Suínos
Suinocultor deve seguidamente aprimorar protocolos de biossegurança
Status sanitário invejável do Brasil faz com que biossegurança muitas vezes seja esquecida ou deixada para depois, diz especialista
Um assunto que o produtor rural tem ouvido bastante nos últimos anos é sobre a importância da biossegurança na propriedade. Os procedimentos e protocolos a serem adotados para garantir que o status sanitários seja mantido. Mas, muitas vezes, o produtor fica na dúvida sobre o que realmente deve ser tratado, quando não vê o perigo. A importância de reavaliar periodicamente o conjunto de ações voltado à prevenção, controle e erradicação de agentes patogênicos nos sistemas de produção suinícola, assim como a sua execução no dia a dia da propriedade, foram as diretrizes da palestra do médico veterinário doutor Gustavo Simão, que falou sobre “Biossegurança – da ‘Filosofia à Prática’” durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, em Chapecó, SC.
De acordo com Simão, fazendo uma retrospectiva em relação ao aparecimento de novos agentes infecciosos, se percebe que a frequência de surtos e emergência de patógenos têm aumentado exponencialmente, causando grandes prejuízos aos suinocultores. “A importância de trazer um tema como este é justamente porque não temos mais tempo a perder. Precisamos tomar alguma atitude e deve ser rápido, porque, no caso de um eventual evento sanitário, teremos condições de sair dele com agilidade e menor prejuízo possível”, diz Simão.
Ele afirma que o tema fala sobre “da Filosofia à Prática” justamente porque biossegurança sempre foi vista como uma operação complexa, pelo fato de envolver muitos protocolos e listas longas de procedimentos que, muitas vezes, nem são executados por conta de sua multiplicidade. “Muitas vezes a biossegurança é deixada de lado. Mas o que percebemos é que enquanto os profissionais envolvidos na cadeia não veem os impactos que um agente infeccioso causa, não são tomadas providências”, comenta. Simão diz que, em muitos casos, o produtor esquece os prejuízos anteriores que teve com ocorrências sanitárias, não tratando a biossegurança com a devida atenção. “Embora a suinocultura brasileira tenha um status sanitário invejável, precisamos ser proativos e aperfeiçoar continuamente nossos protocolos de biossegurança. Temos que sair da filosofia, onde somente falamos e não praticamos, e começar a realmente prestar atenção nisso, porque é a nossa atividade que está em jogo”, alerta.
O médico veterinário afirma que sem biossegurança e saúde no plantel, não é possível explorar o potencial genético do animal. “Não adianta ter uma nutrição super balanceada ou ambiência perfeita, se há um ambiente altamente contaminado”, afirma. Para ele, é importante que o produtor passe realmente a destinar uma parte dos investimentos para reforçar a biossegurança da propriedade. “Não é porque não vemos que não está acontecendo. Muitas vezes temos que ver para crer. Mas isso não é bom, porque quando percebemos queda de consumo, o animal já está apresentando os sinais clínicos, e muitas vezes, os impactos econômicos estão ocorrendo há vários dias”, afirma.
De acordo com Simão, o Brasil possui uma grande diversidade de instalações e formas de sistema de produção, além de diferentes tipos de climas entre os estados e regiões do país. Para ele, essa disparidade também se reflete no que diz respeito às recomendações, execuções e auditorias de biossegurança. “Encontramos desde produtores que possuem mínimos procedimentos, até grandes cooperativas e agroindústrias com protocolos definidos e infraestrutura construída, porém, em alguns casos, não se vê as execuções e nem auditorias”, comenta. Ele explica que o conceito de biossegurança é bem trabalhado em granjas de reprodutores certificadas, onde é obrigatória por lei a manutenção do status sanitário livre das principais doenças que afetam os suínos. “Nestas instalações, a entrada de pessoas, veículos e animais são rigorosamente controladas através de procedimentos operacionais padrão (POPs), como barreiras sanitárias para banho e troca de roupas, auditorias de veículos, arco de desinfecção e outros POPs internos, como controle de pragas, compostagem, tratamento de dejetos bem isolados, etc.”, diz.
Para Simão, o produtor não adota o protocolo como deve ser e isso ocorre, principalmente, pelo status sanitário do Brasil em relação a outros países. “Devido ao fato de não termos patógenos de alto impacto econômico, como PRRS e PED, nossos protocolos e planos de biossegurança muitas vezes se tornam inespecíficos, ou seja, grandes listas de procedimentos são recomendadas para produtores sem que haja um objetivo claro para controle daquele ou de outro agente em questão”, comenta. O médico veterinário explica que, dessa forma, muitos passam a não praticar ou simplesmente ignorar as boas práticas por não compreender o que terá de benefício econômico com a prevenção, enxergando muitas vezes como sendo somente custos. “Podemos dizer que a maioria dos suinocultores não adota protocolos, e, se adota, não faz auditorias”, diz. “Nossa biossegurança é muito inespecífica porque não temos um patógeno-referência para controlar. Dessa forma, acabamos não sabendo o que se está controlando, e consequentemente não será conhecida a importância dos procedimentos”, afirma.
O Que Fazer
Algumas medidas mínimas podem ser adotadas pelo suinocultor para garantir mais segurança ao rebanho. Simão cita algumas que devem ser observadas. “Eu sempre digo que biossegurança se resume em dois pontos cruciais: primeiro é a localização, antes de construir uma nova granja deve-se avaliar muito bem a quantidade de suínos no entorno. E a segunda é conscientizar todas as pessoas envolvidas na produção sobre três áreas bem definidas, como “área suja”, “área tampão” (intermediária) e “área limpa”, desde a entrada na propriedade até as transições entre os setores”, esclarece.
Segundo o médico veterinário, com este conceito é possível adequar procedimentos em diferentes situações de campo, buscando minimizar a transmissão por carreadores de agentes, como pessoas e fômites. “Se eu tivesse que eleger três medidas mínimas que os produtores devem tomar, seriam: 1) Saber a procedência dos animais que entram nas granjas e reduzir ao máximo a movimentação destes. 2) Cerca perimetral com barreira sanitária, impedindo a entrada de pessoas estranhas e animais domésticos e selvagens. E 3) controle efetivo de roedores e moscas”, conta.
Para Simão ainda há muito no que avançar no quesito de biossegurança no Brasil. Ele comenta que alguns patógenos têm mostrado o quanto o setor está vulnerável aos surtos e prejuízos que podem causar em pouco tempo. “Além da biossegurança das granjas, temos um enorme gargalo em relação a biossegurança do transporte. Suínos de diferentes status sanitário, idades e quantidades são transportados diariamente entre regiões e Estados, não respeitando o vazio sanitário dos caminhões, auditorias no carregamento e muito menos lavagens eficientes nos frigoríficos e lavadores terceirizados”, comenta.
O médico veterinário acrescenta que a forma de transmissão mais rápida é a movimentação de animais entre granjas, principalmente vírus e bactérias que possuem alta resistência na presença de matéria orgânica. “Na procura por alternativas para minimizar o risco de contaminação por esta via, empresas estão fazendo grandes investimentos neste setor. Um exemplo é a utilização do TADD (Thermo-Assisted Drying and Decontamination), equipamento que consiste em secar os caminhões após a lavação, realizando uma desinfecção por calor forçado”, conta. Ele explica que esta forma de controle é bastante eficaz, já que além de auditar o caminhão com o TADD, ainda é preciso vistoriar o veículo que vai entrar, então, neste período é possível conferir se o caminhão foi bem lavado ou não. “Neste momento você certifica de que houve realmente a desinfecção por completo e que o caminhão está apto para voltar para a granja apresentando baixo risco de contaminação”, afirma.
Cumprir Protocolos
Para que o suinocultor consiga cumprir os protocolos com maior facilidade, o médico veterinário explica que é importante primeiro traçar um objetivo claro em relação ao que se quer controlar ou prevenir. “Cada patógeno tem suas características de resistência no ambiente e dinâmica de infecção nos plantéis”, diz. Ele acrescenta que para se traçar o plano de biossegurança é fundamental que sejam seguidos quatro componentes principais: 1) avaliação de risco: quais agentes se quer controlar e realizar busca contínua por oportunidades para reduzir o risco; 2) políticas e diretrizes bem claras: baseadas na ciência, coerentes, práticas e de fácil compreensão, porém bem completas; 3) educação e treinamentos: manter o engajamento dos envolvidos; e 4) infraestrutura: equipamentos que possibilitem a execução das práticas.
“O componente três é crucial para a manutenção das boas práticas, pois é preciso que haja comprometimento de todos e auditorias frequentes. Para ter manutenção não adianta somente implementar, é preciso acompanhar, fazer a auditoria com frequência, para não deixar cair a qualidade”, alerta Simão.
O médico veterinário acrescenta que as boas práticas de biossegurança estão deixando de ser uma opção, ou cuidado extra, e se tornando um pilar crucial para sustentar a lucratividade da suinocultura moderna. “Grandes conquistas da genética, nutrição, ambiência e sanidade estão possibilitando explorar cada vez mais o potencial de produção dos animais, porém a emergência e reemergência de patógenos estão sendo e sempre serão uma ameaça a esta evolução da atividade”.
Simão afirma que é preciso sair da zona de conforto quando o assunto é biossegurança. “O Brasil possui invejável status sanitário em relação a vários países do mundo. Este fato nos deixa confortáveis e muitas vezes ‘acomodados’ em relação a biossegurança de nossas granjas, sendo que não teria momento melhor para reforçarmos nossas medidas de prevenção contra possíveis eventos sanitários inesperados, visto que temos todas informações de países que já passaram por surtos e publicaram o que funcionou e o que não funcionou em relação ao controle das doenças, principalmente virais”, alerta.
A biossegurança deve ser compromisso de todos que trabalham na cadeia, reitera Simão. “Os líderes são os maiores responsáveis em transmitir o conceito de forma didática e de fácil compreensão para a equipe. Feito isso, os protocolos operacionais padrão são apenas um detalhe para serem implementados e auditados”, finaliza.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
