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Suinocultura: alicerce da BRF e poderosa fonte de bem-estar social

O jornal O Presente Rural entrevistou o diretor Ciex Agropecuária da BRF, Guilherme Brandt, que mostra o quanto a atividade vai além da produção de alimentos.

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Arquivo/OP Rural

O jornal O Presente Rural entrevistou o diretor Ciex Agropecuária da BRF, Guilherme Brandt, que mostra o quanto a suinocultura vai além da produção de alimentos. Uma das maiores companhias de alimentos do mundo, a BRF tem suas raízes na suinocultura e sabe da importância que a atividade tem para o bem-estar das pessoas no campo e na cidade até hoje.

Diretor Ciex Agropecuária da BRF, Guilherme Brandt – Foto: Divulgação/BRF

Diante de tanta história e relevância, não poderia ser diferente: a BRF contra ataca o atual cenário de altos custos e preços baixos com emprego de alta tecnologia e práticas de sustentabilidade em seu sistema produtivo. Conheça mais sobre o que a suinocultura representa para o país e para a BRF, companhia com mais de 85 anos de história e uma equipe de mais de 100 mil colaboradores, espalhados por 117 países, atendendo milhares de clientes em todo o mundo.

O Presente rural – O que a suinocultura representa para a BRF?

Guilherme Brandt – A suinocultura é um dos alicerces da história da BRF. Atividade primordial na fundação da Perdigão e Sadia, a história da suinocultura catarinense se confunde com a fundação das nossas marcas e do desenvolvimento da região em que estavam inseridas. Além disso, a carne suína é uma proteína de excelente qualidade e está presente na mesa de milhões de pessoas no Brasil e em diversos outros países. Neste contexto, a suinocultura tem um papel fundamental no crescimento, lucratividade e sustentabilidade da BRF. A produção é caracterizada pelo sistema de integração e produção verticalizada, um modelo de sucesso no país que funciona há mais de 80 anos.

O Presente Rural – Qual a movimentação financeira que a suinocultura tem na BRF, incluindo, por exemplo, carnes, rações, transportes, assistência técnica, etc.?

Guilherme Brandt – Estes são dados estratégicos não divulgados isoladamente pela empresa. O faturamento global em 2021 alcançou R$ 48,3 bilhões, com grande contribuição da produção de suínos, tanto com as vendas no mercado interno quanto externo.

O Presente Rural – Quantas pessoas estão direta e indiretamente ligadas à suinocultura na companhia?

Guilherme Brandt – A suinocultura é uma importante fonte de emprego e a BRF é responsável por uma enorme fatia desses empregos, contando com parceiros integrados, seus colaboradores, transportadores e fornecedores de forma geral. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) a suinocultura empregou diretamente cerca de 126 mil pessoas com massa salarial de R$ 3,34 milhões. A estimativa é de que para cada emprego direto foram gerados cerca de sete empregos indiretos, totalizando 923.394 empregos indiretos formalizados em 2016.

O Presente Rural – Quantos produtores rurais estão integrados no setor e em que regiões estão situados?

Guilherme Brandt – A produção da BRF é caracterizada pelo sistema de integração e produção verticalizada, um modelo de sucesso no país, que funciona há mais de 80 anos e tem garantido a sustentabilidade dos negócios no campo. Pelo modelo, a BRF fornece os animais, ração, medicamentos, insumos de forma geral e assistência técnica especializada e o parceiro integrado tem a terra, instalações, equipamentos e mão-de-obra. São aproximadamente 10 mil parceiros integrados na suinocultura e avicultura, localizados nos estados de RS, SC, PR, MG, GO e MT.

O Presente Rural – Onde estão situadas as plantas frigoríficas para suínos da companhia?

Guilherme Brandt – A definição da localização das plantas frigoríficas da Companhia foi determinada de acordo com o início da atividade da empresa em Santa Catarina e, posteriormente, com construções, expansões e/ou aquisições de outras plantas seguindo o plano estratégico de crescimento. Também levamos a produção para novas fronteiras agrícolas no Centro-Oeste, como em Mato Grosso.

Atualmente, temos plantas com abate de suínos nos municípios de Campos Novos, Concórdia e Herval D’Oeste (SC), Lajeado (RS), Toledo (PR), Rio Verde (GO), Uberlândia (MG) e Lucas do Rio Verde (MT). Cabe acrescentar que o beneficiamento é fruto de uma cadeia viva, longa e complexa, que inclui a genética própria, com o trabalho nas granjas da BRF localizadas nos municípios de Faxinal dos Guedes (SC) e Mineiros (GO), e envolve a produção por meio das propriedades localizadas em diferentes municípios, além dos citados anteriormente, onde temos nossas indústrias, temos a produção das fases anteriores, como em Videira e Marau por exemplo.

O Presente Rural – Qual a atual produção de carne e derivados e para onde vai essa produção?

Guilherme Brandt – A carne suína é a proteína animal mais consumida no mundo, e os suínos produzidos na BRF tornam-se alimento para milhões de brasileiros. A proteína também está presente na mesa de milhões de famílias ao redor do mundo, como nos mais de 10 países que a BRF exporta sua produção, incluindo China, Vietnã, Singapura, Hong Kong, Angola e Chile.

Frente aos novos padrões de consumo alimentar humano, é crescente o interesse por produtos que aliem características sensoriais atrativas à versatilidade e à qualidade nutricional. Neste cenário, embora ainda não lidere o consumo de carnes no Brasil, a carne suína vem ganhando espaço nas gôndolas de supermercados com produtos diferenciados e cortes nobres, como picanha, copa lombo, filé mignon e alcatra, cada vez mais presentes nos pratos dos consumidores. Em 2021, o volume de produção 4,6 milhões de toneladas de alimentos produzidos e distribuídos em 127 países, entre aves, suínos e industrializados.

O Presente Rural – Como a suinocultura ajudou a viabilizar financeiramente pequenas propriedades rurais?

Guilherme Brandt – A suinocultura tem um papel fundamental na viabilidade financeira de pequenas propriedades rurais. Sobretudo na região Sul do país, a suinocultura é uma das principais atividades do campo. A suinocultura facilmente se insere em pequenas propriedades, pela versatilidade da atividade, onde não há necessidade de grandes áreas e é, na sua maioria, gerida pela mão de obra familiar.

Mesmo com a oscilação do mercado ao longo dos anos, a suinocultura é uma atividade rentável e atua de forma decisória para a manutenção de pequenas propriedades, auxiliando na redução do êxodo rural, onde já não existe mais o abismo que já houve em relação ao meio urbano, sobretudo no acesso a informações, tecnologias e inovações. As transformações tecnológicas e sociais que vêm ocorrendo nos últimos anos na suinocultura aproxima o campo da cidade, valorizando o meio rural e a permanência de jovens na atividade.

O Presente Rural – Há alguma relação entre IDH e a suinocultura?

Guilherme Brandt – Existe uma correlação positiva entre a oferta de emprego na produção e abate de suínos e aves, confirmando que a suinocultura, além de contribuir para os indicadores macroeconômicos, é importante instrumento de desenvolvimento das regiões. Esse fato é nitidamente observado em cidades onde a BRF está presente. O município de Concórdia, por exemplo, com 75 mil habitantes, está entre os 40 melhores índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do Brasil de acordo com ranking divulgado em 2013, com dados de 2010. Ainda que este dado não possa ser atribuído apenas à presença da atividade, pela força que a suinocultura tem na região, certamente contribui para isso.

Pesquisadores da Embrapa analisaram esse mesmo contexto, usando o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, elaborado nacionalmente pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Pelo indicador da Firjan, Toledo tem um índice de 0,8786, acima da capital paranaense, Curitiba, com 0.851. Em Santa Catarina, Concórdia também supera a capital do estado, com pontuação de 0.878 ante 0.858 de Florianópolis. O mesmo ocorre com Lucas do Rio Verde, onde temos forte presença da suinocultura. A cidade tem o melhor indicador Firjan no Mato Grosso, com pontuação 0.835 ante 0.826 da capital, Cuiabá.

O Presente Rural – Quais os planos e projetos para o setor suinícola da BRF para os próximos anos?

Guilherme Brandt – A suinocultura é uma atividade muito dinâmica que vem apresentando um crescimento, tanto na produção quanto na exportação nos últimos anos. Naturalmente, temos o nosso plano estratégico de crescimento, expansão e modernização da atividade, porém, sempre estamos de olho nos mercados nacional e internacional para balizar a melhor tomada de decisão de momento de crescimento ou estabilização da produção de acordo com a demanda e oferta. Seguimos como um dos players mais importante do setor, colocando novos pratos prontos com carne suína e cortes premium para o consumidor, valorizando e estimulando, por exemplo, a opção por esta proteína no churrasco, além de opções práticas no preparo de refeições do dia a dia.

O Presente Rural – A suinocultura usa cada vez mais tecnologias para ter uma produção de precisão. Fale sobre como esse setor de tecnologias tem se inserido dentro da suinocultura?

Guilherme Brandt – Ao passo que a produção animal evolui em todo mundo, a suinocultura da BRF se destaca como atividade cada mais especializada que facilmente absorve novas tecnologias em favor do aumento da produtividade aliado a um produto de alta qualidade. A suinocultura vem gradativamente englobando as novas tecnologias que vêm surgindo ao longo dos anos.

A tecnologia é empregada em toda a cadeia, desde a genética, onde temos a seleção de bisavós por meio de segmentos de DNA (seleção genômica), testes coletivos de desempenho e conversão alimentar por meio de sistemas eletrônicos de alimentação, todo nosso recurso de experimentação interna em nossas Granjas Experimentais exclusivas para produção e pesquisa própria; os recursos de sensoriamento de granjas, através das variáveis ambientais (climatização, concentração de gases e ventilação); georreferenciamento das propriedades, uso de App próprio para abordagens diretas, gerenciamento e comunicação com nossos produtores e extensionistas, a entrega de sêmen por drones, automatização dos sistemas de alimentação, peso por imagem, identificação, monitoramento e testes preditivos de sanidade e desempenho, nutrição direcionada por fase da vida e insumos, diferentes sítios de produção de acordo com a categoria e uma relação direta com universidades e órgãos de pesquisa.

O uso de drones otimizou a distribuição de sêmen desde nosso Centro de Difusão Genética (CDG) até nossas granjas próprias de produção em Faxinal dos Guedes (SC). Antes o processo levava até duas horas, agora o fazemos em alguns minutos. O primeiro teste para a utilização do drone foi realizado em Toledo, no Paraná, no ano passado, e comprovou os ganhos com tempo, praticidade e segurança do transporte.

Acreditamos que uma mudança de patamar na produtividade vai ocorrer com o emprego de novas tecnologias, por este motivo buscamos estar à frente neste segmento no setor. Aliar a produção às ferramentas atuais, utilização da informatização, capacitação de produtores integrados, controle do indivíduo, participação dos integrados com o time técnico.

O Presente Rural – Além da produção de alimentos, como o senhor avalia o papel da suinocultura no agronegócio, no Brasil e para os brasileiros?

Guilherme Brandt – Para você ter uma ideia da importância da suinocultura para o agronegócio brasileiro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), em 2021 foram abatidos cerca de 52,9 milhões de cabeças de suínos, número que representa um crescimento de mais de 7% em relação a 2020. Já a produção de carne suína foi de 4,891 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 9,1% em relação ao ano anterior.

Os ganhos também vêm do mercado externo, o que ajuda fortemente a balança comercial brasileira a ter indicadores positivos e a gerar emprego e renda por aqui. O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo, isso nos torna um importante player do setor. Nesse sentido, a atividade movimenta milhares de empregos de forma direta e indireta, atua marcadamente para o desenvolvimento econômico e social das localidades onde está inserida. Desenvolvimento de pequenas cidades, conhecimento ao pequeno e grande produtor, para desenvolver o campo, uma atividade de expressão e grande relevância na agropecuária e movimentação na economia.

O Presente Rural – Quais são os desafios e as oportunidades que o setor terá nos próximos anos?

Guilherme Brandt – Acreditamos que um grande desafio é manter o nosso elevado status sanitário que com certeza é um dos melhores do mundo. Outro ponto é o equilíbrio entre o aumento de custo de produção por aumento de preços de insumos e preço de venda da carne suína, que atualmente leva forte pressão ao setor.

Por outro lado, a carne suína é uma proteína muito versátil, in natura pode ser consumida assada, cozida, frita e grelhada. Bacon e pés de suínos fazem parte das tradicionais feijoadas brasileiras. Além disso, compõe diversos produtos embutidos como calabresa, linguiças, salsichas, salames e presuntos. É um alimento rico em ômega 3, selênio, proteínas de alta digestibilidade e valor biológico, vitaminas do complexo B, ferro, fósforo, potássio e zinco, nutrientes essenciais para uma alimentação saudável. Neste sentido, acreditamos que existe uma grande oportunidade de aumento de consumo interno de carne suína, podendo ir muito além dos 16 kg per capta atuais, de acordo com dados da ABPA.

Como a cadeia é muito dinâmica e sustentável, acreditamos ainda que uma grande oportunidade e desafio, ao mesmo tempo, é ampliar a aplicação de políticas ESG. Primeiramente a grande oportunidade com a redução no consumo ou uso racional de água em toda a cadeia, desde a produção até o produto embalado, a gestão e aproveitamento de resíduos na cadeia e uso de energias alternativas. Temos nosso compromisso público em relação às políticas de bem-estar animal muito alinhado às melhores práticas globais e inseridas no nosso Sistema de Excelência Operacional no Pilar de Sustentabilidade.

Outro desafio constante na suinocultura é a capacitação, tanto dos times técnicos de operação quanto da produção no campo. O desenvolvimento contínuo, treinamentos de aprofundamento de temas técnicos e comportamentais certamente serão cada mais exigidos pelo mercado. O tema de abordagem e extensão rural foi, é e estará sempre presente, necessitando ação contínua para garantir as boas práticas de produção. Apesar dos desafios, temos ótimas oportunidades e não podemos perder nossa essência de produzir com respeito às pessoas, animais e ao meio ambiente.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Especialista sugere alternativas na hora de comprar ou vender milho

Cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos.

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Arquivo/OP Rural

Entre os principais insumos da ração, o milho e o farelo de soja representam em torno de 70% dos custos da cadeia produtiva de proteína animal, despesa que tem impactado de forma significativa produtores de todos os setores que produzem alimento, porém de maneira mais intensa nos últimos meses. Neste contexto, o sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto, aponta tendências do mercado de grãos para a atual temporada e alternativas para driblar os altos custos.

Sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto: “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

O profissional enfatizou que o setor de proteína animal vive um dos momentos mais desafiadores, uma vez que o poder de compra do produtor frente aos grãos, principalmente o milho, está nas mínimas históricas. “E ao que tudo indica esse cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos. O atual conflito bélico e os problemas climáticos enfrentados no último ano, que resultaram em quebra da safra de soja, milho e trigo principalmente, contribuíram para essa alta, uma vez que o consumo está maior que a oferta”, analisou Polotto.

Com estoque inicial de 9,6 milhões de toneladas de milho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê 24,3 milhões de toneladas da safra de verão 2021/2022, enquanto para a safrinha estima-se 86,3 milhões de toneladas. Para a 3ª safra são estimadas 1,8 milhão de toneladas, com importação de 1 milhão de toneladas, o que totaliza oferta brasileira de 123,1 milhões de toneladas. Deste montante, 74,4 milhões de toneladas são destinadas para uso doméstico, 39,3 milhões de toneladas para exportação, gerando um estoque final de 9,3 milhões de toneladas (gráfico abaixo).

Em relação a demanda e a oferta de milho da safra 2021/2022, no mês de fevereiro, conforme levantamento da Conab, a oferta disponível de milho no mercado interno era de 5,9 milhões de toneladas, volume estimado para 35 dias de consumo de acordo com a demanda. Nos meses subsequentes, a disponibilidade do cereal em relação aos dias de consumo foi reduzida, com previsão para atingir a mínima no mês de maio, quando o volume de 6,1 milhões de toneladas frente a demanda pelo grão deve suprir apenas o consumo para 28 dias. A partir de junho, a capacidade de oferta do grão aumenta com o término da colheita de milho, com previsão para agosto de 6,5 milhões de toneladas, volume que será equivalente para 25 dias de consumo.

Estoque mensal

Em relação as estimativas da Conab com as previsões de estoque mensal de milho da safra 2021/2022 (MMT), Polotto diz a partir de junho, depois da redução de maio, os estoques foram sendo repostos com o término da colheita da primeira safra de milho, aumentando significamente os volumes de armazenamento, passando a estocagem para 46,4 milhões de toneladas em julho e para 55,2 milhões de toneladas em agosto, com baixas significativas dos volumes estocados nos meses seguintes (gráfico abaixo), fechando 2022 com estoque final de 9,3 milhões de toneladas.

Preços dos grãos em patamares elevados persistem

Segundo Polotto, os preços devem se manter em patamares elevados seguindo a tendência dos valores internacionais, acrescido da expectativa de menor disponibilidade de milho no spot nacional no primeiro semestre deste ano. No mercado futuro da Bolsa de Valores BM&F, o milho está sendo comercializado para julho a R$ 90,28; para setembro a R$ 89,35; para novembro a R$ 91,9; para janeiro/2023 a R$ 93,7 e para março/2023 a R$ 94,3. “No início de abril as cooperativas estavam ofertando a saca de milho safrinha de 60kg para compra antecipada a R$ 78”, relata Polotto.

 Spreads da Bolsa de Valores

Para melhorar as margens de lucro do setor produtivo, o empresário orienta os agricultores a aproveitar os spreads da Bolsa de Valores, indicador que auxilia o investidor a verificar quais ações possuem maior liquidez na Bolsa de Valores em relação à demanda do milho regional, relativos aos preços.

Polotto diz que é muito importante que o produtor fique atento ao que acontece globalmente – conflito entre Rússia e Ucrânia, plantio de milho nos Estados Unidos e nos principais países produtores, impactos da seca na produção brasileira, que inclusive afetou também o Paraguai, país que será um ofertante de milho safrinha ao mercado nacional – para saber como utilizar a compra antecipada de uma maneira que consiga um grão mais barato, porque isso vai impactar diretamente nos custos de produção da propriedade e dará um pouco de fôlego ao produtor nas margens da proteína, que hoje estão negativas. “O mercado é volátil, dinâmico, o que vale hoje, amanhã ou daqui um mês já não vale, e a Bolsa tem spreads, que em tese melhoram a performance com uma alta ou baixa, além de ter modalidade de seguros interessantes neste momento”, pontua.

Comercialização do cereal

Na hora de comercializar a safra, parte dos agricultores fica receosa se vai conseguir vender ou não o grão por um bom preço e na melhor época. Essa preocupação se justifica porque vários são os fatores que podem influenciar no momento da negociação do produto, entre eles clima, economia global, oferta maior ou menor do cereal no mercado, o que reflete nas movimentações de compra e venda e nos preços agrícolas. “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele”, declara Polotto.

Conforme Polotto, existem inúmeras formas de se obter mais rentabilidade na venda de grãos e a diversificação dessas modalidades de comercialização pode diminuir seus riscos. “Há algumas operações no mercado futuro para venda de grãos que podem ser realizadas pelos agricultores, entre elas a modalidade Hedge, na qual os preços são fixados antes da venda com o objetivo de proteger o valor dos grãos devido à grande instabilidade do mercado”, expõe.

Polotto dá um exemplo de uma operação com seguro de preço (Hedge). “Em novembro de 2021 a oferta de venda de farelo de soja para abril, maio e junho de 2022 estava por R$ 2.130,00/ton CIF. Em março na Bolsa de Chicago o mesmo produto estava U$S 357,00/ton, um seguro de baixa para o farelo de soja em março de 2022 custava U$S 28,00/ton, como o dólar estava R$ 5,60 teria custo de R$156,80/ton, ou seja, para saber o custo total da comercialização do grão no mercado futuro com seguro soma R$ 2.130 + R$ 156,80, cujo resultado é R$ 2.286,80/ton. O custo do farelo em abril estava sendo vendido por R$ 2.713,35/ton, o equivalente a 18,65% de custo a mais”, ressalta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

A saúde dos leitões começa in utero: como desenvolver a imunocompetência dos leitões antes e após o nascimento?

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Divulgação DSM

A produção de suínos enfrenta desafios constantes e crescentes para gerar animais de forma mais sustentável e rentável, além de alcançar padrões mais altos de bem-estar que atendam às necessidades dos animais e à demanda dos consumidores. Enquanto as demandas aumentam, as ferramentas tradicionais usadas para superar os desafios – como os antibióticos e o óxido de zinco terapêutico – estão sendo restringidas em muitas partes do mundo devido à ameaça da resistência antimicrobiana. Ao mesmo tempo, os avanços da genética têm levado a uma tendência de hiperprolificidade nas matrizes, o que cria desafios adicionais. O maior número de leitões por fêmea por ano resultou em uma maior variação do peso ao nascimento e mais desafios metabólicos para a reprodutora, o que por sua vez afeta o início da produção de colostro e leite, aumentando assim o risco de se ter leitões menos robustos ao desmame e perdas de desempenho em uma idade mais avançada.

Imunocompetência de leitões recém-nascidos

O leitão recém-nascido é imaturo em muitos aspectos e a primeira semana de vida é crítica para sua saúde futura e os resultados de produtividade. Durante esses primeiros dias de vida, o intestino passa por um rápido desenvolvimento, aumentando a capacidade digestiva e absortiva. Paralelamente, a colonização do intestino pelos microrganismos está muito avançada e tem um papel fundamental na composição do microbioma intestinal e estímulo ao desenvolvimento do tecido linfoide associado ao intestino (GALT), onde se encontram mais de 70% das células imunológicas. Em nossa busca por estratégias mais sustentáveis para apoiar o cuidado com os leitões durante as primeiras etapas da vida a arma mais poderosa de que dispomos normalmente é ignorada: a imunocompetência do leitão.

A imunocompetência é vital para a vida, porém seu desenvolvimento e utilização têm um custo associado para todos os animais, especialmente os jovens. Esse é um equilíbrio delicado: para funcionar efetivamente, o sistema imunológico deve responder adequadamente aos vários estímulos que se apresentam, produzindo uma resposta imune somente às ameaças reais e mantendo-se sem resposta aos estímulos de baixo grau. No entanto, nos leitões jovens o sistema imunológico é muito imaturo e incapaz de distinguir facilmente os diferentes níveis de ameaça, respondendo a todos como ameaças reais. Sabe-se que a imunocompetência dos leitões começa in utero, continua com a ingestão de colostro e leite (imunidade passiva), e pesquisas recentes têm demonstrado que o microbioma intestinal desempenha um papel essencial na preparação do desenvolvimento do intestino e sistema imunológico. Para preparar melhor os leitões para o desafio do desmame e mais além, o desenvolvimento da imunocompetência deve ser promovido através de duas vias:

  1. sistêmica, aumentando a qualidade da imunidade passiva recebida da porca; e
  2. local, via modulação do microbioma intestinal para preparar o desenvolvimento do sistema imunológico da mucosa (Figura 1).

 

A imunocompetência se desenvolve através de duas vias:

Figura 1. Abordagem nutricional multicomponente da DSM para otimizar o desenvolvimento da imunocompetência de leitões.

A imunocompetência tem várias vias de desenvolvimento, incluindo os programas de vacinação para proteger os animais contra os patógenos, a biosseguridade para controlar a exposição aos agentes causadores de doenças e o apoio nutricional para otimizar a resistência e mitigar o risco de antígenos. A vacinação é efetiva, porém cara energeticamente devido à resposta imune associada, e seu uso só se justifica no caso de patógenos virulentos que causam altas taxas de mortalidade. Portanto, a nutrição equilibrada é um pré-requisito para manter um bom estado de saúde e otimizar o sistema imunológico dos leitões.

Desenvolvimento da imunocompetência sistêmica

O desenvolvimento da imunocompetência sistêmica de um leitão recém-nascido é altamente dependente da nutrição da mãe, começando in utero e continuando com uma boa qualidade e quantidade de colostro e leite. Portanto, a nutrição e saúde da matriz e sua capacidade de transferi-las aos leitões são fundamentais para o desenvolvimento de um sistema imunológico precoce e robusto. Sabe-se que os micronutrientes como as vitaminas D3, E, C e várias vitaminas do complexo B, assim como os minerais, têm benefícios imunomoduladores. Os leitões nascem com baixos níveis sanguíneos de vitaminas e a alta demanda desses compostos para apoiar o desenvolvimento e ativação imunológica frequentemente resulta em leitões deficientes. Considerando as maiores exigências de uma fêmea moderna para criar uma leitegada maior, deve-se ter uma abordagem mais precisa de micronutrição para a nutrição das mesmas durante o final da gestação e a lactação para apoiar a ótima qualidade e rendimento do colostro.

Para funcionar efetivamente, o sistema imunológico sistêmico precisa ser hábil na proliferação e regulação das células imunológicas e estar protegido contra os danos celulares causados pelo desequilíbrio redox. As vitaminas E e C foram reconhecidas há muito tempo por sua capacidade de atuar como potentes antioxidantes que previnem os danos oxidativos às células imunológicas. A viabilidade dos leitões pode ser melhorada através de uma ótima suplementação de vitamina E na dieta de fêmeas durante a gestação e lactação (Wang et al., 2017). Mais recentemente, tem havido um maior entendimento do papel da vitamina Dou, ainda mais importante, de seu principal metabólito (25-OH vitamina D3), na imunomodulação. Uma das principais funções da vitamina Dé não apenas apoiar a ativação das células imunológicas e a produção de peptídeos antimicrobianos, mas também limitar as respostas excessivas. Os leitões nascem com níveis muito baixos de 25-OH vitamina D3 no sangue e esses níveis raramente alcançam o nível mínimo e muito menos a faixa ótima para apoiar a imunidade. Entendendo o papel crítico da vitamina D3 na função imune, sabemos que os leitões podem estar em desvantagem sem os níveis adequados de vitaminas. Konowalchuk et al. (2013) reportaram que a suplementação de vitamina D3 e da forma 25-OH vitamina D3 em particular resultou em um aumento do número e ativação das células imunológicas em leitões desmamados.

Desenvolvimento da imunocompetência local

O tecido linfoide associado ao intestino local (p. ex., conteúdo do lúmen intestinal) desempenha um papel crítico na defesa do organismo dos leitões contra o ambiente externo. Seu desenvolvimento é impulsionado pelo estabelecimento precoce de um microbioma intestinal diverso e estável cuja magnitude e impacto se estendem até mais além do intestino para o desenvolvimento do tecido imunológico em outros órgãos, como os pulmões. No entanto, esses mecanismos ainda não são totalmente compreendidos. O desenvolvimento do microbioma intestinal começa assim que os leitões deixam as condições estéreis do útero e são muito influenciados pelo microbioma da mãe e seu ambiente imediato. A colonização microbiana orienta o desenvolvimento gastrointestinal e modula a função de barreira epitelial, que é a primeira linha de defesa. A colonização microbiana precoce também modula as respostas imunes inata e adaptativa, afetando a capacidade do hospedeiro de produzir respostas inflamatórias adequadas e resistir às doenças. Desenvolver e manter um microbioma intestinal diverso e estável é crítico para a resiliência dos patógenos e o ótimo funcionamento do intestino em um ambiente com uso reduzido de medicamentos. Existem várias ferramentas nutricionais disponíveis para apoiar o desenvolvimento de uma comunidade bacteriana equilibrada no intestino. A administração de probióticos como Enterococcus faecium parece ter mais sucesso em matrizes durante o final da gestação e lactação para orientar a inclusão precoce de cepas benéficas no microbioma intestinal em desenvolvimento, mas ainda maleável. Outra estratégia para apoiar um microbioma intestinal saudável das fêmeas e, portanto, beneficiar os leitões, é melhorar a digestibilidade das fibras. As xilanases aumentam o aporte de fibras prebióticas e energia, que são cruciais no período de balanço energético negativo durante a lactação.

Para preparar os leitões para superar os desafios associados ao desmame e mais além, é fundamental desenvolver a imunocompetência o mais cedo possível através de uma abordagem nutricional multicomponente. A nutrição otimizada da fêmea com as vitaminas E, C e D melhora os níveis séricos de vitaminas dos leitões ao nascimento, assim como a qualidade do colostro, resultando em uma maior imunidade passiva e melhor desempenho da leitegada. No momento do nascimento, moldar a colonização microbiana precoce do intestino com microrganismos benéficos como os probióticos é crucial para estimular a imunocompetência e evitar a diarreia. Durante a lactação, assegurar os níveis corretos de vitamina D nas matrizes otimiza o aporte de vitaminas no colostro e leite; os probióticos estimulam a colonização precoce do intestino e reduzem a incidência de diarreia durante o período de lactação; e as xilanases aumentam o aporte de energia líquida através de uma maior digestibilidade das fibras, produzindo posbióticos como os ácidos graxos de cadeia curta e resultando em leitões robustos e mais pesados ao desmame.

—- Por Mariana Masiero

 Mariana Masiero é graduada pela Universidade de São Paulo (USP), possui PhD em Ciência Animal com foco em Nutrição Animal pela Universidade de Missouri, EUA. Ingressou na Biomin®, que agora é parte da DSM, em 2019 como Gerente Global de Produto para Fitogênicos. Atualmente, é Gerente Global de Marketing de Suínos.

Fonte: Ass. de Imprensa DSM
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Suínos / Peixes Sanidade do rebanho

PSA e PSC poderiam causar US$ 10 bilhões em prejuízos à suinocultura brasileira, avalia Embrapa

Somente um programa robusto de biosseguridade é que pode evitar a entrada dessa e de outras doenças na grande área produtiva do Brasil.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Manter as granjas protegidas de patógenos que afetam a sanidade dos rebanhos é de suma importância para a manutenção do desenvolvimento da suinocultura de forma sustentável e lucrativa no Brasil. Neste contexto, a biosseguridade tem papel fundamental na proteção de planteis, granjas e propriedades rurais, uma vez que evita a entrada e a disseminação de agentes infecciosos.

De acordo com a médica-veterinária e virologista da Embrapa Suínos e Aves, Danielle Gava, somente a Peste Suína Africana e a Peste Suína Clássica poderiam causar um prejuízo de US$ 10 bilhões caso as doenças fossem detectadas na suinocultura industrial brasileira. Ela destacou alguns aspectos práticos que trazem ameaças reais para a atividade, enaltecendo que a contribuição de todos os elos da cadeia é primordial para manter o atual status sanitário brasileiro.

Médica-veterinária e virologista da Embrapa Suínos e Aves, Danielle Gava: “Ao flexibilizarmos algum ponto da biosseguridade vamos abrir brecha para que algum vírus circule e possa entrar dentro do plantel” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Segundo a profissional, várias doenças ameaçaram a produção mundial de suínos nas últimas duas décadas, exigindo dos produtores a adoção de medidas de biosseguridade para controle, erradicação e proteção de seus rebanhos. A maioria das enfermidades foi causada por vírus, entre eles alguns zoonóticos, como a gripe suína em 2009, provocada pelo vírus da Influenza A – o H1N1 – doença respiratória transmissível entre humanos e animais. “Nos últimos 20 anos aconteceram pelos menos 20 introduções de vírus de humanos para suínos, por isso é fundamental possuir um plano de vacinação para o subtipo correto”, reforçou Danielle, ampliando: “Os vírus que circulam no Brasil de Influenza são diferentes do restante que circula no mundo, ou seja, vacinas de outros países não vão funcionar para os vírus brasileiros”, esclareceu.

Danielle ressalta que a adoção de algumas medidas como cerca periférica de isolamento, controle do tráfego de veículos no perímetro da granja e a troca de roupa e calçados antes de entrar em uma unidade produtiva contribui para manter a saúde dos animais e mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes infecciosos.

Impacto econômico

Segundo a virologista, o impacto econômico de doenças como a Peste Suína Africana e a Peste Suína Clássica no sistema de produção por si só já justifica a adoção de medidas de biosseguridade.

Foto: Divulgação

Para mensurar a importância sanitária, ela diz que é primordial que a cadeia produtiva – da granja à agroindústria – busque responder as seguintes perguntas: Quanto custa o impacto de uma doença na granja? Quanto custa cada dia não produtivo? Quanto custa o leitão que não nasceu? Quanto vale a mortalidade? Quanto custa uma grama perdida na conversão alimentar? “Essas são algumas perguntas a se fazer para mensurar o prejuízo econômico que o setor poderá ter em caso da entrada de uma doença no plantel, porque, por exemplo, em relação a conversão alimentar, um grama parece pouco, mas em uma granja que entrega cinco mil terminados significa um montante considerável”, pontua Danielle.

Conforme a virologista, levando em consideração apenas o número de leitões desmamados por ano em zonas livres, se houvesse a entrada da Peste Suína Africana (PSA) em território brasileiro o impacto econômico na cadeia produtiva seria bilionário, superando a casa de U$S 5,5 bilhões. E no caso da Peste Suína Clássica (PSC), levando em conta que 99% da produção de suínos no Brasil é em zona livre, a entrada desse vírus causaria um prejuízo entre U$S 1,3 a U$S 4,5 bilhões.

“Ao flexibilizarmos algum ponto da biosseguridade vamos abrir brecha para que algum vírus circule e possa entrar dentro do plantel, seja através do contato com javalis, alimentação contaminada com o vírus da PSA ou PSC, carcaça de animais mortos ou outros animais asselvajados”, elenca Danielle.

Biosseguridade interna

Conforme Danielle, quando se trata de biosseguridade nas granjas, ela considera dois atores muito importantes e que merecem atenção redobrada: suínos e pessoas. “É uma cadeia que está envolvida na produção de animais, então se um elo da corrente se perder deixamos a granja suscetível a vários agentes infecciosos. Quando isso acontece ou vamos introduzir animais infectados dentro do plantel ou eventualmente levar esse agente para o rebanho”, menciona.

A médica-veterinária afirma que existe uma íntima associação entre a biosseguridade interna e a biosseguridade externa, enfatizando que as granjas que possuem um número maior de leitões desmamados e uma menor rotatividade de pessoas conseguem cumprir com melhor eficácia as medidas de biosseguridade.

A biosseguridade interna está relacionada à prevenção para evitar a multiplicação e disseminação de agentes no rebanho, afim de minimizar a propagação de doenças e diminuir a pressão de infecções dentro do sistema de produção. Dentre as medidas que devem ser adotadas estão banho e troca de roupas e calçados para entrada no perímetro interno da granja; controle do fluxo de veículos, sendo que os caminhões usados para transporte de suínos e de ração devem possuir identificação própria e serem usados exclusivamente para este fim. Aqueles que adentraram a área interna da cerca de isolamento precisam passar pelo sistema de desinfecção; possuir um programa auditável de prevenção e controle de vetores e pragas, como roedores, insetos e pássaros; limpeza e desinfecção deve ser realizada logo após a saída do rebanho, higienizando toda a instalação e equipamentos usados para manejo dos animais, especialmente o piso, os comedouros e os bebedouros. Ao término da limpeza, a granja deve ser mantida fechada para evitar a entrada de pessoas e animais; o vazio sanitário deve durar por um período de cinco a sete dias para que seja eficiente; e deve-se adotar um protocolo de vacinação levando em consideração problemas sanitários que ocorreram em lotes anteriores ou na região em que a granja está instalada.

Biosseguridade externa

A biosseguridade externa, cita a profissional, engloba a proteção do rebanho contra a entrada de agentes infecciosos, contribuindo desta forma para a redução de doenças endêmicas, além de ter o papel de impedir que doenças exóticas adentrem às granjas.

Entre as medidas a serem tomadas estão delimitação da área interna da unidade de produção com a instalação de uma cerca periférica de isolamento, com afastamento mínimo de cinco metros da granja, impedindo desta forma o acesso de pessoas e animais no entorno da propriedade; embarcadouro e desembarcadouro instalado próximo a cerca de isolamento e com portão, para que possa ser mantido sempre fechado; barreira sanitária instalada na entrada da granja, abrangendo vestiário sanitário, câmara de desinfecção e sistema de desinfecção de veículos; a instalação do silo de ração recomenda-se que seja na área interna e próximo a cerca de isolamento, permitindo fácil acesso para abastecimento pela área externa. Em caso de a ração não ser estocada em silo, orienta-se que o produto esteja bem embalado e seja armazenado em local arejado; a granja deve possuir composteira para destinação de suínos mortos, restos placentários e sobras de ração; o sistema de tratamento de dejetos deve ser cercado para evitar o acesso de pessoas e animais e deve ser feito em área fora da cerca de isolamento.

Como posso melhorar a minha granja?

De acordo com a profissional, dentro do plano de biosseguridade há medidas de curto e longo prazos, que precisam ser adotadas, mas sua aplicação está associada ao tempo que leva e ao investimento. “O que se pode fazer de imediato é melhorar a higiene, o manejo, o fluxo de pessoas na granja, etc. Essas ações vão exigir apenas a reorganização do sistema de trabalho”, destaca Danielle.

Já medidas a longo prazo estão associadas as instalações das granjas, como construção de um arco de desinfecção e melhorias nas vias de acesso à propriedade. E ainda há medidas de monitoramento contínuo, relacionadas principalmente as pessoas, ou seja, atreladas à responsabilidade de cada funcionário dentro e fora da granja.

A profissional destaca que os produtores precisam proteger as granjas todos os dias e não apenas hoje ou em determinadas situações em que há visitação à granja. “É importante lembrar que a granja não é shopping center, realmente é preciso prezar pelas medidas de biosseguridade, evitar o fluxo de pessoas todos os dias e o tempo inteiro na área de isolamento da granja” enfatiza a virologista.

Capacitação constante

A profissional destaca que é fundamental que os veterinários, produtores de suínos e controladores de javalis participem constantemente de treinamento, a fim de que possam reconhecer os sintomas da PSC e de outras enfermidades. “Conhecer as características da doença é primordial, porque diferentes agentes, vírus ou bactérias podem causar doenças semelhantes; identificar fatores de risco, adequar o sistema de vigilância, fazer quarentena, capacitar os laboratórios de diagnóstico para atender as demandas rápidas, possuir um plano de contingência, bem como garantir apoio legal e recursos aos produtores são medidas importantes para garantir a biosseguridade nas granjas”, detalha Danielle.

Conforme a virologista, sempre existe um momento e espaço para melhorias dentro da granja, no entanto o excesso de medidas pode levar os produtores a negligenciar etapas importantes do processo. “É importante que todos os elos da cadeia produtiva estejam comprometidos em manter o status sanitário invejável que o país possui. Cada um tem sua participação e contribuição, por isso é imprescindível não negligenciar nenhuma etapa”, salienta Danielle.

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Fonte: O Presente Rural
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