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Sucesso: XVI SNDS motiva lideranças com conteúdo, desafios e novo conceito
A celebração pelos 60 anos da entidade mostrou que as muitas conquistas nas últimas seis décadas habilitam os produtores brasileiros a avançar a um novo patamar na preferência do consumidor brasileiro e de conquista do mercado global.
O evento foi palco, também, para o avanço do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS) à marca de 300 mil matrizes com a adesão da AGIGO e o anúncio da 3ª Semana Nacional da Carne Suína, que será celebrada entre 29 de setembro e 14 de outubro, uma parceria entre a ABCS e o GPA.
O passado da ABCS e do setor foi celebrado com um documentário especial, elaborado pela entidade e também com a homenagem a cinco presidentes da entidade nacional, que receberam troféus por suas valorosas contribuições e dedicação ao desenvolvimento da suinocultura brasileira. Os líderes homenageados foram José Adão Braun, João Luis Seimetz, Paulo Tramontini, Rubens Valentini, Valdomiro Ferreira Júnior, Irineu Wessler e Marcelo Lopes.
Momento do país
O evento começou na quarta-feira, dia 1º de julho, com a Palestra de Abertura do renomado economista Eduardo Giannetti. Depois de apresentar um histórico sobre a economia brasileira nas últimas décadas, ele avaliou que vivemos o pior momento dos últimos 20 anos.
Por fim, o economista acrescentou que, mesmo assim, haverá muitas oportunidades para o setor, especialmente, os melhores. Lamento pelas perspectivas, mas é a hora dos profissionais fazerem melhor ou diferente. Enfim, para sair da crise, só há um caminho: o trabalho, finalizou.
Previsão do Agronegócio
Na manhã da quinta-feira, dia 2 de julho, o 1º Painel O Desafio da Adaptabilidade: A suinocultura em um mundo competitivo e sustentável foi aberto com a palestra do secretário de Desenvolvimento Econômico do Mato Grosso, Seneri Paludo.
Segundo ele, os grãos estão próximos de estoques globais recordes que foram construídos para atender o novo padrão de consumo de alimentos em todo o mundo criado como resultado de um nível mais profundo do processo de globalização, iniciado partir da queda do muro de Berlim, em 1989.
Ex-secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Paludo defendeu uma outra agenda para o setor a fim de encarar uma nova ordem mundial. Nossa política agrícola brasileira está desgastada porque sobrecarrega o tesouro, exclui o médio produtor e concentra muito em um único agente financeiro, entre outros fatores aspectos, concluiu.
Sustentabilidade
O empresário e ativista Ricardo Young palestrou sobre gestão sustentável na continuidade do 1º Painel e apresentou um histórico sobre como a questão ambiental passou a ser abordada por governos e empresários de todo
Young acrescentou, ainda, que a sociedade brasileira vai tolerar cada vez menos os negócios não sustentáveis e, assim, os empreendedores devem entender a sustentabilidade como oportunidade. A sociedade está pagando um premium pela sustentabilidade e, com o tempo, quem não for sustentável não vai sobreviver, finaliza.
Classe C e D
A abertura do 2º Painel Atitudes empreendedoras: um diferencial no mercado contemporâneo foi com a palestra Grandes marcas: como sobreviver à crise no mercado brasileiro do diretor da Data Popular, Renato Meirelles.
O especialista apresentou dados estatísticos sobre a transformação da pirâmide social brasileira, assim como a preferência e a exigência dos consumidores. O novo brasileiro consome mais e é muito mais exigente que antes. Entender este mercado é o primeiro passo para conquistá-lo, introduziu.
Meireles explica que a distribuição de renda dos últimos anos permitiu o aumento do consumo em geral mas, com a crise a partir deste ano, o comportamento do brasileiro mudou. Seis em cada 10 brasileiros afirmam que vão consumir menos este ano. Apesar disso, 65% dos brasileiros acredita que sua vida vai melhorar em 2015, destacou.
Isso significa a criação de muitas oportunidades. Por exemplo, as favelas consomem mais do que 15 estados da federação e são a economia que mais cresce. Este grupo cresceu convivendo com crises e valoriza o prato cheio, resumiu.
Encantar o cliente
O executivo David Lederman palestrou sobre O jeito Disney de encantar clientes durante o 2º Painel e contou a história dos estúdios que começaram com o desenhista norte-americano Walt Disney e, hoje, tem um faturamento de US$ 17 bilhões ao ano.
Único palestrante autorizado pela Disney no país, o especialista frisou o esforço da Disney em colocar-se no lugar do cliente e cuidar de cada detalhe para gerar encantamento. O cuidado da Disney com todos os detalhes para garantir a magia. Por exemplo, o presidente da empresa gastou uma semana para definir uma cena de três segundos do Rei Leão, o movimento de uma planta, citou.
Segundo ele, ter paixão pela experiência do cliente vale para produtos de qualquer setor. A atitude deve ser focada no cliente. Este é o caminho do encantamento, surpreender o cliente além do que ele está esperando. É ter processos pensados e estruturados para isso. Conhecer o desejo do cliente é fundamental, sugeriu.
3ª Semana Nacional da Carne Suína
O gerente comercial nacional do GPA, David Buarque, apresentou os resultados das duas edições da Semana Nacional da Carne Suína, promovida entre a rede e a ABCS, e anunciou a 3ª Semana Nacional da Carne Suína, que vai acontecer de 29 de setembro a 14 de outubro de 2015.
O executivo do GPA comentou que os resultados da campanha foram excepcionais e mostraram que a Semana é sustentável e justifica sua continuação. Tivemos aumento de 77% no consumo na primeira edição e mais que dobramos o número de clientes na segunda Semana, mesmo depois de terminada a campanha, frisou.
300 mil matrizes
Logo em seguida, o FNDS anunciou ter alcançado 300 mil matrizes com a adesão da AGIGO, que conta com mais de 50 mil matrizes. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, comentou que a adesão da AGIGO é uma conquista especial por tratar-se de uma cooperativa de integrados.
Já aderiram ao FNDS diversas entidades estaduais e regionais, além de frigoríficos, e o objetivo da associação nacional é chegar a 800 mil matrizes. O valor arrecadado está sendo investido nas promoções que hoje são realizadas dentro do Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), como semanas de incentivo ao consumo, treinamento de atendentes e açougueiros, bem como ações de política institucional e de produção, ligadas diretamente aos criadores.
Branding: Escolha + carne suína
A maior surpresa e melhor notícia do evento foi dada na palestra dos especialistas em branding Ana Couto e Leonardo Senra no encerramento do 2º Painel: o lançamento do novo conceito sobre a carne suína que norteará o processo de reposicionamento do produto perante o consumidor brasileiro.
A renomada especialista Ana Couto explicou o que é branding (construção de marca e proposta de valor) e a importância disso para os negócios em um contexto cada vez mais competitivo. A ABCS é a nova cliente da Ana Couto Branding. A gente quer aumentar o consumo e teremos uma grande jornada para isso que começa com o estímulo/interesse para mudar a cultura e estarmos diariamente no prato do brasileiro, resumiu.
Para encerrar a palestra, foi apresentado o novo slogan de branding do setor, para toda a cadeia produtiva. Escolha + Carne Suína!. Todos os cerca de 400 participantes uniram-se em um grito uníssono: Escolha + Carne Suína! Esta identidade vai permear os trabalhos de promoção do produto assim como orientar seu processo de reposicionamento.
Liderança
O presidente da Elektro, Márcio Fernandes, abriu o 3º Painel Geração de Valor: quando reinventar é preciso com o tema A felicidade da lucro para mostrar que uma equipe motivada traz os melhores resultados.
Além do foco em resultado, o executivo destaca que o novo perfil corporativo exige também que as pessoas vejam sentido e sejam felizes no que fazem, com qualidade de vida e autonomia/protagonismo real.
Para ele, o pilar da nova filosofia de gestão é promover a humanização, ou seja permitir a todos aprender, desenvolver e alcançar os resultados. Assim, revolucionamos o trabalho e multiplicamos os resultados, pois conseguimos melhores serviços e produtos, detalhou.
Percepção
Para fechar o evento, Rafael Baltresca mostrou que Sonhar é bom, realizar é melhor. O poder é seu!. Na palestra motivacional, o psicólogo, engenheiro e hipnólogo mostrou que nossa percepção sobre a realidade é o que determina felicidade, sucesso, motivação ou o contrário.
Baltresca mobilizou a plateia com números de hipnose. O universo físico é uma realização dos seus pensamentos. A hipnose é das experiências mais incríveis. Ela mostra que quando você muda sua percepção, você muda sua realidade. Este aprendizado é para todos os campos da vida, demonstrou.
Fonte: ABCS

Notícias Cooperativismo
Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível
Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.
Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.
A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.
Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos
Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação
No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.
Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.
Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.
Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.
O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação
produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.
A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.
Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.
Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.
Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.
Notícias
El Niño 2026/27 pode reordenar oferta global de grãos com impactos opostos entre hemisférios, aponta Itaú BBA
Fenômeno altera padrões de chuva e temperatura no planeta, com efeitos assimétricos sobre EUA, Brasil, Argentina, Ásia e Oceania e maior risco de volatilidade agrícola.

O El Niño é um fenômeno climático de escala global associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele integra o ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna entre três fases: a quente (El Niño), a fria (La Niña) e a neutra.
A fase de El Niño se caracteriza quando as temperaturas do Pacífico permanecem pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhadas por alterações relevantes na circulação atmosférica.

Foto: José Fernando Ogura
Esse processo está ligado ao enfraquecimento ou até à inversão dos ventos alísios, o que favorece o deslocamento de águas mais quentes em direção ao leste do Pacífico e reduz a ressurgência de águas frias na costa da América do Sul. “Por cobrir cerca de um terço do planeta, o Pacífico exerce forte influência sobre a circulação atmosférica global, reorganizando padrões de chuva e temperatura em escala planetária”, afirma a Consultoria Agro Itaú BBA.
Na fase oposta do sistema, a La Niña, observa-se o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, acompanhado pela intensificação dos ventos alísios e por efeitos climáticos em geral contrários aos do El Niño em diversas regiões do mundo.
Ao modificar a interação entre oceano e atmosfera, o ENOS altera a circulação global de umidade e, consequentemente, os regimes de precipitação em diferentes continentes.
O El Niño tende a elevar temporariamente a temperatura média global, enquanto a La Niña promove um leve resfriamento de curta duração. Em ambos os casos, há uma reorganização dos riscos climáticos em escala planetária.

Foto: Gilson Abreu
Esses eventos ocorrem, em média, a cada dois a sete anos e costumam durar entre nove e 12 meses, com impactos relativamente consistentes sobre grandes regiões agrícolas, ainda que com variações de intensidade entre episódios.
Estados Unidos: efeitos mais fortes no inverno e impacto indireto no verão
Nos Estados Unidos, os efeitos do El Niño são mais bem definidos no outono, inverno e início da primavera, quando o fenômeno altera de forma mais consistente os padrões de temperatura e precipitação.
Em termos gerais, o evento está associado a invernos mais amenos e úmidos no Centro-Norte do país e a condições mais secas no Sul, com destaque para o Texas.
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, há registros históricos de safras elevadas no Corn Belt em episódios de El Niño de intensidade moderada, como em 2009, 2015 e 2023, quando a combinação de umidade e temperaturas mais equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras.
Ainda assim, a influência do fenômeno sobre o verão, fase crítica para o desenvolvimento de milho e soja, é menos estável e apresenta maior variabilidade, com casos pontuais em que excesso de precipitação ou ondas de calor tardias impactaram negativamente a produtividade.
Na direção oposta, a fase de La Niña tende a aumentar o risco de secas e ondas de calor no Sul dos EUA e em parte do cinturão agrícola, elevando o estresse hídrico

Foto: Divulgação
sobre as lavouras e ampliando a variabilidade produtiva.
Brasil: assimetria regional e alto grau de variabilidade produtiva
No Brasil, o El Niño acentua a heterogeneidade climática entre as regiões, provocando padrões de chuva distintos e, muitas vezes, opostos no território nacional.
No Sul, há tendência de precipitações acima da média durante a primavera e o verão, o que pode favorecer o desenvolvimento de culturas como soja e milho. Contudo, esse cenário também eleva o risco de encharcamento do solo, proliferação de doenças fúngicas e ocorrência de eventos extremos.
No Sudeste, o regime de chuvas tende a se tornar mais irregular, com alternância entre períodos mais úmidos e episódios de calor intenso, o que pode afetar o desempenho de culturas como soja, milho e cana-de-açúcar justamente em fases críticas do ciclo produtivo.
No Centro-Oeste, o principal risco está associado ao atraso do início das chuvas de primavera, o que pode reduzir a janela ideal de plantio da soja e, por consequência, comprometer o calendário da segunda safra de milho. Além disso, a maior frequência de veranicos e episódios de déficit hídrico durante o verão aumenta a vulnerabilidade das lavouras. “Em cenários de maior intensidade do fenômeno, a combinação entre atraso de plantio e irregularidade das chuvas eleva de forma relevante o risco para o milho 2ª safra no Centro-Oeste”, destaca a Consultoria Agro Itaú BBA.

Foto: Divulgação/Freepik
Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto tende a ser mais negativo, com redução mais acentuada das chuvas, o que amplia o risco de secas severas e afeta diretamente o Matopiba e áreas de agricultura de subsistência.
Mapa de risco climático no Brasil
A projeção da Consultoria Agro Itaú BBA indica que o El Niño amplia a assimetria climática no país:
- Sul (RS, SC, PR): risco alto de excesso de chuva e inundações, com impacto também sobre qualidade sanitária das lavouras
- Norte/Amazônia e Matopiba: risco alto de seca, queimadas e déficit hídrico
- Centro-Oeste Norte (MT): risco de veranicos e irregularidade no plantio
- Centro-Oeste Sul (MS e GO): risco médio-alto associado a calor excessivo
- Sudeste: risco médio-alto de ondas de calor e chuvas irregulares
“O comportamento não é homogêneo, e o desafio central é a simultaneidade de riscos distintos dentro de um mesmo país produtor”, aponta a consultoria.
Argentina: padrão mais favorável ao El Niño
Na Argentina, o El Niño historicamente favorece a produção de soja e milho, sobretudo pelo aumento das chuvas durante a primavera-verão, período crítico para o

Foto: Divulgação
desenvolvimento das lavouras no cinturão agrícola do país.
Em anos recentes de El Niño, como 2014/15 e 2016/17, o país registrou produtividades acima da média, em contraste com os episódios de La Niña, marcados por forte restrição hídrica e perdas expressivas.
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a seca prolongada de 2020–22, associada à La Niña, levou a produção de soja argentina a cerca de 25 milhões de toneladas em 2022/23, enquanto a reversão para um El Niño forte em 2023/24 permitiu recuperação relevante da oferta, com colheita próxima de 50 milhões de toneladas. “Os extremos do ENOS têm efeito direto e imediato sobre a variabilidade produtiva da Argentina, com forte sensibilidade da soja às condições de chuva no ciclo de primavera-verão”, destaca a consultoria.
Ásia e Oceania
Na Ásia e na Oceania, o El Niño está frequentemente associado ao enfraquecimento das monções (ventos sazonais) e à redução das chuvas, o que provoca alterações relevantes no regime hídrico de algumas das principais regiões agrícolas do mundo.
Na Índia e no Sudeste Asiático, esse padrão climático afeta diretamente culturas estratégicas como arroz, milho e cana-de-açúcar, além de impactar a produção de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, com repercussões importantes sobre a oferta global de óleos vegetais.

Foto: Gilson Abreu
Na Austrália, o fenômeno costuma estar ligado a episódios de seca e ondas de calor, comprometendo de forma significativa a produção de trigo, como observado em eventos recentes, incluindo 2015 e 2023. “A forte dependência das monções faz com que a região responda de forma particularmente sensível às variações de temperatura do Pacífico”, observa a Consultoria Agro Itaú BBA.
Sistema climático integrado e risco de oferta global
O conjunto de evidências reforça que o El Niño não se trata de um evento isolado, mas de um componente de um sistema climático integrado, com efeitos simultâneos e interconectados em diferentes continentes.
Na leitura da Consultoria Agro Itaú BBA, o principal ponto de atenção para o ciclo 2026/27 não está apenas na intensidade do fenômeno, mas na sua capacidade de redistribuir riscos climáticos entre hemisférios, com potencial de alterar o equilíbrio global de oferta de grãos e aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas.
