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Sua vaca comeu objetos metálicos? Saiba como evitar perdas
Problema poderia ser evitado por meio de um imã intra ruminal, especialmente, nas vacas de maior produção ou de maior valor agregado

Artigo escrito por Giana Hirose da Agrozootec
Um dos custos importantes em uma fazenda leiteira é a reposição de vacas, ou seja, a entrada de um novo animal para o rebanho de produção. Há muita variação de preço, de acordo com o tipo animal e sua produção, mas no mercado comercial, uma vaca produtiva pode valer de R$ 7 mil a R$ 12 mil, estima a Scot Consultoria. Esse valor pode ser muito maior, se a vaca for uma matriz de elite ou doadora de genética do plantel.
Agora imagine se um desses animais ingere um objeto pontiagudo metálico como pedaço de arame, parafuso, grampo ou prego. O estrago está feito internamente nos órgãos do animal, podendo levá-lo até a morte no prazo de dias ou meses. Por outro lado, o problema poderia ser evitado por meio de um imã intra ruminal, especialmente, nas vacas de maior produção ou de maior valor agregado.
Esse equipamento é um imã cilíndrico que mede aproximadamente 10 cm. Essa peça vai se alojar no retículo e passa a atrair os pedaços de metal que o animal possa ingerir. Há dados da Faculdade de Medicina Veterinária da USP que mostram que os animais com o imã têm risco até 98% inferior de ser acometido pelo problema. Como o imã tem a função de atrair e segurar os metais, ele evita que esses itens fiquem soltos e possam perfurar o estômago, interrompendo a jornada do “corpo estranho” entre os órgãos internos dos bovinos.
Vamos lá, para explicar um pouco melhor, é preciso falar resumidamente da anatomia do estômago dos grandes ruminantes, que é dividido em 4 cavidades (Rúmen, Retículo, Omaso e Abomaso). Quando um prego ou qualquer outro metal é ingerido, anatomicamente, através de movimentos peristálticos e gravidade esse metal percorre o esôfago, vai para o rúmen (1ª cavidade do estômago) e depois se aloja no retículo (2ª cavidade do estômago) que é “vizinho” do diafragma e esse último é “vizinho” do coração.
Se ingerido, o imã ficará no retículo até o final da vida do animal atraindo os pedaços de metais que o animal possa ingerir, porém, sem o imã, os metais podem atravessar a parede do estômago através do retículo e atingir o peritônio (película que envolve todo abdômen), isso vai causar uma doença chamada Retículo-Peritonite Traumática, ou se atingir o coração, vai causar uma Retículo Pericardite Traumática. Nesse caso, a extração dos metais é apenas cirúrgica e dependendo da localização, se atingir o diafragma e pericárdio, o prognóstico será bem desfavorável com grandes chances de levar à morte do animal.
Existem vários modelos e marcas no mercado, porém, aqueles que possuem uma capa plástica, os pregos e pedaços de metais ficam “protegidos”, evitando maiores danos para parede interna do retículo, deem preferência para esses especiais.
O imã é colocado forçadamente com orientação médico-veterinária e com equipamento adequado para este fim, feito com hastes metálicas ou plásticas cilíndricas. O equipamento próprio evita que sejam causados danos na traqueia dos animais. Nunca use canos de PVC ou outros improvisos para colocar o imã, pois podem causar ferimentos internos nos animais.
Como os animais ingerem metais?
A língua do bovino é como uma “vassoura” que passa pelo cocho e por essa característica, além do capim, milho ou soja, elas acabam ingerindo esses pequenos objetos pontiagudos e infelizmente, isso é mais comum do que se pensa! Para piorar o caso, as vacas ainda não mastigam muito bem e engolem rápido o alimento, com isso não dá “tempo” de identificarem o pequeno objeto estranho na “refeição”.
Esses objetos caem no “prato” dos animais por pequenos descuidos, um exemplo é quando são feitas reformas de cerca, porteira ou galpão, em que pequenos pedaços de arame ou pregos caem acidentalmente no local.
Outro exemplo é quando pequenas peças se soltam dos maquinários de silagem ou misturador de ração, quando isso ocorre, esses objetos vão direto para o cocho da vaca.
Desta forma, frente ao custo dos imãs, a prevenção é o melhor caminho, especialmente nas vacas de alto valor genético como também naquelas de alta produção leiteira.
Evitar a morte das vacas por fatalidade como essa, tendo a solução barata no mercado é realmente inadmissível, sem contar o sofrimento do animal que poderia ter sido evitado também. São os pequenos detalhes que às vezes fazem uma diferença enorme na hora de fechar as contas do negócio.
Sinais que podem indicar o problema
- Diminuição de apetite
- Costas arqueadas
- Olhar apreensivo
- Se locomove pouco ou bem devagar
- Em rampas sente dor e manifesta por barulho
- Ficam mais deitados
- Pode ter febre, aumento do batimento cardíaco e da respiração
- A evolução do problema varia de acordo com o órgão que é afetado
- Risco de morte
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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.



