Conectado com

Suínos / Peixes O Rambo da suinocultura

Suinocultor com oito mil matrizes alavanca VBP de pequeno município do Paraná

Jorge Rambo e família geram emprego e renda para diversas famílias de município de quatro mil habitantes

Publicado em

em

Acervo Pessoal

A história do suinocultor Jorge Foellmer Rambo na atividade se confunde com a própria história da família. Desde muito pequeno já ouvia o pai falando da importância da atividade para o sustento da casa. Ainda menino, foi o “escolhido” entre cinco irmãos para o ser parteiro da propriedade. “Eu era um menino bastante magro, e com isso o pai logo me adotou como o parteiro. Quando uma porca não conseguia fazer o parto ele dizia que eu tinha que tirar o leitão, fazer uma intervenção”, lembra.

Foi ali, ainda menino, que surgiu em Rambo o amor pela profissão de suinocultor. “Desde pequeno eu ouvia meu pai falar que tínhamos que ter suínos para ter renda quando a safra de grãos não era boa”, lembra. “E fazendo o serviço você começa a pegar gosto pela coisa”, afirma. Dessa forma, a atividade sempre foi algo que chamou a atenção do suinocultor. “O meu pai e meus irmãos gostavam mais da agricultura. Mas eu sempre via que quando dava zebra, tínhamos os suínos para vender e assim ter renda”, lembra.

A família era de Itapiranga, Extremo-oeste de Santa Catarina, mas se mudaram quando Rambo ainda era menino para o Paraná. “Meu pai era um pequeno suinocultor. Ele tinha umas 30 ou 40 matrizes. Mesmo assim ele conseguiu vários prêmios como produtor exemplar, já que éramos associados da (Cooperativa) Copagril na época”, diz. Ele lembra que a família escolheu Entre Rios do Oeste, no Oeste do Paraná, para morar porque também os avós maternos e tios se mudaram do Estado vizinho para o município de quase quatro mil habitantes. “Foi assim que foi feita, inclusive, a colonização do Oeste do Estado. Famílias vindas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul que vieram construir suas histórias”, conta.

Atualmente, o suinocultor possui oito mil matrizes próprias e entrega aproximadamente seis mil suínos gordos por semana. Números significativos para uma cidade tão pequena, mas que são importantes para todos que moram lá. De acordo com o levantamento do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Valor Bruto da Produção Rural de 2018 do município foi, em sua maioria, vinda da suinocultura. Dos R$ 210 milhões, 38% foram oriundos de suínos de corte e 17% de suínos para recria. É o valor mais representativo em VBP Agropecuário de todo o Paraná.

Além disso, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2018 a região Sul concentrou quase metade dos suínos do país: 49,7%. Santa Catarina foi responsável por 19,2% do total nacional, o Paraná por 16,6% e o Rio Grande do Sul por 13,8%. Foram ainda estimadas a existência de 4,8 milhões de matrizes de suínos – o que significa que, do efetivo total de suínos (41,4 milhões), 11,6% corresponderam a matrizes (aumento de 1,5% em relação a 2017), tendo essa criação também destaque na região Sul, onde se encontravam 42,2% desse efetivo.

Da integração para independente 

Rambo lembra que, no passado, quando o fomento das cooperativas começou, era interessante fazer parte. “Porque todo o concentrado você retirava do lote, integração. E quando você entregava o suíno você pagava aquela ração. Na época da inflação, a margem chegava a dar 30 ou 40%. O lucro era enorme para quem trabalhava bem”, comenta.

O suinocultor se formou técnico agropecuário e continuou administrando o negócio de suínos da família. “Então, lá pelos anos 1990 nós estávamos vendendo os suínos que engordávamos para a Frimesa. Na época tínhamos o ciclo completo. Assim começamos um projeto com a Sadia de fazer uma UPL para 300 matrizes. O recurso era pouco. Me lembro que foi financiado para oito anos pelo Banco Real via Sadia e ficamos com essa granja de 50 matrizes onde a gente entregava o suíno para a cooperativa”, recorda.

“Como todo estudante, tinha sempre muitas ideias, e sempre dizia para o meu pai que tínhamos que avançar e o nosso desconto estava muito alto na cooperativa, porque a gente pagava fundo rural, quota capital e outras coisas. Eu dizia que de cada 100 suínos, o sistema ficava com quase seis, e isso é muito”, conta. Dessa forma, a ideia foi começar a trabalhar de forma independente. “A suinocultura é algo de altos e baixos. Então, eu vejo que um dos segredos do setor é trabalhar essas oscilações. Elas são constantes e podem ser fatais. Tanto que éramos milhares de suinocultores independentes no país, mas agora não são tantos quanto antes. Seria muito importante que ainda hoje fossemos muitos, e não algo concentrado nas mãos de poucos”, comenta.

Produção de sucesso

De acordo com Rambo, o sucesso da propriedade se confunde com a parceira que existe entre eles e o grupo Friella. “Somos parceiros há 15 anos. No início éramos pequenos, entregávamos um volume de 40 a 70 suínos por semana. Mas crescemos e hoje continuamos avançando, e sempre parceiros”, afirma.

O suinocultor informa que além da produção que ele tem na sua propriedade, há ainda mais de 120 granjas terceirizadas que trabalham com ele. “Na verdade, é um pequeno fomento que a gente tem. Temos produtores em oito municípios, onde temos produtores que fazem a terminação dos suínos dos nossos leitões”, diz.

Ele explica que ele possui aproximadamente oito mil matrizes e que faz o ciclo completo, além de comprar mais um volume razoável de leitões. “São pouco mais de dois mil leitões por semana, e isso a gente leva, boa parte, nas granjas terceirizadas”, explica. De acordo com Rambo, nas 120 granjas terceirizadas é oferecido por ele toda a assistência técnica e veterinária, já que eles têm um quadro com três médicos veterinários, além de toda a medicação e nutrição. “É bastante parecido com um sistema de fomento”, completa.

Negócio familiar

Rambo explica que até 2011 eles eram um grupo familiar. “Mas agora cada um está em uma cidade diferente. Um irmão está no Paraguai, outro no Mato Grosso e outro no Pará. A suinocultura, na verdade, antigamente era o que bancava todo o sistema, era o que dava a renda e ajudava. Mas em 2011 um dos meus irmãos faleceu e mais tarde foi o meu pai. Então nós nos separamos”, lembra. O suinocultor recorda que lamentou muito na época porque nenhum de seus irmãos quis ser sócio na suinocultura. “Eu tinha medo por conta desses altos e baixos e não planto lavoura. Então, de 2013 para cá nós direcionamos todo o foco no setor de suínos. Então o negócio começou a andar bem”, explica.

Como Rambo comentou, a suinocultura é de altos e baixos. Ele lembra que 2014 foi um ano péssimo para o setor. “Tivemos um momento em que todo o capital não pagava as dívidas. Minha esposa e eu pensamos em largar tudo e fugir. Chegamos inclusive a ver uma área no Piauí para comprar e largar tudo aqui. Era tão ruim que a gente tinha por semana valores absurdos de prejuízo, e quando dá prejuízo você fica sem crédito”, diz. “Eu sempre digo que suíno não come dinheiro. Ele come milho e farelo, que são duas comodities internacionais dolarizadas. Então, na época estávamos sem crédito e o setor estava amargando prejuízos enormes e a gente não sabia o que fazer”, lembra.

Mesmo com o constante pensamento em abandonar tudo, Rambo conta que permaneceu na atividade e tirou aprendizados do período sombrio. “A gente foi desafiado. Um dos pequenos segredos e que ajudou a impulsionar o setor foi que como nunca tinha um apoio intensivo do grupo familiar, nós fomos obrigados a investir muita coisa. Porque se você compra um barracão, ele tem seus custos embutidos, ele é caro. Com isso, no passado, a gente começou a fazer celas parideiras, abrimos uma metalúrgica na propriedade. A gente é meio que polivalente dentro da fazenda”, afirma.

Mesmo sem o apoio dos irmãos, foi na esposa Lisete que Rambo encontrou seu braço direito para os negócios. “Minha esposa é arquiteta e urbanista e eu sou engenheiro agrônomo, ambos profissionais com CREA. Começamos a abrir a metalúrgica interna, fazemos postes, pré-moldados, começamos a construir a granja com pouco recurso. É a minha esposa quem comanda todas as obras, os projetos, tudo o que tem na propriedade é ela quem projetou. Ela é importantíssima para o nosso sucesso”, reitera.

Além da metalúrgica e das granjas, a propriedade conta ainda com uma fábrica de ração própria e biodigestor, onde eles fazem o aproveitamento de todos os dejetos dos suínos.

Setor é desafiador

Rambo comenta que é importante o suinocultor saber que os investimentos no setor devem ser constantes, mas o retorno é lento. “Hoje estamos pegando contas do passado e projetando, ao mesmo tempo, o futuro”, afirma. Ele lembra que a crise provocada pela greve dos caminhoneiros foi algo ímpar. “Tivemos um prejuízo milionário, todo o nosso rebanho no campo deu uma conversão alimentar ruim, faltou comida em média uns 10 dias até normalizar tudo. Levamos meses para pagar a conta desse período”, lembra.

Segundo o suinocultor, o setor exige investimento constante. “Você tem que estar o ano inteiro reformando. E mesmo se for fazer um barracão de ponta, em seis meses tem algo faltando, algo novo que surgiu. Então, é algo desafiador, mas ao mesmo tempo que eu gosto demais”, assume. “Chegamos a conclusão de que é algo difícil. Por isso é preciso trabalhar com amor e entender como funciona o processo do suíno”, aconselha.

Outras notícias você encontra na 8ª edição do Anuário do Agronegócio Paranaense.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 4 =

Suínos / Peixes Suinocultura

A importância do pH dos detergentes na higienização das granjas

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta

Publicado em

em

Divulgação

 Artigo escrito por Rildo Belarmino, biólogo e gerente Técnico Neogen Brasil

A higienização possui dois objetivos: Preservar a saúde dos animais e evitar a proliferação de microrganismos patogênicos, evitando assim o risco eminente a possíveis doenças transmitidas por fungos, bactérias e vírus. As medidas higiênicas e de profilaxia ambiental dos locais representam um aspecto essencial na economia e contribuem para a inocuidade dos alimentos, deixando-os assim livres de salmonelas, E. coli, Campylobacter entre outros.  Simultaneamente também previnem ou reduzem a difusão de patógenos. É importante ressaltar que uma superfície que não foi suficientemente limpa não pode ser desinfetada, pois os resíduos presentes protegem os microrganismos da ação dos desinfetantes.

“Um programa básico de limpeza e desinfecção tem um baixo custo, sendo que os custos com tratamentos antimicrobianos normalmente são superiores, sem considerar o prejuízo com queda no desempenho zootécnico”, cita a doutora Anne de Lara, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

  • Dentro de conceito de limpeza temos
  • Limpeza seca: Varredura e retirada de todos os resíduos antes da limpeza úmida.
  • Limpeza Úmida: jateamento de água e utilização dos detergentes.
  • É imprescindível lembrar que uma não substitui a outra.
  • Outro fator importante é rotação dos pH dos detergentes nas limpezas úmidas, sendo 3 semanas com pH alcalinos e uma semana com pH ácido, e assim sucessivamente.
  • O uso de detergente na limpeza úmida é essencial para o sucesso da higienização, reduzindo em até 90% a carga de microrganismos patogênicos.

Desafios da Limpeza são eles:

  • Presença de Biofilme
  • Presença de matéria orgânica
  • Tipos de superfícies
  • Desafios microbiano
  • Surtos de doenças

Biofilme

É uma fina camada geralmente resistente de microrganismos (como bactérias) que se formam e revestem várias superfícies. Estas células aderentes são frequentemente incorporadas dentro de uma matriz de Substância Polimérica Extracelular (EPS). Biofilme é uma substância polimérica extracelular, que também é referido como limo.

Abordando especificamente a questão do rodizio de pH dos detergentes, temos 4 tipos de matéria dentro das granjas que precisam ser removidas, para que a ação dos desinfetantes seja o mais efetiva possível, e também para que estas sujidades não neutralizem a ação dos desinfetantes por diferença de carga eletrostática, uma vez que a matéria orgânica é  aniônica (-) e a maioria dos desinfetantes são catiônicos(+).

Como podemos observar, os detergentes alcalinos têm uma maior ação sobre matéria orgânica (esterco, restos de ração, pelos, penas) e lipídios , e os detergentes ácidos tem uma melhor ação sobre matéria biológica (bactérias, vírus, fungos e principalmente biofilme), atuando através da oxidação, e também sobre matéria mineral (carbonatos de cálcio e magnésio) presentes principalmente em granjas onde temos “água dura”. Quando utilizamos um detergente alcalino, alternando com um detergente ácido, estamos removendo os quatro tipos de matéria que encontramos dentro da granja. Como já foi dito anteriormente, nossa recomendação é realizar 3 limpezas com detergente alcalino e uma limpeza com detergente ácido, sucessivamente, variando conforme o protocolo da granja.

Modo de Ação dos detergentes

  • Solubilizar sujidades/ partículas de sujeira
  • Deslocar matéria orgânica
  • Emulsificar partículas sólidas/sujas
  • Diminuir tensão superficial entre a sujeira e a superfície
  • Combater os fatores de dureza de água
  • Hidrólise da Biopelícula

Conclusão

Uma excelente higienização depende de bons detergentes e de um protocolo de trabalho com etapas bem definidas, realização da rotação dos pH dos detergentes na rotina de higienização das granjas, com utilização de produtos de qualidade e registrado nos órgãos regulatórios para suas finalidades.

Além da preocupação de uma excelente higienização, precisamos nos preocupar com os resíduos dos detergentes pós limpeza, e para isso dependemos de uso de detergentes biodegradáveis.

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta. Todos os dias nós protegemos as pessoas e os animais que gostamos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Manejo

Diarreias na maternidade: como diagnosticar o agente que está causando o problema?

A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Sarah Rodrigues Chagas, médica veterinária, doutoranda em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás; Lívia Mendonça Pascoal, médica veterinária, professora de Sanidade de Suínos da Universidade Federal de Goiás; e Mariana Dall’Agnol, médica veterinária, especialista em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Goiás

As diarreias na maternidade são causas recorrentes de preocupação para produtores rurais e veterinários. Em geral, quando ocorrem acometem grande parte dos leitões, causando aumento de mortalidade, perda de peso, desuniformidade e aumento dos gastos com medicamentos. A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial. Para isso, existem algumas particularidades que devem ser levadas em consideração na coleta e envio da amostra dependendo da suspeita diagnóstica.

Suspeita de colibacilose neonatal

Causada pela Escherichia coli, essa doença é talvez a mais comum na maternidade de granjas de suínos. A suspeita recai sobre a colibacilose neonatal quando a diarreia tem início nas primeiras horas de vida do leitão, podendo também surgir até o terceiro dia de vida. Em geral, toda a leitegada é acometida, apresentando diarreia aquosa amarelada, rápida desidratação e “aspecto sujo”. A mortalidade é alta.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se enviar pool de fezes de leitões acometidos, colhidas diretamente da ampola retal, utilizando suabe ou coletor universal esterilizado evitando o contato do frasco coletor com a pele do leitão. Em caso de necropsia, pode-se enviar também alças intestinais. O material deve estar refrigerado e chegar ao laboratório em até 48 horas.

Suspeita de clostridioses

Existem três espécies de Clostridium mais conhecidas por causarem diarreias em maternidade: C. perfringens tipo A, C. perfringens tipo C e C. difficile. O tipo C é raro no Brasil e se diferencia das demais por causar diarreia sanguinolenta. Os outros dois causam diarreias amareladas, que variam de aquosa à pastosa, e acometem leitões na primeira semana de vida, mas em geral C. difficile leva à uma maior mortalidade.

Por se tratarem de bactérias anaeróbias, nem todos os laboratórios de bacteriologia conseguem realizar seu isolamento. É recomendado verificar e garantir que o laboratório para o qual a amostra será enviada faz esse tipo de cultivo. O ideal é realizar necropsia de alguns animais acometidos e coletar alças intestinais com conteúdo fecal, amarrando as extremidades com barbante, antes de realizar o corte, para garantir que não haja entrada de oxigênio. Outra opção é realizar um suabe retal e acondicionar em meio de cultura específico, como o tilglicolato. Diferente da amostra com suspeita de colibacilose, o tempo entre envio e processamento deve ser o menor possível, não ultrapassando quatro horas.

O curto tempo pode ser impeditivo para a realidade do campo, de forma que a solicitação de um exame de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) pode ser mais adequado. Nesse caso a amostra pode chegar ao laboratório em até 48 horas, devendo ser encaminhada refrigerada.

Suspeita de rotavirose

Rotavírus é o principal agente viral que causa transtorno gastrointestinal em leitões de maternidade. Acomete os animais nos primeiros dias de idade, causando vômitos e diarreia branco-amarelada que não responde à antibioticoterapia. A severidade varia de acordo com manejos e grau de imunidade das matrizes, e a letalidade fica entre 3 e 30%, podendo chegar a 50%.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se colher amostras de fezes em coletor universal esterilizado nas primeiras 24h após o início da diarreia e enviar a um laboratório que realize PCR. A amostra deve ser enviada refrigerada e é recomendada a busca de outros agentes pois infecções bacterianas concomitantes são comuns.

Suspeita de Cistoisosporose

Essa doença é causada pelo protozoário Cystoisospora suis, anteriormente denominado Isospora suis. Por esse motivo, muitos ainda fazem referência à doença como isosporose. Os sinais clínicos de diarreia ocorrem entre cinco e 25 dias de vida, não ocorrendo antes do quinto devido ao ciclo de vida do agente. A diarreia é amarelada, cremosa ou pastosa, possui odor rançoso ou azedo e não responde a antibióticos. Em geral, a maior incidência se dá em períodos quentes e úmidos que favorecem a esporulação do oocisto no ambiente.

O ideal é coletar pool de fezes de vários animais diretamente da ampola retal. A coleta de fezes diretamente do piso também é possível, pois não compromete o resultado do exame parasitológico (técnica de contagem de ovos por grama de fezes – OPG). Porém, deve-se ter o cuidado de não coletar detritos do piso, pois esses sim podem afetar o correto diagnóstico. Vale lembrar também que a amostra coletada do piso não pode ser destinada a outros exames. A amostra deve ser enviada em refrigeração e chegar ao laboratório em no máximo 48 horas após a coleta.

Pontos importantes

Vale ressaltar que esses agentes patogênicos podem acometer os animais concomitantemente e, por isso, pode ser necessário mais de um teste diagnóstico.

Encaminhar junto às amostras uma ficha de identificação dos animais e da propriedade também é importante. Em geral, os laboratórios possuem uma ficha própria e, por isso, é recomendável acessar o site do seu laboratório de preferência ou entrar em contato via telefone e e-mail, solicitando esse documento. As informações pedidas incluem nome do solicitante, contato (endereço, telefone, e-mail), espécie animal, faixa etária, curso da doença e achados de necropsia.

É recomendado também contatar o laboratório antes do envio das amostras para esclarecer qualquer possível dúvida, garantindo a qualidade da amostra e seu processamento.

Existem ainda outros exames laboratoriais que podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico das doenças. Entre eles está o exame histopatológico, que é complementar aos exames de identificação do agente; todavia, esse não foi o foco do presente artigo.

Considerações finais

O diagnóstico laboratorial é uma importante ferramenta para o profissional de campo. Esse deve ser sempre associado à experiência do clínico para a tomada de decisão sobre a saúde da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Saúde Animal

Circovirose em suínos e os genótipos do PCV2: preciso de uma vacina nova?

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Tatiane Fiúza, médica veterinária, mestre em Ciências Veterinárias e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

O PCV2 é o agente causador da circovirose suína e, desde 1998, tem sido associado a sinais clínicos respiratórios e entéricos, perdas reprodutivas e a Síndrome Multissistêmica do Definhamento Suíno (SMD). A circulação do circovírus é endêmica na suinocultura tecnificada e, por ser uma doença imunossupressora, leva a alta mortalidade, baixo desempenho e predispõe os animais a agentes secundários, comprometendo a produtividade e consequentemente, causando perdas econômicas expressivas. Nem sempre a doença é fácil de ser identificada, pois os sinais clínicos são inespecíficos. Além do mais, na sua maioria dos casos a doença cursa na forma subclínica, limitando discretamente o crescimento dos animais, afetando a conversão alimentar e agravando a ocorrência de outras doenças. O controle é baseado na prevenção de riscos, redução de fatores predisponentes e, principalmente, em vacinação.

Já foram identificadas diferentes variantes do PCV2 (PCV2a, PCV2b, PCV2c, PCV2d, PCV2e e PCV2f), entretanto sabe-se que a semelhança entre estas é alta (Tabela 1). A maior prevalência do PCV2a ocorreu até meados de 2003, a partir deste momento o PCV2b passou a ser o genótipo mais prevalente. Em meados de 2009, foi identificada uma nova variante, o PCV2d, que se difundiu nos rebanhos de diversos países (Imagem 1). Segundo um estudo feito por Rodrigues et al. (2018), no Brasil, a maior prevalência atualmente é do PCV2b (68,8%), seguido do PCV2d (24,9%) e PCV2a (6,3%). Ainda pouco significante para suinocultura tecnificada, o PCV2c foi identificado pela primeira vez na Dinamarca e em suídeos selvagens no Brasil, e o PCV2f em suínos no México e EUA, mas em baixa prevalência.

 

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2, de modo que a utilização de vacinas comerciais eficazes promove a redução de sinais clínicos, evitam mortalidades pela doença e melhoram os indicadores zootécnicos. No Brasil, as taxas de rebanhos vacinados ficam em torno de 98% e, de forma geral, as vacinas têm-se demonstrado eficazes em reduzir a carga viral no sangue e nos tecidos linfóides, bem como evitar manifestações clínicas da doença. A vacinação de leitões deve ser definida de forma estratégica, para que os mesmos estejam protegidos no momento de maior exposição ao agente. Além disso, para promover uma proteção mais efetiva no plantel pode-se ampliar o programa de vacinação incluindo leitoas de reposição e fêmeas gestantes/lactantes, minimizando perdas reprodutivas, reduzindo a circulação viral e a pressão de infecção.

As vacinas com PCV2a ainda são a maioria no mercado e diversos estudos mostram que estas são efetivas frente aos genótipos PCV2b e PCV2d, que têm sido mais prevalentes na atualidade. Dentre essas, há vacinas com alta tecnologia de adjuvante que permitem a imunização em uma dose única, sem causar reações adversas, onde o antígeno é liberado lentamente por 900 horas protegendo os animais até o abate. Esta vacina, composta apenas PCV2a, quando comparada à outra vacina composta por PCV2a e PCV2b, mostrou-se eficiente em reduzir o percentual de animais infectados pelo vírus frente a um desafio com o genótipo “d”.

Em um outro estudo, leitões foram desafiados com PCV2b e imunizados com vacina composta por PCV2a. Não houve depleção linfóide, assim como detecção viral por imuno-histoquímica nos linfonodos ilíacos, mesentéricos e traqueobrônquicos (Tabela 2), mostrando a eficácia da vacina na proteção dos animais. A eficácia da vacina composta pelo PCV2a também foi demonstrada frente a uma infecção simultânea de PCV2d e PCV2b. Os animais vacinados apresentaram uma mortalidade 10% menor (Gráfico 1) e um ganho de peso diário de 36,7g a mais até as 22 semanas de vida (Gráfico 2). O desempenho no crescimento dos animais e a taxa de mortalidade são os indicadores mais importantes para avaliar a eficácia de uma vacina contra a circovirose no campo. O esperado é que a mesma promova proteção dos animais, sem reações adversas, e que isso seja revertido em melhores desempenhos zootécnicos e ganhos econômicos dentro da produção.

 

 

As mutações do PCV2, até o momento, não foram tão expressivas para que as vacinas compostas pelo PCV2a tenham eficácia reduzida frente ao PCV2b e PCV2d. O que vai definir o sucesso no controle da circovirose é a escolha de uma vacina de qualidade, que promova proteção rápida e duradoura, sem causar reações adversas. O programa de vacinação deve ser adequado ao status sanitário de cada granja e deve-se garantir o manejo correto de vacinação, assegurando os protocolos indicados pelos fornecedores.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.