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Suinocultores do Sul temem pela falência da atividade nos próximos dias

Produtores afirmam que o setor necessita de uma medida emergencial para não ser dizimado no PR, RS e SC

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 A suinocultura da região Sul do Brasil, conhecida mundialmente por ser o berço da atividade no País, está perto de entrar em colapso total, segundo a opinião de diversos produtores do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Na região onde estão as unidades federativas que mais produzem suínos, seja para o mercado interno ou de exportação, os produtores já cogitam deixar a atividade por conta do alto custo de produção, impulsionado pela inflação do milho e a baixa remuneração pelo quilo do suíno.

 

Produtores das três unidades federativas são categóricos ao afirmar que, se o cenário não mudar imediatamente, os suinocultores estarão fadados à falência em um prazo de no máximo 40 dias. Na visão deles, a situação é ainda mais alarmante para os produtores independentes, que já não conseguem arcar com as despesas e também não encontram mais linha de crédito para esperar o momento tempestuoso passar.

 

Região de Braço do Norte

 

No Vale do Braço do Norte, uma das regiões onde se concentra a maioria dos produtores independentes de Santa Catarina, o alto custo de produção praticamente inviabiliza a atividade suinícola. Conforme Adir Engel, presidente da Regional, a saca do milho custa ao suinocultor R$ 52,50 – valor semelhante a outras regiões do Sul do Brasil.

 

Ele também destaca a tendência de baixa no preço pago pelo quilo do suíno, que durante a semana era de R$ 3,20, mas com projeção de queda até o fim da semana. Em contrapartida, o preço para produzir o quilo do suíno passa da casa dos R$ 4,00 – o que representa um prejuízo entre R$ 90 e R$ 100,00 por animal de 100 Kg. "Infelizmente são fatores que fazem os produtores falar em abandonar a atividade. Alguns terminadores já disseram aos criadores de leitão que não pegarão mais animais, pois encerrarão a atividade. É preocupante a situação".

 

O presidente da Regional de Braço do Norte também enfatiza que a maioria dos suinocultores não tem mais dinheiro para pagar as contas, uma vez que as negociações de milho e soja são transações mediante pagamento à vista. "O produtor não sabe o que fazer. O que ele ganha não paga as contas. Não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias porque o produtor está em desespero. Os bancos também já começam a restringir crédito para o setor".

 

Com o cenário de dificuldade nos primeiros meses do ano, muitos produtores da região de Braço do Norte deixaram de fazer o ciclo completo para fazer apenas a terminação. "Isso reduziu bastante o número de matrizes de ciclo completo. O suinocultor só não abandona completamente a atividade porque a bovinocultura leiteira é muito forte na região. Vaca produz pelo o que ela come. Como o produtor sabe que a fértil irrigação nas pastagens é importante, ele não abandona a atividade".

 

A classe dos suinocultores lembra que já houve crises graves, mas nunca por causa do alto custo de produção, conforme analisa Engel, principalmente pelo alto volume de exportação do milho brasileiro e a baixa área de plantio no território nacional. "O estopim da crise é o alto custo de produção. É claro que o Governo Federal depende das exportações por conta da balança comercial. Só que em contrapartida, está se matando o produtor brasileiro".

 

Engel afirma que é muito mais fácil para o produtor de milho levar o cereal para o porto para ser exportado ao encarar a precariedade da malha viária brasileira.

 

Os suinocultores aguardam que o consumo interno de carne suína melhore após o período de quaresma. Contudo, como o grande entrave para a atividade na região Sul é a aquisição de milho e seu frete caro, Engel ressalta que o País precisa adotar medidas urgentes para baratear o cereal. "Talvez seja necessário também frear um pouco a exportação. Não podemos deixar o nosso produtor morrer”.

 

Região de Videira

 

O momento dramático vivenciado pelo setor não é diferente para os suinocultores do Núcleo Regional de Videira. Conforme Marcos Spricigo, presidente da Regional, a crise que afetou o setor entre os anos de 2011 e 2012 voltou à tona, mas com agravantes: o caos generalizado na economia brasileira associado ao sensível momento político.

 

Na análise do presidente da Regional de Videira, o consumidor tem medo de gastar por não ter segurança sobre o futuro do País, o que impacta também no consumo da carne suína e seus derivados. "Todo mundo está envergonhado e preocupado com todo esse caos político de Brasília. Outras atividades também estão sofrendo, como o pessoal da área de transporte".

 

No Meio-Oeste do Estado o custo da saca de milho também passa os R$ 50,00. A remuneração ao suinocultor pelo quilo do animal está entre R$ 2,80 e R$ 3,10. "Esse fator torna a atividade insustentável, independente da eficiência ou não do produtor. Precisamos novamente da união da classe como fizemos em 2012, quando todas as associações do Brasil se juntaram em Brasília para lutar pela causa", analisa Spricigo.

 

Ele ainda constata que a suinocultura está se "esfacelando" e garante que se o cenário atual permanecer por 30 dias, "nós não vamos mais ouvir falar em produtores de suínos". Spricigo afirma que todos os envolvidos na atividade estão em situação de risco, desde o pequeno produtor até a grande agroindústria. "A produção vai se desmantelar. Há produtores desistindo da atividade".

 

Os produtores da Regional de Videira também necessitaram fazer mudanças no plantel para conseguir ter sobrevida na atividade. Spricigo explica que está ocorrendo o descarte das matrizes e que não são repovoadas. "Estão sendo cancelados todos os pedidos de matrizes até que a situação tenha uma melhor perspectiva".

 

Santa Catarina é reconhecida como o Estado que tem o melhor plantel de suínos quando o assunto é status sanitário. Contudo, conforme Spricigo, a unidade federativa pode ser a primeira a "quebrar" por falta de políticas públicas que viabilizem o setor.

 

Em Iomerê

 

A suinocultura de Iomerê também é a grande responsável pela movimentação econômica do município, sendo que mais de 150 famílias dependem da atividade. O mini-integrador Alfonso Mugnol teme em não conseguir mais absorver a demanda de animais dos produtores. "Se a gente não absorver os leitões desse pessoal eles vão morrer aos poucos".

 

Mugnol constata que para mudar a delicada situação será necessário diminuir o número de suínos no País, importar milho da Argentina e que a economia brasileira volte a funcionar. "O produtor independente já está morrendo e as agroindústrias também estão no prejuízo. Se não acontecer nenhum fato novo, em questão de 40 dias estará todo mundo falido. Eu nunca vi uma situação tão grave como essa".

 

Análise do Paraná

 

De acordo com o produtor da região de Guarapuava, no Paraná, Wienfried Mathia, a crise no Estado não se difere da catarinense, sendo que os preços dos insumos estão inflacionados e o suíno com valor depreciado. Ele avalia que a falta de diálogo entre os elos da cadeia produtiva agrava a situação. Nesse contexto, Mathia avalia que as agroindústrias deveriam colocar um preço mínimo pela carcaça do animal, com a tarifação tipo exportação. "Isso permitiria ao produtor cobrir o custo. Para isso deve haver um entendimento entre as agroindústrias e frigoríficos independentes".

 

Mathia diz que muitos produtores do Paraná não têm mais condições de comprar rações para manter o plantel, de modo que acabam expulsos da atividade. "O suinocultor não tem como suportar. Se ele for independente e não fez caixa nos últimos dois anos quando o preço estava bom, está numa situação muito mais grave".

 

Análise do Rio Grande do Sul

 

De acordo com o vice-presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Mauro Antonio Gobbi, ainda há oferta de milho no Estado e com preço melhor na comparação com o Paraná e Santa Catarina. Mas, de forma geral, ele avalia que as dificuldades enfrentadas pelos gaúchos são as mesmas, sendo que a atividade também está em risco de extinção, sendo que muitos suinocultores já pensam em desistir da atividade, mas não conseguem se desfazer do plantel. "Nós estamos em uma situação sem saída a não ser esperar essa crise passar".

 

Contudo, apesar do momento conturbado, Gobbi acredita que a suinocultura irá se recuperar a partir do segundo semestre, assim como ocorreu em 2015, quando o setor começou o ano com dificuldades. "O setor deve se reequilibrar, mas vai ficar gente pelo caminho, que não vai conseguir arcar com os prejuízos até a estabilidade voltar".

 

Avaliação da ACCS

 

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, avalia que o momento é desesperador, agravado principalmente pela briga política em Brasília. “Os políticos estão preocupados em não perder seus assentos. Para equilibrar a balança comercial e minimizar o déficit, o governo exporta tudo. A crise se agrava ainda mais para quem produz proteína animal”.

 

Losivanio também é categórico ao afirmar que se nenhuma atitude emergencial for adotada pelo governo, em breve, o Brasil terá de importar carne. “Todos pagarão de novo o alto custo desta proteína, pois a inflação será novamente a vilã neste País da impunidade e da incompetência de muitos políticos”.

 

Audiência Pública

 

A ACCS programa para o dia 4 de abril uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A entidade espera a participação dos produtores, lideranças políticas e representantes correlacionados com a área.

 

Fonte: Ass. de Imprensa da ACCS

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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global

Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

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Projeto Peso na Granja criado por estudantes da Faculdade Donaduzzi, usa IA para para estimar o peso de suínos com precisão e atende demandas do mercado - Foto: Shutterstock

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.

Foto: Shutterstock

As tecnologias utilizam Inteligência Artificial (IA), ciência de dados e visão computacional para enfrentar gargalos históricos do agronegócio brasileiro, com foco em eficiência operacional, redução de custos e aumento de produtividade. A iniciativa consolida a transição de protótipos acadêmicos para soluções de alta complexidade, estruturadas para atender produtores rurais, cooperativas e integradoras.

O movimento reforça o posicionamento do Oeste paranaense como polo de inovação aplicada ao agro, conectando formação técnica, pesquisa e mercado.

Suinocultura 4.0 no campo

Entre os projetos que avançam para a fase comercial está o Peso na Granja, desenvolvido por alunos do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial. A solução responde a um dos principais desafios da suinocultura de precisão: a pesagem dos animais sem manejo físico.

Com uso de redes neurais profundas, o sistema identifica individualmente os suínos por imagem e extrai medidas biométricas sem contato

Foto: Shutterstock

direto, alcançando precisão de 98%. A tecnologia automatiza a pesagem, reduz o estresse animal e qualifica o controle zootécnico das granjas.

Na prática, o produtor passa a contar com dados em tempo real para ajustes finos na nutrição, monitoramento da curva de conversão alimentar e identificação precoce de possíveis enfermidades. O ganho é duplo: melhoria do desempenho produtivo e maior previsibilidade de resultados.

O projeto foi reconhecido nacionalmente ao ser premiado no Hackathon do Show Rural Digital 2026, um dos principais eventos de inovação voltados ao agronegócio no país.

Compliance no campo

Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

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A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.

Trilha empreendedora

O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.

A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.

Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.

Fonte: Assessoria Biopark
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