expectativa da ABPA é que no segundo trimestre a China retome as importações com um volume maior de compras, uma vez que estará com os estoques reduzidos em razão do consumo nas festividades do fim do ano”, anseia Santin.

Disponibilidade de insumos

De acordo com a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa era exportar até 31 de dezembro 19,2 milhões de toneladas de milho, com estoques finais de 8,81 milhões de toneladas. Ao analisar as exportações dos últimos 11 meses, a ABPA projetou para dezembro/2021 cerca de 2,1 milhões de toneladas e para janeiro/2022 em torno de 1,1 milhão de toneladas do grão para saída do país, o que garante um estoque de passagem projetado em mais de 10 milhões de toneladas da cultura, atingindo o mesmo patamar de 2018 para 2019, antes da pandemia.

Segundo projeção do USDA, a safra 2021/2022 deve apresentar crescimento de 6,7% sobre a temporada anterior, o que representa 382,59 milhões de toneladas. “O que dá uma certa tranquilidade para o Brasil”, pondera Santin.

Desafio do custo de insumo

O cereal milho e oleaginosa soja compõem 70% dos custos dos insumos para a produção de aves e suínos. De janeiro de 2019 até dezembro de 2021, o preço do milho aumentou em média 124% e da soja cresceu em média 127%. De agosto de 2020 até 14 de dezembro de 2021 os preços dos dois grãos apresentaram uma estabilidade em patamar elevado. “Não temos aqueles picos como tivemos em dezembro de 2020, mas entendo que vamos entrar em uma mudança de patamar de consumo. Nosso produtor também está produzindo agora safras com custos muito mais altos atrelados à alta do dólar”, alega Santin.

Cereais de inverno

De acordo com Santin, a produção de grãos no Brasil se concretizou pelo resultado expressivo da safra de cereais de inverno, que alcançou no ano passado 7,8 milhões de toneladas, um crescimento de 25,3% superior ao resultado da safra anterior, que chegou a 6,2 milhões de toneladas produzidas. Juntos, os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul ampliaram em 99,5% a área de cultivo, em 158,6% a produção e em 42,6% a produtividade das lavouras.

“O cereal de inverno é um elemento de alternativa importante para as indústrias poderem utilizar em suas rações, tenho certeza que isso vai se tornar uma prática de agora em diante, consolidando mais ainda o rendimento para os nossos produtores e a estabilidade para conversão alimentar”, enfatiza Santin.

Custos de produção do setor

Os aumentos que os consumidores se depararam nas prateleiras dos supermercados deverão se manter ao longo de 2022 também, uma vez que, de acordo com a Embrapa, os custos de produção do setor estão elevados desde janeiro de 2021, variando nos primeiros 11 meses do ano passado entre 407,72 pontos a 397,57 pontos para a avicultura e entre 417,33 a 380,55 pontos para a suinocultura, bem diferentes dos custos praticados antes da pandemia de Covid-19, quando em média o índice era em média de 217,85 pontos para aves e 220,96 para suínos.

Outros custos que encareceram as atividades foram com as embalagens e o diesel. As embalagens de polietileno subiram 71%, de papelão 56% e as rígidas de polipropileno aumentaram 75% entre junho/2020 e outubro/2021. No mesmo período, o combustível teve uma variação de custo que chegou a 44%. “Essa é realidade com a qual vamos ter que conviver durante 2022”, reconhece Santin.

Comportamento dos concorrentes

A Europa e os Estados Unidos são os dois principais concorrentes do Brasil nas exportações de carne frango e suína. No acumulado até outubro do ano passado comparado com 2020, o país norte-americano aumentou 2,4% suas exportações de frango, o que corresponde a 2,97 milhões de toneladas, e cresceu 0,5% nas exportações suínas, resultando em 2,45 milhões de toneladas. Por outro lado, a Europa reduziu em 13% a venda externa de carne de frango e aumentou em 5,7% a de carne suína.

Enquanto a Rússia passou de concorrente a cliente da carne suína brasileira. No entanto, por conta da existência de Peste Suína Africana em alguns locais do país russo e pelo aumento da demanda local, a partir de abril de 2021 as exportações caíram 34%, uma queda bastante acentuada. “De julho a novembro do ano passado as exportações cresceram para 2,8 milhões de toneladas por mês e em novembro a Rússia abriu uma cota de importação de 100 mil toneladas de carne suína, que pode ser acessada por todas as nações habilitadas a abastecer o mercado russo. Porém, perdura ainda embargos por motivos políticos com os Estados Unidos e a Europa, ou seja, o Brasil entre as nações de grandes exportadoras é que terá mais chances de capturar essa grande oportunidade”, pontua Santin.

Panorama e projeção de consumo da China

No dia 15 de dezembro de 2021, a China voltou a comprar carne bovina desossada do Brasil após três meses com as importações suspensas em virtude da suspeita de dois casos de vaca louca no país. Para o presidente da ABPA, a reabertura do mercado chinês reafirma a confiança no governo brasileiro, retomando o fluxo normal do mercado, o que beneficia todas as proteínas brasileiras.

Com previsão para ser autossuficiente em até dez anos, chegando a 95% de produção própria, a China cresceu o abate de suínos em 96,83% no segundo trimestre do último ano, mas caiu 45,79% no terceiro trimestre, com projeção de estabilidade até 31 de dezembro.

O consumo de carne suína pelos chineses, segundo a USDA, vai fechar 2021 em 50,4 milhões de toneladas, apresentando leve baixa em 2022, quando o consumo está estimado em 48,8 milhões de toneladas, retomando o crescimento entre 2023/2025 com possibilidade de atingir 57,1 milhões de toneladas. “Mesmo com a retomada do padrão da indústria local a níveis de 95%, a China também vai continuar a crescer a sua linha de consumo, e a população tem seguido a zona de consumo anualmente, por isso, apesar desse pico de queda de preço da China e da diminuição de volumes localizados nos últimos dois meses do ano passado, enxergamos um padrão muito positivo e uma retomada no segundo trimestre de 2022, não só em volumes como em preço nas exportações para a China de carne suína e demais proteínas animais”, avalia Santin.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

Suínos

Especialista aponta como a nutrição pode modular as defesas dos suínos

Klara Schmitz destaca que a nutrição estratégica é essencial para fortalecer o sistema imunológico dos suínos, especialmente diante de desafios sanitários e da redução no uso de antibióticos.

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Foto: Shutterstock

O sistema imunológico dos suínos é uma estrutura complexa, distribuída por todo o organismo, responsável por proteger os animais contra patógenos e outras substâncias potencialmente nocivas. Seu bom funcionamento é determinante não apenas para o desempenho produtivo, mas também para a longevidade das matrizes, especialmente em um contexto de alta genética, marcada por animais hiperprolíficos e mais sensíveis a desafios sanitários.

De acordo com a doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz, o cenário atual exige uma abordagem mais estratégica. “Hoje temos matrizes com altíssimo potencial produtivo, mas também mais suscetíveis a desafios. Ao mesmo tempo, há uma redução no uso de soluções tradicionais, como antibióticos, o que torna o suporte nutricional ainda mais relevante”, destacou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz: “A alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo” – Foto: Divulgação/Abraves

A relação entre nutrição e sistema imunológico começa no trato gastrointestinal. Além de sua função digestiva, o intestino atua como uma das principais barreiras imunológicas do organismo. É ali que se concentra grande parte das células de defesa, formando o chamado tecido linfoide associado ao intestino.

Essa sobreposição entre digestão e imunidade torna o intestino uma interface crítica entre a ração e a resposta imunológica. “O sistema imunológico intestinal funciona como um filtro, capaz de reconhecer e neutralizar substâncias nocivas ingeridas pelos animais”, explica Klara, enfatizando: “Por isso, a alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo”.

Suporte direto e indireto pela dieta

O suporte nutricional ao sistema imunológico pode ocorrer de duas formas. De maneira direta, por meio da inclusão de aditivos específicos na dieta, como determinados ácidos graxos, prebióticos e probióticos, capazes de estimular a produção de imunoglobulinas, especialmente durante a formação do colostro. “Aminoácidos específicos também desempenham papel fundamental ao favorecer a síntese de peptídeos antimicrobianos e de IgA”, relatou.

De forma indireta, o suporte ocorre pela manutenção de um estado nutricional adequado, capaz de atender às maiores demandas metabólicas durante períodos de estresse fisiológico ou produtivo. “Quando o animal não está bem nutrido, o sistema imunológico tende a falhar, abrindo espaço para doenças e queda de desempenho”, ressaltou a especialista.

Outro ponto central é a qualidade dos ingredientes utilizados na formulação das rações. “A presença de fungos, micotoxinas ou gorduras oxidadas aumenta a carga sobre o sistema imunológico, especialmente em leitões e matrizes”, reforçou, acrescentando: “Quando isso não é viável, o uso de aditivos como sequestrantes de micotoxinas, antioxidantes tecnológicos ou acidificantes pode ajudar a reduzir o impacto desses agentes, preservando a integridade intestinal e evitando respostas inflamatórias desnecessárias”.

Proteína e fibra exigem equilíbrio

A especialista explica que o excesso de proteína pode resultar em maior quantidade de nutrientes não digeridos no intestino grosso, favorecendo a fermentação e a produção de metabólitos tóxicos, como amônia e sulfeto de hidrogênio. “Esses compostos induzem respostas inflamatórias e aumentam o risco de distúrbios intestinais, como a diarreia pós-desmame. Dietas muito proteicas podem facilitar a proliferação de bactérias como a Escherichia coli, especialmente em leitões”, salientou.

Em contrapartida, níveis muito baixos de proteína também não são ideais. O equilíbrio, segundo ela, está em um perfil adequado de aminoácidos, aliado à inclusão estratégica de fibras.

As fibras, apesar de reduzirem a densidade energética da dieta, exercem efeitos positivos ao servirem de substrato para bactérias benéficas. “A fermentação da fibra gera ácidos graxos de cadeia curta, que fortalecem a mucosa intestinal, inibem patógenos e fornecem energia ao organismo”, mencionou a doutora em Nutrição Animal.

Demandas mudam durante desafios sanitários

Em situações de desafio imunológico, como infecções ou estresse, o metabolismo dos animais se altera. Há redução do crescimento e da atividade, enquanto a degradação proteica aumenta para suprir a síntese de proteínas de defesa. “As exigências de aminoácidos do sistema imunológico são diferentes daquelas voltadas ao crescimento”, expõe Klara, destacando que durante o estresse aminoácidos sulfurados, treonina, triptofano e glutamina ganham importância, enquanto a necessidade de lisina tende a diminuir.

Além dos aminoácidos, o sistema imunológico depende de um fornecimento adequado de vitaminas e minerais. Vitaminas A, C, E, do complexo B, ácido fólico, β-caroteno e minerais como zinco, cobre, ferro, selênio e manganês desempenham funções-chave na resposta imune e na proteção contra o estresse oxidativo.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Preços do suíno na China atingem menor nível em 16 anos e aceleram descarte de plantéis

Perdas de até US$ 55 por animal pressionam produtores enquanto o país reduz dependência de soja dos EUA e amplia uso de ração fermentada.

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Os produtores de suínos na China atravessam o período mais adverso desde 2010. O preço do animal vivo caiu ao menor patamar em 16 anos, em torno de 9,17 yuans por quilo, equivalente a cerca de US$ 0,62 por libra-peso, insuficiente para cobrir os custos de produção. A conta não fecha: estima-se prejuízo entre US$ 50 e US$ 55 por cabeça, o que tem provocado descarte acelerado de matrizes e redução forçada dos plantéis.

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A crise combina oferta elevada, demanda doméstica enfraquecida e um ambiente econômico pressionado. Em setembro do ano passado, autoridades chinesas reuniram os maiores produtores do país para discutir cortes coordenados na produção. Desde então, as cotações continuaram em queda, ampliando o período de perdas consecutivas na suinocultura do país.

O cenário ocorre em paralelo a uma mudança estrutural na estratégia de abastecimento de insumos para ração. A China reduziu de forma expressiva a participação dos Estados Unidos nas suas compras de soja. Em 2024, os chineses responderam por 47% das exportações norte-americanas do grão. Em 2025, essa fatia caiu para 19%. A diferença passou a ser suprida principalmente pelo Brasil, que ampliou espaço como fornecedor prioritário.

A alteração no fluxo comercial não se limita à origem da soja. O governo chinês passou a estimular práticas alimentares que diminuem a dependência do farelo de soja importado. A diretriz ganhou força após o acirramento das tensões comerciais com os EUA e foi incorporada como prioridade na política de segurança alimentar do país.

Principal mudança

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A principal mudança ocorre dentro das granjas. Parte dos produtores substitui a ração seca tradicional, rica em soja, por ração líquida fermentada. O processo utiliza insumos locais, como farelos diversos, restos vegetais e subprodutos agroindustriais, que passam por fermentação em tanques, em um método comparável ao da produção de iogurte. A fermentação quebra proteínas complexas, facilita a digestão e permite reduzir em até 50% o uso de farelo de soja em algumas operações.

A adoção desse sistema cresce. A ração fermentada representava 3% do volume industrial em 2022. Hoje alcança 8% e a projeção é atingir 15% até 2030. A mudança ocorre em um momento em que a alimentação responde por cerca de 70% do custo de produção do suíno, tornando qualquer redução no uso de ingredientes importados um fator relevante para tentar conter prejuízos.

A combinação entre preços historicamente baixos, ajuste forçado de oferta e reconfiguração das dietas animais indica que a atual crise da suinocultura chinesa ultrapassa um ciclo típico de mercado. Trata-se de um movimento que envolve política comercial, estratégia de segurança alimentar e reestruturação produtiva com efeitos diretos sobre o comércio global de soja, milho e carne suína.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Paraná se mantém como principal fornecedor de carne suína no Brasil

Com quase um milhão de toneladas destinadas ao consumo nacional, o estado responde por 23,7% do mercado e reforça seu papel estratégico no abastecimento interno.

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Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na quinta-feira (9), destaca que em 2025 o Paraná destacou-se como principal fornecedor de carne suína para o mercado interno brasileiro pelo oitavo ano consecutivo, segundo dados da Pesquisa Trimestral de Abate do IBGE e do Agrostat/Mapa.

Do total de 1,23 milhão de toneladas (t) produzidas no Estado, aproximadamente 990,48 mil t foram destinadas ao consumo interno. Esse montante representa 23,7% do comércio interno de carne suína no Brasil, que alcançou 4,18 milhões de t.

Santa Catarina manteve-se na segunda colocação, com 851,91 mil t comercializadas internamente, equivalentes a 20,4% do total. Na sequência vieram Rio Grande do Sul, com 676,96 mil t (16,2%), Minas Gerais, com 642,31 mil t (15,3%), e Mato Grosso do Sul, com 263,59 mil t (6,3%).

O desempenho do Paraná como principal fornecedor pode ser atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles, destaca-se o fato de o Estado ser o segundo maior produtor de carne suína do País e o terceiro maior exportador, tendo destinado apenas 19,2% de sua produção ao mercado externo no último ano. Em comparação, Santa Catarina, líder em produção e exportação, direcionou 46,8% de sua produção às exportações, enquanto o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e segundo maior exportador, destinou 33,5% ao mercado externo.

Bovinos

Na pecuária de corte, o cenário para os bovinos é de cotações firmes no atacado, ao longo de março, impulsionadas pela oferta restrita de animais prontos e pela demanda externa aquecida. Dados do Deral apontam valorização de 4% e 4,3% no dianteiro e traseiro, respectivamente, no atacado. Vale ressaltar que, mesmo durante a Quaresma, quando o consumo tende a enfraquecer, não houve pressão relevante de queda nas cotações.

Chuvas no campo

A resiliência do setor agropecuário paranaense diante dos desafios ocasionados pela falta de chuvas em algumas regiões do Estado também é destaque do boletim. No Paraná, as lavouras de milho e feijão da segunda safra enfrentam um período de atenção devido à irregularidade das chuvas e ondas de calor.

Mas, segundo o Deral, o retorno recente das precipitações em algumas regiões trouxe um alívio momentâneo ao estresse hídrico, mantendo a perspectiva de recuperação produtiva caso o clima se estabilize. “No campo do feijão, por exemplo, os produtores viram uma valorização expressiva do tipo carioca, que acumulou alta de 48% em 12 meses, incentivando um aumento de 3% na área deste cultivar”, explica o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho.

Fonte: AEN-PR
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