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Suinocultor paranaense instala biodigestor para produzir de forma sustentável
Com plantel de 11 mil leitões, Ari Luiz Schlindwein, de Marechal Cândido Rondon, tinha como objetivo fazer uma granja energeticamente autossuficiente e ambientalmente correta. Ele conseguiu realizar o projeto com apoio do RenovaPR e do Banco do Agricultor, que subsidiam o custo financeiro do investimento.

Produção rentável aliada à sustentabilidade é a principal preocupação de quem tem no campo o seu sustento. Esse cuidado garante que o que é produzido seja visto com bons olhos, tanto na venda local quanto no comércio com outros países. Para apoiar quem se preocupa com o meio ambiente enquanto produz, o Governo do Estado incentiva a geração de energia própria e sustentável no campo, seja por meio solar ou de biogás.
Com o programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), via Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), produtores rurais podem vislumbrar não só a economia na conta de luz, mas também, no caso do biogás, resolver um passivo ambiental que acomete principalmente os produtores de animais, seja de bovinos, de suínos ou de aves.
É o que fez o suinocultor Ari Luiz Schlindwein, de 54 anos. Com apoio do RenovaPR, ele instalou um biodigestor na sua granja de suínos em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. A história de como isso tem transformado sua propriedade é tema desta semana da série especial “Paraná, a Energia Verde que Renova o Campo”, produzida pela Agência Estadual de Notícias (AEN) e publicada às terças-feiras.
Para dar vida ao sonho de ter uma granja energeticamente autossuficiente e sustentável, Ari contou com financiamento do Banco do Agricultor Paranaense, que subsidia o custo financeiro do investimento, por meio do programa RenovaPR. “Quando fui atrás para saber mais sobre o biodigestor, um empresário comentou comigo sobre essa linha do RenovaPR. No começo eu até pensei em desistir, com medo de não dar certo, mas deu, consegui o dinheiro sem juros e com carência para pagamento”, lembra.
Schlindwein iniciou a produção de suínos em 2020, já com o objetivo de fazer uma granja energeticamente autossuficiente e ambientalmente correta. “Eu sempre tive o cuidado com o dejeto desde quando comecei, em 2008, na minha outra granja, porque se o dejeto escorrer para uma lagoa ou na mata sem ser tratado, ele contamina a água e mata as árvores,” conta o produtor. “Eu queria fazer uma estrutura correta, limpa, sem prejudicar a natureza.”
Em um biodigestor, os dejetos animais são decompostos por bactérias em um ambiente sem oxigênio. Durante esse processo, é produzido o biogás, uma mistura de metano e dióxido de carbono, que pode ser utilizado para gerar energia elétrica através de motores a gás.
O projeto da propriedade, inclusive, foi feito por ele próprio. Ele construía granjas para um grande frigorífico no Interior antes de fazer as próprias. Foi assim que ele viu as vantagens de se ter um biodigestor, após implantar uma estrutura para o vizinho, também produtor de suínos. “Achei muito interessante a construção, eliminar esses efeitos colaterais que o dejeto proporciona para natureza. O dejeto sai limpo e você pode usar ele em cima da plantação sem problema nenhum”, comenta.
A propriedade de Ari Schlindwein, em Marechal, é um crechário com 11 mil leitões, em uma etapa de vida em que o porco ainda é jovem, chegando com 28 dias em cerca de oito quilos, e permanecendo ali por mais 42 dias, até chegar ao peso de 23 quilos. Essa é a fase crucial de desenvolvimento do suíno, em que a alimentação e a vacinação são fundamentais para que o porco chegue até a próxima fase, a de terminação, antes de seguir para o frigorífico.
Apoio – O RenovaPR foi criado pelo Governo do Estado com o objetivo de incentivar a produção de energia limpa e sustentável no campo. Desde 2021, quando foi implantado, já foram mais de 26 mil usinas fotovoltaicas ou de biogás instaladas, sobretudo de energia solar. No entanto, a meta é intensificar ainda mais a instalação de biodigestores.
Com subsídio da taxa de juros feito pelo Banco do Agricultor Paranaense, com operação da Fomento Paraná, o Estado banca parte ou a integralidade dos juros do financiamento para instalação de fontes de energia renováveis, como solar e biogás, no meio rural.
“Foi mais rápido do que eu pensei. Quando estavam prontas as instalações da granja saiu o financiamento para o biodigestor e deu certo de concluirmos tudo junto”, ressalta Ari Luiz Schlindwein. O financiamento para a construção do biodigestor foi de R$ 663 mil, a juro zero, com prazo de pagamento de 10 anos e carência de três.
Segundo dados do Centro Internacional de Energias Renováveis (Cibiogás), até 2023 o Brasil possuía 1.365 plantas de biogás, sendo que os estados com o maior número de plantas são o Paraná (391), Minas Gerais (349), Santa Catarina (119), São Paulo (108) e Goiás (108). De 2022 para 2023, os estados com maior percentual de crescimento em relação a plantas de biogás foram o Paraná (54%), Goiás (44%), Mato Grosso do Sul (41%), Rio Grande do Sul (39%), São Paulo (34%) e Rio de janeiro (27%).
Inovador – O projeto feito por Ari Schlindwein conta com quatros caixas de decantação dos dejetos, separando o sólido do líquido. O sólido ficará na caixa por, no mínimo, um ano, enchendo uma por vez. Na medida em que atingir a capacidade total, o dejeto ficará em descanso por mais um período, até ser utilizado como adubo.
Já no caso do líquido, que segue para o biodigestor, serão retirados os gases poluentes e enviado para a lagoa, já tratado, podendo servir de adubo para irrigação da plantação de feno, outra linha de negócio do produtor. Essa separação foi uma maneira de prolongar a vida útil do biodigestor.
“Se eu deixasse esse dejeto entrando direto, biodigestor já teria um depósito grande no fundo, neste caso, diminuiria o depósito de líquido e aumentaria o de sólido. Dentro de pouco tempo, eu teria que abrir esse balão e tirar todo esse sólido”, detalha o suinocultor.
Com a produção de biogás, a propriedade gera cerca de oito mil quilowatts por mês, mais que o suficiente para abastecer a propriedade de Marechal. Com o que sobra, ele também consegue abater o valor de outras duas contas de luz que estão em seu nome, entre elas o outro crechário, de Toledo.
Somando todas as contas de luz que tem em seu nome, Ari gastaria em média R$ 6 mil/mês em energia, sendo que na produção atual do biodigestor já é possível abater cerca de 60% do gasto. Isso fez com que o maior custo da propriedade se concentrasse na mão de obra, com nove funcionários fixos e outros três temporários, distribuídos nas duas granjas.
E com a sobra do que seria pago na conta de luz, o produtor já tem planos de ampliar o número de animais, saindo dos atuais 11 mil para 16,5 mil leitões, elevando também a produção de energia. “A capacidade do biodigestor gira em torno de 35 a 40 mil quilowatts por mês. Eu vou conseguir gerar em torno de 25 mil quilowatts/mês, menos que a capacidade que o sistema tem, mas, ainda assim, viável pra mim”, destaca.
A estimativa, segundo ele, é que assim que o novo barracão, que será construído ao lado dos outros dois já existentes, estiver em plena operação, a economia chegue na casa dos 90%, praticamente zerando a conta de luz.
Carcaças – Além dessa economia, os gastos na rotina da propriedade também mudaram. “Hoje eu não uso a composteira para as carcaças, vai tudo direto para o triturador e de lá passa por um aquecimento. Depois, vai para o biodigestor e lá produz gás também”, salienta. “Então não perde nada. Não tenho despesa em compostagem e tenho lucro no gás que ela produz, além de não causar dano nenhum ao meio ambiente.”
Segundo o coordenador de Energias Renováveis no IDR-Paraná, Herlon Almeida, o objetivo do RenovaPR é justamente esse: reduzir custos, possibilitar a ampliação da produção e o cuidado com o meio ambiente. “O tratamento de dejetos animais melhora a condição da propriedade e permite ao produtor ampliar o plantel, que é uma das necessidades que todos os produtores de proteína têm, isto é, verticalizar a produção”, explica Almeida. “O tratamento adequado de dejetos é que vai viabilizar as licenças ambientais para essa ampliação.”
Almeida também ressalta que, apesar de ser um investimento mais alto em comparação a energia solar, é algo que se paga rapidamente. “O maior desafio para a expansão do biogás é os produtores entenderem que o investimento, embora comparativamente mais alto, vale a pena. O produtor recupera o capital investido em pouco tempo e, mesmo que ele demande mais mão de obra numa propriedade, isso se paga”, finaliza o técnico do IDR-PR.
Série– A série de reportagens “Paraná, a Energia Verde que Renova o Campo” está mostrando exemplos de produtores rurais de todo o Estado que aderiram ao programa RenovaPR para implantar sistemas de energias renováveis em suas propriedades. Criado em 2021, o RenovaPR apoia a instalação de unidades de geração distribuída em propriedades rurais paranaenses e, junto ao Banco do Agricultor Paranaense, permite que o produtor invista nesses sistemas com juros reduzidos.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
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Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



