Suínos Custos de produção
Suinocultores brasileiros têm prejuízos que chegam a R$ 300 por animal
O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas regiões e o que esperar para próximos meses

Os custos de produção da suinocultura estão assustando produtores de todas as regiões do país. O Presente Rural ouviu com exclusividade algumas das principais lideranças para saber como está a situação nas suas regiões e o que esperar para os próximos meses. Prejuízos passam fácil de R$ 100 por animal nos estados, chegando a R$ 300 no Paraná. E a situação para os próximos meses não é nada boa.
Minas Gerais
João Carlos Bretas Leite, presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), “os próximos meses vão ser desafiadores porque as perspectivas continuam ruins. E a gente não vê perspectiva de aumento no preço do suíno, nem na baixa no preço do milho ou do farelo de soja”. E completa: Devemos continuar com prejuízo até o fim do ano”.
O presidente quantifica esses prejuízos. “Nossos custos de produção giram em torno de R$ 7 a R$ 7,50 o quilo. Como estamos vendendo para receber líquido cerca de R$ 6,60, estamos com prejuízo de quase R$ 1 por quilo de suíno produzido”.
Ele destaca que os custos começaram subir muito desde o segundo semestre de 2020 e que alguns fatores contribuíram para chegar a esse cenário, além do preço dos insumos para as dietas dos animais. “Baixa produção, muita exportação de grãos, estoques mundiais de soja baixando, a nossa inflação, entre outras situações, contribuíram para esse aumento nos custos”, destaca o presidente da Asemg.
Rio Grande do Sul
A situação é a mesma no Rio Grande do Sul, onde a quebra da safra 20/21 só piorou o cenário. “Realmente os custos
de produção estão nas alturas. Se fizermos uma pequena retrospectiva, começando pelo mês de julho de 2020, tínhamos milho em torno de R$ 50 a saca e o farelo de soja a R$ 1,6 mil a tonelada. Hoje falamos do preço do milho a cerca de R$ 100 e o farelo de soja em R$ 2,3 mil. O milho praticamente dobrou de preço e o farelo subiu ente 30 e 40%. Saímos de custo de produção em julho de 2020 de cerca de R$ 4,50 o quilo para algo em torno de R$ 7,30 a R$ 7,50 o quilo hoje em dia”, evidencia o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador.
“Realmente é um desafio, tudo vem por conta da alimentação dos animais, por conta de questões climáticas que quebraram a safra do Rio Grande do Sul. A safra 2020/21 teve quebra de quase 50%. Isso puxou o preço do milho para cima, aliado a forte demanda pelo cereal, tanto no mercado interno quanto externo. O produtor está tendo que se virar nos 30. Alguns tinham estoque de milho com preço mais baixo. Mas a partir de agora o que se adquirir vai ser o preço que temos hoje. Por outro lado o preço do suíno não reage. Tínhamos uma perspectiva positiva para o segundo semestre, mas houve recuo, mesmo com exportações maiores que ano passado”, explica o presidente da Acsurs.
De acordo com ele, não fossem as exportações, especialmente para a China, que compra cerca de 50% de toda a exportação brasileira, a situação seria insustentável. “Nossa produção cresce ano a ano cerca de 3 a 4% e precisamos colocar essa carne no mercado. Se não fossem as exportações para a China, o setor suinícola estaria em uma crise sem precedentes”, pontua Folador.
O presidente da Acsurs explica que o consumo está bom, mas os preços estão baixos. “O consumo interno não está ruim. A população brasileira vê a carne suína como alternativa ao preço da carne bovina, que está cara. Mas o preço pago na carne suína não reage”, aponta.
Para ele, a situação só vai melhorar com a entrada de uma boa safra no inverno e o plantio da safra de milho no verão. “Temos que aguardar agora, a partir de agosto, para ver o que vai acontecer, se o mercado vai ter força de reação, se vai aumentar volume e preço da carne suína exportada. Sobre 2022 é cedo para fazer uma previsão, mas posso visualizar que vamos entrar o ano novo com custo de produção alto, não vai ter refresco, ao que tudo indica. Temos que aguardar o que vai acontecer com plantio da primeira safra de milho a partir de agosto/setembro, principalmente no Rio Grande do Sul, que não tem segunda safra. E aguardar para ver como o clima vai se comportar. Se o clima favorecer e tivermos mais oferta de milho e soja, consequentemente pode cair o custo de produção das carnes”, destaca, ampliando: “o momento é bem complicado para o suinocultor gaúcho e brasileiro, sem margem de rentabilidade”.
Santa Catarina
Os produtores de Santa Catarina, detentores da maior suinocultura do país, amargam prejuízos que chegam a R$ 270 por animal, como explica o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. “Os custos estão muito altos. A gente fala do milho, mas não é só isso. O farelo de soja, as vacinas, tudo é baseado em dólar. Conforme o dólar sobe, os insumos também sobem. E quando o dólar cai os custos continuam lá em cima”, destaca.
Para o presidente da ACCS, os produtores estão nas mãos do mercado, sem poder de reação. “Os suinocultores têm que vender porque não dá para estocar dentro da granja. Temos que vender pelo preço que o mercado está ofertando nesse momento. Hoje temos um custo de R$ 8 ou mais, dependendo da região e produtividade da granja, e comercializando a R$ 6,30. Dá para ter uma noção do prejuízo, que chega a R$ 270 por animal”, revela. “Até quando vamos conseguir manter nossa atividade com tamanho prejuízo? Não há esperança de melhora tão logo na questão dos custos, pois as safras foram ruins. Embora as exportações não estejam estão elevadas, o produtor de grãos está capitalizado, não oferta milho ao mercado, mantendo o preço em alta”, amplia.
Os produtores independentes estão tendo prejuízos, mas a dificuldade com os custos chega também a quem é integrado. O independente não está tendo lucro, mas a gente observa que no modelo de integração ou cooperativismo, o produtor não está conseguindo se manter. Há uma reclamação generalizada quando se fala nesses modelos integrados. Por mais que se tenha garantia de receber o acordado em contrato, o produtor não consegue ter sobra para fazer adequações e mudanças dentro da propriedade rural. E são altos e vários investimentos que precisam ser feitos dentro da propriedade para se adequar às normas, como bem-estar animal, por exemplo. Há um prejuízo também dentro desses modelos de integração e cooperativismo”, pontua Losivanio.
Para ele, esse cenário de custos elevados deve perdurar por muitos meses ainda. “Não está sendo um ano fácil e a gente não sabe nem quanto nem como recuperar esse prejuízo já acumulado. Enquanto não tiver safra promissora, e ajuda do governo para zerar tributos, como estamos pedindo do PIS e Cofins para importar milho do Paraguai e Argentina, mas que até agora não fomos atendidos, a gente não vê perspectiva de lucro tão rápido dentro da propriedade rural. Os custos tendem a se manter porque a gente não tem estoque regulador na Conab, não temos previsão de safra agradável. A perspectiva para 2022 não é das melhores quando se fala em custos. Tudo isso vai continuar por dois ou três anos”, lamenta o presidente da ACCS.
Para ele, outros dois pontos merecem atenção: a concorrência das usinas de produção de etanol com milho e a biosseguridade que, se arruinada, poderia causar uma catástrofe na suinocultura brasileira. “Observando outro horizonte, sabemos que o milho está indo para dentro do tanque de combustível. É uma preocupação forte que temos. Há hoje disputa de milho para produzir proteína animal e etanol. Mas friso que o maior desafio que temos é manter a sanidade dos planteis. O alerta é para os produtores isolarem a propriedade, não deixar ninguém entrar. Só quem dá assistência técnica, mesmo assim respeitando todos os requisitos sanitários para garantir a sanidade daquela propriedade. Se chegar uma peste em nosso país, vamos perder exportações e o caos será instalado dentro da propriedade rural e do país”, frisa.
Mato Grosso
O cenário se repete mesmo no Estado de Mato Grosso, maior produz de milho do país, responsável por mais de 30%
de todo milho do Brasil, segundo a Conab. A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), alerta para um cenário preocupante. “Nós produtores rurais, pecuaristas, temos a preocupação em relação ao futuro da atividade, pois com os custos de produção elevados, a proteína tende a ficar ainda mais cara para o consumidor. Neste caminho, a proteína animal, um dos principais alimentos do ser humano, vai ficar cada vez mais escassa na mesa do brasileiro. Se não houver um recuo no custo de produção em alguns meses o preço irá disparar nos supermercados e cada vez menos pessoas terão condições de comprar”, destaca o presidente da entidade, Itamar Antônio Canossa.
Apesar dos custos mais baixos em relação a outras regiões produtoras por conta da maior oferta de milho, o produtor já começou a trabalhar no vermelho. “O custo de produção hoje na suinocultura mato-grossense é de aproximadamente R$ 5,50 por quilo produzido, hoje estamos trabalhando sem margem de lucro, e no nos últimos dias do mês (julho) trabalhamos no prejuízo, pois o poder de compra do consumidor diminui e consequentemente o consumo de carne também, o que derruba o preço pago ao suinocultor”, destaca.
Canossa explica que o custo de produção na suinocultura se baseia praticamente no preço da ração, que é composta em sua maioria pelo milho e farelo de soja, que foram os que tiveram um aumento significativo nos últimos meses. “Há dois anos a ração era responsável por 70% do nosso custo de produção, hoje ela é responsável por 80% dos custos na suinocultura. Os outros componentes do custo seguem com pouca variação de preços. O milho e a soja, principais componentes da ração, subiram muito de preço. Essas commodities estão muito valorizadas, principalmente aqui no Brasil, já as vitaminas, minerais, enzimas, ácidos e aminoácidos que completam a alimentação dos suínos são comprados em dólar, e normalmente importados, logo, também tiveram aumento dos preços”, menciona.
Para ele, os custos elevados devem permanecer durante meses ainda, mas o produtor tem que se preocupar ainda com o consumo. “A perspectiva dos suinocultores é de pelo menos até o próximo ano os custos de produção permaneçam elevados, pois o dólar continua valorizado e com poucas oscilações, o milho com uma quebra razoável de safra e com muita demanda, vai permanecer com custo alto, assim como a soja, que não demonstra recuo nos valores para os próximos meses. Em contrapartida o preço de venda do suinocultor é uma incógnita, pois depende muito do poder de compra do consumidor e do consumo”.
Sem muito a fazer em relação ao mercado, Canossa explica que o produtor deve se atentar a melhorar seus índices de produtividade. “Não vejo muitas oportunidades na questão da suinocultura ou até mesmo na cadeia da proteína animal, pois quando a combinação de custo elevado de produção e preço de venda dessa proteína por um preço que flutua pela demanda e oferta, não enxergamos muitas oportunidades para se investir na área e ampliar a produção. Temos que melhorar nossos índices para sermos mais eficientes e diminuir o custo de produção dentro da granja. A saída é essa, melhorar nosso índice de produtividade na própria granja para diminuir os custos fixos, para que a atividade seja no mínimo viável”, frisa. O dirigente da Acrismat destaca que algumas propriedades podem deixar de produzir caso algo não mude nos próximos meses. “Com o atual cenário, as previsões não são das melhores, pois com o produtor trabalhando no prejuízo, a tendência é que a atividade diminua ou até mesmo acabe”, pontua.
Ele cita que até mesmo produtores integrados não estão escapando da fúria do mercado. “As mesmas questões que preocupam o suinocultor independente preocupam também o suinocultor integrado. Na questão do integrado existe o apoio da empresa, mas também há limites, pois as empresas também trabalham com margens de lucro, e chega uma hora que ela terá que repassar também para o seu integrado. Já temos a confirmação de suinocultores integrados também trabalhando sem margem de lucro, isso já acontece aqui em Mato Grosso, e também em alguns casos lá em Santa Catarina”, acrescenta Canossa.
Paraná
No Paraná, a Associação Paranaense dos Suinocultores (APS) tem registrado prejuízo de R$ 300 por animal entregue para o abate. “A suinocultura prossegue com situações recorrentes nos últimos anos, alternando períodos de altos e baixos, com margens positivas e negativas, muito embora na maior parte do tempo o produtor tem sofrido com o esmagamento das margens, e isso ocorre tanto no mercado independente quanto no sistema de integração. Os custos de produção têm pesado bastante, com sucessivas altas nos seus componentes, enquanto o preço pago ao produtor está bem aquém das margens de lucro verificadas em outras fases da cadeia, incluindo o varejo. O consumo permanece numa fase crescente, com maior aceitação por parte do consumidor, que por sua vez já reconheceu os benefícios do consumo da carne suína como fonte de proteína animal. Enquanto isso, nas granjas há cada vez mais investimentos em tecnificação, bem-estar animal e em biosseguridade, garantindo maior sanidade animal possível. Se olharmos os números mais recentes, no caso do mercado independente, o prejuízo tem chegado à casa dos R$ 300, pois enquanto o preço pago em média por quilo ao produtor gira em torno dos R$ 6,50, o custo de produção por quilo está em torno de R$ 9. É muita diferença, e em palavras simples, o produtor está pagando para criar seus animais e ofertá-los ao mercado. Isso se dá em um verdadeiro contrassenso ao que acontece no mercado mundial de carnes, que está aquecido desde que a China passou a comprar mais, em razão da PSA em seu plantel. Esse fato elevou grandemente as exportações brasileiras. O mercado interno já deveria estar mais favorável ao produtor e o varejo mantém o preço com boas margens”, cita o presidente da APS, Jacir Dariva.
“Os custos de produção sempre estiveram alto e desafiando o produtor, mas passaram a aumentar ainda mais quando o preço da soja e do milho dispararam nas safras passadas, já que são os principais componentes da ração animal. Somam-se a isso o aumento dos demais insumos, com muitos itens de consumo regular nas granjas com altas elevadas. Houve casos de 100% e até mesmo de 200%. Os insumos alimentares impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a ração é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo recente levantamento de custos de produção realizado do Sistema Faep/Senar-PR. Mas há também outras questões nas granjas que preocupam os produtores do sistema de integração, como a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade. Essas questões compõem a pauta de negociação com a agroindústria integradora”, amplia Dariva.
O presidente cita, no entanto, que é preciso acreditar na atividade, mesmo que seja a partir de 2022, destacando a nova condição sanitária do Paraná, segundo maior produtor do Brasil. “Apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, menciona o dirigente.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.



