Notícias Dia do Suinocultor
Suinocultores: além de gostar, uma vocação
Em tempos de pandemia, produtores relatam dificuldades, mas não deixam para trás a atividade que tanto amam

Eles trabalham de segunda a segunda. Faço chuva ou sol, frio ou calor, os suinocultores não param. E em tempos de pandemia, produtores relatam dificuldades, mas não deixam para trás a atividade que tanto amam.
Suinocultor de Cândido Godói, Laurindo José Vier (52) diz jamais ter passado por uma situação parecida ao longo dos tantos anos de atuação na suinocultura. Ele refere-se justamente ao cenário instaurado por causa da Covid-19, que alastrou-se no país. “2020 iniciou-se bastante positivo, porém, em março fomos surpreendidos com esta pandemia”, conta. Segundo ele, o fechamento de setores de trabalho resultou na redução do consumo no mercado interno e, consequentemente, na redução no abate. Com a alta oferta de suínos, veio a dificuldade na venda dos animais.
E, enquanto muitos profissionais deixaram os escritórios para realizar o home office, Laurindo e a família precisaram se adaptar ao “novo normal”. Assim como tantos outros suinocultores, precisou se readequar e dar continuidade às atividades na granja, para que a carne mais consumida do mundo não faltasse à mesa dos consumidores. “Ainda enfrentamos a alta dos custos de produção – principalmente do farelo de soja e milho – e dos medicamentos, por causa da alta do dólar”, comenta.
Mesmo assim, Vier não perde o entusiasmo ao falar sobre suinocultura. Ela conta que o filho Jean Carlos (23) gosta da atividade e que está “praticamente tocando a granja”. “Deverá seguir na suinocultura”, avalia. Não seria por menos, já que tem como exemplo, além do pai, o avô Nelson Vier, que aos 80 anos ainda acompanha o trabalho feito na granja.
Valorização
Aos 26 anos, Mateus Filippi demonstra proatividade na atividade da suinocultura. Ele assumiu recentemente a
presidência da associação municipal dos produtores de suínos de Camargo.
Para o jovem suinocultor, a classe suinícola precisa ser mais valorizada. “Sinto que seja necessário um olhar diferente com quem trabalha com a produção de alimentos, em especial a de suínos”, comenta.
Quando questionado sobre as dificuldades no atual cenário de pandemia, ele mostra-se otimista em relação à volta à normalidade, mas não descarta a preocupação com alguns aspectos. “Minha preocupação nesse período está relacionada ao transporte da matéria prima para os suínos, de medicamentos e até mesmo o contato com os funcionários que vem de fora”, avalia, lembrando a importância dos cuidados básicos como o uso correto da máscara, do álcool em gel e o distanciamento, sempre respeitando os limites.
Mateus trabalha em granja familiar, iniciada pelos avós na década de 80. Há cerca de 20 anos, a suinocultura antes independente passou para a fase de integração, com a qual trabalham até hoje.
Além de gostar, uma vocação
O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul – ACSURS, Valdecir Luis Folador, destaca a grandiosidade do trabalho do suinocultor para a economia tanto do município onde está situada a granja, quanto região, estado e até mesmo para o país. “A suinocultura é uma atividade que agrega valor em todas as fases, exigindo um grande volume de investimento. Então, o produtor quem tem na propriedade a atividade suinícola está sempre investindo, gerando com a produção, com a comercialização”, ressalta. “Isso resulta na geração de tributos, que retornam ao município e, no retorno ao município desses tributos gerados pela produção de suínos, eles são distribuídos para toda a população do município; a nível de estado também”, observa.
O dirigente frisa que o produtor rural que é suinocultor, além de ser extremamente profissional, precisa gostar muito da atividade. “Não é simples ser suinocultor. É uma atividade que exige do produtor muito trabalho, muito cuidado durante os 365 dias do ano, não tem feriado, não tem sábado, não tem domingo. Para ser suinocultor, além de gostar é preciso ser vocacionado, por causa de todos os desafios”, destaca Folador.
24 de julho, Dia do Suinocultor
O Dia Nacional do Suinocultor foi instituído através do Projeto de Lei – PL 3519/2008, transformado na Lei Ordinária nº 12635/2012, publicada no dia 14 de maio de 2012 no Diário Oficial da União.
A escolha do dia 24 de julho se deve à proximidade com o Dia Nacional do Agricultor, celebrado anualmente no dia 25 de julho.

Notícias
Clima favorece soja no Paraguai e produção pode superar 11 milhões de toneladas em 2026
De acordo com a StoneX, chuvas bem distribuídas em dezembro e alongamento do ciclo melhoram as perspectivas da oleaginosa.

As chuvas registradas ao longo de dezembro mudaram de forma significativa o cenário da safra de soja no Paraguai e reacenderam a expectativa de uma campanha bastante positiva em 2026, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros.
A estimativa da safra principal foi revisada de 9,29 milhões para 9,64 milhões de toneladas e, caso a safrinha alcance cerca de 1,39 milhão de toneladas, a produção total pode superar 11 milhões de toneladas no próximo ano.

Após um início marcado por boas perspectivas e uma forte preocupação com a seca no fim de novembro, a regularização das precipitações trouxe um novo fôlego às lavouras em praticamente todo o país. “Em dezembro, as chuvas se distribuíram de maneira bastante favorável em grande parte das regiões produtoras, o que foi decisivo para a recuperação do potencial produtivo da soja”, realça a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez.
Além do retorno das chuvas, o verão mais ameno tem provocado um alongamento do ciclo da oleaginosa — um fator pouco comum no Paraguai. “As temperaturas mais baixas estenderam o desenvolvimento da cultura e fizeram com que as precipitações coincidissem exatamente com a fase mais crítica, o enchimento de grãos, o que melhorou de forma generalizada as expectativas de produtividade”, explica Larissa.
De acordo com a analista, os resultados esperados são positivos em todas as regiões produtoras. “Inclusive em San Pedro, que vinha sendo fortemente afetada nos últimos anos, a expectativa agora é de uma safra considerada normal pela primeira vez em quatro anos”, destaca. No entanto, completa, não se trata de uma “supersafra” excepcional, mas de uma campanha claramente melhor do que a prevista inicialmente.

Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado: “Em condições normais, a colheita da soja já estaria em andamento, mas o atraso fará com que o processo ocorra mais tarde, o que pode impactar diretamente a safrinha”
Nas principais áreas produtoras, de Katueté a Ciudad del Este, os rendimentos projetados superam os do ciclo anterior, que já havia sido considerado bom. A mesma tendência também é observada no sul do país.
O alongamento do ciclo, porém, traz reflexos para o calendário agrícola. “Em condições normais, a colheita da soja já estaria em andamento, mas o atraso fará com que o processo ocorra mais tarde, o que pode impactar diretamente a safrinha”, alerta Larissa. O clima mais fresco, com temperaturas abaixo do habitual para janeiro em algumas regiões, também pode influenciar o desenvolvimento do milho.
De acordo com a StoneX, o período crítico se concentra entre 15 de janeiro e o fim do mês. “Se a colheita da soja avançar para o fim de janeiro ou início de fevereiro, aumenta a probabilidade de redução da área de soja safrinha, com maior priorização do milho, ainda que isso possa exigir ajustes nos níveis de produtividade”, afirma a analista.
No campo da comercialização, o ritmo segue moderado. “Na primeira semana de janeiro, cerca de 23% da soja futura estava comercializada, acima dos 19% registrados até dezembro, mas ainda abaixo da média histórica de 30% dos últimos cinco anos”, observa. Segundo ela, caso uma parcela relevante da produção fique para ser negociada mais adiante, a concentração da oferta em uma mesma janela pode pressionar os prêmios nos próximos meses.
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Colheita da soja 2025/26 começa com boas perspectivas no Brasil
Início dos trabalhos no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná ocorre sob clima favorável e expectativa de safra recorde, enquanto exportações ganham força com maior demanda chinesa, apesar da baixa liquidez no mercado interno.

A colheita da soja 2025/26 foi iniciada nas últimas semanas em áreas do norte de Mato Grosso e do oeste do Paraná, e a expectativa é de boa produtividade.
Segundo pesquisadores do Cepea, as condições climáticas seguem predominantemente favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil, reforçando o otimismo quanto a uma safra recorde.

Foto: Gilson Abreu/AEN
Ainda assim, a liquidez no mercado doméstico está baixa, com produtores retraídos do spot, o que tem pressionado as cotações neste começo de ano.
No front externo, dados da Secex indicam que o Brasil embarcou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro/25, volume 59,3% superior ao escoado em dezembro/24. Esse avanço está atrelado, sobretudo, ao maior apetite chinês: apenas no último mês, foram destinadas à China 2,6 milhões de toneladas da oleaginosa, 83,8% a mais do que no mesmo período de 2024.
No acumulado de 2025, os embarques brasileiros somaram um volume recorde de 108,18 milhões de toneladas, superando as 106,97 milhões de toneladas estimadas pela Conab no relatório de dezembro/25.
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Parceria entre Tecpar e UFPR fortalece processo de produção de vacina antirrábica veterinária
Intenção é unir o trabalho de pesquisadores das duas instituições, por meio do compartilhamento de estrutura e conhecimento técnico-científico.

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) vão atuar em conjunto em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para aperfeiçoar o processo de produção da vacina antirrábica veterinária. A intenção é unir o trabalho de pesquisadores das duas instituições, por meio do compartilhamento de estrutura e conhecimento técnico-científico.
O Tecpar é um dos precursores no controle da raiva, por meio da fabricação de vacinas antirrábicas para uso animal e humano, desde 1944. Hoje é o único laboratório público do Brasil que fornece a vacina antirrábica animal para o Ministério da Saúde. Só em 2025, foram 26 milhões de doses.

Com a parceria, as instituições se comprometem a trabalhar juntas para o desenvolvimento, validação e implementação de ensaios e testes para controle interno de qualidade aplicados às diferentes etapas da produção da vacina antirrábica. Elas também atuarão no desenvolvimento de novas tecnologias vacinais e de diagnóstico imunológico, a fim de aperfeiçoar o esquema vacinal de animais domésticos e selvagens.
“Essa colaboração é uma ação estratégica para promover a inovação, o desenvolvimento científico e tecnológico na área da saúde única, e assim garantir autonomia nacional na produção de tecnologias em saúde. A iniciativa também reforça o papel histórico do Tecpar na produção de conhecimento, e estimula a formação de profissionais qualificados para este segmento, combinando a pesquisa acadêmica com a aplicação prática”, salienta o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.
O acordo de cooperação envolve pesquisadores do Centro de Imunobiológicos Veterinários do Tecpar, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR e do Laboratório de Imunologia Comparada, do Departamento de Patologia Básica da UFPR.
Na avaliação da coordenadora do projeto pelo Tecpar, Lucianna Freitas de Lima, que é biomédica com doutorado em Biociências e Biotecnologia para a Saúde Pública, a cooperação entre as instituições une competências da academia e da indústria já consolidadas, mas ainda pouco conectadas entre si, o que trará contribuição direta na otimização de processos e na qualidade da vacina antirrábica animal.
“Além disso, a parceria possibilita o desenvolvimento de projetos inovadores e suporte na transferência de novas tecnologias. Estamos estruturando um laboratório de desenvolvimento com corpo técnico especializado, incluindo um virologista dedicado à pesquisa, para enfrentarmos os desafios crescentes da cadeia de imunobiológicos”, afirma Lucianna.

Ao avaliar a importância da parceria, o coordenador do Laboratório de Imunologia Aplicada da UFPR, Breno Beirão, ressalta que o Tecpar tem muita expertise e é um dos centros de referência da raiva animal, enquanto a UFPR tem ampla experiência em vacinologia e em insumos biotecnológicos.
“As duas instituições pretendem trazer novas ideias à tona. Para isso, estão trabalhando em colaboração na pesquisa científica e troca de informações para que haja avanços na produção da vacina antirrábica e em seus métodos de controle de qualidade”, afirma Beirão. “O que podemos esperar dessa parceria são melhorias nos processos que já existem e a criação de novas soluções. Tem bastante coisa que podemos fazer em conjunto e acredito realmente que isso vai somar para trazer novas publicações e resultados práticos”, acrescenta.
Parceria

Entre as ações previstas estão o desenvolvimento de vacinas de nova geração, estratégias vacinais e avaliação da imunogenicidade de antígenos vacinais – que é a capacidade que uma vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos.
O Tecpar será responsável pela validação dos protocolos de testes diagnósticos e vacinas relacionadas ao controle da raiva e outras zoonoses, e pela implementação de protocolos recém-desenvolvidos conforme as normas regulamentares. O instituto também fará a validação de testes de RT-PCR e ELISA, assegurando que atendam aos padrões de qualidade e eficácia. Os pesquisadores envolvidos receberão suporte técnico e acesso a equipamentos de ponta.
A UFPR, por meio do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia, vai oferecer formação acadêmica e profissional para alunos de pós-graduação envolvidos nas pesquisas.
Modernização

A vacina antirrábica animal produzida pelo Tecpar é distribuída gratuitamente pelo SUS, alinhada ao conceito de Saúde Única: ao imunizar animais, reduz-se, diretamente, a incidência da doença em humanos. Para ampliar a capacidade produtiva e garantir o fornecimento nacional do imunizante, o Tecpar mantém, há quatro anos, parceria com a empresa argentina Biogénesis Bagó.
O instituto também modernizou sua infraestrutura, incluindo a instalação de um novo equipamento de envase, que tornou o processo mais eficiente, resultando em uma redução de 40% no número de colaboradores necessários na etapa final de envase. A aquisição integra um projeto de voltado ao aprimoramento e ampliação da escala produtiva.



